Pecados Íntimos
27 Capítulo 26 – Exigências
Notas iniciais
– Uma proposta para mim? — o olhei, totalmente confusa – E que tipo de proposta seria essa?
– Sabia que você ia ficar interessada – sorriu – E então, eu posso entrar ou vocês dois preferem ficar conversado aqui na porta.
– Damon me olhou, mais uma vez, e eu assenti, dizendo que poderia deixá-lo entrar. Ele, então, deu espaço para que meu ex-marido entrasse no local.
Klaus ficou olhando para todos os cantos da sala, como se avaliasse o local. Quando terminou a inspeção, se jogou no sofá.
– Tudo bem, Klaus, você conseguiu o que você queria – comecei – Agora pode começar a falar.
– Como você está apressadinha, Lena – ficou olhando para as mãos de maneira casual – Quando você estava comigo gostava das coisas mais lentamente, aproveitando todos os momentos.
Tinha entendido perfeitamente o duplo sentido daquela frase e já estava sentindo o meu rosto esquentando. Meu namorado já estava parado atrás da mim e colocou a mão na minha cintura, possessivamente.
– Tudo bem, vou ser breve, se quando não sou bem vindo – revirou os olhos – Mas antes, eu estou com um pouco de sede, não tem uma água ou um suco para me oferecer.
– Temos suco de laranja na geladeira – Damon avisou, se afastando de mim – Vou pegar um copo para você, Klaus.
Eu me virei e o observei caminhar em direção a cozinha. Em seguida voltei meu rosto na direção do Klaus, ele estava com um sorriso convencido nos lábios.
– Bom, Lena, eu imagino que você esteja se perguntando por que eu ainda não dei entrada nos papeis do nosso divórcio – voltou a falar.
E isso era verdade, do jeito que ele tinha ficado depois da nossa última conversa pensei que fosse providenciar o nosso divorcio no dia seguinte e por ser advogado e um dos donos de uma conhecida empresa de Nova York achei que não teria problema com isso, tanto que já tinha conversado com o Stefan, que vai me ajudar com tudo que eu precisar nesse processo. Claro que eu estou totalmente ansiosa para que isso aconteça, comecei a minha vida com o Damon e estou muito feliz, mas quero parar de ter aquele pensamento de que estou fazendo alguma coisa errada.
– E sabe, eu deveria ter feito isso mesmo – continuou – Já que você me traiu e deixou bem claro que prefere ficar com esse doutorzinho do que comigo. É o que qualquer cara com orgulho teria feito.
– Tudo bem, Klaus, já entendi, foi essa proposta que você veio fazer? Algum acordo sobre o divórcio – o interrompi, elevando um pouco o meu tom de voz – Se for isso, fique sabendo que não quero nada seu, apenas que você cumpra as suas obrigações de pai com a Eve.
– Não, Elena, você não esta nem perto de acertar o que eu vim fazer aqui – negou com a cabeça.
– Então o que é? — reclamei – Sinceramente, Klaus, não estou com a menor vontade de ficar aqui brincando de adivinhação com você.
Foi nesse momento que Damon reapareceu na porta da cozinha, trazendo um copo cheio de suco de laranja. Ele entregou o objeto para o meu ex-marido, que bebeu todo o conteúdo de uma vez.
– É bom você ter voltado, Damon, assim não preciso explicar duas vezes – voltou a falar – Acontece, Elena, que eu não estou com vontade de te dar o divórcio.
– Como assim? -dessa vez eu gritei tão alto que meus ouvidos chegaram a doer, como assim ele não queria se divorciar de mim – Você só pode estar de brincadeira comigo.
– Não tem ninguém brincando aqui – garantiu – Nós dois temos um relacionamento estável de vários anos, uma linda filha e minha família adora você, não estou com vontade de abrir disso, se é que você me entende.
Sim, eu estava entendendo perfeitamente o que ele estava dizendo, Klaus não queria que a família dele que eu preferia ficar com outro, não queria admitir o fracasso do nosso casamento. Minha vontade era de voar em cima dele nesse momento, mas desisti na mesma hora com medo de que pudesse prejudicar o bebê, a vida da minha pequena Miranda é mais importante que qualquer raiva que eu possa estar sentindo agora.
