Paz e Amor
9 Sober

CAPÍTULO 09
Afrodite olhou para os lados para ter certeza de que não havia ninguém por ali e, tentando fazer o menor barulho possível com seus saltos, atravessou correndo o salão e logo teve a visão que queria ter: Um deus de jaqueta preta descendo o monte Olimpo.
A deusa sorriu satisfeita e fora, em passos silenciosos atrás dele.
Ela vestia uma saia preta curta, uma regata vermelha e um salto bem alto. Sua bolsinha preta e seus cabelos ondulados soltos. Estava até que muito bonita para ir em um, ahn, bar.
Estava tão animada por estar contrariando a vontade dele e o seguindo sem ser percebida, era quase engraçado vê-lo andar tranquilamente sem perceber que...
— Eu sei que você está ai. — ela revirou os olhos sorrindo e então correndo até ficar lado a lado com Ares, que estava sério, como na maioria das vezes que Afrodite o viu.
— Ah, que pena. Eu ia fazer uma grande e extravagante surpresa pra você. — o deus a encarou e cruzou os braços.
— Ia esperar eu chegar lá embaixo para falar que estava me seguindo?! — supôs o deus e ela assentiu. — Como você é brilhante, Afrodite, realmente merece o meu reconhecimento. — ironizou e a deusa sorriu.
— Não precisa se rebaixar tanto, eu sei que sou demais. — Ares teve vontade de rir, mas preferiu não estragar sua imagem de machão que está furioso por ela não ter o escutado. — Mas então, pra onde vamos mesmo?
— Eu vou para um bar e você para outro lugar. — frisou bem a intenção de ficar bem longe dela.
— Ohh, não me diga que está com medo de perder o controle e ser seduzido por mim?! — arqueou a sobrancelha de forma sexy e o encarou com um sorriso sacana nos lábios.
— Primeiro, eu não tenho medo, muito menos de você. Segundo, se a sua intenção é essa devo lhe avisar que não vai dar certo. E terceiro...
— É o que vamos ver. — ele a olhou, rolando os olhos.
— Você é impossível. — resmungou ele sumindo em uma nuvem. É, se ele queria descer tranquilamente o monte Olimpo Afrodite conseguiu estragar o momento de, ahn, ''paz'' do deus.
Mas já que já tinha estragado, não custava nada continuar seguindo-o. E em um piscar de olhos ela estava na calçada, ao lado dele que ligava sua moto.
— Vai me deixar aqui, plantada na calçada mesmo? — indagou vendo a cara dele de quem não está muito feliz. A vontade de Ares era responder que sim, ele queria deixá-la ali e quem sabe daqui alguns minutos algum cara aparecesse e ela acabasse por ganhar alguns trocos na esquina.
— Não sei por que essa insistência é apenas um bar cheio de gente que não é do seu nível de frescura. — respondeu simplesmente. — Mas se quiser ir, fique sabendo que eu não vou ficar perto de você e nem vou impedir que algum daqueles caras cheguem perto de você. — avisou e ela assentiu. — E também não vou chamar um táxi e nem te por nessa moto. Ou você sobe, ou vai a pé.
— Você está muito nervosinho, Ares. — comentou subindo delicadamente na traseira, apoiando suas pequenas mãos nas costas dele, que respirou fundo. Era como uma pena pousando nele, não que isso já tenha acontecido antes. — Posso segurar em você ou...
— Apenas não caía. Quer dizer, mesmo se cair você não vai morrer. — resmungou tendo dois braços em torno de si. Ele revirou os olhos, e deu partida na moto, acelerando como sempre fazia.
Claro que Afrodite sentiu vontade de falar que ele estava indo rápido demais e poderia causar algum acidente, mas ela sabia que ele estava sóbrio e tinha consciência do que estava fazendo.
Sóbrio.
Foi como se uma lâmpada acendesse em cima da cabeça de Afrodite, fazendo-a sorrir. Ela iria fazer uma pequena brincadeirinha com o deus da guerra,o que contribuiria muito para suas intenções futuras.
Ares parou a moto e logo a desligou.
— Você pode me soltar agora. — disse ele estridentes e ela logo acordou do seu transe. Tirou suas mãos dele e desceu na moto, arrumando sua roupa e seu cabelo. Olhou para a frente e percebeu que estavam em um beco sem saída, onde estavam em frente a um bar e ao lado uma parede e atrás uma casa abandonada. A deusa deu ombros, seguindo Ares até a entrada. — Caso perguntem, você é uma prima distante. E você vai se chamar, hm...
— Dominique?
— Pode ser. Eu me chamo Jack, por aqui.
— Devo comentar de como Jack é um nome másculo? — zombou dando risada da cara de enfezado dele.
Afrodite olhou para o salão. Algumas mesas com bancos aparentemente confortáveis, barman, um palco com três canos, uma mesa de sinuca e mais bancos ao redor. Ela olhou para o lado e viu o deus de braços cruzados, se segurando para não rir da expressão da deusa.
— Tem certeza que isso é um bar? Me parece mais um cabaré. — olhou para os lados e viu alguns homens gordos bebendo, outros beijando mulheres e outros, fisicamente semelhantes a Ares, jogando sinuca.
— Não sabia que você tinha a capacidade de reconhecer seu habitat natural. — alfinetou o deus fazendo Afrodite franzir o cenho.
— Quem você pensa que...
