Pecados Íntimos

25 Capítulo 24 – Papai?


Notas iniciais
Antes de mais nada, quero agradecer a cihh9 pela recomendação, eu amei!!!! Esse cap está excepcionalmente fofo, embora tenham alguns momentos tenso. Tenho uma novidade sobre a fic que vou contar nas notas finais, então nos vemos lá embaixo. Sem mais enrolação aqui está o cap, espero que gostem.

Damon

Esses últimos meses, desde que conheci Elena, minha vida tem sido uma completa loucura. Nunca pensei que algum dia fosse me envolver com uma mulher casada, e agora eu estou aqui, completamente apaixonado e sem saber o que fazer quando ela voltar para o marido.

Infelizmente, isso pode acontecer mais cedo do que eu estava imaginando. Desde que contei para Lena sobre minha conversa com Katherine, ela está estranha. Saiu do meu apartamento alegando ter que resolver uns problemas e, dois dias depois, soube de sua viagem até Nova York, levando a filha junto. Juntando isso a milhares de chamadas não atendidas e uma mensagem sem resposta... não sei o que pensar.

Já faz três dias que não tenho nenhum tipo comunicação com Elena e o pai dela também não me dá nenhum tipo de resposta. Dizia apenas que logo eu entenderia tudo. Claro que eu estava preocupado e ansioso, mas não posso pensar nisso, tenho que pensar apenas no meu trabalho agora.

Era uma bela manhã de sexta-feira e eu decidi ir caminhando até o hospital. O ar frio de outono batendo no meu rosto era relaxante. Sempre gostei dessa sensação. Em menos de vinte minutos cheguei ao trabalho e logo fui assinar o meu ponto na recepção.

– Doutor Salvatore, a doutora Shane pediu para o senhor procurá-la assim que chegasse – a mulher que estava atrás do balcão falou – Disse que é um assunto urgente.

Emily Shane é uma das pediatras aqui do hospital de Mystic Falls. Fiquei intrigado para saber o que ela queria comigo, nós dois só temos uma paciente em comum.

– Certo, vou até lá falar com ela – afirmei.

A ala infantil ficava no terceiro andar, então eu peguei o elevador e fui até lá. Bati na porta e uma voz me mandou entrar. A doutora Shane estava sentada atrás da sua mesa analisando alguns papéis. Ela devia ter uns cinquenta anos, seu cabelo tinha algumas mechas acinzentadas e era muito simpática.

– A senhora queria me ver? — perguntei, fazendo com que me olhasse.

– Claro. Por favor entre – indicou a cadeira para que eu me sentasse – Tenho uma boa notícia para você, é sobre a Júlia.

Júlia Péterson, era um daqueles casos em que você desejaria ter uma poção mágica que curasse qualquer doença imediatamente. Ela nasceu uma criança normal e saudável, mas com um ano e meio começou a apresentar falta de ar, taquicardia e muito cansaço. Depois uma grande bateria de exames, foi descoberto um problema no coração que pode ser resolvido com um transplante. Agora, com seis anos, ela toma diversos remédios para retardar os efeitos da doença, mas logo isso não será mais suficiente.

Comecei a cuidar da pequena Ju, como a chamo carinhosamente, logo que fui efetivado aqui no hospital e sou muito apegado a ela. Meu maior sonho é que fique curada e possa ter uma vida normal como qualquer criança.

– E qual é essa boa notícia? — quis saber, totalmente animado.

– Conseguimos um coração para ela – respondeu – Ele está vindo de Seatle e chegou há alguns minutos ao aeroporto de Richmond. Em uma hora estará aqui e poderemos começar a cirurgia. Ela está sendo preparada e eu já peguei a autorização dos pais.

Isso era mesmo uma boa notícia. Claro que para conseguir esse coração, alguma criança teve que morrer, mas não quero pensar nisso agora. Tudo que importa é que minha pequena Ju ficará bem.

– Uma equipe da cardiologia está pronta para entrar em ação, mas como você é o médico dela deve estar lá também – continuou – Preciso saber se está pronto para isso.

– Claro que estou – afirmei, com toda certeza – Não tenho nenhuma consulta marcada para hoje e também não sou o cardiologista responsável pela emergência. Estou totalmente à disposição para esse caso.