– Lena, não precisa se preocupar com isso, meu amor – Damon me abraçou novamente e deu um beijo na minha bochecha – Se ele não quer te dar o divórcio legalmente, vamos entrar com o processo litigioso. O Stefan já disse que te ajuda.
Quando tínhamos ido falar com o meu cunhado sobre ir me ajudar no divórcio ele me alertou sobre a possibilidade de um litígio e como isso era um processo doloroso e que os filhos são sempre os maiores afetados nisso tudo. Por mais que essa possa ser a última opção gostaria de evitar, quero que a Eve se envolva o mínimo possível nessa história toda.
– Calma, não precisam ser tão radicais a esse ponto – revirou os olhos – Você ainda nem ouviram a proposta que eu tenho para fazer.
Dei um longo suspiro, ele estava me enrolando e isso me deixava cada vez mais irritada. Por sorte Damon não tinha saído do meu lado, era ele quem estava me dando forças.
– Tudo bem, vou ser direto, de uma vez – continuou – Como eu disse não quero me divorciar de você, Elena, então vim aqui para te dar uma segunda chance.
– Você só pode estar brincando, não é mesmo? — comecei a rir, descontroladamente – Veio aqui me dar uma nova chance? Mas fique sabendo que eu não quero uma nova chance, não com você.
– Tenho certeza de que depois do que eu falar, você vai querer – afirmou – Saindo o nosso divorcio todo mundo vai saber que você me traiu com o médico do seu pai e que vai ter um filho com ele.
– Não me importo que todos saibam – dou de ombros – Se estivesse me importando com a opinião dos outros, principalmente, da sua família, ou não teria me envolvido com o Damon, para começo de conversa.
Isso não era exatamente verdade, claro que teve um tempo que eu me preocupei sobre o que a família Mikaelson iria falar sobre o meu caso extraconjugal. Mas agora não estou me importando mais com isso.
– Acho que ele quem se importa com isso – Damon observou – É ele quem não quer admitir que não conseguiu segurar o próprio casamento e mulher o trocou por outro.
– Tudo bem, eu admito, nenhum cara quer contar algo assim para a própria família – levantou as dua mãos como se tivesse se rendendo – Mas acho que estou mais preocupado com a Eve. Acho que você se lembra dela, Elena, é a nossa filha.
– Não se preocupe, Klaus, sei muito bem que é ela – garanti – E não precisa se preocupar, ela só tem dois anos, nem sabe direito o que está acontecendo, outro dia mesmo ela me disse que não importa o que aconteça, contanto que eu esteja feliz.
– Se ela não sabe exatamente o que está acontecendo, não vai ter o menor problema eu te fazer a minha pequena proposta, não é mesmo – ele estava com aquele sorriso convencido mais uma vez, é como se ele soubesse todas as respostas do mundo e isso estava me irritando, de verdade.
– Tudo bem, Klaus, agora já chega – descruzei os braços e bati o pé com bastante força – Você disse que tinha uma proposta para fazer, mas até agora não falou nada de importante, minha paciência tem limites.
– Você se lembra de quando foi até Nova York, há alguns meses, para me contar que estava grávida de outro e que queria o divórcio? — perguntou, como se eu não tivesse acabado de dizer nada – Lembra que eu propus dizer para todos que o bebê era meu e o criaríamos juntos sem que a sua ou a minha família ficassem sabendo da verdade.
– Como é? — foi a vez de Damon gritar, totalmente confuso – Ele se ofereceu para criar a nossa filha junto com você e eu não teria a menor ideia de que ela existe.
– Ele ofereceu sim – afirmei – Mas eu achei essa ideia absurda na época e continuo a achar.
– Mas você poderia ter me contado – continuou.
– Que diferença iria fazer, Damon? — dei de ombros – Eu nem ao menos pensei em aceitar isso, era com você que eu queria ficar, para criarmos a nossa filha juntos. Não importa o que o Klaus queria.
