Past Dreams
20 Capítulo 18 - Confrontation
Notas iniciais
Olhei para Jace. Simplesmente não sabia como começar aquela conversa. Todos os nossos momentos juntos começaram a surgir em flashes na minha cabeça. Como ele sempre foi companheiro comigo, a paciência e o carinho que ele teve com a Mila que nem ao menos é sangue do sangue dele.
–Lena, meu amor, você está começando a me assustar. O que aconteceu? – ele pergunta, visivelmente preocupado e até um pouco agitado, o que não é comum para ele.
–Jace, não dá mais. – decido ir direto ao ponto. Ele murcha na cadeira, mas antes que comece a dizer alguma coisa, continuo falando. – Sei que você sempre esteve ao meu lado e serei eternamente grata a você por tudo, mas não posso continuar enganando você assim. Como eu, você tem todo direito de encontrar alguém que o ame assim como você vai amá-la.
Meus olhos ficam marejados. Jace está encarando o chão. Sinto-me péssima por estar fazendo isso, afinal, o fiz jogar seis anos da vida dele fora. Mas para evitar futuras mágoas, é melhor para Jace que eu faça isso agora. Mesmo contra minha vontade, continuo.
–Desculpa por ter prendido você por todo esse tempo. Acredite, tentei fazer o possível para me apaixonar por você e deixar todo o passado para trás, mas não dá. Ainda amo o Damon e acho que isso nunca vai mudar. Seis anos atrás nós dois cometemos erros e foi por causa desses erros que eu estou aqui magoando você, pelo que eu espero que seja a última vez. Amo você, Jace. Mas não do jeito que você gostaria que eu amasse. Sinto muito.
–Lena, a Mila é minha filha. Fui eu quem a criou. E eu amo você. Não me importo por você não me amar assim. Tive os seis mais felizes da minha vida ao seu lado, com a nossa filha. Você não pode terminar nosso noivado só porque o Damon apareceu de novo na sua vida. Ele ainda é o mesmo babaca de seis anos atrás. E, além disso, ele tem uma namorada, agora. Como a Carmélia vai ficar nessa história? – ele faz uma pausa.
–Feliz. Ela e o Damon nunca estiveram juntos, Jace. Era só um namoro de fachada para criar uma ilusão de casal feliz diante dos olhos dos pais deles. Mas não é o que nenhum dos dois quer. Carm sempre soube que Damon me amava e foi a favor dessa segunda chance. Jace, simplesmente não dá mais. Não vou dizer que fui infeliz nesses seis anos porque não é verdade, mas minha felicidade nunca foi completa. E agora sei exatamente o porquê.
–Lena, não faz isso. Ele vai magoar você de novo e eu não vou suportar ver minha melhor amiga passando por tudo aquilo de novo. Não posso permitir. – ele me olha com uma expressão de dor.
–Esse é o ponto, Jace. Sempre fomos melhores amigos. E sempre vamos ser. Se você não guardar mágoas de mim, claro.
–E quanto à Mila?
–Damon vai reconhecer a paternidade. Mas a certidão, afinal, é só um papel. Você sempre vai ser um pai pra Mila e sabe disso. Realmente sinto muito, mas isso sempre foi uma possibilidade, lembra? Conversamos sobre isso na noite em que me mudei pra cá, dois dias antes de viajarmos.
*Flashback ON*
Tudo o que eu sabia fazer desde a briga com Damon era chorar. Sentia-me uma morta-viva. Só comia e dormia por causa do bebê. A médica instruiu Caroline a respeito dos cuidados. E agora minha melhor amiga passou as instruções para a tia Amatis, mãe do Jace e agora minha ‘sogra’.
Estou deitada na cama dele, toda encolhida sobre as cobertas. Tudo o que tenho sentido é frio. Constante e interminável. Como uma noite eterna. É tudo tão triste: até pouco mais de duas semanas atrás, eu tinha uma vida perfeita. Morava em uma mansão, mesmo que não me pertencesse, era apaixonada por um cara lindo, que também me amava. Minha primeira vez foi com ele e tudo foi perfeito. Mas como todo conto de fadas tem um momento da bruxa, ou da vilã, eu descobri que estava grávida e os pais dele, em particular a mãe, passaram a me odiar, disseram coisas horríveis e me acusaram de estar planejando um golpe.
