Pecados Íntimos
3 Capítulo 2 – Lembranças
Notas iniciais
Nem todas as pessoas tem o privilégio de morarem em Manhattan em um apartamento duplex e ainda de frente para o Central Park. E esse certamente foi um dos maiores fatores decisivos para escolher esse lugar quando eu e Klaus estávamos procurando apartamento um pouco antes de nos casarmos, assim nossa filha teria um lugar para brincar ao ar livre bem pertinho de casa, apesar de morarmos em uma cidade grande como Nova York.
– Vamos mamãe! — Eve começou a me arrastar para fora do prédio no momento em que saímos do elevador – Quero chegar logo no parquinho, está logo ali!
– Calma, desse jeito você vai arrancar o meu braço – mas ela não estava me ouvindo, estava quase na enorme porta de vidro, que dividia o Hall e a rua – Opa, aonde é que a senhorita pensa que vai?
– Ah não, mãe! — reclamou quando eu a peguei no colo.
– Ah sim, Eve – continuei – Acha mesmo que eu vou deixar você ir para a rua assim sozinha?
Então eu sai do prédio e atravessei a rua para poder entrar no Central Park, o parquinho não ficava muito longe. Assim que chegamos, coloque Eve no chão e ela correu em direção a caixa de areia.
– Oi, Lily! — logo ela se sentou ao lado da amiguinha, que estava brincando com uma pá e um baldinho.
Sentei no banquinho de madeira e fiquei observando minha filha brincando com a outra garota, as duas tinham se conhecido aqui mesmo na pracinha e viraram amigas logo de cara. Vê-las assim juntas me faz lembrar de mim e da minha melhor amiga, Caroline Forbes, nossas mãe eram amigas de infância e, consequente, acabamos virando amigas também, estávamos sempre juntas na escola e fora dela, além disso, sempre fomos confidentes uma da outra. Ainda me lembro, como se fosse, ontem, de quando ela me ajudou a ganhar o meu primeiro beijo, eu tinha 14 anos.
*Flash Back*
Agradeci mentalmente quando o sinal da penúltima aula tocou. Hoje eu teria aula de educação física e por mais que todo mundo sempre reclamasse de precisar fazer exercícios antes do horário de saída, eu a Car sempre acabamos arranjando uma desculpa para não fazermos nada.
– Muito bem, hoje você irão correr – a professora disse quando estávamos, todos, do lado de fora do colégio – Duas voltas em torno da pista de atletismo, e não quero ninguém reclamando.
Começamos a correr, eu e Caroline ficamos para trás do restante do grupo. Quando passamos pela área em que os garotos do time de futebol treinavam, ela parou.
– Car! — reclamei quando acabei esbarrando nela.
– Ora, por favor, Lena, o time de futebol bem ali na nossa frente e você querendo correr? — se virou na minha direção como se eu estivesse ficando completamente maluca – E olha o seu príncipe encantando bem ali.
Tyler Lockwood, o filho do prefeito de Mystic Falls, está no primeiro ano do Ensino Médio e é um ano mais velho que a gente. Tenho uma queda por ele desde que eu tinha nove anos e de uns meses para cá Ty tem reparado bastante em mim, mas até agora não tinha acontecido nada entre nós.
– Oi, Tyler! — minha amiga gritou na direção dele e acenou, nem preciso dizer que meu rosto começou a ficar vermelho.
– Oi, meninas! — parou o que estava fazendo e veio correndo na nossa direção – O que vocês estão fazendo aqui?
– Aula de Educação Física – explicou dando de ombros, eu até queria, mas não conseguia dizer nada.
– Entendo, esporte é legal, mas nunca obrigado – revirou os olhos – Mas agora me digam, vocês vão na minha festa hoje a noite, não vão?
Os pais de Tyler viajaram e só voltam no final de semana que vem e ele decidiu dar uma grande festa na mansão Lockwood e convidou todo o Ensino Médio da Mystic Falls High School, eu e Car somos as únicas alunas da 8ª série que foram convidadas.
– Mas é claro que vamos! — minha amiga garantiu, mas uma vez – Estamos bem animadas, não é mesmo, Lena?
– Não sei se vou poder ir! — finalmente consegui falar – Meu pai vai estar de plantão hoje a noite e eu, provavelmente vou precisar ficar tomando conta do meu irmão.
