Paz e Amor
8 Baby Pink

CAPÍTULO 08
—... Então eu fui atrás do Hefesto. E sinceramente, ele estava em um sono tão profundo que nem acordou quando eu bati a porta saindo. Não entendo como pode dormir tão... Tão... — Afrodite respirou fundo e olhou para Apolo, que a olhava fixamente. É, ele estava em alfa. — Apolo?
— Hm.
— Você escutou o que eu disse? — indagou cruzando os braços.
— Claro que eu escutei. Que tipo de deus você acha que eu sou?
— Deus que se finge de surdo, é o tipo que eu acho. — Apolo rolou os olhos e colocou a almofada no lugar. — Então, o que você fez ontem a noite? — fez a pergunta tão esperada por ele, que ficou um pouco mais animado.
— Nada demais. — deu ombros em sinal de desânimo. — Apenas levei uns socos e um chute no meio das pernas.
— Sem tapas então? Estamos progredindo! — disse Afrodite se mostrando entusiasmada, fazendo com que Apolo a olhasse confuso. — Logo serão apenas chutes e em questão de alguns séculos, quem sabe, você vai poder cantar ela sem ser agredido fisicamente. Não é maravilhoso?!
— Não! — protestou se levantando.
— Porque não?
— Séculos! Isso ainda vai levar séculos! — exclamou andando de um lado para o outro, começando a ficar desesperado. — Eu não quero esperar nem mais um dia para ela parar de me agredir.
— Ora, então vai lá e tenta a sorte, playboy. — debochou Afrodite.
— Você é a deusa do amor, a culpa é toda sua!
— Minha? Você quer dizer de Eros, porque foi ele que acertou a flecha em você. — defendeu-se. — Não eu.
— Com certeza você que deu a ideia e agora está feliz por ver um coração partido bem na sua frente. — dramatizou, fazendo a deusa rir.
— Poupe-me do drama, Apolo. — pediu fazendo-o respirar bem fundo. — Eros já fez isso com vários deuses e com vários mortais. Inclusive com Hades. Ele acertou a flecha e sabe o que Hades fez?
— Não, o que?
— Bom, ele não ficou reclamando na minha orelha. — sorriu para o deus, que fechou a cara. — Ele foi lá e BUM, sequestrou ela. Passou um tempo e logo já estavam magicamente apaixonados um pelo outro. Desde então, Deméter só sabe reclamar disso.
— Está dizendo que eu devo sequestrar Ártemis e levar ela para algum lugar que nenhum deus e nenhuma caçadora possa intervir e convencer ela que eu a amo até ela dizer o mesmo e nos apaixonarmos perdidamente um pelo outro? — perguntou falando bem rápido enquanto um sorriso crescia em seu rosto.
— Ér... Não, mas...
— Você é brilhante, Afrodite. Eu já sei o que tenho que fazer agora. Até mais! — e acenou para a deusa que se levantou com os olhos arregalados.
— NÃO, APOLO, APOLO! VOLTA AQUI, APOLO! NÃO, NÃO! — era tarde demais, ele já tinha sumido dali. — Pelo menos metade da culpa é de Eros também.
Afrodite olhou para os lados, não tinha mais ninguém na sala. Resolveu então, ir atrás da melhor pessoa para falar sem parar e ainda ouvir uma resposta sensata sem nenhuma reclamação a parte.
Em um piscar de olhos desapareceu e apareceu na biblioteca, onde uma Atena apressada pegava alguns livros.
— Ateninha, preciso...
— Depois você fala, Dite, agora eu vou resolver umas coisinhas. — e saiu da biblioteca, nem esperando a irmã terminar de falar.
— Isso que é irmã, o resto é conversa. — resmungou rolando os olhos. Olhou ao seu redor e suspirou, não iria sair dali. Ela poderia ler um livro ou coisa do gênero, quem sabe.
Foi isso o que ela fez.
Vasculhou estantes e mais estantes de livros afim de encontrar um romance. Sem dúvidas havia muitos livros de filosofia, história, guerra e bobagens do mesmo tipo.
Delicadamente, pegou um livro que achou a capa bonitinha e olhou para o buraco que tinha ficado. No mesmo segundo, um livro saiu dali dando-lhe a visão de outro indivíduo no lado oposto ao dela.
— Hmm, então Atena não é a única fissurada em livros. — afirmou sorrindo de canto, no entanto sendo ignorada totalmente. — Eu estou falando com você, sabia?
— Infelizmente. — disse o deus da guerra suspirando de má vontade e colocando o livro no lugar. Afrodite fez o mesmo, enquanto franzia o cenho logo aparecendo ao lado dele.
— Livro sobre o que você está procurando? — perguntou.
— O volume dois daquele que eu estava lendo ontem. — a deusa do amor olhou para ele e depois para a mesa, colocando a mão no queixo.
