Past Dreams
26 Capítulo 23 - Fear
Notas iniciais
POV Elena
Car passou o restante da manhã tentando me animar, mas não adiantou. Então resolvemos voltar pro haras. Isso me deprimiu mais. A ansiedade de esperar Damon e contar sobre a gravidez acabou tomando conta de mim. Minha amiga decidiu me tirar de lá, então fomos até meu quarto pegar algumas coisas. Deixei minha bolsa e o envelope com o exame sobre a cama.
–Vá chamar a Mila e deixe que eu faço sua mala. Mas é melhor você sorrir, ou vão perguntar o que aconteceu pra te deixar com essa expressão de enterro.
–Vai ligar pro Damon e avisar que eu vou estar na sua casa? — era minha maior preocupação no momento. Não conseguiria ligar para ele e dizer o motivo de eu estar fugindo do haras — e dele.
–Pode deixar tudo comigo. Vá pegar a Mila e me espere no carro. Deixe que levo as malas. Não vai precisar da bolsa, vai?
Faço que não com a cabeça e saio do quarto. Arrasto-me pelo corredor até a escada. No andar de baixo, caminho em direção ao banheiro, notando vagamente que estou apertada. Quando me aproximo da pia para lavar as mãos, encaro meu reflexo cuja expressão é tão animadora quanto um funeral.
É só mais um bebê, Lena. Anime-se! Outro filho seu e do Damon. Ainda que você não saiba o que vai acontecer daqui para frente no relacionamento de vocês, é mais um pedacinho dele que você vai ter para o resto da vida. Pensar no meu segundo filho com o homem que eu amo me animou um pouco, mas logo deixei isso passar diante da incerteza do meu futuro.
Balanço a cabeça para afastar os pensamentos desagradáveis, treino um falso sorriso algumas vezes na frente do espelho e sigo para o casebre dos Penhallow para buscar Mila e ir para o carro da minha amiga.
Ao entrar na sala, depois de Jia abrir a porta para mim, consigo sorrir de verdade: minha filha está bem comportada assistindo um desenho na TV com os netos da nossa caseira. A cena me emociona. Mila sempre foi uma criança um pouco sozinha. Não tinha irmãos nem primos.
–Filha, sua madrinha está nos esperando para ir. Vamos fazer uma noite só de garotas. A sua primeira. — para completar abri o sorriso falso que havia treinado no espelho.
Fomos caminhando juntas em direção ao carro. Car já estava nos esperando lá. Não levamos mais de meia hora para juntar algumas roupas e sair novamente. Fizemos a maior parte do trajeto em silêncio. Minha melhor amiga fazia as vezes de conversar com minha filha, o tempo todo explicando que a mamãe estava bem e que só se sentia cansada. Precisava tentar parecer melhor de verdade ou ia arranjar alguns problemas.
Durante a "viagem" do haras até a casa dos pais de Caroline, ela ligou para tia Liz e pediu a ela que preparasse alguns doces e salgados para receber Mila, mesmo comigo dizendo que não era necessário.
–Claro que é. É minha afilhada e precisamos alimentar todos vocês. — ela me encara, transmitindo outra mensagem com o olhar. "Você está grávida e eu vou estar de olho na sua alimentação."
Sua insistência me faz bufar. Recosto novamente no banco e fecho os olhos. Talvez esse pequenino esteja realmente querendo comer.
Em algum ponto da estrada, deixei o cansaço vencer e acabei tirando um cochilo bem agitado. No sonho, eu passo a gravidez toda longe de Damon, me fortalecendo para contar a ele e receber sua rejeição com o máximo de dignidade possível. Mas o que acontece foge totalmente do esperado. Damon termina comigo por ter sumido com a filha dele sem aviso algum e por ter escondido a gravidez dele. E ameaça tirar meus filhos de mim pra me fazer entender o que ele passou.
Estou prestes a responder quando ele se aproxima, acaricia meu braço e diz:
–Lena, acorda.
Abro os olhos e levo alguns segundos para focalizar Caroline e a casa dos pais dela.
–Chegamos. Você dormiu quase toda a viagem e parecia estar tendo um sonho um tanto... Inquietante.
–Desculpa. Podemos conversar sobre isso depois? — ela assente — Obrigada. Agora, onde está toda aquela comida? Estou com fome.
–Pra Mila tem comida na cozinha. Pra você, primeiro um banho quentinho na banheira lá de cima, pra tirar o cheiro de hospital, e depois eu vou levar algo pra você comer. Enquanto toma banho, vou escolher alguns filmes para assistirmos.
