Notas iniciais
Um mês... QUE SAUDADE, GENTE //3 Meu Deus, como eu deixei passar um mês? Eu juro (tentar) nunca mais fazer isso! Esse capítulo vai fazer vocês sofrerem, eu acho. Bem, vai ter treta e não vai ter tanto Chapeleiro quanto nos outros. Mas espero que, mesmo assim, gostem do capítulo!

A primeira coisa que pensei foi: “Gabriel. O Chapeleiro é o Gabriel”. Não, não poderia ser. Ele estava comigo quando a primeira mensagem fora enviada. O Chapeleiro não estaria me observando também na casa de Gabriel, estaria?

Você: Gabriel?

Chapeleiro Maluco: Foi ele quem te fez chorar? Gabriel?

Você: Eu sei que é você, cara. Já acabou.

Chapeleiro Maluco: Eu nunca te faria chorar, Alice. Você sabe disso. Eu juro: eu vou encontrar um jeito para que o Gabriel nunca te faça chorar de novo.

Não consegui mais aguentar aquela farsa. De todas as pessoas, Gabriel fora o único que eu tinha certeza que nunca faria aquilo. Apenas desliguei o celular e o coloquei longe da minha vista. Eu só queria um pouco de paz, naquele momento.

— Alice! — Minha mãe chamou. — Desce, filha. O jantar está pronto!

— Não ‘to com fome, mãe! — Eu gritei de volta.

Ela gritou mais um “Ok!” e meu quarto voltou ao silêncio. Olhei para o relógio na escrivaninha; Eram 19h40. Não estava com sono, então me levantei e fui até a escrivaninha. Depois de pegar o caderno que queria, voltei a deitar em minha cama e comecei a escrever.

Ok, eu não estava planejando escrever duas vezes no mesmo dia. Foi um imprevisto muito grande. Mas, olhando pelo lado positivo, minha mãe vai adorar. Provavelmente ela vai ler isso e vou ter que negar a fala “Vamos conversar?”, porque esse não é um assunto que eu realmente gostaria de falar com ela. Ou com qualquer um.

Bem, hoje eu fui à casa de Gabriel. E ele me beijou, o que foi bem estranho. Ele é meu melhor amigo, eu nunca pensei dele naquela maneira. Anna sempre me falava que ele era loucamente apaixonado por mim, mas eu sempre levei isso como uma brincadeira para afastar minha mente de Nicolas.

Falando no Gabriel, acho que ele é o Chapeleiro Maluco. O Chapeleiro nega, é claro. Mas vou conversar com ele depois sobre isso.

Encarei um pouco mais o caderno, antes de fechá-lo rápido. Coloquei-o na escrivaninha, onde ele deveria estar, e sentei de novo em minha cama, com as mãos no cabelo. Bufei comigo mesma, porque eu era o motivo daquela bagunça na minha cabeça.

No final, eu apenas adormeci.

No dia seguinte, sábado, eu acordei ás 11h, já que o meu despertador — o celular — estava desligado. Acordei sonolenta e olhei para o celular, ainda esperando ele tocar e, como ele não tocou, bufei e fui até perto dele para ligá-lo. Como eu esperava, havia mensagens não visualizadas no Whatsapp. Mas, quando fui olhar, só uma delas era do Chapeleiro, a outra era de um número desconhecido.

Número Desconhecido: Oie, é o Nicolas! Quer sair hoje?

Não pude deixar de dar um sorriso e uma risada fraca, desviando o olhar do celular. Adicionei seu número e logo respondi:

Você: Claro! Vamos assistir Jogos Vorazes, que tal?

Nicolas: Está ótimo! *sou Tributo* Te busco aí ás 18h.

Ri e respondi um “ok”. Abri minha conversa com Anna falei que eu sairia com Nicolas. Eu sabia que isso iria irritá-la, mas não teria mais ninguém para compartilhar minha “alegria”. Gabriel não seria uma boa opção, Ashley também, Diego não está nem aí, Chapeleiro não gosta de Nicolas e minha mãe e minha família têm coisas melhores para se preocuparem. Então Anna era a melhor opção no momento.

Anna: Estou indo aí.

