Pecados Íntimos
8 Capítulo 7 – Confissões da madrugada
Notas iniciais
Saí do banheiro enrolada na toalha e sentei na ponta da cama pegando o meu telefone para ligar para o Klaus. Precisava avisar o meu marido sobre os meus planos de permanecer em Mystic Falls e a essa hora ele já devia estar em casa.
O telefone de casa caiu na secretária eletrônica, decidi não deixar recado, em vez disso, liguei para o seu celular. Depois de três toques, ele atendeu a ligação.
– Oi, meu amor!– já foi dizendo, deve ter visto o identificador de chamadas – Não estava esperando sua ligação nesse momento.
– Eu precisava falar com você – expliquei – Aonde é que você está?
– Ainda estou na empresa – respondeu como se fosse a coisa mais natural do mundo, acho que já devia ter adivinhado – Tenho uma audiência muito importante na sexta-feira e quero terminar de ler o processo ainda hoje para poder passar o restante dos dias trabalhando na defesa.
– Entendo! — revirei os olhos, acho que ele nunca vai mudar – Bom, hoje a noite eu vou sair com a Caroline, ela quer que eu conheça o noivo dela.
– Que legal, Elena, divirta-se– disse, não tenho certeza se ele estava prestando muita atenção em mim – Você está aí cuidando do seu pai e merece sair com a sua melhor amiga.
– Era sobre o meu pai que eu queria conversar – decidi falar logo – O médico dele disse que vai lhe dar alta em breve e eu quero ficar aqui com ele nos primeiro meses para ajudá-lo com tudo.
– É mesmo uma boa ideia, meu amor – foi tudo que ele disse, tinha certeza de que era uma resposta automática, provavelmente ele queria mais era que eu desligasse logo para que pudesse voltar ao trabalho.
– Vão ser, pelo menos, uns dois meses e a Eve vai ficar aqui comigo – insisti, se não estivesse lamentando pela minha ausência, esperava que se importasse com a filha – Tem certeza de que não se importa que a gente fique tanto tempo longe?
– É o seu pai, Elena, ele é mais importante do que qualquer coisa que eu possa pensar – concluiu – Meu amor, sabe que eu sempre fico feliz falando com você, mas eu preciso mesmo terminar esse trabalho, espero que não fiquei chateada.
– Não, tudo bem – dei de ombros, mesmo sabendo que ele não podia ver – Tenho mesmo que me arrumar para sair com a Caroline daqui a pouco.
Joguei o celular em cima da cama e fiquei encarando um ponto qualquer da parede do meu quarto. Era sempre assim, Klaus colocava o trabalho na frente de qualquer outra coisa, não estava nem ligando para o fato de que eu iria ficar mais tempo longe dele para tomar conta do meu pai.
Às vezes eu gostaria que Klaus fosse um marido mais carinhoso, como ele era quando namorávamos. Ainda me lembro de como foi quando eu contei a ele que estava grávida, achei que não tinha ficado muito animado, mas mudei de opinião logo no dia seguinte.
*Flash Back*
Passei apenas um brilho labial sem cor, para disfarçar a brancura, já que tinha passado a tarde inteira enjoada e vomitando, a primeira consequência da gravidez. Klaus avisou que estava a caminho pois tinha algo para falar comigo, confesso que estou totalmente curiosa para saber o que era.
Dei uma rápida olhada em mim mesma pelo espelho, mesmo só tendo descoberto essa semana, já estava com dois meses de gestação e dava até para ver um pequeno montinho debaixo da minha blusa. Não sei como não tinha percebido isso antes, acho que era só quando se prestava muita atenção.
– Mal posso esperar para você crescer e começar a chutar – passei a mão pela minha barriga enquanto sorria – Quero que você saiba que a mamãe te ama, e muito.
O som da campainha me tirou dos meus devaneios e eu fui até a sala atender a porta. Lá estava o meu namorado segurando uma sacola de papel.
– Oi, Lena – me deu um selinho antes de entrar no apartamento – Como é que você está se sentindo hoje?
– Fora os enjoos, estamos bem – respondi, me referindo a mim e ao bebê.
– Trouxe comida japonesa daquele restaurante que você ama – falou, me entregando a sacola – Pedi mais daquele rolinho de atum que eu sei que é o seu favorito.
– Obrigada, Klaus, isso foi fofo – disse.
