Pecados Íntimos
26 Capítulo 25 – Tudo perfeito... por enquanto
Notas iniciais
Acordei, mas ainda estava me sentindo totalmente cansada e sem a menor vontade de levantar da cama. Tateei a mesinha ao meu lado até pegar o meu celular para verificar as horas, era um pouco mais de dez horas da manhã.
Eve já está com quase três anos e parece que eu esqueci completamente os efeitos que uma gravidez pode causar e eles estão acabando comigo. Claro que cada enjoo, cada desejo estranho e cada sonho excessivo está valendo a pena, isso é sinal de que está tudo bem comigo e com o bebê.
Já faz dois meses desde que eu sofri a tentativa de aborto espontâneo. Confesso que, a principio, fiquei preocupada, mas os exames mostraram que não tinha nenhum topo de problema mais grave.
Ainda me lembro, perfeitamente, do dia em que eu e Damon voltamos ao consultório da doutora Fell para pegar os resultados.
*Flash Back*
– Lena, será que você pode soltar a minha mão? — ele pediu – Está começando a doer e eu não estou com muita vontade perder os meus dedos.
– Desculpa – soltei a mão dele, não tinha reparado que estava apertando com tanta força – Acho que eu estou nervosa demais, é isso.
– Você não precisa ficar preocupada, meu amor – passou a mão no meu rosto – Tenho certeza de que não é nada e o que passamos nos últimos dias não passou de um susto.
Há uma semana eu estava vivendo o melhor e o pior dia da minha vida, fiquei muito feliz pelo Damon ter ficado feliz de saber que eu estou grávida e que agora estamos juntos, mas então, algumas horas depois, quase perdi o meu bebê. Tive que fazer vários exames para saber o que estava acontecendo e tive que esperar todo esse tempo para os resultados ficarem prontos, parecia uma longa eternidade.
– E se o exame de sangue comprovar que eu estou com algum problema e que é só uma questão de tempo até o nosso bebê morrer? — perguntei, apreensiva – Ou então o bebê ter algo grave e mesmo que ele nasça não vá viver mais que algumas horas?
– Lena, relaxa e respira fundo – pediu, dando um leve sorriso – Ficar se preocupando por antecipação não vai ajudar em nada, é melhor esperarmos e ver o que a doutora Fell diz, não acha?
– Tem razão – deitei a cabeça no ombro dele – Acha que a doutora Fell vai demorar muito para vir nos chamar? Não aguento mais ficar aqui esperando.
– Tenho certeza de que ela já vem – garantiu.
Deu um beijo no topo da minha cabeça antes de segurar a minha mão e acariciá-la com movimentos circulares com o polegar, isso estava me deixando um pouco mais calma. De repente, um casal vinha caminhando pelo corredor e parou bem na nossa frente.
– Doutor Salvatore, que bom encontrá-lo aqui – a mulher disse – Não temos visto o senhor aqui no hospital nos últimos dias.
– Senhor e senhora Péterson – levantou-se para poder cumprimentá-los – Acontece que eu preciseis tirar uns dias de folga do hospital.
Damon pediu uma licença de duas semanas do trabalho para poder ficar em casa comigo. Eu disse que era um grande exagero, mas ele estava totalmente relutante, então não tinha muito o que fazer sobre isso.
– Oh sim, entendo – continuou antes de se virar na minha direção – Essa é a sua esposa, imagino?
– Essa é a Elena, minha noiva – me ajudou a levantar enquanto fazia as apresentações, apertei a mão de cada um, os cumprimentando – Estamos esperando a doutora Fell para saber como está o nosso principezinho ou a nossa princesinha.
– Ora, parabéns! — continuou – Nós viemos ver a Júlia, ela está cada dia melhor, a doutora Shane disse que se continuar assim, vai poder voltar para casa na semana que vem.
– Mas isso é ótimo – disse, parecendo aliviado, fiquei confusa, mas então ele se virou para mim – Júlia é uma das minhas pacientes, fiz uns trasplante de coração nela, na semana passada.
– Ah! — foi tudo que eu disse. Eles não pareciam tão velhos assim e a não ser que tivessem tido filhos bem cedo, Júlia devia ser uma criança, é muito difícil ver uma menina pequena sofrendo desse jeito, a ponto de precisar fazer um transplante.
Foi nesse momento que a porta do escritório foi aberta e a doutora Fell apareceu.
– Damon! Elena! Já esta na hora da consulta – avisou – Vamos entrando, temos muita coisa que conversar.
