Pecados Íntimos
4 Capítulo 3 – Mystic Falls
Notas iniciais
– Oi, Jer! — disse, totalmente animada – Que surpresa você estar me ligando, está tudo bem?
– Oi, Lena – respondeu, sua voz parecia um pouco cansada – Eu tentei ligar várias vezes no seu celular, mas você não atendeu.
– Eu sai com a Eve e esqueci meu telefone em cima da cama – percebi isso quando já estava dentro do elevador, mas como não estava indo para muito longe achei que não tinha necessidade de voltar para buscar – Mas o que foi que aconteceu?
– Estou aqui em Mystic Falls – explicou – Para ser mais exato, estou aqui no hospital.
– O que você está fazendo no hospital... — parei de falar na mesma hora, só podia ter um motivo para ele estar lá – O que houve? Aconteceu alguma coisa o papai?
– Me ligaram para mim hoje cedo na faculdade, acho que sabiam que eu estava mais perto da cidade – Jer está terminando o curso de Educação Física na Universidade da Virgínia – Papai passou mal hoje no trabalho e o internaram na mesma hora, parece que foi um infarto.
– Infarto? — sorte que eu estava sentada no sofá, ou teria caído naquele mesmo momento – Mas eu falei no inicio da semana com ele e estava tudo bem.
– Você sabe que problema no coração é uma doença silenciosa – observou – Ele estava trabalhando demais, já tinha alertado milhares de vezes, mas você sabe o quanto o doutor Gilbert pode ser teimoso quando quer.
– Mas como ele está agora? — perguntei na mesma hora – Você o viu? Falou com ele? Jeremy, não me deixa aqui nervosa desse jeito e sem nenhuma notícia.
– Fica calma, Lena – pediu – Falei com o médico que o atendeu há uns vinte minutos e ele disse que o estado do papai é grave, mas ele está estável. Querem deixá-lo na UTI pelas próximas 48 horas para acompanharem a evolução do quadro.
– UTI? — foi impossível não ficar nervosa. De repente, me veio a cabeça a mim mesma, com seis anos, entrando no hospital de mãos dadas com o pai querendo saber notícias da minha mãe que tinha acabado de sofrer um acidente, só me lembro de ouvi-lo dizer a palavra UTI e ela não sobreviveu as 24 horas seguintes – Eu estou indo para ai, vou pegar o primeiro voo que me leve a Mystic Falls.
– Não é para tanto Lena – ele tentava me acalmar pelo telefone, mas era impossível – Eu estou aqui e posso te passar tudo que estiver aconteceu, não vai acrescentar em nada você vir também, apenas vai ficar esperando comigo.
– Não importa, é o meu pai e quero ficar perto – avisei – Klaus está no trabalho, vou ligar para ele e contar o que está acontecendo.
– Certo – deu um longo suspiro, ele sabia muito bem que não adiantava discutir comigo quando eu já estava totalmente decidida – Se você decidir mesmo vir, me avisa que eu vou te buscar.
Nós nos despedimos e na mesma hora eu liguei para o número da sala do Klaus. Minha mão estava tremendo tanto que eu quase não consegui apertar as teclas do telefone.
– Mikaelson Advocacia, Halley falando – a secretária de Klaus atendeu depois de três toques.
– Halley, aqui é a Elena – me identifiquei, não costumava ligar muito, porque não queria atrapalhar o meu marido no trabalho, mas nos duas nos conhecemos, já tinha ido até lá uma vez, junto com a Eve – Será que eu posso falar com o Klaus?
– Infelizmente o senhor Mikaelson está uma reunião no momento – explicou – Mas ligue daqui há meia hora, acho que é melhor uma hora.
– Você não está entendendo, Halley, é mesmo urgente – insisti – Por favor, vê se ele pode falar comigo.
– Um minuto, senhora Mikaelson – não pude deixar de dar um sorriso vitorioso – Vou ver se ele pode atendê-la.