– Calma, você não precisam brigar por causa disso, não foi por isso que eu vim aqui – fingiu estar chocado com o nosso comportamento – A minha proposta é bem simples: eu mantenho a minha ideia de assumir o seu bebê, voltei para Nova York comigo, retomamos o nosso casamento e ninguém vai ficar sabendo das suas indiscrições.
– Lena... — foi Damon quem voltou a falar.
– Espera, Dam, deixa eu responder – o interrompi – Eu nunca vou aceitar essa sua proposta, Klaus. Qual foi a a parte do “eu amo o Damon e vou começar uma família com ele” você não entendeu?
– Tudo bem, eu entendo, em momento algum eu quis te obrigar a voltar para casa comigo – respondeu – A Eve, por outro lado, ela sim, vai.
E tudo que eu mais temia estava acontecendo, Klaus estava querendo tirar a minha filha de mim. Senti uma pequena pontada na barriga e coloquei a mão, discretamente, na região, não posso sofrer fortes emoções ou o pesadelo de dois meses atrás vai voltar e dessa vez pode não ter um final feliz. Respirei fundo várias vezes antes de continuar.
– Você não vai tirar a Eve daqui – meu tom de voz era firme, embora por dentro eu me sentisse como uma folha de gelatina – Sou a mãe dela e é comigo que ela tem que ficar.
– Acha mesmo que vou deixar a minha filha ser criada por você e pelo seu amante? — olhou para nós dois com um certo desprezo, quase como se sentisse nojo – De maneira nenhuma, esse não é um ambiente para ela.
– Então você quer que ela seja criada por você, que só quer saber de trabalho e que, provavelmente, quase não vai lembrar que tem uma filha? — balancei a cabeça negativamente.
– Posso trabalhar o dia inteiro, mas eu posso contratar uma babá, sem contar que tem a minha mãe e a Bekah que podem me ajudar – explicou – Vai ser bem melhor para a Eve, disso pode ter certeza.
– Você pode até querer ficar com ela, mas vai ter que lutar por isso na justiça – essa foi uma das várias coisas que conversei com a Stefan, ele disse que iria entrar com o pedido de guarda da Eve assim que os papéis do divórcio começarem a ser preparados, assim as minhas chances de conseguir ficar com a minha filha são enormes.
– Se eu fosse você não estaria tão confiante de que eu não consigo a guarda dela, minha cara Elena – disse – Não se esqueça de que você cometeu adultério, esse será um ponto ao meu favor e pretendo usá-lo.
Essa não! Klaus sempre tem os seus truques debaixo da manga e fui uma boba por pensar que ele não faria uso deles, e por causa disso corro risco de perder a minha pequena e doce Eve. Algumas lágrimas surgiram no canto dos meus olhos e senti uma nova pontada na minha barriga, dessa vez com um pouco mais de força, tanto que eu fiz uma pequena careta.
– Vai com ele, Lena – Damon tinha ficado calado durante toda a discussão, mas agora decidiu se manifestar.
– Mas como assim, Dam? – me virei para ele, totalmente chocada – Você está ficando maluco?
– Esse é o melhor, para todos nós – passou a mão pelo meu rosto – Você não pode correr o risco de perder a sua filha por minha causa, não vale a pena.
Olhei diretamente nos seus olhos profundamente azuis, estavam com bastante convicção de que essa era a decisão certa a tomar, mas também pude ver o quanto estavam sofrendo. Não acredito que Damon estava mesmo querendo que eu a nossa filha nos afastássemos dele só para eu não correr o perigo de ficar sem a Eve.
– Por favor, Lena, eu quero que você vá com ele – completou.
– Mas que cena mais meiga de se ver – meu ex-marido comentou, em tom de voz debochado – Então, querida, vai aceitar o pedido do seu namoradinho ou vai continuar sendo teimosa?
– Tudo bem, Klaus, eu vou voltar para Nova York com você – respondi, me virando para ele – Só me dá um tempo para arrumar a minha mala e a da Eve, e também preciso pegar algumas coisas que ficaram na casa do meu pai.
