Paz
8 Oito
A noite está fria. O brilho da fogueira ilumina onde a lua e a luz elétrica não alcançam. Vejo as pessoas, mas não sinto nenhum afeto partindo delas. Tão vazias... Risadas genéricas. Olhos que não se cruzam demoradamente. Entretanto, não há ninguém aqui que eu queria demorar o olhar, igualmente. Estou tão vazia quanto elas.
Meus tornozelos sangram, não sei o porquê, não sei como. A ardência dos cortes me tira o foco. O foco é você, sempre é. Às vezes, aceito a condição de deixar a tua prioridade de lado. Mas acabo voltando a fantasiar a tua presença...
Querido, não devias jogar comigo. No amor, jogas apenas teu coração no desfiladeiro. E, se me amas, caia comigo, enquanto estivermos caindo será como voar. Não penses no impacto. Não tenhas medo. Só tenha amor, só amor...
Talvez, não fui feita para você. Não sirvo. Não encaixo. Mas, assim como não tínhamos necessidade um do outro, podemos nos esculpir um para o outro. E basta dizeres sim e eu tentarei de novo, sabes.
Mas vomitaste o termo amigos em mim. Severo. Baixo. Cruel.
Agora, não sei se devo, se posso, se quero, se preciso, lidar com tudo isso. Sinto a paz dissolver-se no peito, amargurado pela angústia de dias. Chegamos ao fim, afinal?
Fale com o autor