Past Dreams
27 Capítulo 24 - End Of Discussion
Notas iniciais
POV Caroline
Aproveitei bastante as horas da madrugada em minha nova casa com meu noivo. Conversamos abraçados no sofá, fazendo planos e tentando arranjar um argumento convincente para levar minha melhor amiga a contar sobre a gravidez para Damon.
–Não se preocupe, meu amor. Se tudo der errado, a Elena ficará conosco e cuidaremos dela. Mas algo aqui dentro me diz que não será necessário. Uma coisa que o meu irmão aprendeu na infância, é que se ele cometer um mesmo erro novamente, o castigo fica pior.
–Espero, de coração, que você esteja certo. Elena não merece que todos sejam felizes e ela não. Quando soube que íamos nos casar, ela guardou a insatisfação de rever sua família e a mágoa por termos guardado segredo apenas pela minha felicidade. Ela não queria me desapontar.
–Nossa melhor amiga sempre teve uma linda alma e um enorme coração.
–Nossa, que poético.
–Acho que vou usar isso no discurso do casamento dela.
–Podíamos casar juntos! Claro que a Lena não saberia de nada, mas conhecemos os amigos dela e o Jace conhece o pessoal de Phoenix. Você se oporia, meu amor?
–De forma alguma. Mas é complicado ser noiva e madrinha ao mesmo tempo.
–Não importa. Sempre damos um jeito! Amo tanto você! Não sei o que seria da minha vida sem a sua presença.
–A resposta pra isso é: uma workaholic solteira. Você ama o que faz. E depois que terminar a faculdade, tudo vai ser ainda melhor.
–Vou fingir que não ouvi a ofensa e concordar que depois que eu terminar a faculdade tudo vai ficar melhor.
O restante da noite foi maravilhoso. Fui apresentada ao restante da casa, fizemos uma lista de decorações e utensílios que ainda faltavam e, aos primeiros raios de sol, fomos até uma padaria no fim da rua comprar algumas coisas para tomarmos café-da-manhã com minha mãe, amiga e afilhada.
–Seu pai ainda não voltou de viagem? — meu pai inventou de sair da cidade por uns dias. Disse que tinha alguns assuntos pra resolver.
–Ainda não. Minha mãe não faz ideia de pra onde ele foi ou o que foi fazer. O palpite é que tenha ido encontrar algum parente que more longe e tentar trazê-lo ao casamento. Aliás, precisamos organizar as coisas com um pouco mais de pressa. Se demorar muito, a Lena vai estar enorme e o vestido vai ficar deformado de tanto ajustar.
Stefan ia responder, mas o telefone dele começou a tocar.
–Um minuto, meu amor. — ele se afastou da bancada da padaria.
–Bom dia, senhorita Forbes.
O funcionário da padaria já estava acostumado a me atender, já que eu vivia aqui, por ser a melhor padaria da cidade. Enquanto eu fazia meu pedido, Stefan conversava ao celular no exterior do estabelecimento. A cada segundo parecia mais agitado. Comecei a ficar preocupada. Logo ele encerrou a ligação e se aproximou.
–Desculpa, meu amor, mas eu preciso ir. Quer ficar com o carro pra voltar pra casa? — em relação a onde estávamos, minha casa era relativamente longe. A dele, que era, provavelmente para onde ele iria, ficava a dois ou três quarteirões dali.
–Tudo bem, mas o que aconteceu?
–Problemas na mansão Salvatore. Acho que os portões do inferno estão prestes a abrir. Aquela casa vai ao chão se eu não chegar logo.
–Boa sorte. — ele me beija e então vai. Termino de pedir as mais diversas guloseimas para meus sobrinhos e minha melhor amiga e então volto para casa.
Pego o carro, minhas coisas e dirijo calmamente de volta a casa dos meus pais. Ainda é bem cedo, então tenho certeza que Mila e Lena ainda estão dormindo. Sigo direto para a cozinha e encontro minha mãe já de pé, fazendo café.
–Bom dia, senhora da madrugada. — brinco. Minha mãe sempre foi do tipo que acorda com o sol. — Trouxe comida. Tudo o que nossas hóspedes adoram.
Começamos a conversar enquanto arrumamos uma linda mesa de café-da-manhã. Conto a ela sobre a surpresa de Stefan e sobre nossos planos. Termino contando sobre a estranha ligação que ele recebeu enquanto estávamos na padaria.