— Não está naquela pilha de livros em cima da mesa? — ele deu ombros fazendo com que ela fosse até lá para checar.
Ares a olhou de canto e a viu jogar alguns livros pra longe na mesa. Em um segundo ato, ela deixou cair um sem querer e se abaixou para pegar. Deu para ele ver a calcinha rosa bebê dela. É, se os colocassem lado a lado ela pareceria um bebê perto dele. Quando, na verdade, é mais velha.
— Aham, seu danadinho. — Ares arqueou uma sobrancelha ao achar que, por alguns míseros segundos, ela estava falando com ele. — Você está aqui então?! — é, ela estava falando com um livro. — Olha! Está aqui! Volume dois e três.
O deus da guerra estava de lado para ela, o que o fez suspirar e tentar pensar em algo bem... Que fizesse o efeito passar e Afrodite não ver nada que possa incriminá-lo, como por exemplo, suas calças.
É, ele não conseguiu pensar em nada que o fizesse sair daquele, hm, transe momentâneo.
Colocou um livro na frente e fora até a mesa, se sentando na cadeira e tendo os livros em sua frente. Por sorte Afrodite não é uma boa observadora, pensou aliviado.
— Hm, ahn... Obrigado. — agradeceu meio sem jeito, logo pegando o livro e abrindo-o para conferir se era aquele mesmo.
— De nada. — disse se sentando na cadeira perto da dele. — Posso falar da minha imensa decepção ou me deixará falando sozinha igual Atena e Apolo fizeram?
— Ahn, claro. — ele colou os olhos no livro e começou a ouvir o que a deusa contava. Ficou longos minutos olhando as folhas como se estivesse lendo apenas para não encará-la.
— ... E sabe, eu estou farta! Ele estava simplesmente dormindo profundamente. Como consegue? Sinceramente, se eu fosse um homem e me tivesse como esposa, eu não gostaria de dormir. — olhou para as unhas indignada e continuou. — Ele agindo desse jeito até parece que eu sou um monstro. Eu sou um monstro?
— Acredito que não. — riu virando a página. — Um monstro não usaria rosa bebê, nem rosa, nem pink e nem nada feminino.
— E se fosse uma monstra?
— Eu sei o que estou dizendo, monstras não são bonitas. São nojentas e horrorosas. — comentou fazendo ela sorrir de canto.
— Então você me acha bonita? — indagou e ele franziu o cenho com uma expressão divertida no rosto, a qual Afrodite nunca tinha parado para reparar.
— Não disse isso. Eu disse que monstras não são bonitas. É diferente. — explicou fazendo a deusa cruzar os braços.
Ficou um silêncio confortável por alguns minutos. Ares continuava encarando as páginas e fingindo que as estava lendo e Afrodite o encarava com um sorriso mínimo no rosto. Rosto, ela ficou reparando no dele.
O deus da guerra tinha traços fortes e uma expressão séria. Aquela barba o deixava mais velho, era como se ela fosse uma adolescente de dezenove anos e ele um adulto de trinta.
Ele e Hefesto tinham algumas semelhanças, como por exemplo o formato do rosto e a barba que os deixava mais velhos. Os olhos de Hefesto era um pouco mais claros que os de Ares e os lábios mais finos.
Afrodite só esperava que Ares fosse mais, hm, ''fogoso'' do que Hefesto. Não que precisasse de muito para isso acontecer.
— O que você vai fazer hoje a noite? — perguntou Afrodite, casualmente.
— Dar umas voltas e...
— Posso ir com você? — Ares a olhou por dois segundos, ou menos. — Quem sabe você pode me apresentar alguns mortais gatinhos...
— Se você quer ''gatinhos'', recomendo que vá em uma creche ou em um pet shop. Encontrará ''gatinhos'' muito lindos. — a deusa revirou os olhos rindo apenas para socializar. — Hoje é sexta, e eu vou em bar de sexta. E duvido que você goste de homens agressivos. Do jeito que você é fresca e...
— O que você disse? — indagou interrompendo-o.
— Fresca. — repetiu e ela se levantou colocando as mãos na cintura.
— Eu não sou fresca. — defendeu-se.
— Claro que é. Você pode até ter casos com mortais bonitinhos, mas não gostaria de ter algum caso com algum daqueles. — afirmou fechando o livro.
— E o que te levou a chegar nessa conclusão?
— Afrodite, você é pequena e delicada, eles são grandes e agressivos. Definitivamente, não é um ambiente para deusas do seu tipo. — constatou colocando um livro em cima do outro.
— Deusas do meu tipo?
— Já disse, pequenas e delicadas. — rolou os olhos ao ter que repetir. — Portanto, você não vai. — e ele a largou sozinha na biblioteca, como Atena e Apolo fizeram. Afrodite bufou e ficou emburrada.
— É o que vamos ver.
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