Saio do carro e vou direto para o banho, parando apenas para cumprimentar tia Liz. A simples ideia de relaxar o corpo sob a água quente e perfumada me faz andar um pouco mais rápido em direção ao meu destino. O dia pareceu interminável até agora e tudo o que eu preciso é desse banho e depois assistir alguns filmes com minha melhor amiga e minha filha.
Demorei cerca de quarenta minutos no banho, sempre renovando a água para que permanecesse quentinha. Foi incrível o efeito sobre meu corpo. Já à minha cabeça, não ajudou em nada. Pelo contrário, só piorou. Comecei a pensar sobre muitas coisas: meu medo quanto à reação de Damon, o que poderia significar o sonho que eu tivera no carro.
E então Car bateu à porta e disse que a Mila estava cansada de me esperar e que, se eu fosse demorar muito mais, elas começariam sem mim. Respondi que já estava saindo e pedi a ela que separasse um edredom para mim antes de eu sair. Estava sentindo muito frio. Não só por causa do banho quente, mas também por conta do que podia acontecer.
Saio da banheira e visto o pijama leve que Car havia levado para o banheiro. É confortável e não aperta minha barriga nem meus seios, que estão sensíveis com a diferença de temperatura da água e do ar. Abro a porta do banheiro e caminho até o quarto da Car para assistir filme com elas. Há uma tigela fumegante sobre o criado-mudo.
–É pra comer tudo. Sopa. Foi a coisa mais leve que minha mãe conseguiu fazer pra você. E ela vai brigar com você se ficar alguma gota de caldo aí. Ela não tem muita paciência com pessoas teimosas.
–Mas... Ela sabe? – com o olhar que lancei à minha amiga, tenho certeza de que ela entenderia a pergunta oculta.
–Sabe. Contei a ela os eventos do dia. Espero que não se importe. Sabe o quanto minha mãe é compreensiva. Sinta-se à vontade para se juntar a nós. Vamos assistir A Última Música. A Mila queria assistir Barbie, mas expliquei a ela que você precisava de algo menos colorido e animado hoje.
–Obrigada, Car. – precisei respirar fundo e piscar os olhos muitas vezes para evitar as lágrimas.
Passamos as duas horas seguintes assistindo ao filme da Miley Cyrus. Até Mila, que eu pensei que não fosse gostar do filme, acabou chorando quando o pai dela morreu. Começaríamos a assistir outro filme, mas eu e Mila estávamos cansadas e Car desceu para fazer companhia à tia Liz enquanto eu abraçava minha filha na enorme cama da minha amiga e caíamos no sono.
POV Caroline
Desde o momento em que lera o resultado do exame, Lena parecia ter perdido quase toda a alegria que tinha em si. O que, eu tenho certeza, ainda a segurava, era o fato de que esperava outro bebê. De Damon.
Por mais que tenha me esforçado e feito o possível e o impossível para dar-lhe um pouco de paz de espírito, quase nada mudou durante as horas seguintes. Quando chegamos à casa dos meus pais, sugeri que Lena tomasse um banho e relaxasse enquanto Mila comia e eu conversava com minha mãe.
–O que há de errado com a Lena, filha? Ela parece estar carregando um elefante nas costas. – apesar da tensão da situação, eu ri. Mamãe podia ser muito perceptiva e muito engraçada em situações assim.
–Lena sofreu um baque hoje de manhã. Fui almoçar com elas no haras e descobri que ela vinha passando mal nos últimos dias. Levei-a ao hospital imediatamente. Nós duas já imaginávamos o que seria, mas quando ela viu o resultado positivo no exame, parecia estar perdendo a vida dentro dela. Ela ficou assim durante o dia todo: apática, desanimada, cabisbaixa. E eu, claro, fico mais preocupada a cada minuto.
–Vai ficar tudo bem. O filho é do Damon, certo? – concordo com um movimento de cabeça. – Então ela não tem o que temer. Por que tanto estresse? Vai fazer mal ao bebê.
–Ela acha que o Damon vai repetir o erro de seis anos atrás. Passei o dia tentando dissuadi-la do contrário, mas nada adiantou. Vamos fazer uma noite das garotas. Preciso distraí-la o máximo possível. Pelo menos, até chegar o momento inevitável.
–Vamos fazer o que pudermos. Ela está tomando banho, certo? Você disse que ela passou mal esta manhã. Elena se alimentou depois disso?
–Não. Disse que estava sem fome, apesar de eu tê-la ameaçado no carro. Disse a ela que cuidaria da alimentação de todos eles. Ela entendeu perfeitamente que eu estava incluindo o bebê na ameaça.