Bufei rindo e a esperei vir, jogada na cama jogando Candy Crush Saga. Quando ela chegou, Diego gritou sua chegada e eu desci as escadas e vi Anna andando para perto, agarrando meu braço e me levando de volta ao meu quarto.

— Você não pode ir. — Ela disse.

— Por que não? — Perguntei. — Eu sei que você não gosta dele, mas eu gosto!

— Pare com essa monomania, Lice. Eu te asseguro que existem muitos outros caras babando ovo pra você, sem serem Nicolas.

— Eu não sou monomaníaca! — Eu disse. — Eu sou apaixonada por ele, isso não é monomania. Você sabe disso.

— Não, não, é monomania. Você não se cansa dele, e fica sempre com a mesma ideia de que ele é o garoto certo – quando ele claramente não é – e é obcecada com essa maldita paixão. — Anna andava de um lado para outro em meu quarto falando. Até que ela parou e virou-se para mim, dizendo: — Alice, nunca pensou em uma vida sem Nicolas?

—... Por que você implica tanto com ele? — Perguntei, ignorando totalmente a pergunta de Anna. — Vai, Anna, me diz por quê.

Ela abriu a boca para falar três vezes, mas desistiu em todas. Eu pude ver uma lágrima caindo pelo olho esquerdo. Uma vez eu li na internet que quando a primeira lágrima do choro cai do olho esquerdo é porque a pessoa está chorando de tristeza, mas quando a primeira lágrima cai do olho direito é por um choro de alegria.

— Você quer que eu diga? Ok, vou dizer. — Ela dizia tentando segurar os soluços. Ela pausou um pouco, olhando fixamente em meus olhos. Pegou ar e o soltou, depois dizendo: — Eu já transei com Nicolas.

— O quê?! — Eu gritei.

— Você ainda não tinha se mudado para cá... Há uns dois anos, eu acho. — Ela continuou. — Foi na festa da Ashley, foi tão divertido fazer aquilo tentando não chamar a atenção dela...

— Anna, o qu-? — Eu gritei, mas fui interrompida novamente.

— Sabe, nós namoramos escondidos por uns seis meses. — Ela parou um pouco e riu da situação, como se lembrasse das cenas que contava. — Mas teve um dia... Nesse dia, eu descobri o quão galinha um ser humano pode ser. Ashley tinha descoberto o “namoro secreto” de Nicolas, e terminou com ele, então essa era a minha chance de ficar com ele! Errado. Quando fui falar com ele – quantas eram mesmo? Cinco? Cinco outras namoradas.

Fiquei sem palavras. Ela só me olhava com ainda algumas lágrimas quase secas descendo pelo seu rosto negro.

— Eu o amava, Lice. Eu o amava exatamente como você o ama agora! — ela gritou. — Mas ele nunca me amou, nunca amou Ashley, nunca amou nenhuma das outras cinco namoradas e nunca irá amar você!

— Nicolas nunca faria isso. — Eu disse sensivelmente.

— Mas, é claro, você vai ao encontro provar para mim o quanto eu estou errada e como Nicolas é uma pessoa maravilhosa. Eu esperava mais de você, Lice.

Nesse momento, Diego apareceu abrindo a porta. Ele estava de fones de ouvido e com o seu tablet, provavelmente assistindo algum vídeo de GTA no Youtube. Ele, sem tirar os olhos do aparelho, disse:

— Dá pra vocês calarem a boca? Eu poderia fazer uma bíblia inteira só com a quantidade de “Nicolas’” que eu ouvi gritados hoje. — Então ele pausou o vídeo e olhou para a gente, então perguntou: — Está tudo bem aqui?

— Tá sim, biscoito. — Anna disse, fingindo um sorriso. — Eu já vou indo. Tchau, Alice, e me fale como foi o seu encontro depois.

Ela saiu do quarto, depois de dar um cafuné na cabeça de Diego. O garoto só deu os ombros e a acompanhou até a porta, para trancá-la. Fiquei encarando o nada por um bom tempo, até que o meu celular tocou e era uma mensagem do Chapeleiro, que dizia:

Chapeleiro Maluco: Qual é a semelhança entre um corvo e uma escrivaninha?

Notas finais
Espero que tenham gostado! Comentários serão sempre bem-vindos e respondidos!