Paz e Amor
5 Wanted a Lover

CAPÍTULO 05
{ alguns dias depois }
— Coloque uma coisa na sua cabeça, Apolo, eu não posso fazer absolutamente nada se ela fez o juramento! Posso até tentar fazer ela se aproximar de você, mas não de um dia para o outro. — disse Afrodite irritadíssima com o deus do sol, que insistiu em lhe perturbar a tarde.
— Se você não pode, ninguém mais pode. Você é a deusa do amor, mulher, me ajude! — pediu ajoelhando-se dramaticamente em sua frente. — Eu faço o que você quiser, tudo que você quiser, na hora que você quiser.
— Mas eu já estou te ajudando, que droga! — reclamou a deusa cruzando os braços. — Ninguém move um dedo para me ajudar em absolutamente nada, e vocês ainda tem a audácia de me pedirem favores.
— Não escutou o que eu disse? Eu faço o que você quiser!
— Você vai dormir comigo todas as noites, me abraçar e dizer que me ama?
— Não, mas...
— Você vai me levar para festas, restaurantes e shows?
— Não, mas...
— Você vai passear comigo em um parque e me comprar um buquê de flores?
— Não, mas...
— Você vai dizer que me ama?
— Não, mas...
— Então, meu querido. Se nem eu tenho alguém para me fazer feliz, porque sou obrigada a ajudar todo mundo? — perguntou cruzando os braços.
— Bem, talvez por que você seja a deusa do amor, como já frisei antes. — fez cara de pensativo e a olhou. — Talvez, não estou afirmando nada.
— Enquanto eu não arrumar alguém, não vai ter nenhum casalzinho feliz aparecendo do dia pra noite.
— Ora essa, você tem alguém!
— Ah, é? Quem?
— Hefesto, ele é seu marido!
— Oh, poupe-me, Apolo. Ele prefere as forjas dele, será que isso ainda não está claro na sua mente?! — exclamou definitivamente irritando-se. — Eu estou farta dele, farta dele e de todos os outros.
— O que você quer exatamente, Afrodite?
— Eu quero um companheiro. Um companheiro para tudo, tudo mesmo.
— Hm, bom, ache um. — a deusa bufou, olhou para os lados e colocou as mãos na cintura. Como se eu já não estivesse fazendo isso, pensou.
— Apolo, porque você não vai fazer qualquer coisa antes que eu perca a cabeça e arranque a sua cabeça? — sugeriu ela abrindo a porta do quarto para ele sair.
— Você vai me ajudar?
— Eu já estou te ajudando. — ajudando a ficar vivo, mesmo que você seja imortal, idiota. — Agora vá embora.
E fora isso que ele fez, passando pela porta, que logo foi batida com o máximo de força que a deusa do amor tinha. Se jogou na cama e estalou os dedos para as luzes se apagarem. Nem Zeus sabia como era difícil ser ela.
Ficou o dia inteiro naquela leseira.
Não queria tirar seus pijamas, largar seu cobertor e se apresentar como a deusa da beleza. Ela queria ficar ali, encolhida no meio da cama esperando algo legal aparecer para ela fazer.
Claro que ficou fantasiando o cara dos seus sonhos naquele tédio. Um legítimo cavalheiro, que abriria as portas para ela passar, que a amaria de domingo a domingo e de janeiro a janeiro durante milênios sem fim. Um cara fantástico que não a deixaria dormir a noite, mas a abraçaria de manhã e sussurraria que a ama e...
— Podemos entrar? — ouviu batidas na porta e, em seguida viu uma figura loira aparecendo em frente a uma claridade imensa comparada ao seu quarto escuro.
— Tanto faz. — resmungou de mal humor.
— Então dona Afrodite está de mal com a vida hoje? — brincou Atena sentando-se na ponta da cama. E logo viu Ártemis se dirigindo ao outro lado.
— Algum motivo em especial? — indagou a outra deusa.
— Homens. Melhor, a falta deles.
— Posso afirmar com certeza que essa falta não mata, porque há duas provas vivas bem na sua frente. — Afrodite revirou os olhos com o comentário de Ártemis.
— Vocês são imortais.
— Pequeno detalhe. — sorriu Atena animada. — Mas já que se importa tanto, porque não vai em alguma festa e arruma algum, ahn, como você os chama mesmo? Ér...
— Ficante. — respondeu Ártemis.
— É, isso mesmo. Porque não arruma um ficante?!
— Vocês acham que é só eu estalar os dedos e BUM, aparece um cara na minha frente? A coisa não funciona por aí, garotas. — resmungou aconchegando-se em seu edredom.
— É exatamente isso. Tirou as palavras de nossas bocas. — comentou, novamente, Ártemis. — Qual é, Afrodite, você não pode ficar se lamentando pelo resto da eternidade. É perda de tempo.
— Vou escrever na minha testa: Procura-se um amante. Quem sabe aparece algum. — disse rindo do da própria fala.
{ à noite, naquele mesmo dia }
Ela se olhou no espelho satisfeita.
Um vestido preto brilhante, salto alto, jóias e o cabelo castanho com belos cachos nas pontas. Enquanto não achasse o homem dos seus sonhos, procuraria pelo menos um para satisfazer suas necessidades fisiológicas.
Deu uma última olhada e sorriu.
Las Vegas, aí vou eu, pensou ao desaparecer dali.
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