– Mas que pena, mas quem sabe da próxima vez – deu de ombros – Bom, meninas, eu preciso voltar para o treino.
– Elena!- Car começou a reclamar – Que história é essa de que você não vai a festa?
– Gilbert! Forbes! Essa é uma aula de Educação Física, não de fofoca — a professora já estava do nosso lado – É bom as senhoritas começarem a correr se não quiserem levar uma advertência.
Não dissemos mais nada, apenas começamos a correr. Quando, finalmente, a aula terminou, todos foram até o vestiário trocar de roupa para poderem ir embora.
– Finalmente você apareceu! — meu irmão mais novo se levantou do banco de madeira que fica em frente a entrada da escola, eu e Car estávamos descendo a escadaria do prédio – Achei que fosse ficar o resto da vida ai dentro, Lena.
– Você sabe que eu tenho Educação Física hoje no último horário – lembrei -Agora vamos embora.
Nós três saímos em direção a rua, alguns alunos pegavam os seus carros ou suas bicicletas, mas nós sempre íamos a pé, uma das vantagens de morar em uma cidade pequena.
– Jeremy, será que você não pode ficar sozinho em casa hoje? — minha amiga começou a falar, de repente – Você já tem 12 anos, é bem capaz de cuidar de si mesmo sem causar nenhum tipo de incêndio em casa.
– Car! — reclamei – Não adianta, meu pai nunca permitiria que o Jeremy ficasse sozinho em casa. Vou ter que ficar lá com ele.
– Isso não é justo – cruzou os braços, como uma criança emburrada – Minha mãe só me deixou ir a festa porque eu disse que você iria, se ela soube que você não vai, me proíbe também.
– Que festa? – Jeremy quis saber. Ótimo! Tudo que ele não podia era ouvir a respeito dessa festa...
– Tenho certeza de que terão outras festas – dei de ombros, ignorando o meu irmão – Mas se você quiser ir dormir lá em casa hoje será muito bem vinda. Podemos fazer uma maratona de filmes, com direito a pipoca e sorvete de chocolate.
– Que festa é essa que vocês estão falando? — ele perguntou, mais uma vez – Se vocês não falarem eu vou ser obrigado a falar com o papai.
– Não é nada de importante, Jeremy -dei de ombros – Até porque eu e a Elena não vamos poder ir mesmo.
– Não desista assim tão fácil, Lena – minha amiga estava com aquele olhar determinante, costumava ter muito medo dela quando fazia isso – Se o problema é o seu irmão, contratamos alguém da nossa turma para ficar com ele, seu pai vai ficar a noite toda fora, nem vai fazer.
– Eu não vou ficar com nenhuma estranha! — Jeremy reclamou – E se você insistir, papai não vi ficar nem um pouco feliz com isso.
– Mesmo que essa fosse uma ideia brilhante é impossível, Caroline – tentei colocar um pouco de juízo na cabeça dela – Como é que nós vamos pagá-la? A minha mesada já acabou e só vou receber mais dinheiro daqui a duas semanas.
– E quem disse que a gente vai precisar de dinheiro – explicou – É só prometermos que vamos fazê-la ser convidada para a próxima festa de Ensino Médio, ninguém do nosso ano vai negar isso, acredite em mim.
– Mas se vocês quiserem que eu fique de boca quieta vão precisar me pagar! — meu irmão estava sendo completamente ignorado e isso o deixava bem irritado.
– Car, não insiste, isso nunca vai dar certo – foi tudo que eu disse e voltei a andar.
Durante todo o caminho até a minha casa, Car continuou insistindo de que deveríamos ir a festa, enquanto meu irmão continuava a fazer a chantagem de sempre. Não pude deixar de agradecer mentalmente quando chegamos.
– Vocês estão sentido isso? — momento em que abri a porta da sala, um cheiro muito bom veio da cozinha.
– Sim! — os dois responderam ao mesmo tempo.
Aquilo era muito estranho, pela hora meu pai já deve ter saído para o seu plantão, sem contar que ele nunca foi muito fã de cozinhar, se eu não tivesse começado a arriscar preparar uns pratos, íamos acabar morrendo de fome. Pedi para que eles me esperassem ali e fui até a cozinha, aonde encontrei uma pessoa de costas em frente ao fogão.