E então, querendo fugir daquele ambiente transbordando energia ruim, liguei para minha melhor amiga e pedi a ela para dormir em sua casa. Mas não cheguei realmente lá. Perdida do jeito que estava, não notei que caminhava no meio da rua, principalmente por culpa das intermináveis lágrimas que escorriam por meu rosto. E acabei sendo atropelada.
Ficou tudo bem com meu bebê e comigo, mas passei algum tempo no hospital. E lá meu melhor amigo resolveu assumir meu bebê depois que contei a ele o que meu ‘namorado perfeito’ havia feito. Fiquei tão feliz com a consideração que meu amigo teve por mim e aceitei não muito depois. Saí do hospital e fui pra casa da Car até Jace acertar tudo com os pais e então agora estou aqui em sua cama.
–Lena? – Jace estava parado na soleira da porta. Enxugo as lágrimas que começaram a escorrer em algum momento durante meus pensamentos e dou um sorriso fraco para ele. – Está tudo bem? – pergunta, se aproximando.
–Está sim. – minha voz está fraca e eu também, apesar de estar me alimentando e tomando as vitaminas que o doutor Bane receitou. A fraqueza era causada pelo estado emocional depressivo em que me encontrava. – Por quê?
–Sua mãe veio ver você e eu entro aqui e você está aos prantos. Conta outra. O que houve?
–Só estava pensando em tudo o que aconteceu e o quanto isso acabou comigo. – nunca consegui mentir para ele. Era o meu melhor amigo, afinal. – Eu ainda o amo. Acho que sempre vou amar.
–Lena... – ele começa.
–Não, Jace. Nossa história é como um conto de fadas. Essa é a parte em que a bruxa faz alguma coisa com o casal principal e os separa. Mas no final, o amor sempre vence. Um dia talvez eu vá conseguir aceitá-lo de volta. Mas não agora. Não me sinto pronta para enfrentar os Salvatore mais uma vez.
A mãe do Jace aparece na porta.
–Tem uma pessoa aí que, segundo a Caroline, vai conseguir melhorar você um pouco. – ela sorri maternalmente.
–Pode dizer pra minha mãe subir, tia Amatis.
–Não é sua mãe, querida... – ela dá espaço e então Stefan aparece na porta.
–Não acredito... – começo a chorar copiosamente. Ele se aproxima e senta na beirada da cama, perto de mim. Passa os braços nas minhas costas e me puxa para deitar em seu peito.
–Shhh. Lena, eu vim da Inglaterra pra ver você e esse bagunceirinho aí. Vai mesmo ficar chorando o tempo todo? – levanta meu queixo, fazendo-me olhar e seus olhos, e sorri. Não consigo conter um sorriso em resposta. Jace e a mãe não estão mais no quarto.
–Sabe, essa foi a primeira vez, desde que briguei com seu irmão, que realmente sorri. – deito novamente em seu peito, agora sem lágrimas escorrendo livremente.
–Não mencione aquele idiota. Desde que a Car me contou o que ele e meus pais aprontaram, estou evitando quaisquer associações com aquela casa e seus moradores. Sua mãe está lá embaixo, muito preocupada. Você se importa de ir caminhar um pouco comigo? Você precisa sair daqui, Lena.
Só a presença de Stefan ali já me fazia sentir mais leve. Todo o peso que estava me deixando tão terrivelmente cansada acabou sumindo. Ele me ajudou a levantar e caminhar até a mala para escolher uma roupa. Como eu estava com uma camiseta colada ao corpo, dava pra ver o pequeno montinho na minha barriga.
–Olha só pra essa barriguinha. Estou tão feliz por ganhar um sobrinho ou sobrinha, Lena. Espero que cuidem muito bem de você e do bebê. Ou vamos ter problemas. Serei um padrinho muito coruja.
–Ok, mas quem disse que você vai ser o padrinho? – gargalhei com sua cara de desapontamento. – É brincadeira. Quem além de você seria o padrinho desse bebê, já que o Jace vai assumir o papel de pai?