– Obrigado! — Damon sorriu em agradecimento – E deem um beijo na Júlia por mim, depois eu quero vê-la 100% recuperada.
Entramos no consultório e sentamos nas duas cadeiras que ficavam em frente a mesa. A doutora Fell foi para o seu lugar e abriu o envelope e começou a analisar os papéis, imaginei que fosse os meus exames, fiquei ainda mais apreensiva.
– E então, doutora? — decidi perguntar – Por favor, não me enrole muito, quero muito saber como estão as coisas.
– Tudo bem, Elena, tenho ótimas notícias para você – respondeu, com um sorriso – Como eu já imaginava, seu exame de sangue não deu nenhuma alteração, mais saudável, impossível.
– Isso é ótimo! — dei um longo suspiro de alívio – Mas e o exame do bebê? O que deu?
– O exame no líquido aminótico também não demonstrou nenhuma alteração genética ou congênita -continuou – Por isso, não tem motivos para preocupação, tanto você quanto o bebê estão fortes e saudáveis.
– Está vendo, Lena, eu disse que ficaria tudo bem – Damon passou a mão no meu braço – O exame foi somente por rotina.
– Mas, doutora Fell, só tem uma coisa que eu não estou entendendo – continuei – Qual o motivo para a minha tentativa de aborto espontâneo?
– Não posso dar total certeza, mas tudo indica que foi estresse – respondeu – Não gosto de me meter na vida das minhas pacientes, mas, ao julgar por toda a história dessa gravidez, imagino que tudo que você tem vivido é um grande estresse.
Fiquei encarando o tampo da mesa, tinha certeza de que estava totalmente vermelha nesse momento, mas ela tinha toda razão sobre isso. Poderia ficar brava por isso, só que Meredith trabalha com o Damon e nós duas também temos nos tornado boas amigas desde que comecei a me consultar com ela, acho que isso lhe dava o direito de opinar.
– Então, eu recomendo o máximo de repouso possível e NENHUM tipo de estresse pelos próximos meses – alertou – Tenho certeza de que você vai levar uma gravidez bem tranquila e logo esse bebezinho vai estar ai, dentro trabalho para a mamãe e o papai.
– Pode ficar tranquila que eu vou cuidar muito bem dessa teimosa – Damon avisou – Vou fazê-la seguir todas essas recomendações.
– Bom, vou mudar as vitaminas que eu tinha passado na outra consulta, você pode comprá-los e começar a tomar imediatamente – pegou um papel e começou a escrever – Só mais uma coisa, o exame genético também descobriu o sexo do bebê. Vocês querem saber ou preferem o mistério?
Mas é claro que eu queria saber o sexo do meu bebê. Quando estava esperando a Eve, mal via a hora de conseguir ver na ultrassonografia se era menino ou menina, daria qualquer coisa para ter essa oportunidade bem antes, como agora.
– Confesso que estou bem curioso quanto a isso – ele disse – Mas prefiro não dar a minha opinião, a Elena quem sabe.
– Eu quero saber sim! — foi a minha vez de responder.
– Bom, já que é assim – riu e deu de ombros antes de pegar o papel, mas uma vez – Devo dizer que vocês terão uma menininha.
Isso não era uma surpresa, já estava mesmo desconfiando de que teria uma menina. Agora tenho certeza total disso.
A doutora Fell me deu mais algumas recomendações antes de irmos embora. Passamos na farmácia ao lado do hospital para comprar a vitamina que ela passou antes de irmos embora para casa.
– Você gostou de saber que vamos ter uma menina? — perguntei quando ele se sentou no banco do motorista ao meu lado, o apartamento não ficava tão longe, mas Damon achou melhor irmos de carro – Espero que não tenha ficado chateado.
Me veio na cabeça uma lembrança de quatro anos atrás. Claro que Klaus ama Eve mais do que qualquer outra coisa, mas sei o quanto ele estava esperando que tivéssemos uma menino e o quanto ficou chateado ao descobrir que era uma menina, mas, é claro, acabou aceitando com o tempo.
– Claro que todo cara sonha em ser pai de um menino e no meu caso não é diferente – admitiu – Mas também estou feliz em termos uma princesinha, certamente ela será muito amada.
Ele colocou a mão sob a minha barriga e não pude deixar de dar um sorriso bobo.
– Além disso, tenho certeza de que teremos outras oportunidades para tentar ter um menino – continuou.
– É mesmo? — o olhei, em dúvida – E quantos filhos você pretende ter?
