Pedaços Transformados

176 Acreditava – P A R T E Q U A T R O


acreditava – P A R T E Q U A T R O

setembro, hoje

—Vamos, Julie – cantarolou Ashton, arrancando-a dos braços de Luke e puxando-a. – Vou te levar para casa.

Julie rosnou, mostrando os dentes, encarando-o profundamente, tentando mostrar o quanto não gostava nem um pouco desse tipo de brincadeira — e ela não gostava! Quem Ashton achava que era para dizer o que ela podia ou não fazer?

—Não, você não vai – discordou, puxando o braço da mão dele. – Traidor – silabou, dando as costas a ele. – Mamãe vai!

E saiu pisando duro.

E batendo a porta

E fungando.

Julie não era tão não sentimental quanto gostava de admitir, mas Ash ainda a admirava por tentar — quando esse orgulho não o deixava irritado. Ele suspirou, sentindo que num futuro não tão distante e tão tão próximo, Ashton Irwin estaria completamente irritado, porque ele sabia que Julie tentaria ser forte, negaria ajuda, até... até não precisar mais.

—Não vai me desejar boa sorte? -perguntou, observando a porta em silêncio.

—Oh, não – retrucou Luke, sorrindo para ele. – Estou te desejando toda a má sorte do mundo.

—Eu já tenho, não? – O bastardo sorriu e Luke sentiu o próprio sorriso fraquejar, porque oh-oh-oh, o que isso significava? – Eu tenho Julie.

Luke queria matá-lo. Ou rir. Ele não sabia, seu coração oscilava entre os dois, mas, é, eles se mereciam.

—Não se aproveite dela – ameaçou, provando as palavras vazias, o gosto insalubre.

Em qualquer dia que não fosse hoje, em qualquer momento que não fosse o agora, Calum riria e Luke o acompanharia, porque devia ser uma piada para sugerir algo desse tipo. Contudo o dia era hoje e o momento era agora e Calum não iria rir e sua irmã estava fragilizada e...

—E eu vou perder essa oportunidade? – questionou Ashton.

E Ash não era uma idiota.

Sim, ele era um idiota, mas como Julie gostava de relembrar um bom idiota — um idiota que ficou ao lado da amiga doente mesmo que tivessem brigado; um idiota que tentou fazê-la sorrir, embora soubesse o quão difícil seria, um idiota que a namorava. É claro que ele seria um idiota. E um bom, porque sua irmã era a melhor.

—Eu não vou — prometeu Ashton, vendo os olhos distantes de Luke e querendo colocar alguma centelha lá, fazê-lo se preocupar um pouco menos. – Eu não vou.

Luke piscou e o olhou, sorrindo cansado.

Cansado, cansado, cansado, quando ele não estaria?

Luke acreditava nele.

—Eu sei.