– Perfeito! — completou – Bom, vou deixá-lo se preparar para essa cirurgia, imagino que não vá ser algo tão fácil assim de fazer.

– Com certeza não será – já tinha auxiliado o doutor Gilbert em um transplante cardíaco há dois anos, mas essa seria a primeira vez que seria o cirurgião responsável e que faria praticamente tudo, sem contar que era uma criança e sempre dá aquele medo de errar – Mas eu estou preparado para isso.

Assim que saí da sala da doutora Shane, fui fazer minha ronda de rotina nos meus pacientes internados. Por sorte não teve nenhum incidente nesse meio tempo. Depois disso já fui me preparar para poder operar.

Como já tinha previsto, aquela não foi uma cirurgia fácil. Era extremamente delicada e precisava de 100% da minha atenção. Quando terminei, já estávamos no meio da tarde, Júlia foi levada para o CTI, aonde teria que ficar sedada por, pelo menos 24 horas.

Vesti uma roupa esterilizada e fui até lá vê-la. Ela estava ali, dormindo tão tranquila, um tubo saindo da sua boca a ajudando a respirar e um monitor controlava seus batimentos cardíacos e sua pressão arterial.

– Ju, minha princesinha – passei a mão pela sua bochecha, que já parecia um pouco mais corada – O pior já passou, daqui há alguns dias você estará em casa e vai dar muito trabalho para os seus pais.

Quando eu sai de dentro do CTI os pais dela estavam esperando do lado de fora querendo saber notícias. Pareciam cansados, mas pude perceber um certo alívio em seus olhares.

– E então, doutor Salvatore, como está a minha filha? — a mãe já foi me perguntando – Ela vai ficar bem?

– Ainda não posso afirmar isso, as primeiras 24 horas são muito importantes para sabermos se o organismo dela vai se adaptar ao novo órgão, por isso ela precisa ficar no CTI – expliquei – Mas, se querem saber a minha opinião, estou otimista quanto a plena recuperação dela.

– Assim eu espero – suspirou, aliviada – Muito obrigada, senhor Salvatore, não sei nem como agradecer por ter salvo a vida da Júlia.

– Eu não fiz mais do que minha obrigação – garanti – Agora, se me dão licença, preciso ver meus outros pacientes.

Assim que me despedi deles, fui até a lanchonete, não estava com tanta fome, então apenas pedi uma vitamina de frutas. Só então eu fui para a minha sala aonde poderia, finalmente, relaxar um pouco, pelo menos até aparecer uma outra emergência.

Fui verificar o meu celular e vi que tinha uma mensagem de Elena que foi enviada um pouco depois de eu entrar no centro cirúrgico. Sem pensar em mais nada, já fui lê-la.

Damon,

Eu e Eve voltamos para Mystic Falls ontem à noite. Desculpe não ter entrado em contato antes, mas acho que agora podemos conversar.

Me avisa assim que puder me encontrar. Vou estar esperando.

Elena.

Soltei um suspiro de alívio ao ver aquela mensagem. É claro que eu queria falar com ela e saber sobre todo esse mistério da viagem dela. Apertei na mesma hora para poder escrever uma resposta.

Lena,

Desculpa não ter te respondido antes, eu estava em uma cirurgia muito importante. Não estou fazendo nada agora, se você quiser vir aqui no hospital, estou esperando na minha sala.

Damon.

Em alguns poucos minutos já recebi uma nova mensagem.

Damon,

Tudo bem, estou indo aí.

Elena.

Foi uma longa espera. Pensei que Elena nunca fosse chegar. Será que ela recebeu a minha mensagem? Felizmente, minha agonia teve fim cerca de meia hora depois quando ouvi duas batidas na minha porta.

– Pode entrar! — avisei, ela abriu a porta e entrou, parecendo um pouco incerta.

– Oi, Damon! — sorriu enquanto falava – Mais uma vez, me desculpa por não ter te respondido antes, mas quando eu explicar você vai entender.

– Não tem problema, Elena – me aproximei mais dela.

– Imagino que você tenha ficado preocupado com a minha falta de notícias.

– Bom, não vou mentir, eu realmente fique preocupado – admiti, passando a mão no seu rosto – Mas isso não importa nada agora, você está aqui, não tenho mais motivos para me preocupar ou ficar com medo.