– Claro, meu amor, te dou quanto tempo você precisa – disse – Vou estar bem aqui te esperando.
Passei rapidamente pelos dois e segui para o quarto que ficava no final do corredor. Abri o armário e comecei a jogar todas as minhas roupas no chão, já tinha tido feito isso tantas vezes nos últimos meses que não sou mais nem um pouco cuidadosa.
Nesse momento a porta do cômodo se abre. Vejo na minha visão periférica que é o Damon, mas não me dou ao trabalho de virar na sua direção, apenas continuo com a minha tarefa anterior.
– Lena, acho que precisamos conversar – me chama, mas mesmo assim eu não respondo – Elena, por favor, não faz isso – coloca a mão no meu ombro.
– Você quer conversar sobre mais o que? — comecei a gritar – Acho que você deixou bem claro que não me quer mais aqui, então...
– Sabe muito bem que não é assim, meu amor – insistiu – Pedir para você ir embora foi a coisa mais difícil que já precisei fazer nada.
Claro que eu sabia que ele estava sendo sincero, podia ver nos seus olhos, mas não iria dar o braço a torcer. Estava com raiva demais para conseguir concordar com alguma coisa no momento.
– Pois não parecia – completei – Você me pediu para ir embora com tanta convicção.
– Eu já te disse que fiz isso apenas para o seu bem e o da nossa filha – lembrou – Ele ameaçou a tirar a Eve de você e parecia que ia fazer te tudo para conseguir isso.
Queria dizer que ia lutar com todas as forças para manter a minha filha comigo, mas nem eu mesma sei se seria capaz de conseguir isso, não contra o Klaus e seu poderoso exército de advogados. Em vez disso virei de costas e voltei a jogar as roupas dentro da mala.
– Elena, por favor, não faz isso comigo – pediu.
– Você está mesmo dizendo que está disposto a ficar longe de mim, não ver a sua filha crescer, só para que eu não corra o risco de perder a Eve? — cruzei os braços enquanto perguntava – Pensei que você me amasse.
– E eu amo, aliais, amo vocês duas, e por isso que estou fazendo isso – explicou – Vi como você ficou só com a ideia do que o Klaus pode fazer. Você não pode sofrer fortes emoções ou correr risco de sofrer outra tentativa de aborto espontâneo e não estou disposto a arriscar a vida da nossa Miranda por isso. Se for preciso que vocês duas fiquei longe de mim, então que seja desse jeito.
– Essa foi a coisa mais linda e a coisa mais triste que alguém já me disse – algumas lágrimas se formaram no canto dos meus olhos – Isso não é justo, nós dois tínhamos tantos planos... e agora, nenhum deles vai se realizar.
– Eu sei disso, Lena – passou uma das mãos pelo meu rosto e a outra ele depositou na minha barriga – Mas sabendo que você e a Miranda estão bem, eu fico feliz.
Aproximei meu rosto do seu e o beijei. Foi apenas um selinho, um pequeno roçar de lábios, mas o suficiente para meu coração disparar, pois tudo indica que esse vai ser o nosso último beijo.
– Tenho uma coisa para você – disse quando se afastou – Espera só um minuto que eu vou pegar.
Fiz que sim com a cabeça, então Damon foi até o armário e voltou pouco segundos depois. Estava segurando uma caixinha de madeira e quando a abriu vi que dentro tinha um colar de prata com um pingente redondo com desenhos em alto relevo e uma pedinha vermelha na parte de cima.
– É lindo, Damon – não pude deixar de sorrir ao olhar aquele objeto.
– Esse colar era da minha mãe, meu pai biológico deu para ela, é uma longa história – revirou os olhos enquanto falava – Quero fique com ele, assim que você vai sempre se lembrar de mim.
– Não preciso de um colar para me lembrar de você, Damon – coloquei a mão sob minha barriga – Tenho uma parte de você aqui comigo.
– De qualquer maneira quero você fique com o colar – insistiu, me entregando a caixa – Se não quiser ou não pude usar, você pode dar de presente para a Miranda quando ela fizer 16 anos.
