Paz e Amor

2 It Doesn't Matter


CAPÍTULO 02

Aquele era um dia ensolarado,propício para todos verem o sol brilhar como nunca, aproveitar de sua luz e respirar o doce ar da natureza.

O Deus Apolo estava feliz, sem dúvidas feliz.

Graças a quem?

Afrodite.

E essa estava aonde?

Em seu quarto lixando a unha.

Apolo estava feliz, Hermes estava feliz, Zeus estava feliz, Poseidon estava feliz, ela chegou achar que até Hera estava feliz o suficiente para não reclamar de nada ainda.

Todos deveriam se reverenciar a ela, porque graças ao seus incríveis poderes Apolo achou uma mortal como queria, Hermes conseguiu xavecar aquela garota do bar de Nova York, Poseidon brigou com sua esposa, mas passou a noite com uma Ninfa e Hera conseguiu fazer Zeus ficar com ela, e ele não se arrependeu.

Agora, a deusa do amor estava em seu quarto as dez da manhã lixando a unha e esperando que alguma alma bondosa aparecesse para distraí-la.

— Posso entrar?— perguntou Atena abrindo a porta devagar. Afrodite assentiu e sua irmã foi até sua poltrona cor de rosa e se sentou.— Pois bem, como você está?

— Entediada.— respondeu brevemente.

— Porque não vamos dar uma volta então? O dia está tão lindo e...

— Não quero sol, não quero luz, não quero sair daqui.— a deusa bufou guardando sua lixa.

— Está chateada por causa de Hefesto, não está?

— Claro que eu não estou chateada! Ele que se exploda junto com aquelas forjas dele.— cruzou os braços fazendo Atena colocar as mãos no colo e fazer uma cara de alguém que quer, mas não consegue ajudar.— Agora nada mais importa!

— Se eu pudesse fazer algo para lhe ajudar, eu...

— Você vai ver! Ainda vou achar um homem para mim, ah se vou! E ele vai me dar o devido valor, e não me tratar como um...

— Objeto inanimado?— Afrodite franziu o cenho.— Lixo? Restos mortais? Olha, eu acho que você não deveria se rebaixar tanto.— a deusa revirou os olhos.

— Enquanto eu não achar, eu não vou sossegar, Atena!

— O que exatamente você está procurando?

— Um homem que seja doce, carinhoso, que me entenda.— explicou resumidamente.

— Hum, porque você não pega uma caneta e um papel para escrever exatamente o que quer achar?— sugeriu a deusa da sabedoria estalando os dedos e dando um bloco e uma pena para sua irmã.— Coloque aí tudo o que quer, fisicamente e mentalmente, para depois procurarmos.

— Ok, hm...— Afrodite começou a pensar.— Dócil. Carinhoso... Que me entenda.

— Acho que nem em séculos você vai achar alguém que te entenda, sinto em lhe dizer.— disse Atena causando um breve riso na deusa do amor.

— Inteligente, forte, corajoso.

— Poseidon já está fora disso.— comentou a deusa da sabedoria alheia aos detalhes do quarto.

— Musculoso, que fique bem de armadura, que saiba lutar e de preferência ganhar.— continuou Afrodite.

{•••}

—... E que me ame acima de tudo e de todos.— terminou Afrodite colocando um ponto final na quinta folha.— Isso aí! Agora o que vamos fazer?

— Procurar quem tem ao menos um terço de tudo isso que você escreveu.— disse Atena tentando passar segurança para a deusa do amor, que deu um gritinho de animação.

— Vamos dar uma volta, Ateninha!— exclamou levantando de sua cama e indo em frente ao espelho para passar seu batom.— A partir de agora, essa lista vai ser fundamental para eu achar o cara dos meus sonhos.

— Se ele existir, vou ficar feliz por você.— disse Atena fazendo sua irmã sorrir e bater palmas.

Elas saíram do quarto e começaram a andar pelo Olimpo. Vez ou outra viam alguns deuses menores, mas nenhum que chamou a atenção de Afrodite.

Eis o grande problema.

As duas andaram, andaram, andaram e andaram, mas todos pareciam iguais.