–Algo estranho está acontecendo naquela casa. Espero que isso não impeça o Stefan de vir passear comigo e com a Mila. Eles não passam um tempo juntos há semanas. Ele está sempre preso naquela empresa.
–Calma, filha. Ficar nervosa só vai piorar as coisas. Concentre-se em manter a calma e acalmar sua melhor amiga.
Após terminarmos de preparar tudo, subo até meu quarto, pego algo mais confortável e vou tomar um banho rápido antes de chamar minha amiga e minha afilhada.
–Só mais cinco minutos, Car... — Lena nunca foi a maior fã de acordar cedo. Mila puxou a mãe. Mas eu não me deixaria vencer.
–Certo. Durmam enquanto eu vou até a mesa linda que eu e minha mãe preparamos e como todos os sonhos de creme e os pães com queijo em cima. — antes que eu terminasse de falar, Mila já tinha pulado da cama e saído correndo até a cozinha. Minha amiga sentou na cama e me encarou.
–Não quero ser um incômodo para vocês...
–Não é incômodo algum. Stefan comprou uma casa para morarmos depois do casamento. É incrível, Lena! Mas detalhes eu conto mais tarde. A casa é perto da nossa padaria favorita e eu passei lá antes de voltar para casa.
–Nesse caso, vamos antes que a Mila coma tudo.
–Tem certeza que você não vai enjoar?
–Não, não tenho, mas não vou deixar de comer por isso. Espero que esse pontinho aqui esteja com fome e que goste dessas gostosuras que a dinda trouxe.
Congelei por um segundo.
–Como?
–A dinda. Quem nesse mundo você pensa que é mais adequada que você pra ser madrinha de outro filho meu? Além disso, foi você quem descobriu tudo... Nada mais justo.
–Agora eu tenho ainda mais motivos para mimar você. Venha, vamos alimentar vocês.
Tomamos um café-da-manhã maravilhoso e, por sorte, Lena não enjoou. Sentamos então, já que minha amiga estava melhor, para assistir Barbie com a Mila. Acabamos rindo juntas com o filme. Por volta da hora do almoço, a campainha tocou. Era Stefan e ele veio nos buscar, a mim e à Mila, para ir passear. Pedi a ele algum tempo para que nos arrumássemos. Lena escolheu uma roupa para a filha e eu fui me aprontar.
Antes de sair, pedi, discretamente, que minha mãe ficasse de olho na Lena e que, caso o Damon aparecesse, não deixasse que ele irritasse ou magoasse minha amiga.
–Pode ficar tranquila, filha. Elena é como a filha que eu não tive. Vou cuidar bem dos dois.
Um pouco mais tranquila, permiti que meu noivo me levasse para fora, rumo a algumas horas de diversão com nossa afilhada.
POV Elena
Depois que os três saíram, decidi deitar um pouco. O bebê pode ter aceitado que eu comesse alguma coisa, mas isso não me faria abusar da sorte e começar a ficar agitada. Certamente isso me faria passar mal.
Depois de trinta ou quarenta minutos, decidi tomar um banho e começar meu dia de verdade. Pretendia ajudar tia Liz em alguma coisa e me distrair com o que pudesse para não precisar pensar no verdadeiro problema: conversar com Damon. Assim que seu nome me vem a mente, sinto uma imensa saudade dele. Não passamos muito tempo separados desde que reatamos nosso relacionamento.
Separo um conjunto de malha confortável e meu chinelo de pano e vou para o banheiro usar a adorável banheira da casa da minha melhor amiga.
Durante meu banho relaxante, ouço a campainha tocar, mas sei que, quem quer que seja, vai ser recebido pela tia Liz. Relaxo na água quente e, quando meus dedos começam a enrugar, mergulho a cabeça e depois saio da banheira. Deixo a água escoar enquanto seco o corpo e visto a roupa.
Volto ao quarto da Car e organizo tudo o que tirei do lugar antes de descer para me juntar à mãe da minha amiga. Congelo no meio da escada ao ver que a visita esperando na sala é Damon. Tropeço em meus próprios pés com o nervosismo e quase caio da escada.
No último segundo consigo me segurar. Ouço tia Liz e Damon gritando meu nome e logo sinto braços fortes ao meu redor me levando para longe dos degraus. Quando sento no sofá, depois do choque passar, sinto a dor insuportável em meu pé esquerdo.