– Pode deixar que eu vou guardar com bastante carinho – fechei a caixa e coloquei em cima da cama, depois eu colocaria na minha bolsa – Eu te amo, Damon.
– Também te amo, Lena – aproximou-se uma pouco mais e fez menção de me beijar, mas acabou desviando os lábios para a minha testa – Bom, acho melhor eu sair daqui, o Klaus pode achar ruim que eu esteja aqui.
– Ela não tem nada que achar bom ou ruim – dei de ombros.
– De qualquer maneira prefiro não arriscar – completou – Quer que eu vá arrumar as coisas da Eve no antigo quarto do Stefan?
Desde que eu e minha filha viemos morar com o Damon, o irmão dele decidiu ir morar definitivamente com Caroline para poder deixar o apartamento apenas para nós.
– Não precisa – neguei – Pode deixar que eu faço isso quando terminar aqui.
– Pode deixar que não vai dar o mínimo trabalho – garantiu – Bom, já estou indo lá – acenou e saiu do quarto antes de fechar a porta.
Em menos de vinte minutos eu já tinha terminado de guardar todas as minhas coisas, então fui até o outro aposento e tinha uma mala em cima da cama. Como tinha prometido, Klaus estava esperando por mim na sala, totalmente sozinho.
– Finalmente, você chegou – levantou-se assim que me viu – Já estava quase indo ver se você precisava de ajuda.
– Tinha muita coisa para arrumar, mas agora estou aqui – avisei – Aonde é que está o Damon?
– Ele disse que precisava resolver algumas coisas no hospital – deu de ombros como se não se importasse, mas sabia que era mentira, afinal Damon tinha acabado de voltar do plantão e só iria trabalhar amanhã – Mas então, vamos embora? Ainda precisamos buscar a Eve e passar na casa do seu pai, planejo ir para Richmond ainda hoje para voltarmos a Nova York amanhã.
– Claro, vamos! — concordei.
Tinha um carro esportivo estacionado bem em frente a entrada do prédio, Klaus o abriu, o que me fez imaginar que ele tinha alugado antes de vir para Mystic Falls. Ele guardou a bagagem dentro do porta-malas antes de se virar para mim novamente.
– Sabe, você ainda não me disse como está o bebê – falou, colocando a mão na minha barriga, tive o impulso de me afastar, mas não podia – Acho que eu te ouvi dizer que é uma menina, mas como é que você já sabe?
– Sim, é uma menina, tive que fazer um exame no inicio da gravidez e acabei descobrindo – não quis entrar muito e detalhes sobre o que tinha acontecido.
– Confesso que estava esperando que fosse um menino, mas uma menina pode fazer companhia para a Eve – deu de ombros – Além disso, podemos tentar ter um menino daqui a um dois anos.
Lembro-me quando Damon sugeriu que tentássemos ter um menino, quantas vezes fosse preciso. Estava totalmente disposta a isso, mas não com o Klaus.
– Vamos logo embora, Klaus – pedi – Não estou com vontade de ficar o dia inteiro aqui em pé.
Ele abriu a porta do passageiro para mim antes de ir se sentar no banco do motorista. Conseguimos parar quase em frente a livraria e eu fui rapidamente até a entrada da loja.
– Lena, você não precisa vir aqui buscar a Eve, eu já ia devolvê-la, só estava dando mais um tempo para você e o Damon – deu um pequeno sorriso, que logo murchou quando meu marido parou atrás de mim – Klaus, não sabia que você estava de volta a Mystic Falls.
– Estava morrendo de saudades da minha esposa e da minha filha, ou melhor, das minhas filhas – explicou, enquanto colocava uma das mãos no meu ombro – Então vim até aqui buscá-las. O Grayson está melhor a cada dia e a Elena não precisa mais ficar aqui de babá, já pode voltar para casa.
– Entendo! — minha amiga parecia totalmente chocada com essa revelação – Bom, a Eve está lá no estoque com a Sutton, ajudando ela a abrir algumas caixas.