–Viu? Eu sempre tenho razão. É melhor você se apressar, ou vamos ficar até tarde na rua e os outros vão ficar preocupados. Vou chamar a Car para ajudar você com os assuntos de menina.
Ter uma parte da vida do Damon, além do bebê, a minha vida me faria muito bem. Tudo o que eu precisava era recomeçar. Com uma pessoa diferente, num lugar diferente, de um jeito novo e que eu espero que funcione. Acredito que eu nunca mais vá amar outra pessoa, mas não custa tentar, afinal.
*Flashback OFF*
–Eu sei, Lena. Mas tudo parecia tão certo. Se não fosse pelo casamento dos nossos melhores amigos, nem estaríamos aqui. Estaríamos em casa, estudando, trabalhando, cuidando da Mila, fazendo planos...
–Jace, isso não vai mais acontecer. – eu o interrompo. Não podia alimentar as esperanças dele. – Você precisa ser feliz. E comigo, isso nunca vai acontecer. A Clary, por exemplo, você nunca notou que ela tem uma quedinha por você? Talvez seja a hora de dar um tempo a você e depois chamá-la para sair. Não queria precisar magoar você, mas é melhor eu magoar agora do que várias vezes no futuro.
Levanto e começo a caminhar em direção à porta. Quando estou com a mão na maçaneta, ouço meu melhor amigo me chamar. Olho para ele, cansada. De brigar, de fingir, de magoar.
–Eu amo você. Obrigada por tudo. – ele se aproxima, me abraça e dá um beijo em minha testa. – Você é a melhor amiga que um cara poderia ter. Realmente queria que nós déssemos certo. Mas não era pra ser, no fim das contas. Só me prometa que você vai ser feliz, independente de estar com o Salvatore ou não.
–Eu prometo. Vou levar a Mila comigo, tudo bem? Acredito que agora seja menos arriscado ela ficar lá. Damon e eu conversamos e esclarecemos tudo o que aconteceu há seis anos. E não se preocupe. Não vou jogar meu relacionamento com ele na sua cara. E pedirei a ele que também não o faça por respeito. Cuide-se.
Vou para o quarto dele e pego a mala que trouxemos com roupas da Mila. Começo a juntar as peças e arrumar dentro da mala. Se houver roupas sujas, peço que a Amatis separe para eu buscar em um outro momento. Depois de terminar, faço o caminho de volta e passo pela porta do escritório, que está fechada. Deixo-o lá, quieto. Na sala, encontro minha filha assistindo televisão sozinha. Amatis e Stephen estão na cozinha.
–Vou levar a Mila comigo. Vocês logo vão saber o porquê. Talvez seja melhor deixar o Jace sozinho um pouco. Tia Amatis, a senhora pode separar as roupas sujas da Mila que ficarem por aqui? Depois eu venho buscar.
–Claro, querida. Está tudo bem? – ela pergunta quando uma lágrima teimosa escapa do meu olho esquerdo.
–Está sim. Bem, vou indo. Não se preocupem, voltaremos para visitá-los. – viro as costas para sair da cozinha.
–Esperamos que sim, querida. – ouço a voz do tio Stephen.
–Mila, meu amor, vamos com a mamãe? Você vai dormir na casa dos pais do tio Stefan com a mamãe a partir de hoje.
Ela assente e levanta do sofá. Vai até a cozinha e diz um rápido ‘até logo’ para os pais do Jace antes de sairmos pela porta da frente. Pego meu celular na bolsa e ligo para Caroline.
*Ligação ON*
–Estou atrapalhando seu almoço? – pergunto quando ela atende.
–Na verdade, Stefan e eu estamos indo embora agora. Parece que houve um problema na empresa e ele vai precisar ir até lá o mais rápido possível. Mas qual o motivo da ligação?
–Seria muito abuso da minha parte pedir que você viesse buscar a mim e a Mila na casa dos Herondale? – pergunto, fazendo uma careta, mesmo sabendo que ela não pode ver.