–Acho que torci meu pé.
–Espero que não seja uma regra pra você sofrer acidentes em cada uma das vezes em que você estiver grávida. — olho em pânico para meu noivo, sem saber como ele pode sequer ter descoberto. — Precisamos conversar. — ele acrescenta.
–Damon, eu...
–Primeiro nós vamos ao hospital. Liz, você vai conosco? — Damon ignora completamente minha tentativa de explicar e eu começo a entrar em desespero.
–Claro, querido. Deixe-me pegar nossos documentos. — ela sobe as escadas e some no andar de cima. Permaneço em silêncio e encaro uma mancha no piso de madeira antiga.
–Elena, olhe para mim. Você está gelada! — Damon pega minhas mãos nas suas e, quando olho em seus olhos, desejo não tê-lo feito. Eles estão escuros e parecem carregar uma feia tempestade em si.
Ele está com raiva. Eu sabia que algo iria dar errado. Por que ele tinha que aparecer justo quando a Car não está aqui? Pelo menos a Mila também não está. Seria pior se ela presenciasse a briga que está por vir. Espero que eu consiga passar por tudo de novo. Meus filhos vão precisar de mim.
–Vamos! — tia Liz diz ao voltar.
Damon me pega no colo novamente e não olha pra mim em momento algum. Sinto uma lágrima escapar de um dos meus olhos e abaixo o rosto para que ele não veja. Quando chegamos ao lado de seu carro, tia Liz abre a porta e Damon me acomoda no banco de trás.
O caminho até o hospital é rápido e silencioso. Minha apreensão aumenta a cada segundo que passa. Noto, vagamente, que estou tremendo. Respiro fundo e audivelmente, tentando me acalmar. Ficar nervosa não ajuda o bebê. Ficar nervosa não ajuda o bebê. Ficar nervosa não ajuda o bebê. Repetia em minha mente como um mantra.
O carro é estacionado e logo sou acomodada em uma cadeira de rodas e levada para emergência. Damon vai até o balcão da recepção receber informações e dar entrada no atendimento enquanto tia Liz me faz companhia.
–Lena, querida, acalme-se. Seus olhos entregam tudo. Espere o momento certo. Vocês vão conversar e tudo vai ficar bem. E se não ficar, é apenas uma perda para ele. Há muitas pessoas que se importam com você e sabem o quão maravilhosa você é. Pense no seu bem-estar e no do bebê. Damon é adulto, você é adulta e tudo será resolvido de forma civilizada. Agora, respire fundo.
Faço o que me é pedido enquanto tia Liz faz uma maravilhosa massagem em meus ombros. Fecho os olhos e penso em momentos felizes. Sinto todo o meu corpo relaxar e sorrio.
–Feliz? — Damon sussurra em meu ouvido.
Abro os olhos e percebo que não estamos mais na recepção. Há um médico parado na porta de um consultório e meu noivo está nos levando até lá. Sinto meu rosto esquentar por ter sido pega em um momento particular. Se não estivesse tão preocupada com o futuro de minha relação com Damon, talvez compartilhasse com ele o motivo de estar sorrindo.
–Em que posso ajudá-la, senhora? — pergunta o médico, um senhor grisalho de aparência simpática.
–É senho... — Damon começa.
–Eu tropecei descendo as escadas da casa da minha amiga. Meu pé esquerdo doi muito. — relato ao doutor, impedindo que Damon o corrija.
O fato de o médico supor que somos casados e Damon contradizê-lo acaba comigo. A felicidade que eu sentia há pouco desaparece em segundos.
–Vou pedir que a senhora vá até a radiologia e faça um raio-x do pé. Veremos então o que aconteceu.
–Descobri recentemente que estou grávida. Não vai fazer mal ao bebê? — omito, propositalmente, que descobri ontem. O médico não precisa saber disso.
–De fato há um risco. A gravidez é recente?
–Sim. Cerca de dois meses. — noto, pelo canto do olho, que Damon arregala os olhos.
–Então faremos um ultrassom.
Leva pouco mais de uma hora para tudo ser resolvido. O médico faz o exame, constata que foi apenas uma torção, receita um antiinflamatório e me encaminha para a área de imobilização. Não vou precisar engessar o pé, mas vou usar uma tala por quinze dias.
–Parece que alguém vai voltar à infância, andando no colo para todo lado. — tia Liz brinca comigo, tentando aliviar o clima dentro do carro na viagem de volta.