– Estava com saudades! — Elena estava encarando os próprios pés nesse momento – Sei que foram poucos dias, mas pareceu uma eternidade.

– Acho que posso dizer a mesma coisa – concordei.

Foi então que eu a beijei. A sensação de ter os lábios dela nos meus era maravilhosa, parecia mesmo que a última vez tinha sido há uma eternidade. Levei minhas mãos à sua cintura para puxá-la para mais perto de mim, e ela colocou os dedos por dentro do meu cabelo.

Elena soltou um pequeno gemido e eu sorri com essa reação. Caminhamos em direção a minha mesa e eu a fiz se sentar no local, fazendo com que alguns papeis caíssem no chão.

Nós só nos separamos quando o ar nos foi necessário, depois de alguns minutos.

– Será que hoje nós vamos realizar a minha fantasia de transar na minha sala no hospital? — brinquei.

– Hoje não – negou com a cabeça – Pensei que você estivesse ansioso para aquela conversa, mas já se esqueceu completamente dela.

– Mas é claro que eu ainda quero saber – me afastei para poder olhá-la um pouco melhor – Agora você pode falar, já tem 100% da minha atenção.

Ela não disse nada, apenas pegou a minha mão e colocou sobre a sua barriga. Sabia muito bem o que significava.

Bom, isso explicava o enjoo repentino que Elena teve na última vez em que esteve no meu apartamento e seu desejo por comidas diferente que vem tendo de umas semanas para cá. Mas não posso dizer que não está sendo uma grande surpresa para mim.

– Você não vai dizer nada? — ela perguntou, foi só então que eu percebi que estava totalmente em silêncio — Agora quem está começando a ficar preocupada sou eu.

– Como foi que isso aconteceu? — não sei porque, mas essa foi a primeira coisa que saiu da minha boca no momento.

– Ora, Damon, você sabe como isso aconteceu – revirou os olhos – Pelo menos deveria saber, já que você é médico e tudo mais.

– Não foi isso que eu quis dizer – apressei-me em explicar – Eu só não esperava por isso.

– Bom, nós nunca fomos muito cuidadosos – deu de ombros – Esse é o tipo de coisa que pode acontecer quando se é descuidado.

Minha mão ainda estava na sua barriga. Tinha milhares de coisas que eu queria falar naquele momento, mas não conseguia, tinha medo de falar alguma besteira de novo.

– Você não gostou, é isso? — perguntou, em seguida – Por favor, me fala logo se for isso, estou preparada para qualquer coisa.

– Lena, você acha mesmo que eu acharia isso ruim? — a encarei – Já te disse, uma vez, que sonho em ser pai um dia. O bebê veio de uma maneira inesperada, mas vai ser muito bem-vindo e amado.

Elena apenas sorriu e eu puxei seu rosto para beijá-la calmamente. Foi impossível não sorrir também, com meus lábios ainda grudados nos dela.

– Você tem ideia do quanto está me fazendo o cara mais feliz do mundo nesse momento? — sussurrei.

– Imagino – brincou – Porque eu também estou muito feliz nesse momento.

– Só espera uma coisa... — comentei, de repente – E o Klaus, como é que fica? Ele é seu marido, pensei que ele fosse a sua principal preocupação em acabar engravidando.

– Ex-marido, você quer dizer – me corrigiu – Foi isso que eu fui fazer em Nova York, abri o jogo com o Klaus, sobre nós dois e sobre o bebê também. Além disso, eu pedi o divórcio, não quero mais viver uma mentira, a partir de agora não quero fazer mais nada escondida.

– Não faremos mais nada escondidos – garanti enquanto a ajudava a levantar da minha mesa – A primeira coisa que vamos fazer é contar toda a verdade para o seu pai. Quero deixar bem claro para ele as minhas reais intenções com você.

– Acho que isso não vai ser uma total surpresa para ele – deu de ombros – Mas já que quer fazer isso, por mim tudo bem. Qual é a ideia?

– Saio daqui do hospital às sete horas. O que acha de irmos para a casa dele e jantamos? — sugeri – Claro que eu levaria alguma coisa do Grill, não quero te dar trabalho para cozinhar. Isso não deve ser bom no seu estado.