Fui até a cozinha guardar tudo na geladeira. Além da comida dentro da sacola também tinha uma garrafa de suco de uva.
– Trouxe suco de uva porque eu sei que você não pode beber – quando me virei, meu namorado estava parado debaixo do batente da porta da cozinha – Mas podemos tomar em taças de vinho, sei que não vai ser a mesma coisa, só que o que vale é a intenção.
– Gostei muito da ideia – concordei enquanto me aproximava – Vamos para a sala? Podemos assistir um filme ou ouvir música, o que você preferir.
– Na verdade eu trouxe mais uma coisa para você – retirou a caixa branca de dentro do bolso do paletó – Aqui, pode abrir.
Foi o que eu fiz, dentro da caixa tinha um par de sapatinhos de bebê feito de tricô na cor vermelha, eram tão pequenos que tenho certeza que cambiam na palma da minha mão.
– É lindo, Klaus – disse sem conseguir parar de olhar para aqueles sapatinhos – Eu amei.
– Queria ser o primeiro a dar um presente para o nosso filho ou filha – explicou – Imagino que você ainda não tenha tido tempo de comprar nada em três dias.
– Confesso que passei por uma loja de bebês e fiquei com vontade de comprar tudo que tinha lá – admiti – Mas eu acho melhor esperar para, pelo menos, saber o sexo. Eu sempre tive vontade de decorar o quartinho do meu bebê todo de azul, se for menino, e todo de rosa, se for menina.
– E nós iremos fazer isso, se for a sua vontade – colocou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha – Comprei vermelho porque dizem que dá sorte, pelo menos foi o que a Bekah me falou. Contei para ela, espero que não se importe, precisava de uma opinião feminina.
– Claro que não me importo, vamos ter que contar para as nossas família, então por que não começar logo? – respondi – E avisa para ela que eu amei e esse vai ser o primeiro sapatinho que o nosso bebê vai usar, ainda na maternidade.
Fechei a caixinha com a intenção de guardá-la no meu quarto, mas Klaus colocou a mão no meu braço, me impedindo de fazer isso.
– Espera, Lena – disse – Você não vai tirar os sapatinhos daí de dentro?
Achei aquilo um pouco estranho, mas fiz o que ele estava dizendo. No fundo da caixa tinha uma aliança de ouro branco com várias pedrinha transparentes em cima, não consegui acreditar no que estava vendo.
– Klaus... — disse enquanto pegava o anel, minha mão estava tremendo.
– Elena Gilbert, eu posso estar sendo um pouco precipitado, mas sinto que essa é a coisa certa a fazer – se ajoelhou na minha frente – Você aceita se casar comigo para quando o nosso bebê nascer, nós três possamos ser uma família completa?
Fiquei totalmente sem reação naquele momento, várias coisas estavam passando pela minha cabeça naquele momento. Klaus já se formou há alguns anos e até trabalha com o seu pai na empresa da família, mas eu acabei de sair da faculdade e estou apenas começando a minha vida profissional e tenho medo de esse casamento prejudicar isso de alguma maneira, além disso, passar a vida ao lado de alguém só por causa de uma gravidez é furada e existem vários exemplos mal sucedidos para provar isso.
Mas, por outro lado, eu amo o Klaus e já estamos juntos há quatro anos, o nosso casamento vai mesmo acontecer futuramente, inclusive já conversamos sobre isso antes. Tudo que estamos fazendo é adiantando isso.
– Sim, Klaus – respondi, por fim — Eu aceito me casar com você.
– Não sabe o quanto você está me fazendo feliz nesse momento – colocou as duas mãos na minha cintura, fazendo com que eu levantasse alguns milímetros do chão e começou a dar voltas comigo pela cozinha – Eu te amo, Lena.
– Eu também te amo, Klaus – não conseguia parar de sorrir nesse momento.
Klaus pegou a aliança e a colocou no meu dedo anelar da mão direita antes de me beijar. E esse era só o começo da nossa vida juntos e tenho certeza de que vamos ser muito felizes.
*Fim do Flash Back*
Parece que isso tudo aconteceu há uma vida, mas na verdade faz apenas 3 anos. Claro que não estou totalmente arrependida de ter aceitado o pedido de casamento, Klaus e eu tivemos bons momentos, mas o problema é a rotina em que o nosso relacionamento entrou e essa era uma das coisas que eu corrigiria se pudesse voltar no tempo.