–Espero que as próximas duas semanas passem voando, tia Liz. Não sei se consigo ficar quieta por todo esse tempo. Ainda mais com uma criança em casa. A Mila é uma pipoquinha e a senhora sabe disso.
–Tenho certeza que daremos um jeito. Nem que eu tenha de amarrá-la à cama. — Damon se manifesta pela primeira vez desde que eu disse que estava grávida há dois meses.
Não respondo à ameaça dele. Ouço as portas do carro abrirem e fecharem e logo Damon me pega no colo novamente para me levar até o sofá da casa da minha amiga. Reviro os olhos, pensando nas próximas duas semanas sendo carregada pra todo lado.
E então mais uma vez escorre uma lágrima, por conta da incerteza sobre meu relacionamento. Será que eu poderei contar com Damon nas próximas duas semanas? Ou ele vai adiar o rompimento pra cuidar de mim uma última vez?
–Lena, você está chorando? É o pé? Tá doendo? — sua voz soa tão preocupada que me faz chorar de verdade.
Soluços extremamente altos escapam do meu peito e Damon me puxa pra perto, envolvendo os braços ao meu redor. Ele começa a sussurrar palavras reconfortantes em meu ouvido, tentando me acalmar. Quando finalmente os soluços diminuem, começo a explicar.
–Sei que você vai brigar comigo em algum momento. Ainda é cedo para termos outro bebê. Vou entender quando você for embora. Concordo que é muita pressão, mas, por favor, não adia sua decisão. Diga o que você tiver pra dizer e deixe-me sofrer em paz.
–Elena, eu...
–Querida, esquentei um pouco da sopa que você comeu ontem. Não te deixou enjoada e você deve comer antes de tomar o remédio. — tia Liz aparece na sala, interrompendo o que quer que Damon fosse dizer. — Elena, você andou chorando? Damon, o que foi que conversamos? Nada de deixar a Elena nervosa. Pode fazer mal ao filho de vocês.
–Foi você quem contou a ele, tia Liz? — perguntei. Minha voz tinha um tom de ultraje.
–Não. Descobri sozinho. — esclarece meu noivo.
–Como?
–Ontem, depois da reunião da empresa, cheguei a casa com muita dor de cabeça. Sei que você mantém um kit de primeiros-socorros em algum lugar da casa, mas também mantém aspirina na sua gaveta, por causa das enxaquecas. Quando fui pegar um comprimido, encontrei o envelope do laboratório e, como a Jia passou por lá e contou que estava preocupada por você ter passado mal, decidi saber o que estava errado e abri o envelope. Foi pura preocupação, mas o que eu li me deixou realmente assustado.
Tia Liz se aproxima, entrega a sopa para eu tomar, e diz que vai nos dar licença para conversarmos mais à vontade. Encaro Damon nos olhos e noto que a raiva que estava neles foi substituída por amor. Suspiro profundamente antes de começar a comer.
POV Stefan
Depois de resolver, ou pelo menos conter, o que pareceu o início da Terceira Guerra Mundial, respiro aliviado. Com a ligação histérica da minha mãe, corri até a casa onde cresci e encontrei o pandemônio. Havia vidro quebrado, gritos, discussão e caos. Os empregados nem ousavam aparecer.
–Alguém pode me dizer o que é que está acontecendo aqui? — grito ao chegar ao escritório do meu pai, onde ele, Damon e minha mãe discutem e trocam ofensas a plenos pulmões. — Parecem três selvagens trancados num mesmo quarto!
–Olha o respeito, garoto. Só porque estudou anos fora do país acha que tem o direito de falar assim com seu pai? Deserdo você se não mudar de atitude imediatamente!
–Certo. Agora, o que é que está acontecendo aqui? — pergunto novamente.
–Seu irmão perdeu o juízo de vez! Só me dá desgosto após desgosto. Por que Deus tinha de me punir deste jeito? Um filho que me orgulha e outro que sempre me envergonha. Com a história da primeira vez, romper um relacionamento tão bonito com a Carmélia, agora outra vez dizendo que vai ter um bebê com a filha dos empregados...
