Past Dreams
19 Capítulo 17 - Together again?
Notas iniciais
Caroline
Estava parada embaixo de um toldo em frente ao estacionamento do centro comercial. Observava a chuva que caia cada vez mais forte. Dava para entender porque uma árvore tinha caído no meio da estrada. Acho que nunca vi uma tempestade tão grande aqui em Atlanta.
– Tia Car, está chovendo tanto – Mila estava no meu colo, abraçando com bastante força o meu pescoço – Eu estou com medo.
– Não precisa ter medo, meu anjo – dei um beijo no topo da cabeça da minha afilhada – É só chuva, daqui a pouco vai passar.
– Queria que a minha mãe estivesse aqui comigo – admitiu – Ela sempre sabe o que fazer quando está chovendo.
– Eu sei disso, mas a sua mãe ficou presa lá no haras – tentei explicar – E agora nós não podemos chegar lá porque a estrada está bloqueada.
– Ela vai ficar bem lá sozinha? — quis saber.
– Ela não está sozinha, Mila, o Damon também está lá – lembrei – Tenho certeza de que ele vai cuidar bem da sua mãe.
E disso eu tinha total certeza. Talvez isso tenha sido uma coisa boa, agora que estamos impedidas de chegar ao haras, e Damon e Elena não podem sair de lá, há uma chance maior dos dois se acertarem e eu quero muito isso.
– Minha mamãe não parece gostar tanto assim dele – disse – Ela sempre fica um pouco estranha quando ele está por perto.
– Não é que ela não goste dele, só fica preocupada por não vê-lo há muito tempo e não saber como ele está agora – não sabia se isso tinha sido convincente, mas foi a melhor desculpa que eu consegui.
Foi nesse momento que Carmélia voltou e não pude deixar de suspirar aliviada, todo aquele “interrogatório” estava me deixando totalmente tensa.
– Já mandei uma mensagem para o celular do Damon avisando que vamos ficar lá em casa hoje a noite esperando a estrada ser desbloqueada, assim eles não ficam preocupados – avisou – Acho que podemos ir, não é mesmo?
– Claro – concordei com a cabeça.
Abri o guarda-chuva para não me molhar nem molhar a Mila e corremos em direção ao meu carro. A casa onde Damon e Carmélia moram não fica tão longe e levamos poucos mais de dez minutos para chegar lá.
– Uau, que casa linda! — minha afilhada comentou no momento em que entramos na sala.
– Obrigada, Mila! — ela sorriu – Sabe, eu decorei quase tudo que tem nessa casa, menos o escritório do Damon, é claro, ele não me deixa nem ao menos entrar naquele local.
– Homens e seus escritórios, vai entender – revirei os olhos – Carm, eu preciso ligar para o Stefan e para o Jace avisando que não conseguiremos voltar para Atlanta hoje, mas a bateria do meu celular acabou, será que eu posso usar o telefone fixo?
– Claro que pode, Caroline – afirmou – O telefone fixo fica ali, no móvel da televisão, pode pegá-lo.
– Tia Car, eu estou com fome – Mila afirmou colocando a mão sob a barriguinha.
– Espera só eu ligar para o tio Stef e para o seu pai – pedi – Depois eu vejo alguma coisa para você comer, tudo bem?
– Se você quiser, eu posso fazer um sanduíche para ela enquanto você liga – Carmélia avisou – E sabe, Mila, na geladeira tem um pudim de chocolate maravilhoso. Você gosta de pudim de chocolate?
– Gosto sim! — afirmou com a cabeça.
– Então vamos até lá – segurou a mão de Mila e as duas foram em direção a cozinha.
Peguei o telefone e liguei, primeiramente, para o Stefan, para ele poderia contar exatamente o que estava acontecendo. Claro que quando eu disse para o meu noivo que o irmão dele e nossa melhor amiga tinham ficado sozinhos no haras ele ficou todo animado, também estava torcendo para esses dois consiguirem se acertar.
Quando desliguei, fiz mais uma ligação, dessa vez para a casa dos Herondale. Depois de três toques, alguém atendeu.
– Residência dos Herondale, Stephen falando – ouvi a voz do pai do meu amigo.
– Oi, tio, aqui é a Caroline – como eu, Stefan, Lena e Jace crescemos juntos, sempre tivemos o costume de chamar os pais dos nossos amigos de tio e de tia, e acho que nunca perderíamos essa mania – Será que eu posso falar com o Jace?