– Tia Jenna? — olhei surpresa no momento em que ela se virou na minha direção – O que você está fazendo aqui?
Jenna é a irmã mais nova da minha mãe e desde a morte dela foi a pessoa que mais ajudou o meu pai comigo e com Jeremy. Ela está, atualmente, terminando o doutorado na Whitmore College e mora lá no campus, que fica há algumas horas de Mystic Falls, mas está sempre vem aqui em casa ver como estamos.
– Ora, eu vim visitar os meus sobrinhos favoritos esse final de semana – respondeu como se fosse muito óbvio – Ainda encontrei o seu pai antes dele sair para o plantão e decidi fazer um bolo para quando vocês chegassem. O que acha de irem trocar de roupa e depois voltarem para lancharmos.
– É uma boa ideia – concordei, por fim.
Em menos de dez minutos estávamos sentados na mesa da cozinha comendo um pedaço de bolo de chocolate que a tia Jenna fez. Estava uma delícia, decididamente eu estava com saudades da comida dela.
– Sabe, Tia Jenna, poderia deixar a Lena dormir lá em casa – Caroline comentou – Já estávamos planejando uma festa do pijama há semanas, mas como ela ia ter que ficar com o Jeremy não íamos poder fazer.
– Adoro festas do pijama – sorriu – Quem mais vai estar lá além de vocês duas.
– Seremos somente nós duas – fui eu quem respondi. Uma voz na minha cabeça insistia que eu não deveria mentir, mesmo assim não parei – Vamos assistir uns filmes e comer pipoca.
– Bom, é claro que eu deixo, afinal a casa da Caroline não é tão longe assim – disse, por fim.
– Obrigada, tia Jenna – minha amiga continuou – Você salvou a nossa noite.
– É mentira, tia Jenna, elas vão... — Jeremy começou a falar, mas eu tampei a sua boca.
– Ele está brincando, tia Jenna – apressei em dizer – É claro que iremos ficar na casa da Car. Aonde mais nós iriamos?
– Sei... — ela ficou me olhando desconfiada – De qualquer maneira, divirtam-se.
Assim que terminamos de comer o bolo fomos até o meu quarto e Caroline começou a colocar um monte de roupas minhas dentro de uma mochila dizendo que escolheríamos a roupa quando chegássemos a casa dela. Já estávamos prontas para sair quando Jeremy parou encostado no batente na porta.
– Você acha que vai escapar dessa, Lena – comentou – Assim que você sair eu conto para a tia Jenna que vocês vão a uma festa e as duas vão ficar de castigo.
– Tudo bem, Jer, o que você quer? — cruzei os braços e o olhei, meu irmão sempre foi um grande chantagista – É só me dizer o seu preço para ficar de boca fechada.
– Quero sua sobremesa por um mês – disse sem pensar duas vezes.
– Feito!- apertei a mão dele como se fechássemos um acordo – Foi bom fazer negócios com você, Jeremy.
– Digo o mesmo, Elena – completou.
– Certo, agora temos que ir – Car avisou – E Jeremy, é bom você ficar quietinho, ou eu vou garantir para que nunca seja convidado para um festa quando estiver no Ensino Médio.
Quando chegamos ao andar debaixo da casa encontrei minha tia sentada no sofá lendo um livro. Ela se virou no momento em que nos aparecemos.
– Já estamos indo, tia Jenna – avisei.
– Tem certeza de que não quer que eu leve vocês? — sugeriu – Só preciso pegar a minha bolsa e chave do carro.
– Não precisa, tia Jenna – garanti, estava me sentindo culpada o suficiente por mentir para ela e não precisava ficar mais tempo com ela – A casa de Caroline é bem perto, podemos ir a pé.
– Então está bem! — deu de ombros – Juízo vocês duas, é bom vocês não fugirem para ir a uma festa qualquer.
– Muito engraçado, tia Jenna, até aparece – virei de costas, rapidamente, para que meu olhar não me denunciasse – Vamos embora, Car.
A casa da Caroline, realmente, não ficava muito longe, era na mesma rua, mas um pouco mais a frente. Levamos menos de dez minutos para chegar, a mãe dela ainda não estava, então fomos diretamente para o quarto dela, no andar de cima.