–Vocês são meus pais, sou sangue do seu sangue, mas não me lembro de ter pedido isso! Faz muitos anos que deixei de depender de qualquer um de vocês. Não preciso do seu dinheiro, dos seus bens, do seu carinho ou amor. Família? Vocês desconhecem esse conceito. Vim aqui tentar fazer as pazes com vocês, dar a chance de vocês se redimirem, de fazerem parte da vida da minha verdadeira família, mas vocês não merecem nem estar no mesmo lugar que elas. A única pessoa nesta casa que merece continuar na minha vida é o meu irmão, que fez por mim o que eu devia ter feito: deu amor à minha filha desde o início da gravidez da Elena. E, agora que ela está grávida novamente, não vou dar ouvidos a vocês. Ela merece que eu dê a vida por ela e por esse bebê. E se, um dia, algum de vocês ousar fazer algo contra aqueles que eu amo, eu vou até o inferno para fazê-los pagar.
–Damon, não faz isso, cara. Eles ainda são nossos pais, mesmo que não mereçam. Você pode se arrepender um dia. — apelo, enquanto sigo meu irmão pelos corredores.
–Eu deserdo você, Damon, e aquela mulherzinha interesseira que você pensa que ama, a tal Elena. Um dia, quando ela arrancar tudo o que você tem, não venha pedir perdão ou piedade. Você estará sozinho no mundo! — ao ouvir nosso pai, Damon se vira e retorna ao escritório. Tento impedir, mas sem sucesso.
–Não ponha o nome da minha noiva nessa sua boca imunda! Olhe ao seu redor e me diga se você realmente faz alguma ideia do que é o amor. Vocês dois me enojam. O único motivo de ainda estarem juntos é amor. Não um pelo outro, mas pelo dinheiro. Pelas boas relações. Pelo interesse na vida que só o dinheiro dá.
Damon termina de falar e, antes que qualquer um de nós perceba, mamãe está cara a cara com ele e lhe dá um tapa bem forte no rosto. Algo que nunca a vi fazer com nenhum de nós.
–Saia da minha casa. Agora! — sua voz é tão contida, tão baixa, que sinto um arrepio descer pela minha espinha e se espalhar por meu corpo todo.
Damon se vira e sai. Sigo atrás dele, a fim de evitar que meu irmão faça algo realmente estúpido.
–Damon, o que você pretende fazer agora?
–Procurar a Elena, resolver tudo, conversar com ela e finalmente viver com ela dá forma que eu desejo há quase sete anos.
–Você não pode encontrar com ela agora. Você está com raiva, exalando energia negativa e isso é tudo que ela não precisa agora. Se ela o vir assim, vai ficar nervosa e agitada e acabar parando no hospital. Sabe que ela já teve uma gravidez de risco. Não vá arrumar uma segunda. Ontem ela já estava nervosa o suficiente, com medo de contar a você e você abandonar ela sozinha com dois filhos.
–Eu nunca sequer cogitaria abandonar novamente a mulher que eu amo. Seis anos dessa experiência foram suficientes, não? Certamente eu entraria em uma depressão profunda se perdesse qualquer um deles.
–Assim como a Elena, se perder você. Façamos assim: a Car ficou com meu carro de manhã. Por que você não me leva até a casa dos pais dela, eu tiro minha noiva e minha sobrinha de casa, você dá umas voltas pela cidade e, quando estiver de cabeça fria, volta até lá e conversa mais à vontade com ela?
–Concordo com você. Talvez seja realmente melhor eu me acalmar antes de procurá-la. Obrigada, irmão.
–Ah, antes que eu esqueça, Caroline teve a brilhante ideia de casarmos juntos. Um casamento duplo.
–Seus pais não vão comparecer à cerimônia.
–Desde que vi as barbaridades que eles fizeram, não sei se realmente apreciaria a presença deles, de qualquer maneira. Só não conte à Elena quando vocês se acertarem, tudo bem? Caroline deve querer fazer a proposta ela mesma. E você sabe que ela te cortaria em pedacinhos se você estragasse a surpresa dela.
Isso faz meu irmão rir, e fico feliz por ele.
–É claro que eu gostaria de me casar com a Elena na mesma cerimônia que você e a Car. Seria uma honra casar no mesmo dia que meu irmãozinho. Mas dessa forma, como eu posso ser seu padrinho? E você o meu?
–Como disse minha noiva, "Com certeza daremos um jeito" ou algo parecido.
–Eu amo minha cunhada. Ela é realmente uma mulher incrível!
–Ei! Contente-se com a sua noiva e deixe a minha em paz! – brinco.