– Lena, eu queria saber se você tem... — Jeremy apareceu na porta do meu quarto – Você ainda não está pronta? Pensei que tivesse combinado com a Caroline no Grill às oito e só faltam quinze minutos.
– Eu sei, já vou me vestir – avisei enquanto me levantava – Apenas me distraí pensando na vida.
– E será que eu posso saber o que você estava pensando tanto que fez você esquecer de se arrumar? — perguntou, meu irmão sempre foi totalmente curioso.
– Nada de importante – dei de ombros fingindo indiferença, ainda não estava pronta para falar sobre os meus problema conjugais, principalmente com Jer – Será que agora você pode sair para eu trocar de roupa?
– Oh sim, claro – concordou antes de sair do quarto, mas antes de fechar a porta, se virou, novamente, para mim – A Eve está lá embaixo assistindo televisão, são uns bichinhos coloridos muito esquisitos.
– Pois saiba que a sua sobrinha ama esses bichinhos coloridos e esquisitos – não pode deixar de rir do comentário dele – Acho melhor ir se preparando, pois você vai passar as próximas horas vendo isso.
– Acho que eles estão hipnotizando ela com essas músicas – reclamou – De qualquer maneira eu vou estar lá embaixo com ela.
Assim que ele saiu, eu fui abrir a minha mala, já que ainda não tive tempo de arrumar as minhas coisas, está tudo lá. Vesti uma calça jeans, uma blusa vermelha com uma manga curta e calcei uma bota com um pequeno salto, além disso, peguei uma jaqueta, pois podia esfriar enquanto estivesse fora. Entrei no banheiro, fiz uma maquiagem simples realçando os meus olhos e passei o baby liss apenas nas pontas dos cabelos, deixando-as levemente cacheadas. Pronto, eu estava pronta para sair.
Já do alto da escada eu pude ver Eve e Jeremy sentados em frente a televisão. Para quem disse que não gostava dos “bichinhos coloridos e esquisitos”, meu irmão parecia estar se divertindo muito.
– Cheguei! — disse, fazendo com que os dois se virassem para mim – E então, o que acharam? — dei um voltinha em torno de mim mesma.
– Você está muito linda, mamãe – Eve disse na mesma hora.
– Ela tem razão, Lena, você está maravilhosa – foi a vez do meu irmão falar, ele estava com o enorme sorriso no rosto ao me olhar de cima a baixo.
– Vocês dois estão exagerando – estava começando a me sentir envergonhada.
– Não, eu não estou exagerando – ele garantiu – Acho melhor você ir logo. Tem alguma outra recomendação para me dar?
– Deixe-me ver – comecei a pensar, já tinha falado várias coisas, mas tinha certeza de que esqueci alguma coisa – O jantar dela está em cima do fogão é só esquentar e servir, pode fazer isso daqui a uma meia hora. Ela vai para a cama, no máximo, às 9 e meia, e Eve gosta de tomar leite com chocolate e tem que ser no “copo de menina grande” nada de mamadeira, por favor.
– Pode deixar, eu já sei disso tudo – revirou os olhos – Nós dois vamos ficar muito bem aqui, pode ir tranquila.
– Você sabe o número do meu celular, qualquer coisa é só me ligar – lembrei – E, Jer, muito obrigada por ficar com ela hoje.
– Não é trabalho nenhum ficar aqui com a minha sobrinha favorita – sentou-se no sofá, mas uma vez, e bagunçou o cabelo da minha filha – Não é mesmo, Eve, nós vamos nos divertir muito hoje.
– E a senhorita, comporte-se – pedi – Faça tudo que seu tio Jeremy mandar.
Dei um beijo em Eve antes de pegar a minha bolsa e sair. Estava um noite agradável e com uma temperatura amena, eu levei um pouco mais de dez minutos caminhando de casa até o Mystic Grill, como era dia de semana o local não estava muito cheio e não foi muito difícil encontrar a minha amiga. Caroline estava sentada em uma mesa no canto do bar acompanhada de um cara alto com o cabelo castanho claro, imaginei que fosse o seu noivo.
– Oi, Lena! — ela se levantou e me cumprimentou dando dois beijos no meu rosto – Fiquei tão feliz por você ter vindo.
– Também estou feliz de ter vindo – concordei.
