Past Dreams
18 Capítulo 16 - Falling In Temptation
Notas iniciais
POV Caroline
Abro os olhos e demoro alguns segundos para me localizar. Ah, claro. Minha mãe pediu que eu viesse passar uma noite aqui com Stefan. Sorrio. Meus pais nunca tiveram problemas com ele. Sempre gostaram muito da nossa amizade e quando meu noivo veio falar com eu pai sobre pedir minha mão em casamento, eles ficaram ainda mais felizes.
Rolo na cama e procuro por ele. Em vão. A cama ao meu lado está vazia. E fria. Sento-me e olho ao redor do quarto. Consigo ver seu pijama sobre a cadeira em que suas roupas haviam ficado na noite passada, seus sapatos não estão onde deveriam. Finalmente olho para seu travesseiro e encontro um bilhete.
Meu amor, desculpa por não estar ao seu lado quando você acordar, mas é preciso que haja um de nós na casa dos meus pais para salvar a Lena de possíveis ataques vindos deles. E decidi que seria eu a vir antes porque meu pai precisou de mim na empresa, então deixei você dormir. Sei quais são seus planos para hoje, então encontro você lá.
Com amor, Stefan.
Sempre tão romântico e carinhoso. Foi a melhor decisão que já tomei na vida. Casar com Stefan é a realização de um sonho. Um príncipe de olhos verdes. Pensar em casamento me lembra dos meus planos que meu amor mencionou no bilhete. Preciso voltar à casa dos meus sogros para buscar minha melhor amiga. E depois precisamos buscar Mila. São as únicas que ainda não conheceram o haras.
Levanto, visto meu robe e desço para encontrar meus pais. Eles estão tomando café à mesa e conversando sobre alguma coisa que eu não faço ideia do que seja. Vou até a geladeira e pego a garrafa de leite e um copo no armário. Despejo o conteúdo no copo e viro de uma vez na boca. Ah, que delícia. Geladinho do jeito que eu amo.
–Bom dia mãe. Bom dia papai. – volto até onde eles estão e dou um beijo em cada um. Eles retribuem meu sorriso.
–Bom dia, querida. – responde meu pai.
–Bom dia, filha. Mas por que seu pai é papai e eu sou apenas ‘mãe’? – minha mãe implica de modo bem-humorado.
–Ora, mamãe, não seja ciumenta. Já quase não fico aqui, então trate de não implicar comigo. – ponho as mãos na cintura e faço um biquinho bem teatral.
Junto-me a eles para tomar café-da-manhã e, assim que termino, peço licença para tomar um banho, explicando que preciso ir até o haras mais tarde. Vou para o quarto, tomo um banho, me arrumo e pego as chaves do carro para ir buscar minha amiga.
Chegando lá, encontro todos os padrinhos a mesa, comendo e conversando. Com exceção do Damon e do Jace. Acho estranho. E a Lena, assim que me vê, pede para falar comigo. Vamos para a outra sala e ela põe as duas mãos na cabeça, como se estivesse sem paciência em relação a alguma coisa.
–Stefan contou a você que Damon e Jace brigaram ontem? Em frente a uma lanchonete cheia de pessoas olhando as duas crianças trocarem socos! Não consigo acreditar até agora que os dois ficaram provocando um ao outro por causa de mim e da Mila.
Era realmente difícil de acreditar que alguém tão centrado quanto Jace ficou trocando socos em público como uma criança. Mas conhecendo a ironia ácida de Damon tão bem, é fácil imaginar o tipo de provocação que ele fez com o noivo da minha melhor amiga. É fácil também saber o motivo de Stefan não ter me contado. Eu estava cansada demais ontem à noite quando ele chegou. Então fomos logo dormir.
–Arrasando corações, hã? – ela me fuzila com o olhar. – Desculpa, estou tentando fazer isso soar melhor do que parece. Erro meu. – sua expressão suaviza. – Eles realmente brigaram por sua causa?
–E da Mila. Segundo o Alec, parecia uma disputa de território. Cheguei à sala de jantar bem na hora em que ele repetia o que o Jace havia dito para o Damon. “Tudo que eu sei é que você abandou a Elena grávida e preferiu ficar com a sua preciosa herança”. Agora a Clary e a Izzy, além do próprio Alec, sabem da verdade. Isso está indo longe demais.
–Aquele fofoqueiro. Se aproveitou de um momento de raiva do Jace pra colher uma fofoca quentinha, não é? Vou ter uma conversinha com ele mais tarde...
–Car, não precisa. Agora que eles já sabem, não há nada que você possa fazer. Só me tire daqui por algumas horas. Por favor.
–Seu desejo é uma ordem, madame. Vou levar você e Mila para o haras. São as únicas que ainda não foram lá. É claro que o Jace também não foi ainda, mas ele não é minha melhor amiga que precisa de uma tarde das garotas.
Elena foi se arrumar no antigo quarto dela, e eu voltei para a cozinha. Os padrinhos que estavam ali com Elena continuavam conversando, como se minha amiga não tivesse saído dali quando eu cheguei.
–Bom dia, gente. Alec, preciso dizer uma coisa a você. O assunto sobre a Mila é proibido nesta casa, então mantenha essa boca fechada.
–Fico feliz que a Mila não seja filha do Jace. – murmura Clary.
–Clary!