— O MESMO DE SEMPRE, JACK? — gritou o barman para Ares, que assentiu olhando-o brevemente. — E A GATA, VAI QUERER O QUE?
— ELA QUE VAI VER ISSO, JOHN. — Afrodite respirou fundo e com um de seus sorrisos mais amigáveis ela foi se sentar em um banquinho para conversar com o barman, de aparentemente trinta e poucos anos.
— Um whisky, por favor. — pediu e ele assentiu. A deusa olhou para Ares e viu que ele já estava jogando sinuca e tinha duas mulheres ao seu lado.
— Sim, senhorita. — respondeu ele em seguida olhando para um moço, Afrodite deduziu que era um garçom. — Leve para Jack.
— O Jack é de beber muito, ahn, John não é? — apesar de já saber a resposta para sua pergunta, esperou.
— Sim e sim, ele bebe demasiadamente.
— Hmm, então o que acha se da próxima vez que ele pedir outra bebida você colocasse cinco gotinhas desse liquido? — indagou abrindo a bolsa e lhe estendendo um frasco cor de rosa.
— O que isso faz?
— Ah, nada demais, só vou fazer uma brincadeirinha com o meu querido primo. — explicou e o barman o pegou assentindo. — Todas as vezes você coloca cinco gotas, ou mais, tanto faz. Mas coloque em todas as próximas doses, feito?
— O que vou ganhar com isso? — perguntou interessado passando-lhe seu pedido.
— Bem, o que você quer ganhar? — respondeu com outra pergunta enquanto tomava um gole de seu whisky. Claro que esperava algo como ''você'' ou outra babaquice comum dos mortais, mas não.
— Uma grana, quem sabe, para pagar o hospital caso ele descubra e venha socar minha cara. — Afrodite não se controlou e gargalhou ao ouvir isso.
— Vou deixar um cheque aqui então. — falou e o barman deu ombros. Pegou o cheque e começou a assiná-lo. Usava bastante ele, pra falar verdade, já que esquecia senhas e blá, blá, blá. — Espero que seja o suficiente.
— Oh, claro que é. — Afrodite pode ver os olhos dele brilhar com os zeros na frente do número 1. — Foi um prazer negociar com você.
— Digo o mesmo, John. — e ambos sorriram em cumplicidade.
{•••}
O tempo foi passando e Ares bebia mais a cada meia hora, já estava bem bêbado. Na verdade, ele já fizera bastante coisas nessas horas que ficaram ali. Ele e uma mulher foram para um hall que Afrodite não quis ir ver o que era, depois ele jogou sinuca, bebeu, beijou mais algumas mulheres indecentemente, foi naquele hall novamente, voltou, jogou baralho, bebeu, bebeu, bebeu, beijou, e Afrodite acha que até transou. Mas isso não era da conta dela.
A deusa ficou conversando com John e o tempo foi se acabando, junto com o líquido no frasco.
Ela olhou para o relógio: 1:49 da madrugada.
E sorriu satisfeita após olhar Ares, que vinha cambaleando com um sorriso torto típico de bêbado.
— Você vai ficar ai? — perguntou ele se apoiando no balcão.
— Não, não. Eu vou com você. — deu um pulinho ao se levantar e olhou para o barman. — Foi um prazer conhecê-lo, John.
— Você sabe que o prazer foi todo meu, Dominique. — a deusa sorriu dando tchauzinho ao sair daquele lugar. Ambos foram em direção a moto e ela se perguntou se seria prudente deixar ele pegar essa coisa.
— Porque não estralamos os nossos dedinhos e aparecemos magicamente no Olimpo ao invés de você causar um acidente? — sugeriu ela com uma voz fina, fazendo-o dar ombros.
E assim fora feito.
Em um piscar de olhos eles estavam em um corredor, que tinha a porta do quarto de Afrodite. Devido a um acerto de contas que ela e Hipnos tinham, ela pediu que fizesse Ares cair no sono.
Foi sua melhor ideia desde toda sua existência.
Entrou no quarto e logo fez com que Ares ficasse em cima de sua cama. O cobriu com um lençol e depois fez com que suas roupas fossem jogadas pelo quarto. Sorriu satisfeita ao vê-lo dormir como um ''anjinho''.
Por meio das dúvidas, a deusa decidiu não dormir junto a ele, apenas deixar o lençol bagunçado como se ela tivesse dormido ali. O cenário estava ótimo, agora só bastava esperar o dia amanhecer.
{•••}
Finalmente, pensou Afrodite ao ver Ares coçar o olho. Ela estava sentada em sua poltrona cor de rosa vestida com um pijama e o encarava desde a hora em que acordou. Com certeza sua expressão seria impagável.
O deus da guerra estava tranqüilo, nunca tinha dormido tão bem, até pareceu que tinha dormido cedo no dia anterior. Mas foi quando ele abriu os olhos e viu que aquele não era o seu quarto que sua tranqüilidade se esvaiu. E piorou quando viu a deusa do amor o observando com os olhos até que, ahn, brilhando.
Ares se sentou na cama, olhando para os lados e tentando decifrar se tinha acordado mesmo ou estava sonhando, pior, tendo um pesadelo.
— Bom dia, querido. — disse Afrodite, fazendo-o arregalar os olhos ao ver suas roupas espalhadas pelo quarto junto às dela. Ares percebeu então, que estava sem roupa por baixo daquele lençol. — Dormiu bem?
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