– Ficaria feliz com apenas dois, ou, no caso, três – respondeu – Mas, se nascer outra menina, podemos tentar, até nascer um menino.
– Como você é engraçadinho, Damon – dei um tapa no braço dele – Teremos só mais um bebê, se nascer outra menina, você vai ter que aguentar uma casa com quatro mulheres.
– Tudo bem, senhorita estressada – revirou os olhos – Agora vamos para casa, você ouviu o que a doutora Fell disse, você precisa ficar de repouso.
Eu devia tentar argumentar, mas sabia que não adiantava discutir mesmo. Então apenas coloquei o cinto de segurança enquanto ele ligava o carro.
*Fim do Flash Back*
Desde aquele dia, Damon tem redobrado os cuidados comigo, estou me sentindo a grávida mais mimada do mundo. Por sorte não tive mais nenhum incidente e eu e a minha princesinha não poderíamos estar melhores, agora é só esperá-la nascer, embora isso vá demorar um pouco, ainda.
Tomei coragem e decidi levantar da cama e caminhei até o espelho, como costumo fazer todos os dias. Fiquei ali admirando a pequena bolinha embaixo do meu pijama, acho que nunca vou cansar de olhar a minha barriga.
Depois de ir até o banheiro sai do quarto e fui até a sala. Eve estava sentada no sofá assistindo a um desenho qualquer na televisão, enquanto ela tomava leite com chocolate no seu “copo de menina grande”.
– Bom dia, bebê da mamãe! — dei um beijo no topo da sua cabeça, mas ela me ignorou completamente – Será que eu posso saber o que você está assistindo tão concentrada?
– Tia Car colocou o filme da Rapunzel para eu assistir – explicou, sem tirar os olhos da tela, foi então que eu me virei e vi a cena do filme “Enrolados” em que eles estão no barco vendo as lanternas de papel.
– Mas como você gosta desse filme, não é mesmo? — brinquei, mas fui ignorada, outra vez – Aonde está a Caroline?
– Finalmente a senhora decidiu acordar! — minha amiga apareceu na porta da cozinha – Pensei que fosse passar o resto do dia na cama.
– Eu estou grávida, tenho mais sono que o normal – dei de ombros – Acostume-se com isso.
– Mas que desculpa horrível, Elena – cruzou os braços e revirou os olhos – O que você quer que eu prepare para você comer?
Nos dias em que o Damon está de plantão, como hoje, Caroline vem para cá ficar comigo e com a Eve. Ela é mais uma pessoa que fica aqui me mimando.
– Isso não é justo, Car – reclamei – Eu e Eve somos perfeitamente capazes de nos virarmos sozinhas. Você pode ir para casa, se quiser.
– E correr o risco de levar bronca do meu querido cunhadinho quando ele chegar? Não obrigada – respondeu – Não precisa ficar preocupada, Lena, eu estou muito feliz de ficar aqui cuidando de você e garantindo que a minha sobrinha fique bem.
– Mas a sua livraria está lá, abandonada – lembrei – Sem contar que o Stefan não deve estar feliz com isso.
– Stefan entende perfeitamente o problema, não reclama – garantiu – E sobre a livraria, tenho certeza de que a Sutton está cuidando muito bem da livraria sem mim, sem contar que eu vou para lá assim que o Damon chegar.
– Tudo bem, não está mais aqui quem falou – completei.
– Perfeito! — sorriu – Agora vamos lá para você tomar café da manhã, aposta que essa bebezinha deve estar morrendo de fome.
Foi nesse momento que a minha barriga começou a roncar. Pelo jeito a minha filha estava me mostrando que eu precisava me alimentar.
Caroline preparou para mim um vitamina de banana, aveia e mel, duas torradas com geleia de morango e um xícara de café com leite. Comi tudo rapidamente, pelo jeito eu estava mesmo com fome, mas só percebi agora.
Assim que terminei o café da manhã, fui para a sala e fiquei vendo televisão junto com a Eve. Cerca de uma hora depois, Damon chegou, ele parecia bem cansada depois da noite inteira de plantão, mas assim que me viu abriu um enorme sorriso.
– Oi, meu amor – aproximou-se e me deu um selinho – Como foi que as duas mulheres da minha vida passaram a noite de ontem?
– Passamos muito bem – respondi enquanto fazia movimentos circulares na barriga – Embora tenhamos sentindo muito a sua falta.
