Paz e Amor
3 Although It Hurts

CAPÍTULO 03
Ares apenas fingiu não escutar e tomou mais um gole de seu vinho tinto. Claro que não fazia sentido ele beber na madrugada, mas não seria Afrodite que iria comentar algo sobre isso.
Ela deu ombros e foi até a geladeira, seu iogurte estava lá no fundo pronto para ser devorado por um estomago que um dia fora o lar de borboletas.
Suspirou e ficou olhando para a luz lá de dentro esperando o momento em que resolveria o que queria.
Fechou e pegou uma taça, logo colocando o vinho que antes era só de Ares.
— Onde você estava?— perguntou ele após minutos de um silêncio não tão desconfortável.
— Las Vegas.
— Fazendo...?— ela o olhou de canto com seu queixo apoiado em sua mão direita, fazendo-o dar uma breve risada.— Então resolveu ir a procura de um mortal?
— Não posso ficar choramingando pelos cantos para sempre.— afirmou sorrindo fracamente.— Mas e você? O que faz por aqui?
— Estava fazendo umas coisas aí e o sono não vinha, então resolvi beber para ver se eu caio e durmo. — Afrodite riu.
— Então somos dois sem sono. — a deusa do amor disse tomando sua bebida enquanto Ares olhava para o nada e passava o canto da boca na taça.
Ficou um silêncio profundo durante mais alguns minutos, até Ares se lembrar daquela lista que viu outro dia.
— Ele era alto, bonito e forte?— indagou o deus da guerra com um tom brincalhão, cujo não era escutado com freqüência.
— Bonito, estatura média e... Hm, mais ou menos. Não tinha lá aquelas forças, mas para quem está na draga que eu estou... — respondeu colocando a taça sobre o balcão.
— Segundo parte da sua lista, ele já está descartado.
— Pois é. — murmurou ficando sem coragem para seguir adiante com sua listinha.
Ares levantou-se e colocou a garrafa de vinho, agora vazia, junto as taças na pia. Foi até a porta e olhou para Afrodite, que o observava apenas por não ter nada o que fazer.
— Vai ficar ai?— ela negou com a cabeça e logo foi até ele, que apagou as luzes. — Boa noite, Afrodite.
— Bom resto de noite, Ares.
E assim ela foi para a direita e ele para a esquerda.
Afrodite encarou aquele corredor imenso e, sem coragem, continuou andando. Passou pelo quarto de Hermes, que estava com a porta meio aberta e dava-lhe a visão de um deus babão que roncava como um porco.
Após algumas curvas passou pelo quarto que deveria ser de Ártemis, mas ela estava em uma missão. E um pouco mais para frente estava o quarto da única pessoa inocente que realmente não merecia alguém como Afrodite para lhe atrapalhar.
— Atena, você está acordada?— a deusa mexeu o braço da irmã, que fez um som bem parecido com um rosnado.
— Porque deveria?
— Não sei. — a deusa do amor suspirou e acendeu o abajur, fazendo Atena colocar o travesseiro no rosto.— Eu estava em Las Vegas com um cara. Gente fina, sabe, mas sei lá.
— Imaginei que você não estaria dormindo. Você sofre de insônia, tipo o Ares.— ela se revirou na cama, mantendo os olhos fechados.— Ou acha que só você tem a audácia de me acordar em plena madrugada?
— Ele já veio aqui?— perguntou surpresa.
— Já me acordou perguntando sobre guerra e essas coisas que ele é fissurado.
— Ares não tem cara de quem tem insônia.
— Ele não tem cara de muitas coisas.— murmurou se virando para o lado de abajur e apagando-o.— Porque não aproveita sua disposição e vai ver o que ele está fazendo? Deve estar no escritório dele com aquelas mapas loucos.
— Não está. Ele foi dormir, encontrei ele na cozinha quando cheguei.
— O Ares não dorme mais do que cinco horas por noite, pode acreditar, ele está lá.— afirmou.
— Não está.
— Vá e confirme, ora essa. E aproveite para me deixar dormir em paz.— pediu se encolhendo na cama pronta para voltar ao sono.
— Você é muito chata quando está dormindo.— resmungou Afrodite saindo do aposento após escutar um '' já ouvi coisas piores ''.
Foi exatamente o que a deusa da sabedoria falou que Afrodite fora fazer. Voltou todo o seu percurso e seguiu em direção ao escritório de Ares, que ficava no corredor virando o seu quarto.
Ela nunca entrará lá, mas tinha a leve impressão que o quarto e o escritório tinham uma passagem no meio.