– Bom, deixa eu fazer as devidas apresentações – pediu enquanto o homem junto com ela se levantou – Lena, esse é o Stefan, meu noivo. Stef, essa é a Elena, minha melhor amiga em todo esse mundo.
– Finalmente conheci a famosa Elena Gilbert – estendeu a mão e eu retribuí o seu cumprimento – Já ouvi várias histórias de vocês quando eram mais novas, a minha favorita é de quando as duas fugiram para a festa na casa dos Lockwood.
– Não acredito que contou essa história para ele, Car! — me virei para a minha amiga, me fingindo de brava.
– Eu não tenho segredos com o meu futuro marido – ela o abraçou.
– Vocês duas aprontaram bastante durante a adolescência – Stefan observou – Espero que quando eu e a Caroline tenhamos filhos eles não sejam nem um um pouco parecidos com isso.
– Acredite em mim, eu penso a mesma coisa a respeito da Eve – revirei os olhos, realmente não consigo imaginar a minha filha aprontando aquelas coisas que eu e Caroline fazíamos.
– Mas vamos sentando – minha amiga disse – Nós estamos bebendo cerveja, o que você vai querer, Lena?
– Vou querer uma cerveja também! — respondi, depois de todo o estresse com Klaus tudo que eu preciso é beber.
Stefan chamou uma garçonete que logo voltou trazendo três garrafas. A bebida desceu rasgando pela minha garganta e eu não pude deixar de fazer uma careta, já fazia muito tempo desde que eu tomei cerveja pela última vez, acho que tinha me desacostumado.
– Stef, aquele ali não é o seu irmão? — Caroline perguntou, apontando para o balcão, aonde algumas pessoas costumavam se sentar.
– É ele mesmo! — respondeu.
Foi quando eu me virei, haviam três pessoas ali, dois homens e uma mulher. Um deles eu reconheci na mesma hora, mesmo ele estando de costas, era Damon Salvatore.
– Seu irmão é aquele ali está ao lado do doutor Salvatore? — decidi perguntar.
– Não, Lena, na verdade, o irmão dele é o doutor Salvatore – minha amiga explicou – É ele quem está cuidando do seu pai, não é mesmo?
– Sim! — concordei com a cabeça – Acho que eu nunca desconfiaria que vocês dois são parentes, Stefan. Quero dizer, vocês não são muito parecidos.
– Somos irmãos apenas por parte de mãe, deve ser por isso que não nos achou parecidos – deu de ombros – Bom, vou chamá-lo para se sentar conosco.
Ia dizer que não precisava fazer isso, mas ele já tinha se levantado e ido até o irmão.
– E então, Car, me conte como vocês dois se conheceram – pedi enquanto tomava mais um gole da minha cerveja.
– Enquanto eu estava na faculdade, em Whitmore, eu sempre vinha aqui para Mystic Falls uma vez por mês para ver a minha mãe, sabe disso, não é? — apenas concordei com a cabeça e esperei que ela continuasse a história – Uma dessas vezes eu vim aqui no Grill e conheci o Stefan, ele estava de passagem visitando o irmão. Nós dois ficamos e acabamos trocando telefone, mantivemos contato por um tempo, mas nunca mais rolou nada. Então, depois que eu me formei e voltei para a cidade, descobri que ele também tinha se mudado para cá e, quando vi, já estávamos namorando e agora vamos nos casar.
– Que história linda – sorri ao falar – E ele se formou em que?
– Direito, em Yale – respondeu – Ele acabou de abrir um escritório aqui na cidade e está fazendo bastante sucesso, tem até clientes que vem lá de Richmond.
Fiquei feliz pelas coisas para a minha amigas estarem dando certo, mas espero que Stefan não comece a ficar obcecado pelo trabalho e Caroline não fique infeliz como eu.
– Mas chega de falar sobre mim – ela pediu – Por favor, Lena, me conta sobre como estão as coisas em Nova York. Como está o Klaus? Como está o casamento de vocês?
– Ora, se não é a senhora Elena Mikaelson – quando me virei lá estava Damon segurando um copo de Wisky que estava quase vazio – Não sabia que você e a minha futura cunhadinha eram amigas.
– Na verdade somos melhores amigas – Caroline corrigiu – E então, Damon, vai se sentar conosco?
– Se eu não estiver atrapalhando – deu de ombros – Não quero atrapalhar a conversa de vocês.
