Pecados Íntimos
9 Capítulo 8 – Aproveitar o momento
Notas iniciais
O sol entrou no quarto pela fresta da cortina e me acordou quase que imediatamente, foi impossível não soltar um gemido de frustração. Abri os olhos e vi que estava deitada na minha antiga cama e ainda usava o meu pijama, não tenho a menor ideia de como eu tinha chegado naquele local, acredito que tenha tido uma grande ajuda de Jeremy.
Minha cabeça estava explodindo, uma das milhares de consequências do excesso de bebida, mas o pior foi que os flashes de tudo que eu fiz ontem a noite começaram a voltar e acho que isso é pior do que qualquer ressaca. Ainda não acredito que eu desabafei com o Damon sobre os meus problemas com o Klaus e, ainda por cima, nós quase nos beijamos, por sorte meu irmão nos interrompeu antes. Nem sei o que faria se alguma coisa tivesse acontecido entre nós dois.
Tomei um susto quando a porta do quarto foi aberta, Eve entrou correndo e começou a pular na cama.
– Bom dia, mamãe! — sua voz estava um pouco elevada e eu já sentia a minha cabeça latejar cada vez mais – O dia está tão bonito hoje.
– É sério? — tentei dar um pequeno sorriso de animação, mas, na realidade, tudo que eu queria era ficar na cama o restante do dia – E aonde é que está o seu tio Jeremy?
– Ele disse que ia até o Grill para usar a internet sem fio, porque a daqui não está boa – explicou.
O Mystic Grill não é só o único bar da cidade, durante o dia o local funciona como restaurante, lanchonete e cafeteria, estava sempre cheio, principalmente pela internet grátis.
– Não quero ficar aqui trancada o dia inteiro – ela cruzou os braços e fez biquinho – Vamos até o parquinho, mamãe?
– Agora não, Eve – respondi, colocando o travesseiro na frente do rosto – A mamãe está querendo ficar o restante do dia aqui deitada.
– Mas você prometeu que ia me levar lá – ficou puxando o meu braço, tentando fazer com que eu me levantasse – Por favor!
Sabia que se eu não dissesse nada ela ficaria o dia inteiro insistindo. Eve é muito teimosa quando quer, puxou a mim nesse quesito.
– Tudo bem, você venceu – concordei enquanto sentava na cama, tinha a impressão de que a cada segundo que passava a minha dor de cabeça piorava – Mas antes eu preciso tomar um banho e uma aspirina.
– Vou ficar lá embaixo vendo televisão – avisou caminhando em direção a porta – O tio Jer deixou o desenho ligado para mim antes de sair.
– Que bom! — concordei – E ele também te deu café da manhã?
Ela balançou a cabeça afirmativamente antes de sair e fechar a porta. Por sorte tinha uma caixa de aspirina no armário do banheiro e eu tomei um comprimido antes de entrar no banho. Depois de colocar uma roupa bem confortável e colocar uma sandália rasteirinha, eu já estava pronta para sair.
Quando desci a escada, encontrei Eve sentada no sofá totalmente concentrada no desenho que passava naquele momento.
– Já estou aqui, princesinha – dei um beijo no topo da cabeça da minha filha – Só preciso tomar uma xícara de café antes de irmos.
Ela nem ao menos falou nada quando eu entrei na cozinha. Decidi tomar só o café mesmo, apesar de a minha dor de cabeça ter passado, eu ainda sentia o meu estômago um pouco embrulhado, então preferi não comer nada, depois eu fazia um almoço reforçado para compensar.
– Eve, meu amorzinho, desliga a televisão que nós já estamos indo – pedi no momento que voltei para a sala.
– Está bem – pegou o controle remoto, eu a ensinei a fazer isso quando estávamos em casa, assim ela já estava educada a desligar a televisão quando não estivesse por perto – Quero ir no colo – esticou os bracinhos para que eu a pegasse.
– Tudo bem! — a segurei, fazendo com que minha filha encostasse a cabeça no meu ombro – Você está ficando pesadinha, daqui a pouco não vou mais conseguir segurar você.
– Consegue sim! — garantiu.
O parquinho que eu costumava ir quando era criança continuava do mesmo jeito de sempre, fora algumas mudanças parecia que eu tinha acabado de voltar no tempo. O único problema era que, como é dia de semana, o local estava totalmente vazio.
– Aonde estão as outras crianças, mamãe? — Eve perguntou, parecia totalmente frustrada.
– Devem estar todas na escola – lembrei – Nós viemos aqui para Mystic Falls, mas as outras pessoas continuam com a vida normal.
– Que triste... — fez biquinho – Posso brincar mesmo assim?