– Damon, eu estou grávida, não doente – cruzou os braços e se fingiu de brava – Já passei por isso antes e garanto que vai ser tudo perfeito.

– Sei que você não está doente, mas saiba que eu pretendo te mimar muito até o nosso bebê nascer – a puxei pela cintura, para mais perto de mim – E é melhor você se acostumar com isso.

Inclinei-me para lhe dar um selinho. Foi nesse momento que a porta da minha sala foi aberta, me virei a tempo de dar de cara com Alaric.

– Desculpa, Damon, acho que eu devia ter batido antes – meu amigo estava extremamente sem graça.

– Não tem problema, Ric – garanti – A Elena já estava indo embora. Não é mesmo, Lena?

– Sim! — afirmou – Bom, Damon, vou te esperar mais tarde para o nosso jantar.

– Estarei, lá, pode ter certeza – garanti antes de beijá-la novamente – Tem certeza de que vai conseguir ir para casa sozinha?

– Sim, Damon, pode ficar tranquilo – revirou os olhos.

Quando passou pelo Ric acenou com a cabeça para cumprimentá-lo. Meu amigo apenas ficou me encarando com um sorriso malicioso.

– Mas como o amor é lindo! — brincou – Pelo jeito os pombinhos estão melhores do que eu imaginava.

– Deixa de ser bobo, Ric – reclamei – Mas então, o que foi que você veio falar comigo?

– Ah sim, estão te chamando na emergência – disse – Parece que chegou um paciente com sintomas de ataque cardíaco.

– Certo, o dever me chama – vesti o meu jaleco e peguei o estetoscópio antes de sair da sala.

O restante do dia de trabalho ocorreu sem maiores problemas, fora esse paciente não tive mais nenhuma emergência, então só tive que me preocupar com os internados. Antes de sair do hospital fui ver Júlia, ela ainda não tinha acordado, mas parecia ter reagido muito bem ao transplante.

Passei no Mystic Grill e comprei o prato favorito do meu “sogro” antes de seguir para a casa dele. Todos já estavam me esperando, então só arrumamos a mesa e já começamos a jantar.

– Então, Damon, como estão as coisas no hospital? — ele me perguntou – Não tem ideia do quanto eu quero voltar a trabalhar, não consigo ficar muito tempo parado.

– Nós sabemos disso, pai, mas você só vai poder voltar no ano que vem – Elena alertou – Tem que ter um pouco mais de paciência.

– Está tudo bem no hospital, doutor Gilbert – garanti – Mas esse não foi o motivo para ter marcado esse jantar.

– Então o que foi? — quis saber.

– Acho que o senhor sabe que eu e sua filha estamos juntos, não é mesmo? — segurei a mão dela por debaixo da mesa – E que agora vamos ter um bebê.

– Embora vocês não tenham dito nada publicamente, eu já desconfiava de algo – comentou – Quero que vocês saibam que eu estou muito feliz com isso.

– Agora com o nosso filho a caminho quero assumir o nosso relacionamento para todos – continuei – Assim que o divórcio dela e do Klaus sair vamos nos casar e quero que ela fique morando comigo a partir de agora.

– É isso que você quer, Elena? — perguntou diretamente para a filha.

– Sim! — afirmou com a cabeça – Quero começar uma vida nova ao lado do Damon, o mais rápido possível.

– Já que é assim, vocês têm a minha benção – completou.

– Eu estou confusa, mamãe – Eve se manifestou pela primeira vez, parecia totalmente entretida com a comida – Quer dizer que você vai ser casada com o doutor Damon agora e não com o meu pai?

– É um pouco mais complicado que isso, mas sim – tentou explicar.

– E o meu novo irmãozinho vai ser filho dele? — continuou, Lena assentiu – Mas ele vai continuar sendo meu irmãozinho mesmo assim?

– Sim, Eve, isso não muda nada – respondeu – Mas quero que você saiba de uma coisa, mesmo eu não estando mais com o seu pai, ele vai continuar te vendo e te amando . E você vai poder vê-lo sempre.

– E eu também quero que você saiba que eu vou cuidar de você da mesma maneira que vou cuidar do seu irmãozinho – foi a minha vez de falar – Isso se você me permitir.

– Sim, eu vou adorar isso – garantiu.

