Paz

5 Cinco


O som dos joelhos, se chocando contra o chão, faz eco. As lágrimas caem incontroláveis. A voz, antes doce, se torna um grunhido baixo. Pede, agradece, clama, chora, busca.

Grita, mas não questiona. Aceite a dor. Acolha o pranto. Abraça a rejeição.

Olha para os lados. Há alguém?

Veja a escrivaninha. Há cartas?

Expusestes a ferida crua aos corvos, meu bem.

Ninguém vai responder as expectativas. Ninguém vai ouvir o quanto foi um dia desprezível. Ninguém vai dizer que sente saudades.

Tola.

Pula no abismo, não há mão estendida. A paz é inexistente. Deita no colo da Morte e adormece...