– Mas é claro, Caroline – afirmou – Espera só um minutinho que eu vou chamá-lo – ouvi o barulho do telefone sendo colocado em cima de alguma coisa, sinal de que ele tinha se afastado do aparelho para poder chamar o filho.
Sentei no sofá e fiquei esperando que Jace viesse falar comigo.
– Car! – depois de alguns minutos ouvi a voz dele do outro lado da linha – Está tudo bem com a Lena e a Mila? Começou a chover aqui agora, não sei onde fica o haras, mas imagino que ai esteja chovendo também.
– Está tudo bem com as duas, Jace, pode ficar tranquilo – garanti – Mas foi por causa da chuva que eu te liguei, caiu uma árvore e bloqueou a estrada, vamos precisar dormir aqui hoje.
– Tudo bem, então – comentou – Mas porque a própria Elena não ligou ela mesma? Onde ela está?
– Está na cozinha com a Mila procurando alguma coisa para a senhora Penhallow preparar – tentei explicar – Você sabe como a Mila é, ficou dizendo que estava com fome e não sossegou até a Elena levá-la até lá.
– Certo! – deu um longo suspiro – Você tem certeza de que só estão vocês três ai, não é mesmo?
– Claro, nós três e o senhor e a senhora Penhallow que cuidam do haras – respondi – Por que eu mentiria para você sobre isso, Jace?
– Eu sei que esse haras é do Damon – continuou – Como eu posso ter garantias de que ele não está ai também?
Não pude deixar de revirar os olhos, Jace conseguia ser mesmo muito desconfiado quando queria, embora ele tenha mesmo motivos para desconfiar, até porque essa é a verdade. Preciso arranjar uma desculpa para deixá-lo tranquilo.
– Damon quase não vem aqui, para falar a verdade, eu nem sei por que ele comprou esse haras – falei – Ele deixou todas as chaves comigo para que eu pudesse planejar o casamento, sem nenhuma interferência.
– Se você diz – foi tudo que ele comentou, por fim.
– Agora eu preciso ir, Jace – completei – Amanhã, assim que a estrada estiver desbloqueada vamos voltar para a cidade.
Desliguei e fui até a cozinha. Carmélia estava colocando um queijo quente na frente de Mila juntamente com um copo cheio de limonada. Minha afilhada começou a comer imediatamente.
– Só pelo cheiro parece estar muito bom – comentei enquanto me sentava do lado dela.
– Se quiser eu posso preparar um para você agora mesmo – Carm avisou.
– Não precisa – garanti – Para falar a verdade eu não estou muita fome, comi alguma coisa no haras.
Quando Mila terminou o seu sanduíche ela também comeu o pudim. Percebi que ela estava ficando com sono.
– Carm, acho melhor arranjar um local para eu e a Mila dormimos hoje – lembrei.
– O quarto de hóspedes está sempre arrumado, podem ficar por lá – avisou – Tem só uma cama de casal, espero que não se importe com isso.
– Claro que não me importo – garanti – Vamos Mila? Você está precisando dormir um pouco.
– Tudo bem, tia Car – concordou com a cabeça enquanto se levantava – Espera ai, eu conheço essa foto.
Correu na direção da geladeira aonde tinha uma foto presa por um imã. Era a foto em que Stefan estava segurando ela quando tinha poucos meses de vida.
– Sou eu nessa foto com o tio Stef, não é mesmo? — tudo que pude fazer foi afirmar a cabeça afirmativamente – Por que tem uma foto minha antiga aqui?
Dei uma rápida olhada para Carmélia pedindo algum tipo de ajuda, mas ela simplesmente deu de ombros, dizendo que não tinha ideias. Mila estava começando a ficar impaciente e batia os pés no chão. Era igualzinha a Elena nesse quesito.
– Bom..., Mila – comecei, calmamente – Você sabe que o Damon e o Stefan são irmãos, não é mesmo? — concordou com a cabeça – Acontece que antes de se mudarem para Phoenix, seu avô e sua avó trabalharam para a família Salvatore e sua mãe e seu tio Jer cresceram lá.
– Sério? — me olhou confusa – Mamãe nunca me contou isso.
Sei que minha amiga não queria que a filha soubesse de nada a respeito da família Salvatore e isso incluía o fato de que os pais trabalharam lá e ela morou naquela mansão até os 16 anos. Mas eu não tive muita escolha quanto a isso, depois a Elena pensa em algo para contornar isso.
