Paz

7 Sete


Encontro-me, embaixo do cobertor, encolhida. Não faz frio. Não faz calor. Apenas solidão. A tua ausência me enche de solidão, querido. Deveras contraditório, não? Sinto-me numa balança entre te deixar me deixar, e me deixar te deixar. Não quero nem uma, nem outra. Quero a tua presença. Quero correr ao teu encontro e afagar teu rosto, enquanto lhe digo o quanto, o pouco que esteves ausente, me feriu.

Mas, não. Dessa vez, não vou implorar. Não vou atrás. Não vou, apesar de ter que lutar contra a gana de ir.

Ouço o som do celular alertando sobre uma mensagem. Meu peito aperta, não tens meu número. Passo horas sem a mínima vontade de conferir o conteúdo. Quando já não dá pra adiar, leio. Uma mensagem sobre o amor. Respiro fundo. Acasos, apenas acasos.

Não, eu não quero desistir. Olho o precipício, tão convidativo e acolhedor. As rajadas de vento carregam o meu corpo. Sigo o movimento, deixo-me ser controlada. E eu, que não desisto, não resisto ao vento que me impulsiona a despencar. O coração quebrantado não responde ao medo. Mas a tua face me vem à mente...

Um passo para trás. Jogo-me no chão. Agarro a areia com força. Por que não estás aqui? Por quê?

Desperto dos devaneios e vejo que ainda não há paz.