– Já viemos até aqui, então, tudo bem – a coloquei no chão e ela correu em direção aos brinquedos – Vou sentar ali para ficar de olho – apontei para o banco que ficava ali em frente.
– Não, mamãe, me empurra no balanço! — pediu enquanto puxava o meu braço.
– Tudo bem! — e peguei no colo novamente para poder sentá-la no brinquedo, então eu fui para trás dela e comecei a empurrá-la.
Eve começou a rir e ficava pedindo para eu empurrá-la mais alto, parecia que ela estava se divertindo muito. Já devia ter passado uma meia hora quando apareceram duas meninas, uma devia ter, no máximo, uns dez anos e a outra aparentava ser somente uns dois anos mais velha que a minha filha.
A garota mais nova foi na nossa direção.
– Oi! — ela disse enquanto balançava o corpo de um lado para o outro parecendo um pouco envergonhada por ter ido até ali – Eu sou a Lisa.
– E eu sou a Eve – tinha parado com o balanço para que as duas pudessem conversar.
– Aquela é a minha irmã, Allison – apontou para a outra garota – Acabamos de nos mudar, por isso eu ainda não estou na escola.
–Eu e a minha mãe moramos em Nova York e viemos aqui para cuidar do meu avô – Foi a vez de Eve explicar.
– Legal! — Lisa sorriu – Quer brincar comigo?- apontou para o roda-roda, que estava há poucos metros de nós.
– Posso, mãe? — perguntou, virando-se para mim.
– Claro, meu anjinho – respondi – Agora eu vou mesmo para aquele banco, vocês duas fiquem aí direitinho.
Enquanto observava minha filha e sua nova amiguinha, novamente voltei ao tempo, era bom ser criança e livre de qualquer preocupação, mas, infelizmente, a gente tem que crescer.
– Olha só quem conseguiu ficar de pé hoje! — uma voz familiar surgiu atrás de mim, quando eu me virei, lá estava Damon Salvatore.
– Acho que posso dizer o mesmo de você – ri enquanto ele se sentava ao meu lado.
– Não bebi tanto assim – deu de ombros – Além disso, acho que estou mais acostumado do que você.
– Bom, para ser sincera, eu não bebo assim desde antes de engravidar – fiz uma careta – Mas então, aproveitando o seu dia de folga?
– Estava dando uma volta e tomando um pouco de ar – explicou – Dias de folga são tão raros, é preciso aproveitar. Não acha?
– Com certeza! — sorri – Queria que o meu marido pensasse assim igual a você.
– Oh sim, claro, lembro da reclamação que você fez comigo enquanto eu te levava para casa – comentou – Sobre o seu marido reclamar demais e não tem tempo para você ou para a Eve.
Essa não! Sabia que a probabilidade dele lembrar dessa conversa era muito grande, mas não imagina que fosse comentar alguma coisa.
– Eu disse isso? — o olhei, espantada – Sinceramente, eu não me lembro de nada de ontem à noite, depois das duas primeiras doses de Wisky é tudo um grande borrão até hoje de manhã – nunca fui muito boa em mentir, espero que tenha conseguido convencê-lo.
– E como você acha que voltou para casa? — quis saber.
– Pensei que tivesse conseguido chegar em casa ou alguma coisa parecida – falei – Mas agora você está dizendo que me levou para casa, acho que vou ter que acreditar em você.
– Sim, eu levei você para casa – afirmou.
Por sorte ele não falou sobre o beijo, o que foi um alívio para mim, deve ter pensado que eu já tinha passado por vergonha o suficiente por saber da minha confissão embriagada para saber que também quase tinha traído o meu marido. Damon ficou olhando para a minha mão que estava pousada na madeira do banco, acho que pensou em segurá-la, mas acabou não fazendo.
– Esse tempo ensolarado merece um sorvete – avisou, se levantando – Vai querer um também? Eu pago.
– Vou querer sim – respondi, pegando a minha bolsa – Mas não precisa pegar, espera que eu vou pegar o dinheiro.
– Não precisa, faço questão de pagar – garantiu – Será que a Eve vai querer soverte?
– Eve, você quer um sorvete? — gritei na direção dela.
–Não! — respondeu de volta, ela estava se divertindo bastante, pelo menos isso quer dizer que ela vai dormir cedo hoje.
– Então serão somente dois sorvetes – Damon deu de ombros – O meu favorito é de chocolate. E o seu?
– Menta com chocolate – disse sem pensar duas vezes, esse sempre foi o meu sabor favorito, desde que eu era criança.