–Claro que não, amiga. Eu mesma me ofereci para isso. Sorte sua que precisamos encurtar o almoço. Estou indo. O caminho não é longo. Em uns dez minutos estou aí. Pelo menos agora vou aproveitar bastante minha afilhadinha!
–Estamos esperando você aqui! Até daqui a pouco.
*Ligação OFF*
Enquanto esperávamos minha melhor amiga, fui com Mila até o último degrau da escada de entrada da casa dos Herondale. Sentamos, eu e minha filha e puxei assunto com ela. Qualquer coisa que me impedisse de voltar lá dentro e pedir ainda mais desculpas a Jace.
–Então, filha, gostou do haras?
–Muito, mamãe! E dos cavalinhos, mas a senhora me chamou e não deu pra ver muitos. Mas o moço me pegou no colo então deu pra ver mais de perto. Foi tão bonito, mamãe! Queria voltar lá.
–Nós ainda vamos lá de novo, filha. A mamãe só não sabe quando. Mas vamos voltar. E você vai poder andar no cavalinho. Vai ser divertido! – sorri para Mila. Seus olhinhos brilhavam.
–Sim! E eu vou poder brincar lá, né, mamãe? Com as criancinhas que têm lá?
A filha da senhora Penhallow, Aline, e a namorada haviam adotado três crianças: Reagan, Gail e Trish. Três menininhas adoráveis. Conheci um pouco da família durante o almoço de ontem. Aliás, a família toda é muito educada, gentil e hospitaleira. A buzina de um carro me distrai. Caroline chegou.
–Oi, amiga. – cumprimento assim que entro no carro.
–E aí, como foi? – às vezes, Caroline tinha um faro pra conversas como a de ainda agora. Mas não podia falar nada na frente da Mila.
–Conto pra você depois. Quando chegarmos lá, tudo bem? – pergunto, acenando com a cabeça na direção da minha filha, que está sentada na cadeirinha que a minha amiga instalou para ela no carro.
POV Jace
Seis anos tentando conquistar a mulher que eu amei desde sempre e no fim, nada. Estávamos quase nos casando. Faltou tão pouco. Mas um casamento só tornaria esse rompimento mais complicado. Talvez tenha sido melhor assim. Você sabia que ela podia voltar para ele. Só aconteceu algo que você já esperava. Diz uma vozinha irritante na minha cabeça.
Estou sentado no escritório sozinho desde que a Lena saiu. Nem ao menos me despedi da Mila. Mas aquilo não era uma despedida definitiva. Afinal, eu ainda era, para todos os efeitos, padrinho da Car e pai da Mila. E a Elena mesma disse: ‘Você sempre vai ser um pai pra Mila e sabe disso.’ As lágrimas pararam de escorrer em algum momento sem que eu notasse. Ouvi uma batida à porta.
–Entre! – era meu pai.
–Filho, o que aconteceu?
–Elena e eu rompemos o noivado. Acho que já está mais do que na hora de contar algo a você e a mamãe...
Passei a hora seguinte contando tudo aos meus pais. Minha mãe chorava de tristeza. Mas não por minha causa, mas pelo que a Lena passou. Assim que contei o que os Salvatore haviam feito com minha ex-noiva, minha mãe começou a chorar. Meu pai me olhou confuso.
–E depois de tudo, ela terminou com você para voltar com o cara que partiu o coração dela?
–Eles se amam, pai. Assim como você e a mamãe. Um amor que não morre facilmente. E o Damon já vinha tentando, descaradamente, conquistar a Elena. Como melhor amigo, e a amando, eu precisava deixá-la ir, porque esse é o melhor jeito dela ser feliz: com o cara que ela ama. Então é melhor deixá-la ser feliz de uma vez. Não quero fazer ninguém infeliz. Nem a mim mesmo. E vendo Elena infeliz, eu também ficaria. Foi melhor pra todos assim.
Até eu fiquei surpreso com o que disse. Não era como se eu tivesse preparado um discurso para parecer um cara legal. Realmente me sentia daquela maneira. Sentia que o melhor foi deixá-la ir. Não era necessário dizer a ela que sempre que ela quisesse, ela poderia me procurar, que minha porta estaria aberta. Independente de termos tido um relacionamento passional, sempre seríamos melhores amigos e não queria, de forma alguma, perder isso.