– Durante esse tempo eu, sua mãe, seu pai e o seu tio Stefan fomos os melhores amigos, o Damon era um pouco mais velho, mas viu todos nós crescermos – continuei – Ele viu sua mãe quando estava grávida de você e quando soube do seu nascimento ele pediu uma foto para poder vê-la.
– Entendo! — ela ficou olhando para foto, não sei se tinha conseguido convencê-la, mas foi a melhor desculpa que eu consegui arranjar.
Levei Mila para o quarto de hóspedes e não demorou muito para ela dormir. Voltei para a cozinha e Carmélia estava lavando a louça, perguntei se queria ajuda, mas ela negou, então me sentei em uma das cadeiras.
– Sabe, foi muito legal você ajudar o Damon com a Elena, deixando os dois sozinhos lá no haras e tudo mais – comentei – Não são todas que fariam algo assim, mesmo sendo um namoro de mentira.
– Damon é meu amigo e quero que ele seja feliz – explicou – Sei o quanto ele ama a Elena, os dois merecem essa segunda chance.
– Pode ter certeza de que eles merecem – concordei.
– Espero que um dia eu encontre um cara que goste tanto de mim quanto o Damon da Elena – admitiu – Esse tipo de amor hoje em dia é raro, fora eles dois eu só conheço você e o Stefan.
Não pude deixar de sorrir, eu sei muito bem o quanto isso é raro e admito que sou muito feliz por ter o Stefan na minha vida.
– Tenho certeza de que você vai encontrar – afirmei.
Damon
Elena não demorou muito para voltar. Ela estava usando uma camisa preta que deixei aqui uma das vezes em que vim até o haras e precisei trocar de roupa, pois tinha me sujado de lama, a senhora Penhallow deve ter lavado e guardado no armário.
Era uma peça de roupa meio antiga, daquelas que eu só usava para vir até aqui, mas tenho que admitir que ficava muito bem nela. Como ela é mais baixa do que eu, estava batendo na metade da sua coxa, algo que, eu tinha de admitir, era extremamente sensual.
– Encontrei uma gaveta cheia de camisas suas e peguei uma – explicou, seu rosto estava vermelho de vergonha – Espero que não se importe.
– Mas é claro que eu não me importo, Lena – garanti – Fica muito bem em você, pode ficar com ela, se quiser.
– Engraçadinho – fez uma careta para mim.
– Esqueci de te falar, vamos ter que ficar aqui – avisei — A Carm acabou de me mandar uma mensagem, uma árvore bloqueou a estrada para cá, mas não se preocupe, ela, a Car e a Mila estão seguras lá em casa.
– Então está bem – foi tudo que disse antes de cruzar os braços.
Alguém bate à porta.
– Com licença, senhor Salvatore – era a senhora Penhallow – Estou preparando um pouco de macarrão com molho de tomate, caso estejam com fome.
– Obrigado, Jia – agradeci antes de me virar para Elena – Você está com fome, Lena?
– Para falar a verdade estou com um pouco de fome, sim – afirmou.
– Assim que a comida estiver pronta eu venho avisar a vocês – a mulher completou antes de virar para voltar à outra casa.
– Ela é mesmo um amor de pessoa – comentou enquanto se sentava ao meu lado.
– Sim, os Penhallow são ótimas pessoas – concordei – Não poderia ter escolhido pessoas melhores para cuidarem do haras para mim. Talvez os seus pais, mas eles decidiram ir embora junto com você e nunca mais apareceram.
Elena apenas ficou encarando as próprias mãos em cima do colo, talvez não tenha sido uma boa ideia tocar nesse assunto.
– Sabe, ainda não acredito que você comprou um haras – mudou de assunto – Quero dizer, é um haras... Nem consigo imaginar o trabalho que isso deve dar.
– Um pouquinho, eu admito – ri – Mas eu fiz isso por você. Eu te prometi aquele dia que ia comprar um haras para você e foi o que eu fiz – coloquei a mão sobre a dela – E ficaria muito feliz que você viesse cuidar dos cavalos quando se formasse em veterinária.
– Quanto a isso nós temos um problema – continuou – Eu não estou fazendo veterinária e sim Serviço Social.
– Como assim? — a olhei totalmente confuso – Quero dizer, você me disse que seu sonho era fazer veterinária, o que te fez mudar de ideia?
– Você me fez mudar de ideia – fiquei mais confuso ainda – É que depois que eu te contei o meu sonho e fizemos planos sobre nos casar e morar em um haras de tudo mais, essa era uma coisa nossa e decidi não seguir em frente. Nunca pensei que você fosse mesmo comprar um haras.