Como se tivesse ouvido o próprio nome, minha filha apareceu na portinha que dividia a área do público e a dos funcionários.
– Papai! — ela correu em direção ao Klaus e o abraçou – Que saudades eu estava de você!
– Também estava com saudades, minha princesinha! — a pegou no colo e deu um beijo na sua cabeça – E o que é isso? — perguntou sobre o livro que ela estava segurando.
– A tia Car me deu de presente, é um livro de contos de fadas – explicou.
– Mas que legal! — comentou – Agora eu vou poder ler uma história para você todos os dias antes dormir. Lá em casa.
– Quer dizer que nós vamos voltar para Nova York? — ele afirmou – Mas que legal, eu estou com saudades dos meu quarto e de todos os meus brinquedos.
– Pois agora vocês duas não vão mais embora de lá – garantiu – Só para pequenas viagens.
– Lena, o que está acontecendo aqui? — Caroline sussurrou, de modo que só eu pudesse ouvir – Você vai votar para Nova York junto com o Klaus, como assim? E o Damon?
– É uma longa história – respondi, da mesma maneira – Depois eu te explico, com mais calma.
– É bom mesmo você me explicar – ameaçou.
Não ficamos mais muito tempo na livraria. Eu e Eve nos despedimos da minha melhor amiga e eu também dei um tchau para Sutton, a próxima parada seria na casa da minha família.
Assim como Caroline, meu pai também ficou chocado quando me viu com o Klaus. Quando eu expliquei que tinha vindo pegar minhas coisas e que estava voltando para Nova York, ele não falou nada, provavelmente tinha alguma noção do que estava acontecendo.
Não foi tão difícil reunir tudo meu que estava lá, pois eram somente algumas roupas sujas. Agora estava tudo pronto, nós íamos embora de Mystic Falls, e não tenho a menor ideia quando irei vir aqui novamente.
Paramos para almoçar no meio da estrada e chegamos a Richmond no meio da tarde. Apesar de ainda está claro, Eve estava dormindo profundamente no banco de trás do carro e decidi não acordá-la quando chegamos ao hotel, então a peguei no colo.
– Boa tarde, bem-vindos ao Richmond Plaza – a recepcionista nos cumprimentou quando nos aproximamos do balcão.
– Boa tarde! — Klaus retribuiu o cumprimento – Nós queremos um quarto, apenas para uma noite.
– São dois quartos, na verdade – o corrigi.
– Sim, dois quartos! — pegou a carteira do bolso e retirou o cartão de crédito – Faça o Check-in em nome de Niklaus Mikaelson.
Ela resolveu tudo em menos de cinco minutos e entregou as duas chaves, então pegamos o elevador. Os dois quartos ficavam no mesmo andar, um do lado do outro.
– Elena para onde você está indo? — perguntou quando eu abri uma das portas e coloquei as minhas coisas e as da Eve para dentro do cômodo – Pensei que fossemos ficar em um quarto e ela no outro.
– Pois pensou errado – meu tom de voz era firme, não posso fraquejar nesse momento – Vou ficar com a minha filha em um quarto e você fica no outro.
– Mas que absurdo é esse? — falou um pouco mais alto, que fez com que Eve acabasse acordando.
– Mamãe? — ela se mexeu um pouco, sua voz indicava que ainda estava sonolenta – O que está acontecendo?
– Nada, meu amor – a coloquei no chão – Eu preciso conversar com o seu pai, então entra um pouquinho que eu já vou ficar com você.
Ela concordou antes de fechar a porta. Então eu me encostei na parede e fiquei olhando o meu marido.
– Olha, Klaus, eu aceitei vir com você sem reclamar e fiquei calada todo esse tempo, mas agora é você quem vai ouvir – avisei – Se vamos voltar a ficar “juntos”, tenho a minha exigências.
– Exigências? — ficou confuso – Tudo bem, diga, quais são as suas exigências.
– Nós continuamos casados no papel e vamos nos fazer de apaixonados para a sua família, mas dentro de casa, seremos apenas duas pessoas que dividem a mesma casa – comecei – Eu quero um quarto só meu e você não vai tocar em mim, a não ser que eu queira.
