"Pede, que eu faço"
2 Dois.
Já passava de meia noite quando Ana bateu na porta de Cecília, sem avisar. Depois dos compromissos que tinha durante o dia e a noite, queria o colo da namorada, que tava aprendendo a entender sua vida profissional (ou pelo menos tentando).
“Tem certeza que eu num te atrapalho?” — Ana perguntou, com um beijo na bochecha de Cecília.
As duas deitadas na cama, abraçadinhas como duas pelúcias, de frente uma pra outra.
“Que nada” — Cecília garantiu com um beijo na testa — “amanhã é feriado local”
“Então eu posso te segurar acordada a noite todinha?” — Ana brincou.
Cecília levou a sério.
“Essa noite nada vai me segurar” — provocou, com uma mordidinha no lábio de Ana, só pra provocar mesmo.
“Ai é?” — Ana gostou, e teria comprado a brincadeira se tivesse tido tempo.
Quando viu tava presa à cama, com Cecília segurando suas mãos acima da cabeça, prendendo seu corpo com uma perna de cada lado.
Puxou o ar, surpresa, quando Cecília lhe mordeu a orelha. Mordeu o lábio quando Cecília lhe lambeu o pescoço.
“Assim tu me mata…”
Cecília riu — “E vai morrer de quê?” — E fez questão de deixar a boca próxima, mas só o suficiente pros lábios se tocarem na pronúncia das consoantes.
“De vontade…” — Ana tentou alcançar um beijo, mas Cecília desviou. Adorava uma provocação!
“Vontade de quê?” — E adorava brincar com fogo.
“Vontade de…” — Ana ficou tímida assim, do nada.
“De me pegar?” — Cecília provocou — “De me beijar, de me agarrar…De fazer amor comigo?” — seus sussurros eram diretos.
Ana já tava doida, tinha certeza.
“Me diz, Ana, vontade de quê?” — tornou a sussurrar, beijando a bochecha de Ana de leve.
Desejo faz arder.
“Vem, Ana… Do que cê tem vontade? Pede, que eu faço”
As palavras de Cecília eram gemidos. Ela queria ouvir na voz de Ana, ter confirmação, do desejo que causava.
Ana engoliu seco. A mulher mais linda do Rio de Janeiro tava em cima dela, na cama, com um arremedo de roupa que cobria muito pouco, gemendo entre beijos e mordidas, e ela sabia, era a pessoa mais sortuda da face da Terra.
“Faz o que tu quiser”- foi o que saiu de resposta, com as palavras atropeladas, e ela não se importou tanto com a pouca eloquência, não quando a boca de Cecilia tava no seu pescoço — “me beija, me morde, me arranha todinha, se tu quiser… Eu sou todinha tua”
Cecília trocou o pescoço pela boca — “Assim, eu gosto” — e a boca pelos seios.
E os seios pela barriga.
E a barriga pelas coxas.
E as coxas pela noite toda gemendo e fazendo gemer.
O resto é história.
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