Damon ri novamente e dessa vez me junto a ele. Ligo o rádio de seu carro e está tocando uma música que costumávamos cantar juntos quando crianças.
Quando chegamos à casa da minha noiva, Damon está bem melhor, mas ainda consigo notar como a briga o afetou. Os nós de seus dedos estão muito brancos por conta da força com que ele segura o volante e seus olhos ainda contêm toda a raiva reprimida.
–Vá. Relaxe. Compre alguma coisa pro bebê. Compre um presente para sua noiva. Faça uma surpresa. Só não complete o enxoval sem ela. Sei que por baixo de toda essa raiva e dessa tristeza causadas pela briga, tem muita felicidade e empolgação aí dentro por causa do bebê. Sei que compras costumam ser passatempo de mulher, e a Car vai me matar pelo primeiro presente ser seu e não dela, mas parece que você está mesmo precisando.
–Obrigado novamente, Stefan. Não sei o que seria de mim sem meu irmão mais novo. Quem é que teria aberto meus olhos para tudo o que perdi? E obrigado também por casar com a melhor amiga da Elena e trazer ela de volta pra mim. Você me salvou de mim mesmo e dos Salvatore.
–Para com isso. Você ainda é um Salvatore.
–Não desde que seu pai vai me deserdar. Mas eu não me importo de não ser mais dessa família. Acho que vou adotar a família Gilbert. Eles sim sabem dar valor uns aos outros.
–Bom, boa sorte. Agora vai, garoto! E só apareça quando se sentir realmente bem. Ou vamos ter problemas.
–Certo, chefe! — Damon bate continência, nós rimos juntos novamente e então ele arranca com o carro.
Depois de convidado a entrar na casa, Caroline diz que vai se arrumar e logo está de volta. Elena vai arrumar a filha enquanto espero pacientemente e converso com minha sogra.
–Elena ainda está tão nervosa quanto ontem à noite?
–Ela parece mais calma e menos enjoada hoje, mas não sei se já está pronta para confrontar o Damon. Isso pode ser perigoso, ela ainda está nos primeiros meses. Quando descobriu a Mila, o primeiro trimestre já tinha passado e os riscos eram um tanto menores. Agora não tenho certeza.
–Bom, espero que ela não permaneça nervosa. Damon já sabe sobre a gravidez. Como ele descobriu, não tenho certeza, mas que ele sabe, ele sabe. Quando fui até a casa dos meus pais essa manhã, eles estavam discutindo a plenos pulmões. Os empregados estavam assustados.
–E o motivo da discussão era...?
–Damon tentou dar uma chance àqueles dois cabeças-duras e fazer as pazes, deixá-los participar da vida dele, da mulher, da filha e agora do novo bebê. Mas eles simplesmente surtaram à menção de outro filho dele com a “filha da empregada” — faço aspas com os dedos. — Disseram que ela quer dar um golpe e que vai arrancar tudo dele. Meu irmão não aguentou e acabou dizendo umas verdades que não agradaram.
–Imagino que sua mãe não tenha reagido nada bem. — minha sogra comenta.
–Não. Ela ficou com tanta raiva que falou baixo e com uma calma que me deixou arrepiado de medo. E então ela lhe deu um tapa no rosto.
Tia Liz arfa e cobre a boca com ambas as mãos. Depois torna a descansá-las no colo. Começa a dizer alguma coisa, mas Elena, Mila e Car aparecem no topo da escada. Minha noiva se despede da amiga e da mãe. Noto que ela sussurra alguma coisa e a mãe responde. Mila beija a bochecha de Elena e então corre em minha direção.
Assim que saímos, Mila pergunta:
–Tio, podemos ir ao parque?
Havia um parque enorme na cidade há cerca de um mês, e eu já havia prometido à minha sobrinha que a levaria na primeira oportunidade.
–Claro, meu amor. Deixe-me adivinhar qual vai ser o primeiro brinquedo...
–O carrossel! — dizemos os três em uníssono.
–Eu já posso ir sozinha, tio. Sou uma mocinha agora.
Ainda faltam alguns meses pro aniversário de seis anos da Mila, mas ela é um pouco maior do que a maioria das crianças da idade dela.
–Eu e sua tia ficaremos do lado de fora, de olho em você.
Chegamos ao parque, compramos as entradas e nos dirigimos imediatamente ao carrossel. Enquanto Mila se divertia, contei a Caroline sobre a briga desta manhã.
