Paz
9 Nove
Notas iniciais
É quarta-feira. O meio da semana. Os dias continuam chuvosos. Há tempos não via isso acontecer tão prolongadamente... E esse clima só piora, abate, corrói, a ferida aberta no peito.
Mais uma madrugada gélida e desumana. Não quero pensar. Não quero sentir. Não quero falar. Não quero ouvir.
Hoje, eu só preciso dormir, para que, nesse tempo, eu esqueça a sua importância em mim. Que eu esqueça tudo, até como respirar. Por favor.
Viro de um lado para o outro, na cama. O sono não vem. Decido ouvir música. O refrão diz que não voltas, meu bem. E, no fundo, sei que é verdade. As melódias não me acalmam mais. Não depois de ter ouvido a tua voz. Lembrança tóxica.
05h36. Frestas de luz já se movem pelo quarto. Pego a cartela de comprimidos. Tomo três, à seco. Deito novamente. Apenas aguardo.
As palavras ainda embrulham o estômago. O sussurrar, na mente, ainda clama para que eu não desista. Mas é tarde para voltar. Já desisti.
Sinto-me como um náufrago. Frustrado. Fracassado. Submerso. Perdido.
Acabou, querido. Não há medicamento ou curativo que me faça esquecer e sarar. Não há saída para os que não têm paz. E, agora, eu não tenho nada. Cheguei ao fim.
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