Paz na Guerra
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Notas iniciais
A fadiga era algo inevitável após tanto tempo em batalha, vendo pessoas inocentes morrerem, muitas vezes, amigos com quem o jovem dividiu a barraca e passava horas a fio conversando, mas a guerra é assim, cruel com todos que estão nela, pode ser diretamente ou indiretamente, e era isso que não saia da cabeça do jovem de cabelos negros como a noite, olhos amendoados, nariz arrebitado e com diversas pintas que faziam contraste com sua pele extremamente pálida.
-Stilinski! – Gritou o homem de olhos azuis, cabelo loiro e pele extremamente clara. – O capitão lhe chama pra uma reunião de emergência.
Cansado e com a perna machucada devido a um tiro levado em sua última tomada de território, o jovem se levantou calmamente, porém não disfarçou a expressão de dor ao pôr a perna esquerda no chão e se dirigir ao centro do acampamento, a barraca do capitão, onde os planos eram traçados e isso o deixaria assustado, afinal, não sabia o que os alemães esperavam dele.
-Mieczyslaw, sente! – Disse o homem de meia idade, olhos claros e cansados, com os cabelos negros penteados de forma extremamente perfeita. – Te chamei aqui pois temos uma missão e creio que você seja o soldado mais indicado para ela.
O rapaz olhou atentamente para seu superior como se pudesse fazer ele mudar de ideia, mas notando a expectativa na expressão do homem, deixou sua curiosidade vencer e perguntou:
-Qual é a missão? – Sua voz saiu rouca devido a tamanha utilização na emboscada de mais cedo, gritando ordens ao seu pelotão.
-Simples Stilinski, sabemos que você é um dos melhores espiões e rastreadores que temos em nosso campo, não é à toa que o seu pelotão é o que avança com mais facilidade. – Disse o homem com um sorriso orgulhoso. – Por isso, quero que aceite a missão que estou lhe dando, o que garanto não é nada fácil, mas antes, me responda, ainda fala inglês?
-Sim senhor. – Disse o jovem cabisbaixo em entender o porquê da pergunta inesperada. – Mas continue, por que devo saber inglês para exercer essa missão?
-Queremos que você se infiltre nos campos nos norte-americanos e nos passe todas as informações possíveis sobre eles. – Falou o mais novo com um sorriso vitorioso em seu rosto, o que causou arrepios em Stilinski.
-Deixe-me ver se compreendi. – Disse o jovem olhando assustado para os homens em sua frente. – Vocês estão querendo que me infiltre em um dos campos inimigos e passe informações pra vocês como um espião? – Mediante o aceno positivo, o rapaz continuou. – Mas como eles não vão me reconhecer?
-Isso fica pela sua conta meu jovem. – Disse o homem mais velho. – Mas deve ter todo o cuidado possível para não ser capturado como espião, afinal, sabemos o que acontece com quem é pego e as torturas normalmente são piores que as nossas.
-Vocês estão me mandando para uma morte certeira, pior do que se estivesse em campo de batalha com meus homens, pois ali consigo me defender e criar estratégias, o que é totalmente diferente de lidar com pessoas que nunca vi na vida e....
-Chega soldado! – Disse o homem mais velho estressado com os lamentos do moreno em sua frente. – Essa é sua única chance de salvar sua família, saiba que temos sua esposa sob refém meu caro, e se você não for para essa missão vamos matá-la!
O rapaz ficou apavorado com a possibilidade de assassinarem Malia, afinal, a garota era bondosa com todos e tinha pedido diversas vezes para o marido não ir à guerra, mas como era algo “de família” ele foi, indo contra os incessantes pedidos da mulher com quem se casara a somente dois anos.
-Então se é pedindo com tanto jeito e de forma tão amorosa – Disse ele com um sarcasmo cheio de raiva. – Vou ajudar vocês, mas tenho uma condição, vocês vão libertar a Malia e caso tenham pego mais alguém da minha família irão libertar também.
-Faremos isso no momento em que partir. – Disse o homem mais velho ainda o encarando. – Mais alguma solicitação ou dúvida?
-O que acontece se me capturarem e eu acabar falando demais?
-Ai não importa nada o que combinamos antecipadamente e caso você venha a falar demais, novamente, vamos atrás de sua esposa, seu pai, seus irmãos, sua mãe e matamos TODOS! – Dessa vez foi o mais novo que falou o que deixou Stinski ainda mais apavorado e nervoso com a situação.
-Tudo bem então, podem contar comigo. – Disse ele tentando não demonstrar nenhuma fraqueza que pudesse ser usada contra ele. – Juro que caso eu venha a ser capturado não vou abrir minha boca nem sob as piores torturas que vierem a fazer.
-E se prometerem lhe dar uma vida nova? – Perguntou o homem cogitando a hipótese que por mais absurda que fosse poderia existir.
-Não falarei nem assim! – Disse ele perplexo com a cogitação “a menos que eu descubra antes que vocês fizeram algo com minha família, ai estão perdidos” pensou ele.
-Tudo bem Stilinski. – Disse o homem mais velho se levantando e dando por encerrada a conversa. – Vá até sua barraca e arrume alguns poucos pertences, escreva uma carta a Malia também que a entregaremos.
-Como vou vestido ao campo deles? – Perguntou o rapaz enquanto saia da barraca.
-Estamos providenciando. – Disse o mais novo ao ver um dos soldados levando fardamentos sujos e com furos de bala.
-Senhores. – Disse o soldado franzino olhando atentamente para Stilinski. – Trouxe o uniforme, e espero que tenha sorte em sua jornada.
O moreno não sabendo mais o que dizer, pegou a roupa que tinha diversos furos de bala, manchas e sangue ainda fresco, o que indicava que tinham tirado a pouco do corpo de algum soldado americano. O jovem se dirigiu em silencio até a barraca que dividia com alguns colegas e ao deitar em sua cama, se deu ao direito de chorar e despencar toda sua raiva, pois, apesar de ser soldado, tinha sentimentos e não queria que ninguém se machucasse por causa de suas escolhas por isso defenderia até onde conseguisse as pessoas que eram próximas a ele “tomara que eu consiga” pensou ele ao levantar e começar arrumar a mochila com alguns pertences.
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