Atena não sabia se era o sol que estava deixando-as cansada e Afrodite teve de fazer uma nota mental: Não deixar Apolo ficar tão feliz porque se não Deméter ficará furiosa.

Ao ouvirem o som de espadas, o seguiram.

E lá estava Ares em mais um de seus treinos com deuses menores. Afrodite não via sentido já que Ares ia ganhar de um jeito ou de outro.

— Você não cansa disso?— perguntou ela assim que o deus tirou a espada da mão do último oponente restante.

— Não.— respondeu fazendo um aceno com a cabeça em sinal para os outros se retirarem.— Mas e vocês... O que estão fazendo?

— Estamos a procura do homem ideal para Afrodite.— murmurou Atena sentando-se no banco, que logo ficou ocupado com sua irmã e ao lado dela Ares.

— É uma lista que vai me ajudar!— Ares tomou de suas mãos e suspirou ao começar a ler.

— ''Que fique bem de armadura'', ''alto, bonito, forte'', ''músculos definidos''. Que tipo de lista é essa? Colocou o que mais? Bom de cama, ah, olha aqui! Terceira folha!— dizia Ares indignado com tanta baboseira em páginas que poderiam ser utilizadas para lhe ajudar a pensar em sua nova estratégia de luta.

— Pode falar o que quiser, vai continuar sendo uma ótima lista.— Afrodite cruzou os braços causando risos no deus da guerra.

— Tenho a leve impressão que não vai achar esse cara, se é que ele existe.

— Claro que existe! Vocês, homens, não podem ser todos iguais.— protestou Atena e ambos franziram o cenho.

— E o que você sabe sobre homens? Hmmm, Ateninha, anda pulando a cerca sem eu saber, hum?— brincou Afrodite fazendo a irmã revirar os olhos.

— Eu sempre suspeitei do Poseidon.— comentou Ares, dobrando a folha de papel.

— Meu Deus, eu também!— exclamou Afrodite feliz por não ser a única a achar que os dos combinam. Não que Ares tenha o perfil de alguém que fala que certas pessoas ''combinam''.— Mas eles são cabeças duras, não cedem ao amor!

— Ah, por favor, fiquem quietos.— pediu Atena e ambos deram risada.

Os dias foram se passando, mas Afrodite não desistiu de achar seu querido amado desconhecido um minuto. Claro, não deixou de ir para Las Vegas atrás de algum milionário que deitasse com ela ao menos naquela noite.

Ah, o céu estava tão estrelado.

A vista era espetacular da cobertura de um edifício em que ela estava com um tal de Henry. A essa hora, ele já estava dormindo. Quatro e quinze da manhã.

A deusa do amor deduziu que estava sofrendo de insônia ou de amor, das duas uma. Ou as duas.

Mas que amor é esse que não a faz lutar para conquistar seu marido novamente e sim correr atrás de outro, como se em algum lugar talvez bem perto ele estivesse pronto para amá-la.

E o sentido de amar, não está apenas entre quatro paredes.

Está nas batidas do coração, na tremura das pernas e no sorriso espontâneo que Afrodite já fez diversas pessoas sentir. Menos si mesma.

Que mundo em que ela estava onde nem a própria deusa do amor saia beneficiada? Um mundo onde ela apresenta o amor, sem conhecê-lo de verdade.

Afrodite se vestiu e deixou um pequeno bilhete para seu companheiro de uma noite só, avisando que teve de ir embora.

Em um piscar de olhos estava em frente à escadaria do monte Olimpo, porém sua coragem não era tanta para enfrentar aquilo. Decidiu dar uma passada na cozinha, para ver se seu iogurte estava na geladeira... E aproveitaria para pegar um.

As luzes estavam acesas, o que a deixou curiosa para saber quem seria seu companheiro, ou companheira para dividir motivos sobre o porquê de estar acordada há essa hora.

Torceu para ser Atena e suplicou para Hera estar dormindo.

Ela estava errada.

— Pelo jeito não sou a única que sofre de insônia, não é?

Notas finais
N/A: Heey' Obrigada pelos reviews e por quem começou a acompanhar e favoritou ♥ Espero que tenham gostado desse cap! Aguardo a opinião de vocês ;D XOXO Apolinne