–Bom, vocês sabem a verdade. Espero de coração que não a julguem, afinal, fui eu quem pediu para assumir a Mila. E é por esse motivo, aliás, que ela não tem o sobrenome Herondale. Lena disse que não era necessário que eu desse meu sobrenome a ela, afinal, já a estava assumindo como filha. E agora, se me dão licença, vou tomar um banho e dar uma volta pelo parque.
POV Elena
Estava no meu quarto com Caroline. Como os Salvatore não estavam em casa, Mila ficou sob os cuidados de três babás: Alec, Clary e Izzy. Estava insegura a respeito, mas precisava mesmo conversar com a Caroline. Então, precisei fazê-lo. E até agora tudo o que ouvi foram muitas risadas, principalmente da minha filha.
–E agora você faça o favor de me contar o que aconteceu entre você e Damon no haras. – ela estava com uma expressão maliciosa, apesar de não ter acontecido nada entre eu e Damon, em respeito ao Jace.
–Acho que você vai ficar decepcionada. Não aconteceu nada. Só nos beijamos algumas vezes e dormimos na mesma cama, já que era tudo o que tinha no único quarto mobiliado. Acredita que ele comprou aquele haras para mim e nunca ninguém entrou na casa principal? A não ser ele, é claro. Segundo ele, a primeira fui eu, porque a casa é minha – faço aspas com as mãos.
–Isso é romântico, amiga. Muito romântico, na verdade. Tive uma boa conversa com a Carmélia na noite passada. Ela é uma boa pessoa e torce muito por vocês dois. – minha amiga estava enrolando um fio da colcha nos dedos.
–Car, você está nervosa com alguma coisa? – ela não tinha tiques. Na verdade tinha, mas só quando ficava nervosa. Fico preocupada.
–Não. – pausa – Sim – pausa – Talvez. Não sei... Estou atrasada. – ela não me olha quando diz isso e levo um momento para entender o que ela disse. Arregalo os olhos.
–Car, você já foi ao médico? – não consigo conter um sorriso. Mas então paro de sorrir. Minha amiga não parece feliz. Fico me perguntando o porquê. – Amiga?
–Estou com medo. Não posso ter um bebê agora. Claro que se eu estiver grávida, vai ser uma criança amada e muito feliz. Mas ainda tem o casamento, eu ainda não terminei a faculdade, Stefan também não... Fico pensando se os pais...
–Car, não. Você é você. Não vai acontecer o que aconteceu comigo. eu sou a ‘filha da empregada’. A megera gosta de você, então não se preocupe com isso. Você vai ser muito feliz com o Stefan. Ele não é como o irmão e não depende dos pais. Ficaria ao seu lado sempre. Sem contar seus pais. Então não precisa se preocupar. Vai ficar tudo bem.
–Obrigada. Vamos mudar de assunto? Você ainda precisa me contar como foi a conversa com o Jace. Como ele reagiu? Espero que tudo tenha ficado bem. – diz ela. Seus olhos estão marejados. Sua preocupação é bem real. Mas a chance de acontecer com ela o que aconteceu comigo é nula. Stefan condenou o irmão por anos. Jamais teria a mesma atitude. Então não tinha sentido em preocupá-la.
–Primeiro: amanhã vamos ao hospital. E quanto ao Jace, foi tudo muito melhor do que eu poderia imaginar. Ele não fez um escândalo, não brigou comigo nem quebrou coisas. Foi compreensivo. E tentou me dissuadir da minha decisão.
–Sinto muito, amiga.
–Tudo bem. Meu coração ficou partido por vê-lo daquele jeito. Mas está vou sobreviver. E espero que ele siga meu conselho. – Car me encara confusa. – Disse a ele que desse um tempo a ele mesmo. E depois considerasse dar uma chance a Clary. Apesar deles serem primos, ela sempre teve uma quedinha por ele.
–Mas como, exatamente, você o convenceu de que era melhor vocês se separarem?