Assim que terminamos, Elena foi buscar as coisas dela para poder ir para o meu apartamento. Eve iria para lá também, mas o doutor Gilbert achou melhor que ela ficasse com ele, pelo menos por hoje, para termos mais privacidade.

Apesar disso, não aconteceu nada entre nós dois nessa noite. Assistimos um pouco de televisão e depois fomos no preparar para dormir.

– Damon! — Elena murmurou, estava abraçada a mim e quase adormecendo – Aquilo que você falou para o meu pai, era a verdade?

– Sobre querer ficar com você, o bebê e a Eve? Mas é claro que sim – afirmei.

– Não é isso – continuou – A parte sobre querer se casar comigo quando o meu divórcio sair.

– Lena, eu nunca falei tão sério em toda a minha vida sobre querer me casar com você – garanti – Por quê? Você não quer se casar comigo? Prefere não tornar tudo oficial outra vez?

– Não é isso – deu de ombros – Mas eu acho que você deveria ter feito o pedido da maneira tradicional, não acha?

– Já que você quer? — me levantei e me ajoelhei em frente a cama antes de segurar a sua mão – Elena Gilbert, você quer se casar comigo?

– Sim! — fez um pouco de mistério, mas logo respondeu.

– Perfeito! — a beijei – Agora vamos dormir, por favor, que amanhã eu tenho que estar cedo no hospital.

– Você manda, senhor Salvatore – acenou com a cabeça.

– Adoro quando você me chama assim, futura senhora Salvatore – deitei e a puxei para abraçá-la, mais uma vez.

Tive um sonho muito estranho nessa noite. Eu e Elena estávamos no parquinho de Mystic Falls, empurrando um carrinho de bebê, parecíamos muito felizes quando tudo ficou escuro. Infelizmente, no momento em que a luz acendeu, novamente, os dois tinham sumido.

Acordei com um grito.

– O que houve? — me virei para ela, Lena estava sentada na cama – Está tudo bem, meu amor?

– Damon, acende a luz, por favor – pediu e foi o que eu fiz, ela afastou as cobertas e tinha uma enorme mancha de sangue no lençol – Essa não, Damon, eu não quero perder o nosso bebê, por favor, faz alguma coisa!

– Tudo bem, vamos para o hospital agora – claro que eu estava nervoso, mas não podia demonstrar isso. Só ia piorar as coisas – Você consegue andar? — afirmou com a cabeça.

Trocamos de roupa rapidamente e em menos de dez minutos estávamos saindo a caminho do hospital. Já no carro eu liguei para a doutora Fell, sorte que hoje é o plantão dela, então ela já estava nos esperando quando chegamos.

– Elena, você precisa ficar calma agora – a obstetra alertou – Vamos para a sala de exames e ver o motivo desse sangramento, tudo bem? — ela balançou a cabeça afirmativamente, pude ver umas lágrimas no seu rosto, acho que nunca a vi tão apavorada.

A doutora Fell a fez se sentar em uma cadeira de rodas e seguimos pelo enorme corredor em direção a sala de exames.

– Damon, infelizmente você precisa ficar aqui fora esperando – avisou quando chegamos em frente a porta – Você também é médico e entende perfeitamente porque eu estou fazendo isso, não é mesmo?

– Claro, tudo bem – afirmei, depois eu segurei a mão de Elena e dei um beijo nos seus dedos – Fica bem, daqui a pouco a gente se vê.

Entraram na sala de exames e eu sentei em um banco para ficar esperando. Passei a mão pelo cabelo nervosamente, não sei o que pensar nesse momento. Faz menos de doze horas que eu descobri que vou ser pai e agora eu corro o risco de perder o meu bebê. Acho que nem o mais cruel dos escritores pensaria em escrever uma tragédia dessas.

Pareceu uma longa eternidade de espera, mas foram somente cinco minutos, segundo o relógio de parede. Finalmente Meredith apareceu, sua cara era a mais natural, não consegui definir o que estava pensado.

– E então? — apressei-me em perguntar – Como eles estão?

– Pode ficar tranquilo, Damon, a Elena e o bebê estão muito bem – garantiu. Não pude deixar de soltar um suspiro de alívio – Ela está lá dentro fazendo uma ultrassonografia. Vá até lá, já vou falar com vocês.