–Ótimo. Farei uma sopa de legumes bem rápida e nutritiva. E então vou ao mercado, mas logo voltarei. Sabe que não costumo demorar nas compras. Agora vá e dê atenção à sua afilhada enquanto me ocupo com a cozinha. – minha mãe me beija a testa e então vou atrás de Mila.
–Onde está a afilhada mais sapeca, linda, amada e carinhosa do mundo? – fingi estar procurando em todos os lugares que ela não estava.
–Aqui, dinda! – ela responde correndo até onde estou e abraçando minhas pernas. Pego-a no colo e me jogo no sofá, fazendo cócegas em sua barriga. – Para, madrinha, para! – ela mal conseguia falar, sua boca ocupada demais com a risada e a respiração ofegante.
–Ok, eu paro. Vamos escolher o filme?
Estou sentada no tapete da sala com Mila e várias caixas de DVD ao nosso redor, tentando encontrar algo para assistir, quando meu celular vibra no bolso. É uma mensagem de Stefan.
*Meu amor, sei que prometi passar a noite com você, mas não vai dar. Vou sair muito tarde da empresa. Por favor, me perdoe. Com amor, Stefan.*
Apressei-me em responder e tranquilizá-lo. Afinal, também estaria ocupada naquela noite.
*Não se preocupe. Lena e Mila estão aqui. Longa história. Talvez, quando você sair, se não for muito tão tarde a ponto de eu estar dormindo, seja melhor você passar na casa dos meus pais para conversarmos. Há um problema em potencial que precisamos contornar. Não é nada conosco. Mas é tão importante quanto se fosse. Também amo você.*
Ele provavelmente ficaria curioso a respeito, mas, como pedi que não se preocupasse, faria exatamente isso. Stefan sabia que eu não o deixaria desatualizado dos assuntos familiares caso fosse muito urgente. Então, mais tarde, se eu não estivesse dormindo, conversaríamos e encontraríamos uma maneira de acalmar Lena e convencê-la a conversar com Damon logo, logo.
–Madrinha, é o tio Stef? — Mila estava me encarando enquanto eu digitava a mensagem para Stefan.
–É sim, meu amor.
–Diz pra ele que eu mandei um beijo. Pergunta se ele pode me levar no parquinho amanhã? — minha afilhada estava me olhando de um jeito impossível de resistir.
–Vou perguntar a ele. Mas se o pai dele não deixá-lo sair amanhã da empresa, eu mesma levo você, tudo bem?
Ela assente. Mando os recados dela para o Stefan e então guardo o celular e torno a procurar algo para assistirmos.
–Esse, dinda! Barbie! — desde que Mila nasceu, comprei alguns DVDs infantis para o caso da minha afilhada algum dia vir até a casa dos meus pais, que era onde eu morava até então. Conforme o passar dos anos, pensava que ela nunca fosse ter a oportunidade de vê-los aqui, mas acabou acontecendo.
–Por que hoje não escolhemos algo menos animado e colorido pra sua mãe assistir? Ela não tá se sentindo bem e acho que é melhor vermos um filme mais calmo. Amanhã eu prometo assistir Barbie com você, se sua mãe não quiser. Tudo bem por você.
–Tudo bem, madrinha. Espero que a mamãe fique boa logo. Quero que ela assista Barbie com a gente.
Mila deu um pulo com outra caixa na mão. Era o DVD de A Última Música. Minha afilhada adora algumas das músicas antigas da Miley, como See You Again e 7 Things. Acredito que tenha reconhecido a artista na capa.
–É a Miley, madrinha! Esse! Vamos assistir esse!
–Tudo bem. É uma ótima escolha. Vai pro quarto da dinda vestir seu pijama que eu vou fazer uma ligação. Se quiser, vá até a cozinha com a minha mãe e peça a ela um prato com algumas guloseimas pra senhorita comer durante o filme. Mas antes... Venha até aqui e dê um beijo na madrinha mais amada do mundo!
Mila riu antes de vir beijar minha bochecha e sair correndo até meu quarto. Agora vinha a parte preocupante: convencer a Damon de que está tudo bem com a Elena.
Disco o número dele no telefone e espero ele atender. Algumas das reuniões da empresa que ele abriu com o amigo, Matt, são realmente insuportáveis. Elena vive reclamando das vezes em que precisa falar com ele e a secretária diz que ele não pode atender, ou dos jantares adiados por conta de alguns membros da empresa que não param de falar.
Leva um pouco demais de tempo. Estou quase desistindo quando ouço uma música suave ao fundo e o barulho do motor do carro antes da voz de Damon surgir:
–Alguma emergência com o casamento, cunhadinha? — dá pra perceber, claramente, que ele está sorrindo.