– Sério? — fez uma careta e não pude deixar de sorrir, essa era sempre a reação das pessoas – Então está bem, um sorvete de chocolate e um de menta com chocolate.
Ele saiu em direção à sorveteria que ficava do outro lado da rua e voltou poucos minutos depois com dois copinhos de sorvete e me entregou um deles antes de se sentar.
– A Eve está bem animada com a nova amiguinha – comentou enquanto também as observava.
– Como a Eve é filha única e também não tem primos, sempre teve bastante amigos no prédio em que moramos – expliquei – Acho importante que ela interaja com as outras crianças, não é bom ficar só cercada de adultos, não é mesmo.
– Sorte que eu nunca tive esse problema – observou – Eu só tinha três anos quando minha mãe teve o Stefan e um pouco depois a nossa irmãzinha também nasceu. Temos dois primos também, mas só nos víamos nos natais, nos dias de ação de graças e coisas assim, a maior parte do tempo éramos somente nós três.
– Sei como é isso – concordei – Quando eu era pequena tinha a Caroline, que é praticamente minha irmã e, é claro, o Jer.
– Você e o Jer parecem ser dar muito bem – virou-se para poder me olhar melhor – Deve ter sido muito importante vocês terem crescido juntos pelo fato de terem perdido a sua mãe tão cedo.
Fiquei encarando os meus pés, sei que fazia anos desde o acidente, mas ainda é muito difícil falar sobre a minha mãe. Sempre acabo pensando em todas as coisas das nossas vidas que ela perdeu e isso acaba me deixando bem triste.
– Desculpa, não tenho nada a ver com isso – deve ter percebido como eu fiquei – Você não precisa me falar nada, é sua vida pessoal.
– Não tem problema, Damon — meio sem pensar eu coloquei a minha mão sobre a dele, mas retirei quase que imediatamente – Sabe, acho que pelo fato de que meu pai passava grande parte do tempo no hospital por causa do trabalho e eu e Jer estarmos quase sempre sozinhos, acabei meio que assumindo o papel de “mãe da casa”, ele ficava meio irritado com isso, mas me obedecia. Até que foi bom, pois acabou me dando uma base para quando a Eve chegou.
– Para ver o quanto irmãos são importantes na vida de uma criança – completou – Você pensa em ter mais filhos? Dar um irmãozinho ou uma irmãzinha para a Eve?
– Eu até quero ter mais filhos – garanti – Mas não acho que esse seja o momento certo para isso.
– Isso tem alguma coisa a ver com as confissões de ontem sobre o seu casamento? — perguntou logo em seguida – E, mais uma vez, eu estou aqui me metendo em um assunto que não tem nada a ver comigo.
E mais uma vez o arrependimento me bateu. Por mais que eu estivesse com raiva do meu marido não tinha nada que ter falado aquelas coisas, infelizmente agora é um pouco tarde demais para pensar dessa maneira.
– Ontem eu estava bêbada e falei todas aquelas coisas sem pensar – tentei explicar – Tudo bem, o Klaus trabalha um pouco de mais e isso, às vezes, é bem irritante, mas eu amo o meu marido. Estamos junto há vários anos e temos uma filha juntos.
Ele não disse nada, apenas voltou a tomar o seu sorvete, sem nem ao menos me olhar.
– Acho que posso dizer que o fato do Klaus estar sempre trabalhando é um do motivos para não ter outro filho agora – continuei – Mas acho que não estou preparada para passar por outra gravidez agora e, principalmente, por outro parto.
– Mas pense pelo lado bom, você já passaria por isso logo de uma vez – sugeriu.
De repente me veio uma imagem de eu grávida, mais uma vez, mas o pai não era o Klaus e sim o Damon. Balancei a cabeça negativamente tentando afastar aquela imagem da minha cabeça.
Não tive mais tempo para me preocupar com os meus pensamentos impróprios, pois um chorinho agudo fez com que nós dois nos virássemos em direção ao parquinho. Eve estava caída no chão e parecia ter se machucado.
– Essa não! — corri até ela – O que houve, minha princesinha? — a fiz se sentar, seus dois joelhos e suas mãozinhas estavam arranhados.
– Ela foi correndo até aonde vocês estavam, mas tropeçou e caiu no chão – Lisa tentou explicar – Eu tentei ir atrás dela, mas não consegui.
– Está tudo bem, foi um pequeno acidente e pode acontecer com qualquer um – coloquei Eve sentada no meu colo e tentei limpar a areia que estava em sua roupa toda.
– O machucadinho está ardendo, mamãe – ela reclamou.
– Eu sei, lindinha – dei um beijo no topo da sua cabeça – Não se preocupe, vamos para casa e eu resolvo isso.