– Mas é claro que não atrapalha, estamos apenas relembrando os velhos tempos – explicou – Quanto mais gente melhor, não é mesmo, Lena?
– Claro! — concordei sem conseguir deixar de olhar para o moreno em pé ao meu lado – Mas também não queremos te atrapalhar, vi que está com alguns amigos.
– O Ric está dando em cima da doutora Fell há meses e finalmente a convenceu de vir aqui no Grill com ele – revirou os olhos – Só estava segurando vela, é até melhor eu ficar aqui vocês.
Então ele se sentou ao meu lado e Stefan também voltou para o seu lugar, juntamente com Caroline.
– Bom, acho que vou pedir mais um Wisky para mim – Damon avisou – Alguém mais vai querer?
– Eu quero! — respondi na mesma hora.
– Tem certeza, Elena? — minha amiga me olhou confusa – Você já está bebendo cerveja, nunca é uma boa ideia misturar bebidas.
– Deixa de bobagem, eu bebi apenas uma garrafa, misturar agora não vai fazer mal – garanti – Além disso, é só hoje.
Nós ficamos horas sentados naquela mesa conversando sobre várias coisas. Descobri várias coisas sobre Damon e Stefan, como eles terem crescido em Atlanta e várias coisas que os dois aprontaram durante a infância, eu e Car éramos santas perto deles.
– Mas então nós fomos crescendo e ganhando responsabilidade – ele continuou – Sabe como é, faculdade, morando sozinho, é preciso ganhar um pouco de juízo.
– Sei como é isso – observei – Acredite, comigo foi um pouco pior, já que eu engravidei e casei, precisei de um pouco mais de responsabilidade do que o normal.
Damon não disse nada, apenas ficou me encarando e bebeu um pouco do seu terceiro copo de Wisky e eu fiz o mesmo. Já tinha bebido a mesma quantidade que ele de Wisky e umas cinco garrafas de cerveja, confesso que essa mistura de bebida estava começando a me deixar um pouco tonta.
Enquanto isso, Caroline e Stefan estavam se beijando como se suas vidas dependessem disso.
– Acho que esses dois deveriam procurar um quarto – sussurrou para mim.
– Com certeza! — concordei, foi só nesse momento que eu percebi o quanto a minha voz estava enrolada – Mas eu fico feliz pela minha amiga. Pelo menos uma de nós duas vai ter um “final feliz”.
– O que quer dizer com isso? — perguntou. Essa não! Sempre que eu bebia acabava falando um pouquinho demais e isso costuma ser um pouco inconveniente.
– Nada de importante – tentei disfarçar – Mas sabe, estou surpresa por você estar aqui a essa hora. Não tem que estar no hospital amanhã cedo?
– Na verdade, amanhã é meu dia de folga – explicou – Mas não se preocupe, eu não esqueci da alta do seu pai, vou assiná-la depois de manhã.
– Não estava preocupada com isso – garanti.
Ele levou a mão até o meu rosto e ficou acariciando as minhas bochechas com o polegar, estava me olhando como se eu fosse a coisa mais incrível do mundo.
– Você é tão linda – sussurrou – Passei dias tentando ignorar isso, mas acho que não consigo.
– Damon... — tentei alertá-lo, aquela proximidade entre nós estava me deixando nervosa e acho que o fato de eu estar bêbada não adiantava muita coisa.
– Hei, vocês dois! — Caroline nos interrompeu – Vão mesmo ficar só conversando entre si e nos ignorando?
Então nós viramos para frente e continuamos a conversar.
Nós quatro ainda ficamos um pouco mais de meia hora ali no bar. Caroline foi embora juntamente com o noivo e eu estava me preparando para ir embora também.
– Tchauzinho, doutor Salvatore – acenei para ele, estava andando um pouco torta pelo fato de estar um pouco tonta, mas acho que conseguiria ir sem problema nenhum – Nós nos vemos outro dia.
– De jeito nenhum – segurou a minha mão – Acha mesmo que eu vou te deixar ir sozinha nesse estado?
– Eu estou bem, Damon – garanti – Sou perfeitamente capaz de chegar em casa sozinha.
– Você não está nem um pouco bem, está bêbada – observou – Além disso, estamos no meio da madrugada e as ruas estão desertas, não é bom uma dama andar sozinha.