Ela colocou na musiquinha de espera e fiquei esperando por cerca de dois ou três minutos. Pensei que ela não tinha conseguido, Klaus era totalmente obcecado pelo trabalho e detestava ser interrompido em alguma coisa importante, nem mesmo por mim, foi quando a música parou.
– Elena!– ouvi a voz do meu marido do outro lado da linha – Está tudo bem? A Halley disse que você parecia preocupada ao telefone.
– Klaus.... — não consegui dizer mais nada e comecei chorar, tudo que eu estava segurando durante o telefonema com Jer durante, para não deixá-lo preocupado, simplesmente desabou naquele momento.
– Fica calma, meu amor – pediu – Agora, por favor, me diz o que está acontecendo, você está me deixando nervoso.
– É o meu pai, ele está no hospital – tentava limpar as lágrimas no meu rosto, mas foi inútil – Infarto.
– Essa não, Lena, eu sinto muito – ele ficou em silêncio por alguns minutos antes de falar – Mas tenho certeza de que ele vai ficar bem, seu pai é forte.
– Eu quero ir para lá – disse logo em seguida – Preciso ficar lá perto do meu pai, tenho certeza de que você me entende.
– Claro que entendo – garantiu – Vou pedir para a Halley comprar passagens para você e para a Eve, vou remarcar a reunião e já estou indo para ai.
– É claro que minha filha iria comigo, ela ainda é muito pequena e, apesar de não mamar mais, ainda depende de mim para muita coisas. Fico feliz que Klaus tenha entendido isso.
– Obrigada! — completei vou começar a arrumar a minha mala agora mesmo.
Desliguei o telefone e dessa vez o coloquei na base. Nesse momento Eve estava descendo as escadas juntamente com Bonnie e as duas estava rindo e pareciam se divertir muito.
– Mamãe, você também vai comer bolo chocolate? — ela disse quando se aproximou e se sentou ao meu lado.
– Agora não, princesinha, mamãe precisa fazer uma coisa lá em cima – expliquei – Bonnie, assim que a Eve terminar de comer, leve-a para o quarto e a ajude a arrumar a mala, por favor.
– Está bem, senhora Mikaelson – afirmou com a cabeça.
– Nós vamos viajar? — Eve me olhou confusa – Para onde é que nós vamos mamãe?
– Mas que garotinha curiosa eu tenho aqui – fiz um pouco de cosquinhas nela – Vamos passar uns dia em Mystic Falls, a cidade que a mamãe nasceu, vamos ver o vovô.
– Oba, que saudade do vovô! — começou a pular sem sair do lugar – Estou doida para ir lá!
– Tudo bem, minha pipoquinha, agora vai lá para Bonnie – sorri enquanto a nossa governanta a pegava no colo.
Fui para meu quarto e abri o meu closet, não estava com cabeça de escolher o que levar, então comecei a tirar várias roupas e jogar na cama antes de pegar a minha mala de rodinhas.
Só conseguia pensar no meu pai e tudo que passei com ele, em todos os momentos da minha vida. Perdi minha mãe muito cedo e por anos ele foi tudo que eu Jeremy tínhamos, apesar de ser muito ocupado com o seu trabalho no hospital, sempre tentou ser o pai mais presente possível. Não estou preparada para ficar sem ele e, para ser sincera, acho que nunca estarei.
– Lena! — no momento em que eu fechei o zíper da mala no momento em que escutei a voz do meu marido, eu me virei e ele estava encostado na porta – Está tudo bem?
– Sim! — balancei afirmativamente – Já está tudo pronto, você trouxe as passagens?
– Aqui está! — ele me entregou um envelope pardo – Vocês vão viajar dentro de uma hora e meia, aonde está a Eve? Precisamos ir ao aeroporto.
– Papai! — como se tivesse adivinhando a nossa filha apareceu, ela estava usando uma blusinha rosa e uma calça jeans – Você chegou cedo.
– Oi, minha linda! — a pegou no colo e deu um beijo no topo da sua cabeça – Sim, eu cheguei cedo, afinal eu preciso levar você e a sua mãe ao aeroporto.