–Ou aconteceu algo muito bom para a empresa nessa reunião ou você acabou de fazer sexo. E espero realmente que seja a primeira opção, ou seu irmão e o Jeremy vão matar você tão rápido que...
–Vamos abrir nossa primeira filial. Em Phoenix. — ele me interrompe. — Você, melhor do que ninguém, sabe que eu não trairia a Lena depois do inferno que eu passei nós últimos seis anos. — a alegria havia sumido de sua voz, que agora estava séria. – dá pra entender perfeitamente o motivo da felicidade dele: com uma filial em Phoenix, eles poderiam morar lá e o Damon não precisaria voltar pra Atlanta a fim de participar das reuniões e decisões importantes da empresa.
–Desculpe. Só liguei pra avisar, e não fique com raiva de mim, que roubei sua noiva e sua filha para uma noite das garotas aqui na casa dos meus pais, tudo bem? — pude ouvi-lo ranger os dentes.
–E o que aconteceu com a Lena que ela mesma não me ligou pra avisar? — ele estava nitidamente desconfiado. Não é pra menos, a situação era realmente suspeita.
–Ela pediu pra eu ligar porque assim que chegou aqui, foi correndo matar saudades da banheira aqui de casa. Não precisa se preocupar, amanhã eu as devolvo. Você não é o único sem sua noiva hoje. Stefan está na mesma situação, ok? Boa noite, Damon.
–Boa noite, cunhadinha. — agora ele havia soado cansado.
Encerro a ligação, vou até o meu quarto, pego um pijama e digo à Mila que vou apenas tomar uma chuveirada rápida. Entro e saio do banho bem depressa. Como minha amiga ainda não saiu do banheiro e minha afilhada está prestes a cair no sono, vou apressar Elena, que diz já estar terminando.
Desço até a cozinha, onde minha mãe deixou uma sopa super cheirosa e fumegante, encho uma tigela de porcelana, ponho-a sobre um pires e levo para o quarto e deixo sobre o criado-mudo. Elena não leva mais que cinco minutos para aparecer. Trocamos algumas palavras e ela senta-se para comer.
Assistimos juntas ao filme. No final, minha amiga grávida e supersensível e sua filha estão se afogando em lágrimas. Confesso que também chorei um pouquinho. O fim do filme é realmente emocionante. Pensei que fôssemos assistir a mais um filme, mas pude notar, no rosto das duas, que estavam prestes a dormir. Avisei que iria descer e fazer companhia para minha mãe e, antes que eu saísse do quarto, as duas se abraçaram e caíram no sono.
–É, mãe, espero que Damon não nos desaponte. Lena está exausta. Nunca vi minha amiga desse jeito, nem mesmo quando descobriu que estava grávida da Mila. Naquela época, ela estava determinada a provar que não precisava do Damon. Não sei se ela aguenta passar por tudo de novo.
Antes que minha mãe pudesse responder, meu celular começou a tocar. Era Stefan.
–Oi, meu amor. Conseguiu sair da empresa?
–Consegui sim. Ainda posso passar aí?
–Claro. Acho que hoje eu não vou dormir nem tão cedo.
–Então vem aqui pra fora. Estou te esperando no carro. Vamos dar uma volta. Ou suas convidadas ainda precisam de você?
–As duas apagaram depois do filme. Só preciso pegar um casaco e trocar de sapato e de roupa. Já estou de pijama. Entre e venha falar com a minha mãe ou ela vai ficar brava com você.
Ele riu do meu comentário antes de murmurar um "já estou entrando" e encerrar a ligação. Subi rapidamente e entrei no quarto evitando fazer muito barulho. Por sorte, meu cloreto tem uma lâmpada independente, ou eu teria de incomodar o sono alheio. Tiro o pijama, visto jeans, uma camisa de manga cumprida, meias grossas, e um casaco. Pego a roupa que tirei, dobro e deixo em uma cadeira no canto do quarto.
No caminho de volta para a sala de estar, paro no armário de calçados de frio e pego meu tênis. Encosto na parede para calçá-lo e desço em seguida. Minha mãe está rindo de algo que meu noivo disse. Sorrio com a cena. É bom saber que as pessoas que eu mais amo no mundo se dão tão bem.
–Pronta, meu amor?
Confirmo com um aceno e ele levanta, despede-se da sogra e estende sua mão para que eu segure. Andamos juntos até o carro. Ligo o rádio e encontro uma música legal para tocar baixinho enquanto passeamos pelo bairro.
–Antes de começar a explicar o que eu tenho a dizer, preciso fazer uma pergunta: tem como você fugir do seu pai amanhã e ir comigo e a Mila até o parquinho? Ela realmente sente sua falta.