– Tudo bem, Lena, agora vamos escolher a sua roupa – avisou – Você precisa estar linda para o Tyler.
Enquanto minha amiga mexia na bolsa que eu tinha trazido eu me sentei na pontinha da cama e fiquei encarando um ponto fixo na parede.
– Elena Gilbert, por que você está com essa cara? — parou na minha frente e ficou com os braços cruzados – Não me diga que você está com medo de ir a festa do Tyler.
Não tinha como mentir para ela, balancei a cabeça afirmativamente.
– Você é mesmo impossível – revirou os olhos – O Tyler está totalmente na sua. Você viu a carinha dele quando perguntou se você iria a festa hoje? Certamente está planejando que vocês dois fiquem hoje a noite.
– Vou ser sincera com você, Car, eu tenho medo – admiti – Tenho medo que o Tyler só esteja querendo se aproveitar de mim, que quando ele conseguir o que quer, vai me largar.
– Sério mesmo que você está pensando isso? — ela começou rir – Poupe-me, Elena.
– O Tyler é mais velho que eu – lembrei – E pode ter a garota que quiser daquele colégio, por que ele iria me querer.
– Você realmente não se valoriza – reclamou – Elena, você é linda, certamente qualquer cara ficaria feliz por ser com você uma vez. Além disso, você é de uma família fundadora e isso vale muito.
Mystic Falls foi fundada em 1860, durante a guerra civil americana, por quatro famílias: Os Lockwoods, os Fell, o Fores e os Gilberts. Ser membro de uma dessas famílias, até hoje, significa que você é da realeza nessa cidade.
– O Tyler não vai te largar quando conseguir o quer, acredite em mim – completou – Vocês vão fazer um casal lindo.
Então nos começamos a nos arrumar. Eu coloquei uma uma saia jeans, uma camisa baby-look verde e uma jaqueta; já Caroline escolheu um vestido branco totalmente colado no seu corpo. Fizemos a maquiagem uma da outra antes de descermos as escadas, a mãe dela já estava nos esperando.
– Vocês duas estão lindas – ela comentou, dando um fraco sorriso – E então, estão prontas para irmos?
– Sim! — respondemos ao mesmo tempo.
– Sabe, Elena, confesso que fiquei surpresa que o seu pai tenha deixado você ir a essa festa – continuou.
– Pois é, eu também fiquei surpresa – respondi – Mas a sorte é que ele deixou.
Saímos da casa e fomos até a garagem em direção ao carro. A mansão da família Lockwood ficava quase na cidade e quando estávamos há algumas ruas de distancia, podia ver alguns carros parados.
– Está vendo só, festa de Ensino Médio, é outro nível – Car sussurrou para mim – Mãe, será que você pode deixar a gente aqui?
– Você está com vergonha de estar vindo para a festa coma sua mãe, é isso? — virou-se para olhar melhor o banco de trás – É isso?
– Acontece que a festa é de alunos de Ensino Médio e a grande maioria já tem carro – explicou.
– Mas vocês ainda não tem 16 anos, não precisa ter vergonha disso – lembrou – Mas tudo bem, eu deixo vocês duas aqui.
Foi difícil andar com a sandália de salto, mas conseguimos chegar na festa. O local estava lotado e foi muito difícil encontramos Tyler, mas logo ele veio até nós.
– Você veio! — disse para mim, estava totalmente feliz – Você disse que ia ter que ficar tomando conta do seu irmão.
– Minha tia veio passar o final de semana aqui em Mystic Falls – expliquei, ocultando, é claro, o fato de que nem pai nem minha tia sabem que estou aqui.
– Que legal! — continuou – Mas por que nós não vamos dar uma volta por ai? Quero te mostrar uma coisa lá no jardim.
– Claro! — afirmei – Car, você vai ficar bem aqui sozinha?
– Sim, vou ficar muito bem sozinha – garantiu enquanto olhava para os caras que passavam – Vou dar umas voltar por ai, então, divirta-se também.
Ele segurou a minha mãe e seguimos para a saída da casa. O jardim era enorme e sentamos em um banco de madeira perto do chafariz.
Se me permite dizer, você está linda – comentou depois de alguns segundos de silêncio.
– Obrigada! — dei um sorriso bobo e fiquei encarando a grama em baixo dos meus pés – Você também está ótimo.