Fiquei quieto de repente, nunca pensei que ela fosse capaz de desistir do seu sonho de ser veterinária por minha causa. Foi impossível não me sentir culpado nesse momento.
– Não sabia exatamente o que fazer, então me lembrei de todas as mães solteiras que não tem o pai da criança para apoiá-las e escolhi o curso de Serviço Social – deu de ombros enquanto falava – Atualmente estou fazendo estágio em uma ONG lá em Phoenix que ajuda essas garotas, é um trabalho muito bonito e fico feliz em participar.
– É mesmo um belo trabalho – quanto a isso eu tinha que concordar – Espera, quer dizer que vocês estão morando em Phoenix agora?
– Isso mesmo, agora você já sabe – revirou os olhos – Mas não tem problema, já que estamos começando a nos acertar.
– Não sabe o quanto eu estou feliz por ouvir isso – passei a mão pelo seu rosto e a puxei para mais perto de mim.
Beijei-a mais uma vez e ela correspondeu sem nem ao menos pensar duas vezes. Poderia ficar ali daquela maneira pelo resto da vida, mas sei que ainda precisamos esclarecer várias coisas.
– Olha, Lena, sei que as coisas já estão boas e você me perdoou por tudo que aconteceu – falei quando nos separamos – Mas eu quero te explicar porque eu fiz tudo aquilo há seis anos.
– Tudo bem, Damon, você pode explicar – ajeitou-se melhor no sofá para poder me ouvir.
– Você estava certa. Quando me contou que estava grávida eu fiquei mais do que feliz – continuei – Apesar de não ser a melhor época, termos começado a namorar tinha pouco tempo e, é claro, você só ter 16 anos, estava radiante com a ideia de ser pai. Tudo que eu conseguia pensar era em ter uma vida feliz com você e o nosso bebê, mas queria que meus pais também aceitassem isso.
Coloquei uma mecha de cabelo atrás da sua orelha antes de voltar a falar.
– Sabia que não seria fácil para os meus pais aceitarem que eu estava namorando a filha da nossa empregada e do nosso motorista, mas isso não diminuía nem um pouco tudo que eu sentia e sinto até hoje por você – fechei os olhos, sei que aquelas lembranças eram dolorosas para ela e são para mim também – Mas então a reação deles foi pior do que eu imaginava e quando meu pai disse que eu tinha que escolher ente você e o bebê ou a minha herança, aquilo foi demais para mim.
Percebi que os olhos de Elena estavam cheios de lágrimas e passei o dedo polegar sob eles tentando secar o seu rosto.
– Sei que você vai dizer que não precisávamos disso, que poderíamos nos virar sem a ajuda dos meus pais – expliquei – Mas eu não consegui pensar nisso na época. Eu trabalhava com o meu pai e depois de me deserdar era mais do que óbvio que ia me demitir, também sei que ele seria capaz pagar todos os escritórios da cidade de Atlanta para que ninguém me empregasse. Nós tínhamos um bebê a caminho e eu precisava sustentar vocês duas de alguma maneira.
– Talvez você tenha razão sobre isso – concordou – Não consegui pensar dessa maneira, me desculpa...
– Espera, Lena, deixa eu terminar – pedi, colocando os dedos sobre os seus lábios – Eu disse aquelas coisas para os meus pais acharem que eu não queria ficar com você, mas meu plano era te mandar para outra cidade longe de Atlanta, alugar um bom apartamento para você e para a nossa filha, pelo menos até as coisas esfriarem. Sei que foi uma atitude covarde, mas foi tudo que eu consegui pensar na época.
– Damon, eu... — disse, mas eu a interrompi, mas uma vez.
– Quando você sofreu aquele acidente e me expulsou do seu quarto no hospital, percebi que tinha feito uma grande burrada, ou, pelo menos, devia ter conversado com você antes de ter feito qualquer coisa – meu tom de voz era calmo – Pedi para Caroline me dar notícias suas enquanto estivesse na casa dela, mas quando ela me contou que você estava se mudando com o Jace e aceitou que ele assumisse o bebê, eu me senti horrível. Jamais consegui admitir que minha filha seria uma Heroína, não uma Salvatore.
– É Herondale, Damon, não Heroína – tentou ficar séria, mas não conseguiu deixar de sorrir – E eu só aceitei isso porque Jace é meu melhor amigo e estava sendo um fofo me propondo isso, não queria que minha filha crescesse sem um pai, mesmo não sendo o pai biológico dela. Mas, se você quer saber, ele a assumiu, mas não deixei que colocasse o sobrenome Herondale nela, Mila é uma Gilbert.