–Disse a verdade: eu ainda amo o Damon. Ele tentou contra-argumentar que ele já havia me magoado uma vez e podia fazê-lo novamente, mas permaneci firme. Apesar de ter minhas reservas com Damon, sei que ele não seria capaz de fazer isso. Ainda mais com Stefan aqui em Atlanta. Haveria um irmãocídio. – rimos da palavra nova que acabei de pronunciar.
–Isso é. Stefan ficou muito decepcionado com o Damon por causa do que ele fez. Apesar de tudo, conseguiu perdoá-lo aos poucos, quando contei para ele o quanto Damon sofria com a sua falta. É tão bom vê-los juntos depois de tanto tempo.
–Espero que não fique um clima estranho entre Jace e eu. Sempre fomos tão unidos que seria muito difícil pra mim não ter mais meu melhor amigo. Sem contar o ambiente desconfortável em encontros da nossa “turma” do colégio.
–Jace não faria isso. Ele sempre gostou muito de ser próximo a nós duas. Éramos um trio imbatível, lembra? Quando Stefan me pediu em casamento, foi muito estranho não contar absolutamente nada pra vocês. Eu me sentia péssima.
O telefone de Car, que está sobre a cama, entre nós duas, começa a vibrar. É uma mensagem do Damon. Olhamos uma para a outra. Minha amiga estica a mão e pega o telefone para ler a mensagem.
–Car, como não tenho o telefone da Lena, pode avisar a ela que já estou na casa dos meus pais? – lê em voz alta. – Vamos descer? – pergunta, guardando o celular no bolso. – Tenho a leve impressão de que isso foi um convite. Ele já deve ter achado a Mila e alguém contou que você está comigo.
Descemos as escadas juntas e encontramos com todos na sala. As “babás” estavam descansando e Damon estava de pé, conversando baixinho com nossa filha, que estava em seu colo. A cena era linda, e me emocionou. Sorri enquanto me aproximava deles.
–Então agora que a mocinha já cansou a Clary, a Izzy e o Alec, vai cansar o Damon também? – pergunto para minha filha e Damon sorri para mim.
–Não, mamãe. Eu não corri nem pulei. Eles é que queriam correr. Mas eu pedi pra eles contarem historinhas. Devem estar com sono, que nem eu fico quando o papai me conta a história dos caçadores de sombras. – Damon cerra os punhos e faz cara de confusão.
–Ela não está me cansando Lena. E o que são caçadores de sombras?
–Longa história. É melhor deixar isso pra lá.
–Mamãe, estou com fome.
–Vem, Lena. Traz a Mila. Acho que a cozinha está vazia, mas podemos arranjar um lanche. Damon, por que você não conversa um pouco com o pessoal enquanto eu e Lena vamos até a cozinha? Voltarei com lanches pra todo mundo.
–Tudo bem. – ele concorda.
Ponho Mila sentada em um dos banquinhos que fica de frente pra bancada enquanto vou ajudar Caroline a preparar sanduíches pros nossos amigos. Viro para minha filha.
–O que você quer comer, meu amor?
–Sanduíche de queijo, mamãe. Meu preferido.
–Tudo bem. Saindo um sanduíche de queijo pra minha princesinha.
–Opa, eu aceito também. Ainda mais se a minha noiva maravilhosa preparar. – Stefan aparece e dá um beijo na cabeça da Mila, uma na minha bochecha e um selinho na Car.
–Eca, tio! – minha filha faz cara de nojo.
–Seu pai vai gostar que você pense assim até os trinta anos. – começamos a rir. Minha filha não entende nada.
–Não mencione o pai dela. Lena e Jace terminaram. – Caroline sussurra disfarçadamente para o noivo. Reviro os olhos e Stefan me encara.
–Tenho certeza de que ela vai te contar mais a respeito mais tarde. – lanço um olhar acusador para minha amiga.
POV Damon
Assim que as três sumiram pela porta da cozinha, uma das amigas, a que seria madrinha, Clary, se não me engano, fez um comentário que me deixou extremamente confuso.
–Sua filha é um amor.
–Clary! Ele não sabe que nós sabemos. – o garoto repreendeu.