– Você não vai com a gente? — ela fez biquinho, essa era em uma das milhares de coisas que se parecia comigo.
– Mas eu não posso ir, eu tenho muito trabalho para fazer – lembrou – Mas logo vocês estarão de volta e eu vou poder matar saudades das duas mulheres da minha vida — deu um beijo na bochecha dela – Agora vai lá pegar as suas coisas.
– Tudo bem – concordou e saiu correndo quando o pai a colocou no chão.
– Bom, acho que isso – foi a minha vez de falar – Klaus, eu estou com tanto medo! Medo do que eu vou encontrar quando chegar a Mystic Falls.
– Eu já disse, meu amor, você não tem com o que se preocupar – colocou uma mexa de cabelo atrás da minha orelha – Não esqueça de dar notícias todos os dias para saber como está o seu pai.
– Pode deixar que eu vou fazer isso sim – concordei com a cabeça.
Klaus me ajudou a levar a mala lá para baixo e depois pegou a de Eve. Logo, estávamos saindo a caminho do aeroporto.
Mystic Falls é uma cidade no interior do estado da Virgínia bem pequena e tradicional, eu já tinha saído de lá várias vezes durante a minha infância e adolescência, mas confesso que estranhei um pouco quando fui morar em Nova York para fazer faculdade, era totalmente diferente do lugar aonde eu tinha crescido. Lá não tem no aeroporto, por isso é preciso pegar um avião até Richmond e de lá pegar um ônibus, alugar um carro ou pegar um táxi, a viagem ainda demora cerca de uma hora, dependendo do meio de transporte.
Já estávamos dentro do ônibus e a paisagem do lado de fora estava começando a se transformar e se tornando cada vez mais familiar. Quando passamos pela ponte Wickery, tinha certeza de que já estava em casa.
– Mamãe, você parece tão triste – Eve encostou o rostinho no meu braço – Não fica assim, eu estou aqui com você.
– Eu sei, minha filha – passei a mão pelo seu cabelinho – Estou triste porque o seu avô está muito doente, é por isso que estamos indo para Mystic Falls.
– O vovô Gilbert está doente? — balancei a cabeça afirmativamente – Mas ele vai ficar bem, não é?
– Sinceramente, minha filha, eu não sei – decidi ser totalmente sincera com ela, assim era melhor – Mas nós vamos ficar lá, bem pertinho dele e vamos rezar muito para que ele fique melhor, tudo bem?
– Sim! — concordou – Tenho certeza de que ele vai ficar ótimo!
Dei um fraco sorriso, crianças eram mesmo muito otimistas. Só espero que ela tenha mesmo razão.
Quando o ônibus parou na rodoviária de Mystic Falls, não demorou muito para descermos. Antes mesmo de pegar as malas eu já tinha avistado o meu irmão.
– Lena! — ele veio me abraçar e conseguiu se desvencilhar da multidão – Como você está, irmã?
– Jer, que saudades -retribui o abraço – Não tem ideia do quanto é bom te ver.
– Eu te digo o mesmo – falou, antes de se ajoelhar para ficar na altura da minha filha – Eve, como é que está a minha sobrinha favorita?
– Sou sua única sobrinha, tio Jer, ela comentou, rindo.
– Sei disso, mas mesmo que eu tivesse milhares de sobrinhas, ainda sim, você seria a minha favorita – brincou – Mas como você está grande, seus pais te deram fermento para comer desde a última vez que eu te vi?
– Claro que não, tio Jer – respondeu – Mas é que faz muio tempo que você não me vê.
– Ela tem razão! — concordei – Você é um tio muito desnaturado, nem vai visitá-la, nem pensa em ver a sua irmãzinha.
– Tudo bem, eu concordo eu tenho faltado um pouco, mas quando essa confusão toda passar, eu prometo que vou até Nova York te fazer uma visita – garantiu – Agora vamos, tenho certeza de que você não quer ficar o tempo todo aqui na rodoviária, não é mesmo?
– Tem razão! — afirmei – Vamos, Eve?