–Então estávamos certos sobre o Damon. Ele precisou desses seis anos pra finalmente amadurecer e agir como um homem responsável, pai de família. Estou orgulhosa do meu cunhado.
–Contei a ele sua ideia. E ele fez um elogio parecido. Disse a ele, brincando, claro, que sossegasse com a noiva dele e deixasse a minha em paz. — ela faz uma careta. — Também pedi que não contasse a Elena. Disse que você gostaria de fazer isso e avisei que você o cortaria em pedacinhos se ele estragasse a surpresa.
Continuamos a conversar e nos divertir durante a tarde, parando para lanchar e comer porcarias que não comemos em casa. Fomos embora pouco depois de escurecer.
Ao chegar à casa dos meus sogros, somos surpreendidos.
–Mãe? Onde está a Elena?
–Damon a levou para casa, para terem um pouco mais de privacidade. — ela pisca de forma sugestiva para nós. — Pediram que eu desse o recado de que virão buscar a filha pela manhã. Agora venha, querida. — ela chama a Mila. — Vamos estragar você um pouco mais antes de devolvê-la aos seus pais.
POV Damon
Depois que Elena terminou de tomar a sopa e os comprimidos, dei a ela um tempo para organizar os pensamentos. Assim que ela estivesse confortável, conversaríamos.
–Quando você chegou, eu fiquei assustada. Não me sentia pronta pra contar. Estava com medo de que você...
–Eu nunca mais vou sair de perto de você. Nunca. Amo você e amo nossos filhos. Os últimos seis anos foram um inferno na minha vida. Nunca me senti tão desprezível quanto no dia em que descobri que vocês haviam ido embora. E saber que você estava com o Jace me fez sentir pior.
–Eu não vou dizer que fui infeliz naquela época, porque o Jace fazia o possível e o impossível para satisfazer a mim e à Mila. Mas não era ele quem eu realmente amava. Ao mesmo tempo que eu só pensava em você, eu o odiava. O que você fez me magoou muito. Como eu já disse, eu perdoei você, mas o que passou sempre vai ser uma parte importante da nossa relação. Lembrar o erro do passado é aprender para o futuro.
–Quem me manteve na linha, me manteve são, foi a Car. Se ela não tivesse me contado muitas das coisas importantes que aconteceram com vocês duas, eu teria perdido a cabeça. Meu segundo maior medo, depois de achar que você nunca voltaria, era que vocês tivessem filhos. Seria como uma prova, uma consumação do amor de vocês. Mas isso não aconteceu. E então o Stefan voltou e anunciou o casamento com a sua melhor amiga e a partir de então eu comecei a ter esperança novamente.
–Quando a Car me convidou a voltar e ser madrinha do casamento dela, eu recusei. Sabia que ela não ia me perdoar, mas não podia correr o risco de encontrar qualquer um dos Salvatore. Mas a Car foi esperta. Ela não mencionou, em Phoenix, quem era o noivo. Disse que era uma surpresa e que eu ia amar. Jace me convenceu a vir. Disse que a probabilidade de encontrarmos alguém da sua família era mínima. E então chegamos e descobrimos que Stefan era o tal noivo misterioso. Confesso que sofri em silêncio quando reencontrei você. Estava tão confusa.
–E então eu beijei você é piorei tudo. Eu estava com a Carmélia, apesar de não ser mais do que uma amizade, você estava com o Jace, todos queríamos esquecer o que aconteceu há seis anos... Desde que reencontrei vocês duas, disse toda a verdade. Eu realmente só amei você na minha vida. Nunca sofri tanto. Ver você e Jace juntos era pior que tudo. Doía saber que você estava feliz longe de mim. Resolvi me empenhar de verdade para reconquistar você.
–E decidiu começar com a sua filha. — começamos a rir. — Quando você se aproximou da Mila e fez carinho nela, na cozinha, naquela noite, tive medo de que você resolvesse dizer alguma coisa a ela. Ela tinha acabado de ter um pesadelo, você tinha me beijado na biblioteca horas antes e era óbvio que tinha mexido comigo, já que eu estava ali, acordada. Não sei se você sabe, mas o pesadelo dela foi...