–Mas Alec, não há problema algum quando quem contou, mesmo que acidentalmente, foi o próprio Jace. E a Mila é realmente um amor.
–Eu concordo com a Clary, irmãozinho. Foi o Jace quem contou.
–Bom... nesse caso, obrigado. Mas como foi que vocês ficaram sabendo?
–Durante a sua briga com o Jace, há alguns dias. Ele disse que você largou a Elena grávida e tudo mais... E eu fiquei muito desapontado por ele não ter me contado. Mas superei.
–E contou pras duas.
–Sim, fui eu. Não costumamos guardar segredos uns dos outros.
–Ah, entendo. Só, por favor, não falem sobre isso aqui em casa, tudo bem?
Os três assentiram. Mila aparece correndo na sala e eu a pego no colo. É nesse momento que alguém abre a porta da frente. Minha mãe com nossa cozinheira.
–Mamãe perguntou o que vocês querem. Tem sanduíche de queijo e biscoitos.
Todos responderam o que queriam e então eu coloquei minha filha em pé e ela voltou correndo para a cozinha. Minha mãe estava parada ao lado da porta, me encarando com uma expressão de poucos amigos.
–Posso saber o que você estava fazendo com aquela garota no colo, Damon?
–Ela veio fazer uma pergunta, como a senhora viu. Algum problema em segurá-la no colo, mãe?
–Damon, Damon... Vai decidir me desrespeitar agora? Não quero você perto da criança nem da mãe dela. – ela diz, a voz começa a ficar mais alta.
–Já sou crescido, mãe. Posso decidir se pego ou não a minha filha no colo. E não vai ser a senhora, muito menos o meu pai quem vai me impedir. – os amigos da Lena nos observavam atentamente, boquiabertos.
–Damon Salvatore, não admito que fale assim comigo. Ainda sou sua mãe e exijo respeito! – ela grita, irritada. Nunca confrontei meus pais. Mas para conseguir a confiança da Lena de novo, já está mais do que na hora.
–E eu respeito, mãe. Mas a Ludmila é minha filha e a senhora não pode me proibir de ser pai. Já permiti que o fizesse por seis anos. Nunca mais vou ficar longe da mulher que eu amo. Nem da nossa filha. – dou ênfase no nossa.
–Aquela criança nunca vai ser sua família. Ela pode ter seu sangue, mas nunca, Damon, NUNCA vai ser uma Salvatore. – noto, pelo canto do olho, que Elena está voltando para a sala com a Mila. – Espero que essa filhinha de empregada, golpista e vagabunda saia da minha casa e leve essa criança bastarda junto!
A bandeja que estava na mão de Elena cai no chão. Mila olha para a mãe.
–Mamãe, ela ta falando da gente?
–Mãe, você não vai fazer isso. – Stefan surge atrás da minha Lena, que está estática e pálida. – Concordamos que você não faria uma cena em respeito à minha noiva e ao meu casamento. Então chega. Elena fica.
–Não, Stefan, eu vou embora. Não posso ficar em um ambiente em que eu e minha filha não somos nada bem-vindas. Vou subir e fazer nossas malas.
Caroline vai atrás da amiga, que está com Mila no colo e correndo escada acima.
–Mais uma vez eu sinto vergonha dessa família. Pelo menos você, Damon, não me desapontou novamente. Agora se me dão licença, vou ver como minha sobrinha e a mãe estão.
Minha mãe estava com tanta raiva, que seu rosto estava vermelho.
–Você vai também, Damon? – sua voz está completamente distorcida pela raiva. – Só quero que saiba: se for, não faço questão alguma de que volte. Seu pai vai deserdá-lo.
–Não vou virar as costas mais uma vez para a mulher que eu amo, mãe. Muito menos deixar de assumir minha responsabilidade para com ela ou minha filha. Que meu pai faça o que bem entender. Não preciso de nada vindo de vocês.
Subo as escadas atrás do meu irmão, preocupado com Elena. Quando chego ao quarto, a porta está trancada. Não bato. Apenas espero. Stefan e Caroline já estão com ela. Darei então um tempo antes de anunciar a decisão que acabei de tomar.
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