– Sabe, eu me lembro de quando você só usava o cabelo amarrado em um rabo de cavalo – ficou enrolando o dedo nas pontas do meu cabelo, ele estava batendo, mais ou menos, um pouco a baixo do meu ombro.
– Eu gostava mesmo de andar com o cabelo preso – concordei balançando a cabeça afirmativamente, ainda não tinha me virado para ele – Mas agora prefiro usar ele solto, às vezes é bom fazer mudanças.
– Se me permite dizer, eu gosto do seu cabelo assim, solto – colocou as duas mãos no meu rosto, fazendo com que eu o olhasse – Tenho que confessar uma outra coisa, eu tinha ficado totalmente decepcionada quando soube que você não viria hoje a noite.
– Sério? -sabia muito bem do que estava falando, mas decidi me fingir de desentendida.
– Sim! — continuou – Mas agora você está aqui e não tem ideia do quanto eu estava ansioso para que ficássemos sozinhos.
Ele passou o polegar nos meus lábios, fazendo com que eu fechasse os olhos. Tyler interpretou isso como um sinal de que podia seguir em frente, então começou a aproximar o rosto do meu, mesmo não vendo, sabia que nossos lábios estavam quase e encostando.
– Espera, Tyler! — Consegui falar, o empurrando de leve para longe de mim – Não estou preparada para isso.
– O que? — ficou totalmente surpreso com a minha reação – Mas eu pensei que você quisesse, tanto quanto eu.
– Você pode me achar uma boba por eu falar isso – dei de ombros – Acontece que eu nunca beijei um cara antes.
– Sério? — para minha total surpresa, ele estava sorrindo.
– Sei que normalmente as garotas de 14 anos já beijaram antes e a maioria das garotas da minha sala tem ou já tiveram namorado – continuei – Mas eu não quis que meu primeiro beijo fosse com qualquer um, quero que seja especial.
Ele segurou uma das minhas mãos e levou até os lábios, depositando um leve beijo nela.
– Elena Gilbert, eu fico honrado de ser o cara a te dar o seu primeiro beijo, e prometo que será o momento mais especial de todos – garantiu – Isso se você me permitir, é claro.
– É claro que sim – respondi sem nem ao menos pensar duas vezes – É tudo que eu mais quero.
No minuto seguinte estávamos nos beijando. A principio eu não sabia muito bem o que fazer, mas Tyler passou a língua pelos meus lábios, pedindo que eu os abrisse e colocou a mão na minha nuca. Infelizmente foi necessário nos separarmos quando o ar nos faltou, eu estava com um sorriso bobo no momento em que nos olhamos.
– E então? — quis saber – O que você achou?
– Não poderia ter sido mais perfeito – respondi – Acho que poderia ficar aqui o resto da noite te beijando.
– Acho que você acabou de ler o meus pensamentos – disse antes de se aproximar de mim novamente.
Então continuamos ali naquele banco, conversando e nos beijando, apenas eu e Tyler. Já tinha me esquecido completamente da festa e do tempo passando, aquele era o nosso pequeno mundinho.
– Finalmente eu te achei, Lena – a voz de Car fez com que nos separássemos, mais uma vez – Aconteceu uma tragédia.
– O que foi? — perguntei totalmente preocupada, na mesma hora achei que pudesse ser um problema lá em casa – Fala logo, não faz esse suspense todo.
Minha mãe acabou de ligar no meu celular – explicou – Parece que seu pai ligou para casa e sua tia e ela disse que você estava lá em casa, então ele telefonou para a minha mãe e quando ela disse que estávamos na festa seu pai explicou que não tinha te autorizado a vir.
– Essa não! — passei a mão pelos cabelos, totalmente nervosa – Vou ficar de castigo pelo resto da minha eternidade.
– Espera ai, quer dizer vocês duas mentiram para estarem aqui? — Ty perguntou e eu apenas balancei a cabeça afirmativamente – Realmente, não é nem um pouco bom quando você é pego, acreditem, já passei por isso várias vezes. Alias, espero que meus pais não vão ficar nem um pouco felizes se souberem dessa festa.
– Então reze para a minha mãe não contar nada, pois nem ela nem o pai da Lena estão muito felizes – minha amiga cruzou os braços e ficou nos encarando – Ela está vindo nos buscar, Lena, é melhor irmos esperá-la lá na frente.