– Meu apartamento é ali na outra rua – Damon estava parado ao meu lado – Podemos ir até lá e eu limpo esses machucados, assim não corre o risco de infecção.
– Não precisa, tenho certeza de que tem um kit de primeiros socorros lá na casa do meu pai – garanti.
– Mas você ainda vai ter que procurar e lá em casa não tem esse problema – lembrou.
– Tudo bem, acho que você tem razão – tive que concordar.
– Vem aqui, Eve – ele pegou a minha filha no colo – Vamos lá que o tio Damon vai resolver o seu problema.
O prédio em que ele morava realmente não ficava muito longe. Não era um apartamento muito grande, mas, só olhando a sala, dava para ver que era bem arrumado, cada coisa no seu devido lugar.
– Bem vinda ao meu humilde lar – disse assim que entramos no local – Esperem aqui enquanto eu vou pegar as coisas para fazer o curativo – colocou Eve sentada no sofá e seguiu em direção ao corredor.
Ele voltou alguns minutos depois trazendo uma caixinha branca com o desenho de uma cruz vermelha, então se ajoelhou na frente da minha filha.
– O seu apartamento é mesmo lindo – observei, de repente – Você mora aqui sozinho?
– O Stefan mora aqui comigo, embora, ultimamente, ele tenha passado mais tempo na casa da Caroline do que aqui – respondeu – Mas é isso, esse é o cantinho dos irmãos Salvatore.
Damon limpou todos os machucados de Eve e passou spray anti-séptico, ela reclamou um pouco, mas depois viu que o incômodo tinha passado. Foi nesse momento que eu percebi que tinha começado a chover forte do lado de fora.
– Essa não, eu não trouxe guarda-chuva – comentei, estava fazendo um dia tão lindo quando sai de casa que eu nem ao menos pensei nisso – Não tem como eu sair daqui com a Eve, não com essa chuva.
– Fiquem aqui esperando – ele avisou – Tenho certeza de que não deve demorar muito para passar.
– Só não quero dar trabalho – dei de ombros.
– Não vai ser trabalho nenhum – garantiu – Eve, você quer ir ver televisão lá dentro no quarto?
– Quero sim! — balançou a cabeça afirmativamente, totalmente animada.
– Então, vamos lá – fez com que ela se levantasse e segurou a sua mão – Eu já volto, Lena.
Enquanto Damon não voltava fiquei olhando um ponto fixo na parede. A ideia de ficarmos ali sozinhos me deixava totalmente nervosa, mas não tinha jeito, eu tinha que fingir que estava o mais normal possível.
– Quer beber alguma coisa? — perguntou totalmente de surpresa, não vi que ele já tinha voltado – Ainda tem um pouco de café, também posso fazer um chocolate quente, ou então um vinho.
– Sem vinho, por favor – fiz uma careta – Acho que vou ficar uns quatro anos sem colocar uma gota de álcool na boca.
– Você quem sabe – riu – Vou trazer um pouco de café, então.
O café não estava muito quente, mas também não estava totalmente frio, eu tomei o conteúdo da xícara todo de uma vez.
– Uau, você estava mesmo com vontade de tomar café – observou.
– Com certeza – concordei – Sabe, Damon, não pude deixar de observar que você se referiu a você e ao Stefan como “irmãos Salvatore”, mas ele disse ontem que vocês eram irmãos apenas por parte de mãe, não deviam ter um sobrenome diferente.
– Bom, essa é uma longa história – colocou os dois braços para trás da cabeça – Basicamente, não conheci meu pai, então o Giuseppe Salvatore, quando se casou com a minha mãe, decidiu me adotar como seu filho. Eu tenho exatamente todos os direitos e tratamentos que os meus irmãos, só não sou, biologicamente, um Salvatore.
Eu podia entender como ele estava se sentindo, sabia exatamente como era crescer sem um dos pais. Por sorte teve alguém que ocupasse esse lugar na vida dele.
– Fale um pouco mais sobre a sua irmã – pedi, mudando, ligeiramente, de assunto – Como é mesmo nome dela? Karina?
– Katherine – me corrigiu – A Kath sempre foi mais calada que eu e o Stefan, provavelmente por ser a caçula e também porque era a única menina. Ela está com 19 anos e estuda na Stanford, literatura.
– Que legal! — falei – Imagino que você sinta falta dela.
– Muita – concordou – Mas sempre nos vemos quando vamos até a casa dos nossos pais nos feriados e ela também costuma nos visitar aqui em Mystic Falls.
Depois disso não falamos mais nada e logo o silêncio começou a se tornar constrangedor.
