Paz e Amor
6 Dessert

CAPÍTULO 06
Ele a jogou para o espaço vazio da cama e, segundos depois após regular sua respiração, levantou-se para procurar suas roupas que estavam jogadas pelo quarto do motel.
Afrodite só o observou.
Jake era o nome do garoto ruivo que agora se vestia. Ele tinha cerca de vinte e dois anos. Estava na balada que Afrodite entrara e, de fato, ela lhe chamou atenção. Começaram a conversar e não demorou muito para Afrodite ficar bêbada junto a ele e, bem, irem para um motel.
— Você já vai? — perguntou ela, olhando para o relógio. — Ainda são onze e meia.
— Você quer dizer, já são onze e meia. — corrigiu a deusa, que o olhou sem entender. — Tenho que ir pra casa e ligar para a minha namorada. — comentou colocando seu tênis. — Ou você estava achando que eu ficaria aqui a noite inteira?
— Foi exatamente isso o que pensei.
— Então se enganou. — disse olhando-se no espelho. — Bem, isso foi muito bom mas a minha garota me chama. Tchau.
Afrodite estava pasma, perplexa, estava... Congelada de pura raiva.
Jake saiu pela porta e, em seguida, quem estivesse perto veria a deusa espumando de ódio. Filho da puta, pensou ela.
— FILHO DA PUTA! — gritou sabendo que ele não estava mais ali.
Estalou os dedos e suas roupas apareceram em seu corpo. E em mais um desses estalos ela desapareceu dali, deixando apenas purpurina rosa.
Apareceu no corredor que dava para a cozinha, onde parecia um belo lugar para pegar sua água e ir para o seu quarto quebrar alguma coisa.
Ela poderia quebrar um por um, até que todos estivessem despedaçados e implorando por misericórdia. Ela poderia acabar com o amor no universo, ela poderia... Ela poderia fazer o que bem entendesse.
Mas o que fez?
Começou a chorar. Começou a chorar como se fosse uma criança que quer mais doce, um que dure mais e a deixe feliz por mais tempo. Começou a chorar por um mundo irônico onde a própria deusa do amor não sabia o que era isso.
Ela sabia fazer sexo, com certeza sabia.
Talvez, ela não soubesse amar.
Amar o próximo como a si mesma. Algo que ela jamais iria conseguir, jamais.
— Você está bem? — indagou uma voz masculina que ela conhecia. Óbvio que ela percebeu que não havia um pingo de preocupação e que só fora uma pergunta retórica.
— Estou ótima. Isso não é visível? — respondeu com uma indagação apontando para seu rímel que escorria. Ares ergueu as sobrancelhas e tomou mais um gole de alguma bebida. — Claro que vocês homens não vêem isso. Vocês são uns tolos ignorantes que só se importam com sexo. Só isso que vocês sabem pensar! Amar que é bom, nada, mas, ah, transar. Porque não? Não é? Imbecis, otários, RIDÍCULOS.
— Por acaso, o cara broxou pra você ficar tão nervosa? — riu o deus da guerra imaginando o arruaceiro que ela faria caso isso acontecesse.
— Você fica muito melhor de boca fechada, sabia, seu animal?
— Idem. — a deusa foi até a porta em passos pesados enquanto limpava suas lágrimas.
Ridículo, pensou, como todos os outros.
Foi até seu quarto, bateu a porta e se jogou na cama com aquela roupa mesmo. Ficou alguns minutos derramando mais algumas lágrimas, até cair em um profundo sono.
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— Então meio que ele te largou sozinha no quarto? — refletiu Atena, tentando entender o que a deusa do amor falava entre xingamentos.
— ELE ME ABANDONOU COMO SE EU FOSSE UM OBJETO SEM MAIS NENHUMA UTILIDADE, SABE COMO ISSO MEXE COM O MEU EGO? QUE TIPO DE IDIOTA ME DEIXA SOZINHA? — gritou andando de um lado para o outro. Como se fazer um buraco no chão resolvesse algo.
— Bom, ahn, eu não sei o que dizer. — murmurou a deusa da sabedoria de cabisbaixa.
— TAMBÉM, O QUE A IDIOTA AQUI TINHA QUE SE ENVOLVER COM UM MOLEQUE DE VINTE E POUCOS ANOS?
— Completamente explicado! — exclamou o deus da guerra se aproximando delas. — Por isso você chegou nervosinha ontem. O pivete te largou sozinha em um quarto de motel. Afrodite, francamente, achei que você já tivesse aprendido que moleque, bem, é moleque.
— Ah, ótimo me dê uma lição de moral, vai, pode começar.
— Vou deixar uma grande dica antes de arrastar Atena pelos cabelos até a biblioteca. — disse olhando fixo para a deusa. — Coloque no seu pequeno cérebro o seguinte: Nenhum homem, ok, a maioria dos homens não vão te tratar como uma princesa. A minoria vão ser aqueles nerds que lêem romances coisa e talz. Só que não acredito que você os queira. Então, aceite o fato que todos que você encontra por aí estão a procura da mesma coisa que você: Sexo sem compromisso.
— Eu estou a procura disso porque o meu marido se nega me satisfazer, então recorro a isso.
— Então da próxima vez, vá atrás de homens e não de moleques. — o deus moveu o olhar para a deusa da sabedoria. — Preciso da sua ajuda com alguns mapas.
— Ahn, sem problemas. Vamos lá. — disse Atena de cabisbaixa, envergonhada pelo assunto. — Até mais, Afrodite.
A deusa ficou ali no jardim, olhando para o nada e refletindo sobre as palavras do deus da guerra: Vá atrás de homens, e não de garotos. Pensativa, ela se questionou em aceitar ou não sua sugestão.
Estalou os dedos e sua famosa lista apareceu em sua mão.
No final da lista estava: '' Ares, fisicamente aceito. Emocional de uma pedra. Tente quando não tiver mais nada a perder. ''
Ela pensou em suas palavras e respirou fundo.
Naquele momento ela realmente não tinha nada a perder, então não seria nada mal entrar em um jogo com Ares. Não tenho mais o que fazer mesmo, deu de ombros com o seu pensamento.
Passou o dia encafifada com sua ideia.
Andou por todo monte Olimpo, pensando se realmente faria isso. Ele era irmão de seu marido, talvez a ignorasse por tentar tal absurdo. Ou não... Ou sim.
Após ouvir algumas reclamações básicas de Apolo sobre Ártemis, vieram avisar que o jantar seria servido em breve.
Caminhou até a mesa, onde a maioria dos deuses estavam, inclusive ele. Se sentou ao lado de Hermes e aproveitou o jantar com sua família. Depois, os deuses voltaram a suas ocupações de final de dia.
Apolo iria para seu aposento, não sem antes irritar Ártemis.
Atena terminaria de ler um livro.
Zeus e Hera discutiriam por um belo período.
Deméter e Héstia começariam a conversar sobre Perséfone e seu estúpido marido, Hades.
Hermes daria umas voltas por aí.
E Ares, hm, ela seguiria Ares.
Ele se levantou e se dirigiu até a cozinha, onde a deusa fora em passos silenciosos. O viu abrir a geladeira e a encarar com o cenho franzido.
— Procurando sobremesa? — indagou a deusa.
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