–Claro, meu amor. Quando você me enviou a mensagem, eu imediatamente avisei ao meu pai que não poderia ficar muito tempo na empresa amanhã. Usei o casamento como desculpa, espero que não se importe. Se dissesse que iria passar um tempo com a neta, ele nunca me daria o dia de folga.
–Stefan, isso é ótimo! O que nos leva ao próximo ponto: seremos tios novamente! — anunciei com o máximo de empolgação que consegui. — E, apesar disso ser incrível, Lena está extremamente nervosa em relação a reação do seu irmão. Ela tem medo que ele faça o mesmo que fez com a Mila. Honestamente, se ele sequer cogitar fazer isso, o Damon está acabado para sempre. E vai levar a Lena direto pra uma depressão profunda. — completei antes que ele pudesse dizer alguma coisa.
–Ele não vai fazer isso. Espero que, assim que ela contar, ele fique imensamente feliz. E grato pela segunda chance que está recebendo. Porque se ele agir de maneira minimamente diferente, eu mesmo faço questão de acabar com ele.
Stefan parecia determinado e eu duvido que qualquer coisa que eu diga o demova da ideia de acabar com o próprio irmão. Isso me preocupava. Muito.
–Antes de qualquer coisa, precisamos conversar com a nossa amiga e convencê-la a falar com o Damon amanhã mesmo. Ela estava tão nervosa hoje que eu fiquei também. Sentia-me completamente impotente. Não consegui tranquilizar minha própria amiga. E sem contar que isso pode prejudicar o bebê.
–Vamos resolver isso amanhã. Agora, o que você acha de uma pequena surpresa? No porta-luvas tem uma venda. Pegue-a e ponha sobre os olhos. Tenho um presente pra nós dois.
Conversamos mais um pouco enquanto meu noivo dirigia pelas ruas de Atlanta e me convencia que valeria a pena esse tempo de olhos vendados. Estava a ponto de reclamar de novo quando o carro parou e a porta do motorista abriu e fechou.
–Chegamos! — Stefan sussurrou bem perto do meu ouvido. — Dê-me suas mãos e deixe-me guiar você até o lugar certo.
Andamos mais um pouco e em certo momento pude ouvir o som de chaves. Mordi a língua para não perguntar onde estávamos indo, já que isso estragaria a surpresa e ele não me contaria de qualquer jeito. Mais alguns minutos de suspense e então ele tirou a venda do meu rosto.
–Abra os olhos, meu amor. — e eu abri. Olhei ao redor e não acreditava que aquilo fosse o que era. — Bem-vinda ao nosso lar!
POV Damon
Receber a ligação da Car me deixou pior do que eu já estava. A reunião com o conselho administrativo foi exaustiva e, no fim, fiquei muito feliz com o aval para a construção da filial de Phoenix. Poderia trabalhar perto de casa. Seria menos cansativo dessa forma.
Mas a felicidade não fez com que a dor de cabeça insuportável passasse. Esperava que, ao chegar a casa, pudesse jantar com as duas mulheres que eu mais amo e depois dormir abraçado com minha noiva. Pela manhã era certo de que eu estaria melhor.
Agora o que me resta é entrar na casa vazia, comer o macarrão que encontrei na geladeira e tomar um remédio antes de tomar um banho quente e cair na cama. Jia aparece e me conta que está preocupada com a Elena, que passou mal pela manhã, mas que garantiu que estava bem. Ela diz também que Caroline a levou ao hospital e ela pareceu melhor ao voltar.
Então essa visita da Lena à casa dos Forbes não foi tão casual assim. Ela deve estar fugindo da conversa que teríamos por ela me esconder que estava doente. Mas isso vai precisar ficar para amanhã, porque no momento, preciso me concentrar em me livrar da dor.
Subo até o nosso quarto, no segundo andar e abro a gaveta do criado-mudo da Lena, que sempre guarda comprimidos para dor de cabeça ali. Um hábito da adolescência, quando ela tinha enxaquecas horríveis. Surpreendo-me ao encontrar um envelope de um laboratório local. Decido olhar para me tranquilizar um pouco a respeito do estado de saúde da minha noiva.
O que leio, no entanto, não faz muito sentido. Termos médicos por todo lado. E então encontro a palavra que me dá arrepios desde seis anos atrás: gravidez. E a outra, ainda mais preocupante: positivo. Então a Elena está grávida de novo? Bom, já é hora de ter uma conversa séria e definitiva sobre esse assunto. Uma conversa que pode mudar muitas vidas e gerar, provavelmente, arrependimento, ódio e brigas. Mas, independente disso, eu tenho que fazer.
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