– Quanto machismo – revirei os olhos – Mas tudo bem, já que insiste eu te deixo me levar para casa.
Ele me fez colocar o braço em torno dos seus ombros e me ajudou a caminhar. O engraçado é que Damon tinha bebido tanto quanto eu e parecia bem mais sóbrio, talvez estivesse mais acostumado.
– Sabe, acho que eu não me divertia assim há anos – comentei, de repente – Para falar a verdade, acho que não me divirto assim desde que me mudei de Mystic Falls. Os meus momentos mais legais foram ao lado da Caroline.
– Você deve estar exagerando – falou – Tenho certeza de que deve se divertir com o seu marido.
– Com o Klaus? Você só pode estar brincando – ri – Ele até era divertido no inicio do namoro, quando nós saíamos para beber e dançar na noite de Nova York, mas depois ele começou a pensar somente em trabalho e ficou chato.
– Não é uma coisa muito legal para se falar do seu marido – disse – Afinal, vocês têm uma filha juntos e tudo mais.
– A Eve foi a única coisa boa desse casamento mais do que fracassado – desabafei e, sendo 100% sincera, era bom dizer aquelas palavras em voz alta – Tem dias que eu tenho vontade de arrumar as minhas coisas e sumir daquele apartamento para sempre levando a minha filha junto.
– Prontinho, chegamos! — mudou de assunto enquanto subíamos a escada da varanda de casa – Espero que tenha trazido a chave.
– Claro que eu trouxe, só preciso pegar – sentei em um dos degraus e abri a bolsa – Sabe, uma vez eu e o Tyler decidimos abrir uma garrafa de champanhe e acabamos bebendo mais umas três e ficamos muito bêbados, quando cheguei em casa não conseguia achar a minha chave e dormi aqui mesmo na varanda – foi impossível não rir com aquela lembrança – Aqui está a chave – mostrei o chaveiro para ele.
– Deixa que eu abro a porta – pegou o objeto da minha mão – Duvido muito que você consigo colocar isso na fechadura.
Ele me ajudou a levantar mais uma vez. Acabei tropeçando em uma madeira solta da varanda e quase cai, por sorte Damon estava ali para me segurar.
Seus olhos azuis ficaram ali me encarando profundamente e ele voltou a passar o polegar pela minha bochecha, como estava fazendo no bar, antes de começar a aproximar o rosto do meu. Seu hálito quente estava no meu rosto, tinha certeza de que iriamos acabar nos beijando e eu não iria oferecer nenhuma resistência para que não acontecesse, pelo menos não agora, cansei de fugir do que estava acontecendo entre nós.
O barulho de chave na porta fez com que nos separássemos. Me virei a tempo de encontrar Jeremy debaixo do batente, ele estava usando o seu pijama.
– Oi, Lena, eu ouvi barulho aqui fora e imaginei que fosse você – falou enquanto olhava para mim e para Damon repetidas vezes – Está tudo bem?
– Sua irmã bebeu um pouco demais – ele respondeu antes que eu pudesse falar alguma coisa – Consegue cuidar dela?
– Claro que sim! — antes que eu me desse conta estava com o braço envolta do pescoço de Jeremy – Boa noite, doutor Salvatore.
Ele acenou antes de ir embora, então meu irmão fechar ia porta.
– Sabe, Jer, eu acho que te odeio – comentei enquanto ele me fazia sentar no sofá azul da sala.
– Sério? — cruzou os braços e me encarou – Será que eu posso saber o que eu fiz para merecer o seu ódio?
– Mas eu também te amo – continuei – Porque você acabou de me impedir de fazer a maior besteira do mundo – eu ainda queira beijar o Damon, mas acho que foi melhor assim, com certeza eu iria ficar totalmente arrependida amanhã se tivesse acontecido alguma coisa.
Eu me deitei no sofá e fechei os olhos, estava tão cansada que poderia dormir ali mesmo.
– Espera ai, você não vai dormir agora e, principalmente, não vai dormir aqui no sofá – Jeremy avisou.
– Mas eu quero dormir aqui – reclamei – Me deixar em paz, Jeremy.
– Acho melhor eu fazer um café para você beber antes de dormir – avisou – Me espera bem aqui, eu já volto.
Vi meu irmão entrando na cozinha antes de eu fechar meus olhos novamente, depois desse momento, não me lembro de mais nada do que aconteceu.
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