– Eu quero ir no colo do tio Jeremy – pediu, estendendo os bracinhos na direção do meu irmão.
– Eve! — a repreendi.
– Está tudo bem, Lena, vem aqui, princesinha – então e segurou no colo – Você está bem pesadinha, Eve – brincou, fazendo uma careta.
– Deixa de bobagens Jeremy – coloquei a mão nas suas costas e o “ajudava” a andar.
O carro de Jeremy estava parado no estacionamento. Prendi minha filha com todo o cuidado usando o cinto de segurança, já que não levei a cadeirinha dela, então me sentei do lado do passageiro.
Ver Mystic Falls praticamente do mesmo jeito que era quando eu sai daqui me trazia uma certa nostalgia. A última vez que eu estive aqui foi há quase três anos para contar para o meu pai que iria me casar com o Klaus e que eu estava grávida, as coisas eram bem diferentes do que que são agora.
– Pensei que estivéssemos indo para o hospital – disse quando ele entrou na nossa rua.
– O horário de visitas já acabou por hoje – explicou – Além disso, quando eu disse ao doutor Salvatore que você estava vindo ele disse que era melhor você ir amanhã e ele também explica melhor tudo o que está acontecendo.
Eve já estava dormindo quando entramos em casa, não podia culpá-la, tinha sido uma viagem bem cansativa e era bom que ela tivesse uma boa noite de sono.
– Vou colocá-la na cama – avisei enquanto subia as escadas – Acho melhor ela ficar no meu quarto.
– De jeito nenhum, Elena, já arrumei o quarto para ela – avisou – Eu durmo no quarto de hóspedes.
– Tem certeza? — perguntei, incerta – Jer, eu não quero te dar trabalho, você já está longe da universidade e ainda vai ter que sair do seu quarto aqui em casa.
– Eu aguento – garantiu – Minha sobrinha merece todo o conforto do mundo.
Ela nem ao menos se mexeu quando eu coloquei o seu pijama a deitei na cama. Quando eu desci as escadas já pude sentir um cheiro muito bom vindo da cozinha, fui até o outro cômodo e encontrei o meu irmão em frente ao fogão.
– Desde quando você, cozinha? — perguntei, rindo.
– Quando se mora sozinho essa é uma necessidade básica – explicou – Estou fazendo um macarrão com molho de tomate, imagino que esteja com fome.
E eu estava, não colocava nada no estômago desde a hora do almoço e agora estava começando a me lembrar disso.
– Espero que o gosto esteja tão bom quanto o cheiro – disse.
– Pode ter certeza de que está – respondeu com bastante convicção – Agora deixa eu terminar antes de estrague a nossa comida.
– Sim, senhor! — fingi bater continência.
Não demorou muito para ele colocar os dois pratos em cima da mesa junto com dois copos de suco de laranja. Jer tinha razão, a comida está uma delícia.
– Você falou com o papai hoje? — decidi perguntar.
– Sim, eu falei – respondeu – Ele parecia bem, apesar de cansado, mas como o médico disse que devemos esperar, não sei o que dizer.
Larguei o talher e fiquei encarando um ponto fixo na toalha de mesa. Não sei o que queria que o meu irmão dissesse, acho que era que ele achava que o nosso pai estava muito bem e que se ele fosse médico, iria dar alta amanhã mesmo.
– Hey, Lena, não fica assim – pediu – Tenho certeza de que papai vai sair dessa, você vai ver, daqui a pouco ele vai estar aqui em casa reclamando de alguma coisa.
– Assim espero – dei um longo suspiro depois falar.
– Agora chega de coisas deprimentes – mudou de assunto – Me conte como estão as coisas em Nova York, com a Eve e com você e Klaus.
Então, nós ficamos conversando o resto da refeição, era bom ter o meu irmão aqui comigo, não sentia falta dele até agora. Depois de lavarmos a louça disse que ia me deitar, pois estava muito cansada, eu dormi imediatamente quando minha cabeça encostou no travesseiro.
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