–Um sonho em que uma mulher feia contava a ela que os Herondale não eram avós dela e que os verdadeiros avós dela a jogariam fora. Eu ouvi ela te contando na manhã seguinte. Naquela hora me senti pronto para contar toda a verdade. Mas a Carmélia me impediu e disse que aquela ainda não era a hora. E foi então que eu consegui mais uma pessoa pra me ajudar a te reconquistar.
–Eu não fazia ideia de que você sabia. Naquela manhã, precisei tirar a Mila da mansão imediatamente. A energia ruim fluindo dos seus pais em nossa direção afetou tanto nossa filha que ela teve o primeiro pesadelo em anos. Só tinha acontecido quando ela começou a dormir sozinha no quarto dela.
–Se eu soubesse, tinha dado um jeito de amenizar as coisas. Distraído meus pais, levado eles pra jantar... Qualquer coisa para tirá-los de perto da nossa menina. Mas agora já passou e tudo o que posso fazer é com que a vida de vocês duas seja a melhor daqui em diante. E também é claro, desse bebê. Eu já o amo tanto. Assim como amo as duas mulheres mais importantes da minha vida.
–Nós também o amamos muito. Sempre lembre-se disso.
Puxo minha noiva para mais perto e beijo-lhe apaixonadamente. Ficamos namorando no sofá durante algum tempo, até o clima esquentar demais. Aproximo os lábios de seu ouvido e sussurro:
–Acho melhor irmos para a cama. Vai ser mais confortável.
Elena assente e então levanto. Pego-a no colo, não só por conta de seu pé machucado, mas para tornar o momento mais romântico. Deito-a sobre a cama ao chegarmos a nosso quarto e volto até o interruptor, diminuindo a luz para uma iluminação suave.
Volto para a cama e me ajoelho no chão, ao lado do corpo de minha noiva. Levanto sua blusa e começo a dar leves beijos de adoração em sua barriga, que já começa a mostrar sinais da gravidez. Olho para seu rosto e noto que ela está sorrindo, mas seus olhos estão marejados. De repente sinto vontade de tirar uma foto dela e emoldurar esse momento para a eternidade. Sem que ela perceba, pego o celular no bolso da calça enquanto continuo a beijar sua barriga. Elena só percebe o que estou fazendo quando o flash dispara em seu rosto.
–Por que você está tirando fotos agora, meu amor? — pergunta ternamente.
–Estou registrando esse momento para a eternidade. Para poder olhar em seu rosto e ver a expressão que você estava quando eu demonstrei pela primeira vez o amor pelo nosso próximo filho.
Ela sorri ainda mais e me puxa para mais um beijo de tirar o fôlego. Começo a tatear seu corpo, em busca do cós de seu short. Continuo beijando-a enquanto tiro suas roupas e ela faz o mesmo comigo. Assim que estamos ambos nus, tiro meus lábios dos seus e desço os beijos para seu pescoço. Continuo trilhando para baixo, mas, antes que eu chegue a sua intimidade, Elena me impede.
–Por favor. Não me tortura.
Subo novamente os beijos e uno nossos corpos em um. Faço movimentos lentos e firmes, não por medo de machucá-la ou ao bebê, mas para prolongar o prazer. Não leva muito tempo para Elena chegar ao clímax pela primeira vez. Seu corpo mais sensível devido à gravidez.
Fazemos amor durante boa parte da tarde e no início da noite. Ficamos mais um tempo deitados, curtindo um ao outro e a paz que nos cercava. Jia apareceu em certo momento, perguntando se desejávamos alguma coisa e Elena respondeu que estava com fome. Mas que Jia estava dispensada, pois ela estava com desejo de comer algo fora.
–E o que meus amores querem comer esta noite?
–Pizza. Pepperoni com catupiry e de sobremesa banana com mussarela e chocolate.
–Certo. Até que não é nada muito assustador. — eu começo a rir e, depois de alguns segundos fazendo careta, Elena me acompanha.
–Venha, meu amor. Vamos tomar um banho para sair. Devíamos chamar a Car e o Stefan com a Mila. Ela não vai nos perdoar se souber que comemos pizza sem ela.
Tomamos banho, nos arrumamos, Elena liga para a melhor amiga e nos encontramos numa pizzaria na cidade. Temos uma noite incrível e divertida, como eu não tinha há muito tempo. Sinto-me feliz e completo ali, com minha noiva grávida, minha filha, meu irmão e minha cunhada. É como se eu não precisasse de mais nada para ser feliz.
Fale com o autor