– A gente se vê segunda-feira na escola, então – Tyler me deu um selinho antes de eu me levantar – Tchau para você também, Caroline.
Ela deu um pequeno aceno antes de nos afastarmos em direção a entrada da casa. Na metade do caminho, minha amiga colocou o braço em volta dos meus ombros.
– A julgar pela cena que eu vi no momento em que me aproximei, a nossa fuga valeu muito tempo para você, não é mesmo? — perguntou.
– Com certeza! — afirmei – Só espero que isso dure.
– Vai durar sim, deu para ver nos olhos dele o quanto está apaixonado – garantiu -Vocês formam um casal fofo.
Não sei se Caroline achava mesmo que isso era verdade ou se era só para me animar. Pelo jeito, só o tempo irá dizer o que acontecerá com nós dois.
*Fim do Flash Back*
A senhora Forbes não contou para os pais de Tyler a respeito da festa, disse que eles tinham que descobrir sozinhos, e ele acabou não ficando de castigo por isso. Infelizmente eu não tive a mesma sorte, já levei uma bronca da tia Jenna quando cheguei em casa e depois meu pai me deixou duas semanas só saindo de casa para ir para a escola e Caroline ainda teve uma punição maior do que a minha, de um mês.
Mas é claro que nem tudo foi ruim. Eu e Tyler continuamos a ficar durante esse tempo e quando o meu castigo terminou ele foi até a minha casa me pedir oficialmente em namoro na frente do pai e eu, é claro, disse sim.
Ficamos juntos até ele se formar no ensino e, inclusive, perdemos a virgindade juntos. Eu pedi para terminarmos pois queria que ele tivesse uma experiência completa na faculdade, o incluía várias namoradas. Ainda tivemos uma recaída no verão quando ele foi de visitas a Mystic Falls, mas depois disso eu me mudei para Nova York, conheci o Klaus e as coisas mudaram.
Desde que me casei nunca mais vi o Tyler, mas sabia pelo meu irmão, Jeremy, que ele tinha voltando para cidade e estava a frente dos negócios da família, além disso, estava planejando a sua candidatura a prefeito nas próximas eleições.
– Mamãe! — a vozinha de minha filha me retirou dos meus devaneios – Eu posso tomar um sorvete?
– Não sei se é uma boa ideia, Eve — respondi – Você vai perder o apetite e a Bonnie está preparando aquele bolo de chocolate que você ama.
– Você sempre fala que eu não posso tomar sorvete antes do almoço para não perder a fome – cruzou os braços totalmente emburrada – Agora também não vou mais poder tomar sorvete depois do almoço.
– Tudo bem, eu deixo você tomar um sorvete – a peguei no colo – Mas só um, se não você vai acabar ficando doente.
– Está bem – concordou.
Eve ainda ficou brincando na pracinha por mais uns vinte minutos antes de voltarmos para casa. Já no hall do elevador podia sentir um cheiro muito bom vindo do apartamento.
– Oba, o bolo de chocolate da Bonnie! — minha filha comentou – Estou doida para comer um pedaço.
– Mas que menina gulosa! — comecei a fazer cócegas na barriguinha dela – Aonde será que vai parar toda essa comida.
– Para, mamãe! — começou a se contorcer.
– Tudo bem! — afastei as minhas mãos dela – Antes de irmos comer bolo a senhorita vai tomar banho e tirar toda essa areia, combinado?
– Combinado! — levantou os dois polegares para cima.
Abri a porta e encontrei Bonnie em pé com o telefone na orelha. Assim que me viu, se virou na minha direção.
– Ela acabou de chegar, um minuto que vou chamá-la – disse para quem estava do outro lado da linha – Senhora Mikaelson, é o seu irmão.
– O Jeremy? — a olhei confusa, meu irmão não tinha o costume de me ligar. O que será que ele queria? — Bonnie, será que você pode levar a Eve para tomar banho enquanto eu atendo a ligação?
– Claro! — a pegou no colo – Vamos até lá, Eve.
Esperei que as duas tivessem desaparecido no andar de cima antes de me sentar no sofá para poder falar com o meu irmão de uma maneira mais confortável. Conheço o Jer muito bem para saber que essa conversa poderia demorar.
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