Assim que se deparou com uma porta grande de madeira escura fez um pouco de força para abrir, a qual não foi o suficiente. Resolveu então, bater nela.
— Algum problema?— perguntou o deus da guerra aparecendo com cara de poucos amigos.
— Não consegui abrir a porta.— respondeu sorrindo inocentemente.— E já que você estava sem fazer nada, quer dizer... O que você está fazendo?
— Trabalhando.
— Em que?
— Algo que não é da sua conta. — o deus estava pronto para fechar a porta na cara de Afrodite, mas ela fora mais rápida e adentrará em seu escritório.
— Vou relevar sua falta de educação.— afirmou olhando em sua volta.
As paredes eram vermelhas com textura em madeira escura, que combinava com as estantes e a mesa do mesmo tom, esta com cadeiras almofadadas em vermelho também.
Para ser algo de Ares estava até que bem ajeitadinho.
Papéis sobre a mesa, cuja era iluminada por um lustre de luz amarela.
— Não sabia que tinha tantos livros.— falou praticamente sozinha, já que Ares voltou ao seu trabalho e deixou a deusa como se fosse uma criança que gosta de mexer nas coisas.— Hmmmmm, ''Amor e Preconceito'', não sabia que você lia esses...— ela parou de falar quando tentou pegar o livro e percebeu que era uma passagem para o quarto dele.— Eu sabia, era muito complexo para você ler.
Ares soltou a pena que escrevia e bufou de raiva, se levantando para ir atrás da criança que adentrava um lugar que ninguém além dele entrava.
— Saía do meu quarto, Afrodite. Ninguém entra aqui a não ser eu.— mandou e a deusa sorriu travessa.
— Algo a esconder para ser um lugar tão precioso assim?
— Não, mas...
— Então não há nada a temer.— ele revirou os olhos e a pegou pelo braço.— Ou será que tem?
— Porque não sai logo para evitarmos um conflito, hum?
— Conflito? Meu bem, eu sou paz e amor. Não curto esse negócio de conflito.— falou debochada.— Agora me solta porque sua mão rude vai deixar marcas na minha pele.
— Se eu soltar você sai?
— Hmm, fazer o que.— e ele soltou, cruzando os braços em sinal de que estava esperando-a sair.— Você pode ser estúpido, no entanto seu bom gosto é incrível... Se é que foi você que decorou isso aqui.
— Tenho cara de alguém que decora lugares?
— Na verdade não, mas sei la...— deu ombros voltando para o escritório e se sentando em uma cadeira.
— Atena planejou tudo isso aqui, se quer saber.— Afrodite assentiu e estalou os dedos e apareceu sua lista, onde ela começou a rabiscar.
Riscou vários itens, descartou algumas coisas inúteis. Ela pensou que assim conseguiria achar mais facilmente quem procurava, tirando algumas coisas como cor de olhos, cabelo, altura e etc. Bobeiras enfim.
Era de seu conhecimento que estava riscando vários itens porque aquilo ainda doía em seu interior.
Como Hefesto pode ignorá-la?
Afrodite chegou achar que era fácil, já que até Ares fazia isso.
Mas ela não percebeu que aquela lista lhe dava sono e que a presença de Ares ali era propícia para ela dormir segura, já que ele não falava nada e não deixaria ninguém entrar ali.
{ No outro dia }
— Afrodite, acorda!— a deusa do amor deu um pulo do lugar onde estava assim que ouviu alguém bater na mesa. Com certeza era alguém sem educação que a acordava desse modo bruto. Com dificuldade ela abriu os olhos e viu que estava deitada nas cadeiras, e algo pior, viu Ares em sua frente.
— Quanta gentileza.— resmungou se levantando.
— Estou te chamando faz cinco minutos.— observou abrindo a porta.
— Como se cinco minutos fizesse uma grande diferença na sua rotina.— murmurou passando por ele.— Bom dia, aliás.— em resposta ele bateu a porta na cara dela.— Sem educação, estúpido.
Afrodite andou alguns poucos passos até virar o corredor, onde deu de topo com a sua deusa favorita: Atena.
— Essa batida foi Ares?— perguntou a deusa da sabedoria e Afrodite assentiu passando a mão nas costas, onde estava dolorido.— Você estava lá?
— Eu dormi lá e estou com dor nas costas.— afirmou tentando se despreguiçar.
— Você dormiu com o Ares?
— ÓBVIO QUE NÃO, ATENA! — gritou voltando ao seu percurso até o seu quarto.
— Então o que estava fazendo lá?
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