Paz e Amor
1 All Those Lonely Nights

CAPÍTULO 01
Afrodite estava cansada, completamente farta. Mais um segundo perto daquele ogro lhe faria explodir de tanta raiva.
Como ele conseguia rejeitá-la?
Qual era o seu problema?
Passaram-se dois anos desde a última vez que ela tentou convencê-lo a passar a noite com ela. E nem fora uma das melhores.
— Seus amantes servem para isso, Afrodite! Você passou o nosso casamento inteiro atrás de homem, porque de repente quer que eu faça o que eles fazem?
— ORA ESSA, PORQUE VOCÊ É MEU MARIDO!— gritou a deusa do amor furiosa.— Caso tenha esquecido, queridinho, você que quis casar comigo. É a sua obrigação me tratar como uma mulher de verdade.
— Pela centésima vez hoje, eu fazia isso no começo... Mas você preferiu os seus amantes e eu minhas forjas. Então, vai dar uma volta por Nova York e ache algum garotinho pra você. E me deixe trabalhar em paz!
— MAS QUE DROGA! EU NÃO QUERO UM GAROTINHO, HEFESTO!
— Vá ao asilo se quer um senhor idoso, ora essa. Não que eu e algum velho tenhamos alguma diferença, porque como você mesma fala: ''Não funciona mais''.
— Eu nunca disse isso!— protestou a deusa.
— Aahh, disse sim.— ele a calou.— Se não quer um garotinho e nem um idoso, vá atrás do que você chama de ''homem de verdade''.
— É, é isso mesmo que eu vou fazer! Depois não me venha com reclamações.— disse Afrodite cruzando os braços e torcendo o nariz.— Você tem certeza? Vai ser para sempre, Hefesto, eu nunca mais vou...
— Some daqui, Afrodite.— e com isso ela deu-lhe as costas e foi de encontro a única pessoa que a entendia de verdade e poderia dar um ótimo conselho sobre o que fazer agora.
{•••}
— Atena, eu preciso da sua ajuda.— pediu Afrodite tentando passar viva pela luta entre a deusa da sabedoria e Ares para sentar em um banco que tinha ali.
— Você pode esperar um segundinho? Eu estou um pouco...
— Você acredita que Hefesto me mandou ir a um asilo atrás de um homem?— a deusa da beleza não deixou a irmã terminar de falar.— Só porque disse que ele, como meu marido, deveria me tratar como uma mulher de verdade.
— Ele nem foi tão cruel assim. Se fosse outro te mandaria para um lugar bem pior.— observou Atena tirando a espada de Ares.— Viu como essa estratégia é boa?
— Ainda acho que para uma guerra não é tão boa assim, porque não temos apenas um adversário.— constatou Ares sabiamente fazendo a deusa da sabedoria pensar.
— Belo raciocínio, Ares, você me surpreende a cada dia.
— EI! Eu estou aqui falando com você, Atena!— exclamou Afrodite indignada. Como sua irmã poderia dar mais atenção a Ares, que era um idiota machista, do que a ela?
— Hefesto, não é? Te mandou para um asilo.— disse uma Atena compreensiva pegando a garrafinha de água que Ares lhe jogou.— Ora, se ele não te trata como quer, procure outro.
— Vocês acham o que? Que é fácil achar um amante?
— Vai me dizer que é difícil?
— Claro que é. Até achar um com potencial, é um caminho árduo e complicado.— Afrodite tentou se defender, mas só causou riso na deusa.— Óbvio que se eu tivesse um Poseidon na minha mão eu não teria que achar um amante, mas...
— Se for falar daquele lixo marinho aqui, eu vou te deixar sozinha e eu e Ares vamos treinar em outro lugar.— ameaçou Atena, fazendo com que Afrodite desse uma gargalhada.
— Ah, Ateninha, não esquenta. Só quero que me dê uma opinião sobre o que fazer nesse momento critico.
— Já disse, procure alguém que te trate como quer. Procure alguém que lhe dê o amor que você merece.
— Claro, como se eu já não tivesse pensado nisso.
— Não pense, aja! Agora, se não se importar, vamos voltar a treinar, não é, Ares?— indagou Atena para o deus, que estava olhando sua espada.
— Finalmente esse papinho chato de mulher acabou. Afinal, não tenho todo tempo do mundo.— comentou ele sorrindo de canto.
— Planos para a noite, Ares?— indagou Atena e ele fez um movimento com as sobrancelhas que indicava que sim.
Afrodite bufou quando eles começaram a lutar e a ignorar sua presença. Como se não bastasse Hefesto.
{•••}
— Hermes, aquele ladrãozinho de quinta, deve ter roubado meu iogurte.— resmungou Afrodite abrindo a geladeira da cozinha do Olimpo e vendo que não tinha nada para servir de alimento.— Droga.
Colocou as mãos na cintura e olhou ao seu redor.
Graças a Deméter, uma barrinha de cereal, agradeceu mentalmente ao visualizar algo que mataria sua fome temporariamente.
Sentou-se no banquinho que tinha ali e desfrutou calmamente de seu novo achado. Até, é claro, alguém ascender a luz e tirar tudo aquilo que ela achava ser calma dentro de si.
— Sozinha na cozinha em plenas quatro e quinze da manhã?— indagou uma voz roca meio debochada. Por ser um som grave, ela achou que poderia ser Hefesto atrás dela. Mas não.
— Estamos na mesma, Ares.— disse com desdém enquanto via o deus da guerra ir até a geladeira.— Não tem nada aí. Achei essa barrinha, mas não vou dividir com você.
— Estamos na mesma vírgula, porque eu, diferente de você, acabei de chegar de um motel. Já você, pela sua cara de mal amada, deve ter vindo da sua cama vazia e gelada.— riu mais uma vez e se aproximou da deusa que segurava sua barrinha, que fora quebrada ao meio pelo deus.
— Se voltou do motel com fome a coisa não deve ter sido muito boa.— provocou ela, torcendo mentalmente para que ele sumisse da frente dela assim que possível.
— Realmente, não foi boa... Foi ótima.— engoliu o resto da barrinha de uma vez só e sorriu.— Agora, eu vou dormir. Aproveite o resto da noite sozinha nessa cozinha.
Ela revirou os olhos e amassou a embalagem da barrinha, em seguida abrindo a porta da geladeira.
— E ah, cuidado para não engordar.— zombou o deus apagando a luz enquanto dava uma gargalhada.
Como ela o odiava.
Hefesto e Ares tinham uma coisa em comum que poucos sabiam... O mesmo dom de irritar a deusa do amor como mais ninguém consegue.
No entanto Afrodite sabia que Hefesto iria se arrepender pelo resto da eternidade por todas as noites que a deixou sozinha em sua cama.
Afinal de contas, quem ele pensava que era para negá-la?
Fale com o autor