– Confesso que fico um pouco mais aliviado com isso – admiti – Sabe Lena, não teve um dia nesses últimos seis anos que eu não tenha pensado em você e na Mila. Eu enchi tanto a coitada da Caroline que ela acabou me dando uma foto da Mila.
– Ela me contou – sorriu – Sei que isso não vai apagar esses seis anos, mas quero que você esteja presente na vida da nossa filha a partir de hoje.
– Nada vai me deixar mais feliz – afirmei – E também quero dar o meu nome para a Mila, assumi-la como minha filha.
– Espere um pouco senhor apressadinho – me interrompeu – Ainda preciso conversar com o Jace sobre isso. E desmanchar o noivado, é claro.
– Eu sei! — claro que eu quero ficar com ela, mas não podemos ficar juntos enquanto ela não tiver resolvido a situação com o Heroína – Eu já te esperei por seis anos e espero mais o tempo que for preciso.
Ela se inclinou e me deu um selinho rápido nos lábios. Foi nesse momento que a senhora Penhallow gritou do lado de fora.
– Senhor Salvatore, a comida já está pronta!
Abri a porta para pegar o pote com macarrão que ela trouxe e agradeci. Então fomos para a cozinha, a macarronada estava mesmo deliciosa e não deixamos sobrar nada. Depois voltamos para a sala e ficamos assistindo televisão, Elena devia estar exausta, pois dormiu poucos minutos depois com a cabeça no meu colo.
Elena
Quando acordei já estava claro do lado de fora, apesar de ainda estar nublado, tinha parado de chover. Percebi que estava deitada na cama do único quarto que estava mobilhado na casa, Damon deve ter me trazido para cá depois de dormir e, a julgar pelo lençol bagunçado ao meu lado, ele passou a noite aqui comigo.
Eu me levantei na mesma hora em que ele apareceu segurando um copo com um líquido alaranjado dentro.
– Bom dia! — sorriu ao me ver – Trouxe uma vitamina de mamão, banana, maçã, aveia e um pouco de mel, lembro que é o seu favorito.
– É mesmo! — disse enquanto pegava o objeto da sua mão – Obrigada.
– O senhor Penhallow foi até o mercado assim que amanheceu e a estrada já está desbloqueada – explicou – Daqui a pouco as garotas já devem estar aqui.
– Então é melhor eu trocar de roupa antes disso – avisei depois de tomar um gole da vitamina.
– Vou deixar você trocar de roupa – apesar de saber que ele já me viu sem roupa mais de uma vez ele não quis ficar no quarto, achei isso fofo da parte dele.
Depois de colocar a mesma roupa do dia anterior, que a senhora Penhallow gentilmente lavou e secou, penteei os cabelos e terminei o meu “café da manhã” antes de ir para a sala. Damon estava no sofá mudando os canais da televisão rapidamente.
– Aqui estou! — sentei ao lado dele e coloquei o braço no seu ombro – Será que conseguiremos passar um pouco mais de tempo juntos antes delas chegarem?
– Talvez, embora o tempo não seja suficiente – segurou o meu rosto – Queria tanto passar o resto do dia com você.
– Eu sei, Damon, tenha só mais um pouco de paciência – pedi – Logo nós poderemos ficar juntos sem nenhuma interferência.
Ele me beijou mais uma vez, agora um pouco mais demorado. Quando nos separamos eu fiquei encarando ele por alguns instantes.
– O que houve? — quis saber.
– Só estava pensando como vai ser quando você contar para os seus pais que estamos juntos novamente e que você vai assumir a Mila – resolvi expressar tudo que estava na minha cabeça – Eu sei que nós duas somos um assunto proibido na casa deles e pode te causar algum tipo de problema.
– Já disse que não estou nem ai para a opinião dos meus pais – garantiu – Vou ficar do lado da mulher que eu amo e da minha filha, não importando o que eles pensem sobre isso.
Era muito bom ouvir aquilo, mas será que Damon vai continuar pensando assim se os pais dele ameaçarem deserdá-lo novamente? Sei que ele explicou os motivos para fazer o que fez há seis anos, mas eu tenho motivos para me preocupar. Será que eu vou ser mesmo capaz de acabar com o meu relacionamento estável com o Jace para me arriscar ao lado do homem que eu amo mesmo sabendo que posso sair magoada mais uma vez?
Ele colocou a mão na minha nuca e me puxou para mais um beijo e todos os meus problemas se esvaíram da minha mente, pensaria sobre isso uma outra hora, agora vou apenas aproveitar.