– Você só pode estar brincando, Lena? — revirou os olhos – Casados, mas sem dormirmos juntos? É assim que muito caras acabam procurando na rua o que não tem em casa.
– Pode fazer isso, se quiser – dei de ombros – Sinceramente, não estou me importando.
– Está mesmo me dando autorização para te trair? — pareceu totalmente chocado – Sério mesmo?
– Mais cedo você estava falando das minhas indiscrições, não foi mesmo – lembrei – Olho por olho, dente por dente. E ninguém precisa saber o que ocorre na nossa vida, isso só diz respeito a nós dois.
– Tudo bem então – acabou concordando – Você fica com o nosso quarto eu fico com o quarto de visitas, o bebê fica com o que esta vazia e transformamos o escritório lá de baixo e um quarto de visitas.
– Perfeito – dei um sorrisinho, apenas com os cantos da boca – Só mais uma coisa, eu quero trabalhar quando minha filha estiver um pouco mais velha – dei enfase no “minha – Não quero ficar dependendo do seu dinheiro, preciso da minha independência.
Dessa vez ele não respondeu, mas eu não iria desistir da minha existência. Já tinha decidido que iria começar a ganhar meu próprio dinheiro, me firmar na minha profissão e iria fazer isso, mesmo a situação tendo mudado.
– Antes de nos casarmos eu te disse que as mulheres da minha família não costumam trabalhar e como você queria mesmo participar da vida da Eve, acabou aceitando – lembrou – Mas você parece bem mais decidida do que há quatro anos, então tudo bem, eu concordo, você pode trabalhar.
– Foi bom fazer negócio com você – joguei um beijo para ele – Boa noite, querido.
Fiquei umas três horas assistindo televisão junto com a Eve, não estava com vontade de encontrar o Klaus, então pedi o jantar no próprio quarto. Depois de comermos nos preparamos para dormir, tinha sido um dia bem cheio, para nós duas.
– Mamãe, só tem uma coisa que eu não entendi – minha filha começou a falar – Você tinha me dito que a minha irmãzinha ia ser filha do Damon e por isso estávamos morando com ele, mas agora estamos voltando para a casa com o papai. Ela agora vai ser filha do meu papai também, é isso?
– É um pouco mais confuso que isso, mas acho que posso dizer que sim – tentei explicar – Tudo que você precisa é que o seu pai vai cuidar muito bem de você e da sua irmãzinha, tudo bem?
– Tudo bem – concordou – E como é que vai ficar o Damon? Ele não ficou triste por termos indo embora?
– Ele vai ficar bem – pelo menos era o que eu esperava – Pode ficar tranquila quanto a isso.
Fiquei passando a mão pelo cabelo da minha filha enquanto seus olhos pesavam e ela os fechava lentamente. Minha sorte que Eve tem apenas dois anos e não preciso dar muitas explicações, ela aceita qualquer coisa que eu fale, por mais absurda que seja.
Apesar de estar cansada, não consegui dormir imediatamente. Me levantei da cama com todo o cuidado, para não acordar a minha pequena, e peguei minha bolsa. Lá dentro estava o colar que Damon me deu, fiquei mais tranquila em segurá-lo, pois parecia que ele estava ali, perto de mim.
Decidi, então, pegar o meu celular. Procurei o número dele e cliquei para escrever uma nova mensagem.
Damon,
Faz menos de 24 horas que nos vimos pela última vez e já estou com saudades.
Ainda não concordo com a sua decisão de afastar a mim e a Miranda de você, mas não vou reclamar, sei que está fazendo isso para o nosso bem. E não se preocupe, vou cuidar muito bem da nossa princesinha.
Espero te encontrar um dia para podermos continuar a nossa história. Dessa vez sem que ninguém nos atrapalhe.
Te amo,
Elena.
Apertei enviar e fiquei esperando uma resposta, mas ela não veio. Acabei adormecendo segurando meu celular em uma mão e o colar na outra.
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