Paz na Guerra
2 Stiles
Notas iniciais
O sol nem bem havia começado a aparecer no horizonte e o rapaz já estava de pé recebendo mais algumas informações de seus superiores “como se isso fosse mudar minha situação, além de correr risco de morrer, posso perder minha família” pensava Stilinski sem realmente prestar atenção no que os homens lhe diziam.
-O campo deles está a sul, além do rio, siga com cuidado e sempre pela floresta, mas tenho certeza que você vai saber infiltrar-se muito bem diante os soldados aliados. – Falou o homem mais velho tentando passar confiança ao rapaz que estava olhando-o de maneira raivosa.
-Já tenho um plano em mente capitão. – Disse o jovem trincando os dentes. – Agora posso ir? Porque se o sol nascer e me verem indo até lá, estamos perdidos.
-Claro Stilinski, a partir de agora é com você, só saiba que tudo o que fizer pode trazer consequências.
O rapaz olhou mais uma vez em direção aos homens, que estavam com seus uniformes limpos e aparentemente bem alimentados, sem nenhum machucado, diferente dele e do restante dos soldados, mas sem dizer nenhuma palavra, somente deu um breve aceno de cabeça e começou a trilhar seu caminho doloroso e provavelmente cheio de obstáculos.
“Eu poderia largar tudo isso e ir morar na américa do sul, levaria Malia comigo e lá conseguiríamos ter a nossa família” pensava ele tentando se reconfortar da dor que sentia, não somente física por causa de sua perna que ainda doía, mas psicológica e mental “se der tudo certo é o que vou fazer”.
E assim o jovem seguiu o caminho tortuoso, cheio de pedras, corpos, lama e escombros da luta do dia anterior, porém quando o sol começava a apontar no horizonte, o rapaz notou uma movimentação estranha indo em direção aos campos alemães, dos quais havia acabado de sair “são soldados? De qual grupo?” pensava de maneira curiosa, mas cuidando para não ser descoberto, porém, apesar de tudo, Mieczylaw ainda era novo, e a curiosidade falou mais alto, o que fez com que o rapaz seguisse por entre as árvores até chegar perto o suficiente para ouvir a conversa.
-General, não podemos atacar os alemães! – Disse um dos rapazes alterado. – Isso seria traição.
-Claro que não, ainda mais se não souberem quem nos mandou. – Respondeu o mais velho.
-Mas eles são nosso povo! – Respondeu outro.
-Eu não me importo com isso, só quero que essa guerra acabe independente de lado que venha a ganhar. – Disse o general. – E até onde sei, os alemães tem algum plano para os americanos, então, se conseguirmos acabar pelo menos com esse acampamento próximo, conseguiremos asilo no país deles e daí sim teremos paz.
-Foi essa a oferta ao nosso pelotão? – Perguntou novamente um dos rapazes. – Nos mudarmos para os Estados Unidos e ter uma vida sossegada?
O soldado que estava em silencio ouvindo toda a conversa em sua frente, finalmente compreendeu o porquê de terem lhe dito que ofereceriam asilo e uma nova vida no outro país, afinal, o grupo em sua frente teve a mesma promessa, mas, conhecendo a equipe que integrava e o campo que estava, Stilinski sabia que esses homens logo teriam uma surpresa com as minas e os atiradores nas árvores.
Voltou então sua atenção para o que deveria fazer, olhando em direção ao sul, via as árvores próximas do rio que dividia os campos de guerra e seguiu seu caminho, em pleno silêncio, sendo ocultado pela mata, afinal, o rapaz tinha um plano de como deveria se infiltrar em campo inimigo, mas ainda não estava no lugar certo, pois, quanto mais perto estivesse, melhor sairia sua atuação.
O dia parecia que não andava e a perna do rapaz começou a doer mais e ao olhar pra baixo, notou que estava com uma enorme mancha de sangue na altura da coxa “droga, os pontos abriram, e não era hora pra isso, não ainda” pensou enquanto sentava em uma pedra e analisava a falta de movimento ao redor, o que era raro, sabendo dos tanques que normalmente passavam por ai, fora o movimento das tropas “cadê todos?”.
Como se respondendo suas dúvidas, Silinski ouviu gritos, aparentemente, ordens, como as que ele era acostumado dar desde que havia assumido o controle de seu campo, logo em seguida, viu os donos, homens carregando pilhas de mantimentos, nos quais ele pode ver que continham desde remédios a cobertores.
-Rápido! Levem tudo pra ala médica, perdemos muitos soldados ontem e os que permaneceram estão começando a piorar. – Disse um rapaz de cabelos negros, olhos escuros como a noite, pele amendoada e de uma altura mediana, com o queixo um pouco torto, mas, sob o olhar atencioso de Stilinski, pode-se notar terem a mesma idade.
-McCall! McCall! – Gritou outro correndo em sua direção.
-O que houve Parrish? – Perguntou novamente o mais novo.
-A enfermaria, está superlotada, precisamos retirar os corpos dos falecidos agora, antes que comece mais uma emboscada e não tenhamos tempo de revidar.
-Tudo bem, já lhe sigo. – Disse o rapaz mais novo, que Stilinski havia conhecido como McCall.
Ao perceber que somente ele ficou nos portões que davam acesso a entrada do campo inimigo, Stilinski começou a traçar o plano que havia constituído durante a noite, com uma faca que havia em sua mochila de provisões, cortou ainda mais a perna onde havia o ferimento feito a bala no dia anterior, mas ciente que aquilo não seria o suficiente, olhou para a lama abaixo de seus pés, passou-a no rosto, na roupa deixando seu rosto completamente irreconhecível. “Ainda está faltando alguma coisa, eles vão ter que acreditar que fui ferido em batalha” então, sem pensar duas vezes, e sabendo a dor que iria sentir em seguida, o rapaz pegou a arma que trazia consigo, colocou a queima roupa em sua outra perna, sabendo que não faria muito barulho, então atirou, em seguida em seu braço esquerdo, quando a tontura já era forte o suficiente, escondeu sua mochila e a arma que havia trazido dentro do toco oco de uma árvore, em seguida, tomou coragem e saiu da mata, cambaleando de dor.
McCall estava começando a fechar o portão quando viu o homem alto, portando o símbolo americano no peito, completamente sujo e ensanguentado, tornando-se irreconhecível a seus olhos treinados, mas, sem pensar duas vezes correu em direção ao rapaz que parecia ter andado por horas em busca de seu povo.
-Calma! – Disse ele assustado enquanto olhava as feições do homem que caia em sua frente, analisando o nome em seu peito. – Vou te levar pra dentro e tudo vai ficar bem Stiles.
Nesse momento, apesar de sua tontura, Stilinski percebeu que o nome bordado falsamente em seu uniforme, enganou os americanos, fazendo com que conseguisse executar a primeira parte do plano com maestria, o que o fez sorrir de canto apesar da dor.
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