– Agora eu estou aqui e vou passar o dia inteiro com vocês – avisou – Mas antes, você se importa e eu dormir por uma ou duas horas? Estou exausto.
– Mas é claro que não importo – garanti, minha vontade era de me deitar junto com ele, mas não podia deixar Eve sozinha, ou ela iria acabar aprontando alguma coisa.
– Lena, eu estava pensando em levar a Eve para conhecer a livraria hoje – como se tivesse acabado de ler o meu pensamento, minha amiga disse – Isso se você permitir, é claro.
– Por favor, mãe, deixar – foi a minha filha quem pediu – A tia Car já tinha me prometido que eu ia conhecer a livraria, mas que precisava te pedir primeiro. Ela disse que lá tem muitos livros legais.
Uma coisa que sempre fiz questão foi que Eve tivesse contato com a leitura, por isso desde bebê eu tinha o costume de ler histórias ao lado do berço e hoje ela é verdadeiramente fascinada por leitura. Quero fazer a mesma coisa com a irmã dela, é claro.
– Como é que vou dizer não para essa carinha linda – respondi – É claro que você pode ir, Eve.
Levei minha filha para trocar de roupa para poder sair. Mas não antes, é claro ,fazer milhares de recomendações para minha amiga e pedir para Eve obedecê-la.
– Pode deixar, Lena, nós vamos nos dar bem – Car, garantiu – E quanto a vocês dois, juízo. Embora, ache que não tem mais nada de ruim que vocês possam fazer, não é mesmo?
– Car! — a reprimi, tenho certeza de que meu rosto estava totalmente vermelho, e Damon estava rindo ao meu lado.
Assim que elas saíram eu e Damon fomos para o “nosso” quarto. Eu me deitei enquanto ele foi até o banheiro e voltou, alguns minutos depois, usando o seu pijama.
– Não tem coisa melhor do que descansar depois de um longo plantão e ter você e a nossa filha ao meu lado – me puxou para que eu deitasse a cabeça no seu peito.
– Bom, vai aproveitando enquanto eu estou grávida e tenho muita vontade de deitar durante a tarde – brinquei – Até porque, depois que a nossa pequena você, talvez eu não esteja em casa na hora que você voltar do plantão.
– Como assim, Lena? — vi um pequeno ar de preocupação o seu olhar enquanto perguntava – Como você não vai estar aqui quando eu chegar do plantão.
– Estou me divorciando do Klaus, essa é uma nova etapa da minha vida e exige várias mudanças – expliquei – Quero começar a trabalhar como veterinária, algo que o Klaus e a família machista dele nunca me permitiu fazer.
– Trabalhar como veterinária? — repetiu o que eu tinha acabado de falar – Essa é uma ideia excelente.
– Claro que isso não é um plano para agora, afinal, quero esperar o bebê nascer e quero ficar perto dela no primeiros meses, é claro – expliquei – Mas depois, nada me impedi de trabalhar, não é mesmo?
– Exatamente! — deu um beijo no topo da minha cabeça – E eu te dou toda a força para você fazer isso.
– Claro que a nossa filha vai ter que ir para a creche quando eu conseguir um emprego – lembrei – Acho que eu prefiro do que deixá-la com uma babá. Até porque a Eve já vai para a escolinha e vai ser melhor que ela já começa a se socializar com outras crianças bem cedo.
– Continuo de plano acordo com você – colocou a mão sob a minha barriga – Só quero o melhor para a nossa pequena Penny.
– Penny? — essa era a primeira vez que ele se referia a nossa filha por um nome próprio, ainda não tínhamos conversado sobre isso.
– Sim, Penny – concordou com a cabeça – Pensei que poderíamos chamá-la assim, você não gostou?
– Até que é bonitinho – disse – Mas de onde foi que você tirou isso, é um nome um tanto exótico, não acha?
– Tudo bem, eu admito – levantou as mãos em sinal de rendição – Esse era o nome da minha primeira namorada, quando eu tinha uns oito ou nove anos.
– Então de jeito nenhum – me fingi de brava – Acha mesmo que eu vou colocar na MINHA filha o nome de uma ex-namorada sua? De jeito nenhum.
– Como você é chata, Leninha – reclamou e eu mostrei a língua para ele em um gesto infantil – Então fale,qual nome você está pensando para ela?
– Bom, confesso que ainda não tinha pensado nisso – coloquei a mão no queixo, pensativa – Mas eu gosto de Julie, Sophia, Louren, Emma...
– O que acha de Miranda? — interrompeu o que eu estava dizendo, me pegando totalmente de surpresa.