– Certo! — concordei – Muito obrigado, doutora Fell.

Elena estava deitada na maca enquanto a enfermeira passava o aparelho de ultrassom na sua barriga. Uma imagem azul e borrada se formava na tela e podia ouvir um barulho bem alto de um coração humano batendo.

– Damon! — esticou os braços na minha direção – Está vendo, está tudo bem com o nosso bebê.

– É mesmo! — dei um sorriso bobo – Sabia que ia estar tudo bem com ele ou ela.

– É tão bom escutar o coraçãozinho – comentou – Essa é a prova de que tem um ser vivo crescendo aqui dentro.

Fiquei ali com Lena vendo o nosso filho e não demorou muito para a doutora Fell aparecer, ela estava com uma prancheta na mão.

– Bom, agora vamos conversar – começou – Não quis dizer nada antes, Elena, mas você sofreu uma tentativa de aborto espontâneo. Felizmente vocês chegaram a tempo e consegui controlar com a medicação.

– Mas você sabe qual foi a causa? — quis saber. Não sou obstetra, mas já auxilei em dois partos durante o estágio na faculdade e estudei sobre a reprodução humana o suficiente para saber que abortos espontâneos sempre são causados por alguma coisa, embora nem sempre se descubra qual é.

– Ainda não descobri – negou com a cabeça – Tirei um pouco de sangue da Elena para descobrir se é dela o problema, embora eu a tenha examinado há algumas semanas e estivesse tudo normal. Também podemos fazer um exame no feto para saber se é algum problema de má formação.

– E como é esse exame? — Lena já foi perguntando.

– Colocamos um agulha na sua barriga para retirar um pouco do líquido aminótico e retiramos um pouco para podermos ver as informações genéticas do bebê – explicou – Te daremos uma anestesia que deve te deixar um pouco sonolenta, por isso você teria que dormir aqui no hospital, mas fora isso é bem tranquilo.

– Pode fazer! — avisou – Quero saber se meu bebê vai ter algum problema ou se eu tenho algum risco de tentar abortar de novo, mesmo que não possa fazer nada.

– Bom, Damon, você tem que esperar lá fora novamente! — a doutora Fell avisou.

– Vou estar lá fora e volto quando acabar, mesmo que você esteja dormindo – dei um beijo na sua testa – Não se preocupe que vai dar tudo certo.

– Só te peço uma coisa, Damon, não conta nada para o meu pai – pediu – Não aconteceu nada demais e não quero dar motivos para ele se preocupar.

Eu não diria que uma ameça de aborto espontâneo não era nada de mais, mesmo assim concordei com ela e não avisaria ao seu pai. Voltei para o banco que eu estava pouco antes, para esperar enquanto Elena fazia o exame.

Meia hora depois ela já tinha sido transferida para o quarto e dormia tranquilamente. Mesmo sabendo que teria uma terrível dor nas costas, fiquei sentado em uma cadeira passando a mão pelo seu rosto e pelo seu cabelo. Essa seria uma longa noite, mas não sairia do lado dela e do nosso filho, por nada nesse mundo.

Notas finais
O que vocês acharam da reação do Damon a respeito da gravidez da Lena? Fofa né? E o quase aborto da Elena? Tenso né? (antes que vocês queiram me matar, a minha primeira ideia, quando comecei a fic, era que a Elena perdesse esse bebê, mas com os novos rumos que a história vai tomar, decidi mudar isso) *** Agora vamos a novidade: Pecados Íntimos vai ganhar uma segunda temporada!!!!! Ainda não tenho certeza sobre o título, mas acho que vai ser "Amores e Consequências" e vai se passar alguns anos depois dos acontecimentos da primeira temporada. Portando, Pecados Íntimos terá mais quatro capítulos e o epílogo e já começaremos a segunda temporada. Espero que vocês gostem!!!! *** Antes de ir embora, só mais uma coisa, Uma das minhas leitoras, Patrícia Rocha, está começado uma fic Dalena que se chama "Atraídos pelo Destino", ainda está bem no comecinho, mas a ideia da história é bem interessante, se puderem dar uma lidinha: http://fanfiction.com.br/historia/489254/Atraidos_pelo_Destino/ *** Bom, é isso Comentem e digam o que estão achando Recomendações?