– Não sei quanto a você, mas eu detesto quando os assuntos se esgotam. Vou ligar o rádio – levantou e foi até o aparelho de som do outro lado da sala, começou a tocar uma música romântica – espero que não se importe com músicas lentas.
– Claro que eu não me importo – respondi – Sabe, quando eu e o Klaus começamos a namorar, costumávamos ficar no meu apartamento ouvindo música – nem sei porque toquei nesse assunto, mas agora que tinha começado... — Sei que parece algo meio bobo, mas ele achava romântico.
– Romance à moda antiga – sorriu – Não se vê muito isso ultimamente.
– Quando era uma música lenta tipo essa – me referia ao que estava tocando naquele momento – Ele me fazia levantar e ficávamos dançando agarradinhos, por várias horas – e, mais uma vez, eu me peguei tendo lembranças dos velhos e bons tempos do meu namoro, tenho a impressão de que isso está me fazendo mal.
Me pegando totalmente de surpresa, Damon se levantou e estendeu os braços na minha direção.
– Sei que não sou o Klaus nem nada – continuou – Mas... me daria a honra dessa dança?
– Claro – segurei a mão dele para me ajudar a levantar.
Ele colocou a mão na minha cintura e eu encostei a cabeça no seu peito enquanto dançamos lentamente. Começou a tocar uma música totalmente agitada e mesmo assim nós não nos separamos.
– Damon – murmurei – Acho que agora não combina muito estarmos dançando assim.
– Tem razão – fez com que me afastasse e pudesse olhá-lo melhor. Aquele azul profundo estava me deixando totalmente hipnotizada.
– Elena... — sussurrou – Eu sei que você não se lembra, mas ontem à noite, nós...
– Eu sei que você vai falar sobre o nosso quase beijo – o interrompi – E, mais uma vez, eu preciso te lembrar que estávamos bêbados, não tínhamos controle sobre nós mesmos.
– Sabia que você não tinha se esquecido de tudo o que aconteceu ontem à noite – ele estava com um sorriso vitorioso – Você lembrou que eu te falei que hoje é meu dia de folga e eu contei isso um pouco antes de irmos embora do Grill.
– Droga – revirei os olhos.
Eu tentei me afastar, mas Damon já estava passando a mão pelo meu rosto, imediatamente eu prendi o ar, não entendo como ele consegue ter esse poder sobre mim.
– Você vai mesmo negar que está acontecendo alguma coisa entre a gente? – falou – Não adianta negar, sua reação já diz tudo.
– Eu não posso admitir – disse – Sou casada e isso é totalmente errado.
– Esquece do seu marido, só por alguns minutos – pediu – Não adianta a gente tentar negar, já estamos totalmente envolvidos para voltarmos atrás.
Então ele me beijou. A princípio fiquei totalmente sem reação, mas logo entreabri os lábios aprofundando o contato. Damon colocou a mão na minha nuca e fez com que nossos corpos se encostassem ainda mais, soltei um pequeno gemido involuntário.
– Isso é tão errado – reclamei sem nunca me separar dele.
– Já disse para não pensar nisso – antes que eu pudesse perceber, já estava deitada no sofá e ele sobre mim – Vamos viver esse momento.
O barulho de chave na porta fez com que nos separássemos imediatamente. Stefan entrou no local e ficou olhando de um para o outro totalmente confuso, será que tinha percebido alguma coisa?
– O que você está fazendo aqui? — a voz de Damon saiu totalmente ofegante quando ele perguntou.
– Eu moro aqui – lembrou – E eu vim pegar um documento que vou precisar hoje de tarde.
– Pelo jeito parou de chover – comentei depois de dar uma rápida olhada pela janela — Acho que é melhor eu ir embora.
– Tem certeza, Elena? — o Salvatore mais velho estava totalmente decepcionado nesse momento – Sabe que pode ficar o tempo que precisar.
– Sim, Damon, eu tenho certeza – afirmei – É melhor assim.
Eve estava totalmente espalhada na cama assistindo a um desenho qualquer na televisão quando eu cheguei ao quarto.
– Vamos embora, princesinha? — disse, enquanto me abaixava para pegá-la no colo.
– Mas já, mamãe? — reclamou – Eu queria terminar de ver o desenho. Está tão legal, e eu nunca vi esse.
– Você pode assistir quando chegarmos em casa – sugeri – Agora vamos, quanto mais cedo formos, mais cedo chegamos.
Depois daquele beijo tudo estava ainda mais confuso na minha cabeça. Tudo que eu sei no momento é que eu preciso sair desse local o mais rápido possível.
Fale com o autor