Paz e Amor
4 Almost

CAPÍTULO 04
— Certa deusa da sabedoria disse que ele estava acordado de madrugada, e eu também estava, então fui ver o que ele estava fazendo e acabei caindo no sono. — explicou resumidamente, enquanto virava o corredor. — E acho muito ousada essa sua suposição sobre nós. Uma deusa como você não deveria pensar nessas, ahn, coisas.
— Levando em consideração que estamos falando de você, eu deveria sim pensar nessas coisas. — protestou Atena, seguindo-a. — Mas já que diz que não rolou nada.
— Não rolou, não rola e não rolará. Ares não faz meu tipo. — afirmou fechando a porta da sala que acabaram de entrar.
— Pensei que gostasse de homens musculosos. — a deusa da sabedoria pegou um livro que estava em cima da mesa e se sentou no sofá.
— E eu gosto. Pra falar a verdade, eu adoro. Homens musculosos te tratam como se você fosse uma boneca de cristal, por eles serem grandes e fortes e você uma pobre garotinha indefesa. — Afrodite pegou uma mecha de seu cabelo e o enrolou nas pontas dos dedos. — Convenhamos, Ares tem músculos de sobra, mas ele não os usa de uma forma atraente.
— Talvez porque ele é o deus da guerra e não quer seduzir os inimigos e sim matá-los com a força dos tais músculos.
— É, mas se ele fosse menos estúpido com as pessoas e começasse a tratá-las com educação, com certeza sua beleza ficaria ainda maior.
— Ainda maior?
— Ele não é feio. Mas é grosso, estúpido, mal educado e todos outros fatores da mesma ordem que o tornam feio. — a deusa do amor suspirou. — E desses têm de monte no mundo. Eu quero alguém fofo, romântico, delicado.
— Definitivamente eu não imagino Ares sendo fofo, romântico e delicado.
— Nem eu. Isso é uma das coisas mais impossíveis de imaginar. — constatou a deusa do amor. — Então ele está desqualificado segundo a minha lista.
— Só que, de todos os deuses, ele é o que chegou mais perto, devo dizer.
— Nos quesitos físicos sim, mas nos emocionais não.
— O emocional dele é como uma rocha.
— Se outras coisas forem como uma rocha ele continua no fimzinho da página como um item a não ir para o baú dos desqualificados. — a deusa deu risada da própria fala, enquanto sua irmã abaixava a cabeça de vergonha. — Se bem que eu nunca fiquei reparando nele.
— Então porque não faz isso enquanto eu vou até a biblioteca? — sugeriu a deusa da sabedoria.
— Hm, pode ser. Na hora do almoço, eu falo a minha conclusão. — propôs a sua irmã, que assentiu. — Por hora, vou procurar algo para comer.
E assim o fez.
Foi até a cozinha e comeu um pão francês com manteiga e mel, ela realmente adorava essa mistura. Tomou seu suco de laranja e deu mais uma mordida em seu pão.
Tudo estava tranqüilo naquela manhã.
Logo se dirigiu até seu quarto para tomar um banho e vestir uma roupa confortável. Nada melhor do que seu short branco e sua blusa rosa florida, junto com seu cinto de couro que combinava com seu pequeno salto.
Em passos lentos ela começou a dar uma volta pelo monte Olimpo, dando bom dia para alguns deuses menores e para algumas ninfas que passaram ao seu lado. Não demorou muito para chegar ao local em que dava para ouvir o barulho de espadas.
Resolveu se esconder atrás de um arbusto e observar de longe os deuses. Dois deuses menores e Ares, lutando, para só Zeus sabe a finalidade.
— Certo, estão dispensados. Vou escrever um relatório para Atena. — os deuses menores saíram e ele sentou-se em um banco, logo fazendo um papel e uma caneta aparecerem em sua frente.
Afrodite ficou observando-o por horas e horas sem fim, e não encontrou nada mais do que já tinha observado. Braços musculosos, pernas musculosas, músculos aqui, músculos ali, barba a fazer, olhos negros, traços fortes.
É, ele não faz o meu tipo,pensou.
— Armadura idiota. — ela ouviu ele resmungar e se levantar, logo tirando a armadura e jogando-a no chão. Junto com a espada e sua camisa branca.
Mas não custa continuar olhando.
A deusa do amor percebeu que Ares não tinha apenas músculos nos braços e nas pernas, no abdômen também. Um tanquinho, como ela diz, completamente definido devido a — obviamente — suas horas lutando.
— É, eu só não aposto as minhas fichas em você porque preciso de algo além de aparências físicas. — murmurou o que deveria ser um pensamento.
— Quem está ai? — perguntou ele, olhando para os lados e em seguida para o arbusto o qual ela estava escondida.
— Quase dentro dos meus padrões, quase. — foi a última coisa que disse antes de desaparecer dali.
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