– Chegamos! — a voz de Caroline fez com que nos separássemos. Ela, Carmélia e Mila entraram na casa.
– Mamãe! — Mila correu na minha direção e eu a peguei no colo – Que saudades eu estava de você.
– Eu também, minha princesinha – dei um beijo no seu rosto – Você obedeceu a tia Car e a Carmélia?
– Sim! — balançou a cabeça afirmativamente.
– Ela se comportou muito bem mesmo – minha amiga afirmou – Ela comeu e depois foi dormir quase que imediatamente.
– Isso é muito bom – concordei.
– Lena, acho melhor irmos embora – Car pediu – Combinei de ir almoçar com o Stefan hoje, somente nós dois e ainda preciso passar na casa dos meus pais.
– Tudo bem, vamos sim! — respondi.
– Nós também precisamos ir, Damon — foi a vez de Carmélia falar – Lembra que meus pais e a Kath vão passar lá em casa hoje para almoçar?
– Sim, verdade, vamos – afirmou.
Mesmo sabendo que os dois são somente amigos e que o namoro dos dois é somente de fachada, foi impossível não sentir ciúmes. Eles parecem tão entrosados, como uma verdadeira família.
– Antes de irmos! — se virou para mim – Mila, será que você pode me dar um abraço de despedida? — estendeu os braços na sua direção.
– Claro! — disse, mesmo parecendo confusa.
Coloquei minha filha no chão e ela foi na sua direção, Damon a abraçou com bastante força e não a soltou por um instante. Era impossível não se emocionar com aquela cena, estava me segurando para não chorar.
– Depois nós nos falamos – sussurrou para mim enquanto se despedia de mim.
A estrada de volta estava bem tranquila e passamos a maior parte do tempo em silêncio. Até mesmo Mila estava concentrada na paisagem do lado de fora, totalmente quieta.
– Então, Lena, me conta como foi ontem? — Caroline quis saber de repente.
– Não vou te contar nada, Car – sorri – Mas eu tenho que te agradecer por ter me dado todos aqueles conselhos.
– Sabia que ia te ajudar – estava totalmente convencida – Quer dizer que agora é para valer?
– Acho que sim – dei de ombros – Mas antes de mais nada eu preciso resolver algumas coisinhas.
– Entendo... — foi tudo que eu disse.
Minha amiga parou o carro em frente a casa dos Herondale e eu abri a porta para tirar Mila do banco de trás.
– Você tem certeza de que vai ficar aqui, amiga? — quis saber – Se quiser eu posso te esperar.
– Não precisa, Car, você mesma disse que está com pressa – lembrei – Qualquer coisa depois eu vou embora de táxi.
– Tudo bem – jogou um beijo para mim – Boa sorte, Lena.
Toquei a campainha e não demorou muito para a senhora Herondale abrir a porta. Ficou toda animada dizendo que estava terminando de fazer um bolo de chocolate.
– Obrigada, quem sabe depois eu coma um pedaço — avisei – Mas agora eu preciso falar com o Jace.
– Entre, minha querida – deu espaço para que eu passasse – Ele está no escritório olhando os e-mails, pode ir até lá.
Concordei antes de seguir por dentro da casa. Jace estava totalmente concentrado em algo na tela do computador, mas assim que nos viu abriu um enorme sorriso. Aquele era o meu melhor amigo, que fez tudo por mim e pela minha filha e faz até hoje, quase me sinto culpada por terminar com ele, mas eu preciso fazer isso.
– Finalmente vocês chegaram – comentou – Pensei que você tivesse decidido morar no haras.
– Engraçadinho – fiz uma careta – Queria conversar com você, será que tem um minutinho?
– Claro, meu amor – afirmou – Sobre que quer conversar?
– Mila, meu amor, por que não vai até a cozinha ver se a sua avó já terminou o bolo? – pedi, colocando ela no chão – Daqui a pouco eu vou até lá.
– Tudo bem! — olhou algumas vezes para mim e para Jace, mas ela acabou concordando.
Fiquei observando enquanto ela corria em direção a cozinha e só quando ela entrou no local que eu me virei, novamente, para o meu “noivo”.
– Pelo jeito a coisa séria – brincou – Você pediu para a Mila sair, então quer dizer tem algo realmente importante para falar comigo.
– E pode ter certeza de que é sério mesmo – puxei uma cadeira e me sentei, essa tem tudo para ser uma conversa bem longa.
Fale com o autor