20:30 Ana enviou mensagem de texto pra Cecilia, “Vem pra cá, preciso te ver”. Cecília correu assim que a aula terminou.


Uma Ana carente, e uma Cecília cheia de amor pra dar. Deu foi certo.


E foi a campainha tocar, pra Ana desembestar pra abrir a porta. E foi a porta abrir, pra Cecília desembestar em beijar Ana. Com a certeza de quem sabe o que tá fazendo (e olha que ela sabe mesmo!), Cecília guiou Ana até o sofá, puxando a moça pra cima dela, sem desgrudar dos beijos.


Se agarraram um bom pedaço, e só pararam quando a mão de Cecília passou pela barriga de Ana, por debaixo da blusa, chegando até os seios, por cima do sutiã.


“Espera…” — Ana cessou os beijos.


Cecília não entendeu de primeira. Distribuiu beijos no queixo, na bochecha, no pescoço, na clavícula…


“Cecília…” — Ana chamou a atenção da loira, pondo a mão em seu peito, em um gesto que lhe pedia pra parar.


“Que foi…?” — Cecília ficou séria. Tinha feito alguma coisa errada?


Ana hesitou, levantou, e desviou o olhar.

Cecília acompanhou. Ficaram sentadas, uma de frente pra outra.


“É que…” — Ana procurava as palavras — “Não foi bem pra isso que eu te chamei. Num é isso. Não agora… num é disso que eu tô precisando... Tu entende?”


Cecília não piscou, não esboçou reação. Durou 2 segundos, de relógio. Não tinha entendido, ainda, o motivo da mensagem, mas talvez nem precisasse.


“E do que cê precisa?” — levou uma das mãos ao joelho de Ana, que baixou a cabeça, pra evitar contato visual.

Cecília insistiu.


“Pede que eu faço”


Aquela dedicação… Ana não conseguiu segurar um sorriso, ainda que bem pequeno.


“Tu pode só…” — ergueu os olhos, pra ver o rosto sincero de uma Cecília preocupada “...só ficar aqui comigo?” — e pôs a mão na de Cecília, no seu próprio joelho.


Cecília fez que sim com a cabeça, abrindo os braços em um claro convite pra um abraço aconchegante, que Ana não conseguiria recusar nem por dez caminhões de coxinhas.


Ficaram ali por minutos, quase. Cecília soube, pelo molhado que as lágrimas de Ana deixaram na sua blusa, que a moça precisava de amor, não de sexo.


“Vem, vou cuidar de você”