– Miranda? — acho que de todos os nomes que ele poderia sugerir esse era o último que eu poderia imaginar.
– Era o nome da sua mãe, não era? — balancei a cabeça afirmativamente – Garanto que essa seria uma linda homenagem a ela.
– Isso é verdade? — aquela era uma conversa casual, sobre a escolha do nome da nossa filha, mas os malditos hormônios a flor da pele já estavam me fazendo chorar – Minha mãe, com certeza, ficaria muito feliz de saber que dei nome dela para a neta.
– Então vai ser Miranda – abaixou o rosto e beijou a minha barriga – O que você achou do seu nome, minha filha? — perguntou como se estivesse conversado com o bebê.
– Eu amei, papai – imitei uma voz de criança – Meu nome vai ser lindo e tenho certeza de que vou causar inveja em todas as minhas amiguinhas da escola.
Puxou meu rosto com as duas mãos para poder colar os nossos lábios, a medida que aprofundou o nosso beijo, ele foi deitando em cima de mim. Passei os dedos pelo seu cabelo e enrosquei a perna na sua cintura. Damon soltou um pequeno gemido e foi impossível eu não sorrir com essa reação.
– Eu te amo, Damon! — sussurrei, fazendo com que ele se afastasse de mim e passasse a me encarar.
– O que foi que você disse, Lena? — estava totalmente surpreso, mas pude ver o vislumbre de um sorriso no seu rosto.
– Exatamente isso que você ouviu: eu te amo, Damon – repeti – Sei que passei muito tempo negando isso, mas a verdade é que eu não queria admitir os meus sentimentos por causa de toda a situação. Só que agora as coisas mudaram, eu me separei do Klaus e nós dois não estamos só oficialmente juntos como vamos ter um bebê, então posso dizer com todas as letras. Eu te amo!
– Você não tem ideia do quão feliz eu estou por ouvir isso – voltou a me beijar – Eu também te amo, Elena, muito!
Ficamos ali namorando pelo que pareceu uma meia hora, até esquecemos que tínhamos ido para lá com a intenção de descansar. Infelizmente, o som da campainha acabou com a nossa “diversão”.
– Deixa que eu atendo – avisei, levantando – Deve ser a Car trazendo a Eve de volta, não acreditei que ela fosse ficar muito tempo com a minha pequena mesmo.
– Você não vai vai até lá sozinha – abraçou pela cintura e deu um beijo no meu ombro – Vou junto com você.
– Não precisa, Damon – revirei os olhos – Acho que sou perfeitamente capaz de abrir uma porta.
– Mas está mesmo na hora de levantar, se não vai ser difícil dormir a noite – lembrou – O que acha de eu preparar uma macarronada para nós no almoço?
– É uma ideia perfeita! — sei que fazia pouco tempo que eu tinha tomado café da manhã, mas isso não impediu do meu estômago roncar.
Damon acabou andando na minha frente e abriu a porta, dando de cara um Klaus que exibia o seu costumeiro sorrisinho irônico.
– Olá, pombinhos! — olhou para nós dois, de cima a baixo – Pelo jeito as coisas estão mesmo boas entre vocês dois.
– O que você quer, Klaus? — perguntei, cruzando os braços, meu tom de voz era totalmente frio.
– Isso é jeito de falar comigo, Elena? — balançou a cabeça negativamente se fingindo de chocado – Sei que não estamos mais juntos, mas ainda sou o pai da sua filha. Estamos ligados um ao outro, para sempre.
– Tudo bem, você veio aqui ver a Eve, não é? — tentei ser um pouco mais simpática – Ela saiu com a Caroline, por que você não volta mais tarde? Ou melhor, volte amanhã.
– Ela tem razão – Damon se pronunciou, pelo primeira vez – Essa não é uma boa hora. Vamos preparar o almoço e passar o resto da tarde assistindo televisão.
– Que programa mais romântico – revirou os olhos, de desdem – Mas, se vocês querem saber, não vim ver a Eve. Eu quero falar com o dois.
Damon se virou na minha direção, parecia tão confuso quanto eu. Apenas dei de ombros, permitindo que continuássemos a ouvir o que meu ex-marido tinha a dizer.
– Tudo bem – ele continuou – Você poda falar, mas seja breve, nós não temos o dia inteiro.
– Perfeito, fiquem tranquilos que serei o mais breve possível – garantiu – O que eu tenho é uma proposta a fazer para você, Elena.
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