–Deixa ela, Car. Nessa cabecinha ruiva passa um filme chamado Meu Único Amor: Jace. Clary nunca vai mudar.
–Isso não é verdade, Izzy! – as bochechas de Clary ficaram quase tão vermelhas quanto seu cabelo. – Eu só... Acho que ele e a Lena não têm nada a ver, apesar de achar que os dois são pessoas incríveis.
–Quem é incrível? – minha amiga volta para a cozinha com a bolsa pendurada no ombro e o celular na mão. Provavelmente estava falando com o Jace.
–Deixa pra lá, Lena. O céu está um pouco cinza e precisamos ir logo, antes que não dê mais. Hoje é o único dia livre que temos para ir até lá. É uma viagem relativamente longa e já são dez horas.
Ela me acompanha até o carro. Parece perdida em pensamentos. Não digo nada, esperando que ela esteja pronta para falar comigo sobre o que quer que seja antes de chegarmos à casa dos Herondale. Pelo canto do olho noto que ela abre e fecha a boca várias vezes. Algo definitivamente a está incomodando.
–Lena, está tudo bem? – pergunto preocupada.
–Não. – sua resposta é tão rápida que me deixa um pouco atordoada.
Minha amiga começa a chorar. Encosto o carro e viro pra ela no banco. Puxo seu corpo para abraçá-la. Deixo que ela chore em meu ombro até que se acalme. Do lado de fora do carro, começa a chover bem pouquinho. Lena finalmente para de chorar, levanta a cabeça e enxuga os olhos.
–Está tudo errado. – ela começa. – O cara que eu amo errou comigo há seis anos. Tivemos uma filha, que ele decidiu trocar pelo dinheiro dos pais. Nunca conversamos a respeito e agora ele age como se tudo pudesse voltar facilmente ao normal entre nós. Mas não pode. Eu estou noiva de um outro cara, que ama a mim e à minha filha, que cuida de nós duas. Mas ainda amo o mesmo idiota que partiu meu coração. Nada faz sentido, Car.
Dou um meio sorriso. Lena respira fundo e continua.
–Por seis anos eu disse a mim mesma que não podia amar Damon Salvatore. Que ele não merecia – dá ênfase no ‘merecia’ – ser amado. Não por mim. E agora lá está ele, brigando com meu noivo, me beijando na biblioteca, tentando de qualquer jeito quebrar todas as malditas barreiras que eu levei tanto tempo pra construir a fim de mantê-lo longe. E ainda tem a Mila. Não posso permitir que ele parta o coração da minha filha.
Ficamos em silêncio por algum tempo. Eu assimilando tudo o que ela disse e ela chorando. Por fim, decido o que é melhor para dizer a ela, o que, provavelmente, vai fazê-la feliz.
–Amiga... Sei que você vem lutando contra isso por anos. Mas nunca concordei com o fato de que você não quis dar uma chance ao Damon para se explicar. A verdade é que nenhum dos dois conseguiu explicar seus motivos ao outro. Você não sabe porquê ele disse o que ele disse para os pais nem qual era a intenção. E ele não sabe porquê você decidiu se mudar sem nem ao menos falar com ele. Todos esses anos que passaram desde que você e Jace foram embora têm sido muito dolorosos para o Damon. É difícil vê-lo perguntar sobre a Mila e não ter permissão para dizer coisa alguma. Ele ama tanto vocês.
–Mas Car...
–Não, Lena. Deixe-me contar tudo. Sei que tudo pelo que você passou foi muito ruim com o atropelamento e tudo mais, mas você escolheu deixar o Jace cuidar de você. Se tem alguém que nunca superou tudo isso foi o Damon. Pouco depois da sua partida, ele largou a empresa do pai, começou a trabalhar em uma empresa que ele abriu com o Matthew, melhor amigo dele, e ganhou dinheiro. Saiu de casa, comprou um haras e se afastou completamente dos pais por um tempo. Quando Stefan voltou da Inglaterra, não queria nem olhar na cara do Damon por conta do que ele fez. Fui a única pessoa com quem ele manteve contato. Um dia ele apareceu e pediu que eu o encontrasse, e levei Stefan comigo.
Parei para tomar fôlego. Elena encarava o painel do carro. Sua boca era uma linha trêmula e as lágrimas não paravam de escorrer por seu rosto.
–Era mais do que a hora para eles fazerem as pazes. Toda aquela discórdia estava desfazendo cada vez mais os laços e eu não queria entrar para uma família assim. O que meus filhos iriam pensar? Então pedi ao Stefan que tentasse tolerar o irmão, mesmo que fosse levar algum tempo para perdoá-lo. Por amor, meu noivo concordou, mas aquele encontro foi horrível. A tensão ondulava no ar. E Damon apresentou Carmélia como sua namorada. Ela sabia toda a história sobre a briga entre a família Salvatore.
Minha amiga fecha os olhos e faz cara de dor.Melhor não mencionar a Carmélia enquanto ela estiver tão vulnerável. Vai doer menos assim.Começo a editar a história na minha cabeça, já que é necessário que ela saiba de tudo. Chega de ver minha melhor amiga presa a um relacionamento sem futuro.
–Quanto mais o tempo passava, mais Damon perguntava sobre você, sobre a Mila. Há alguns anos, dei a ele uma foto da minha afilhada. Sei que não podia, mas simplesmente não aguentava ver o sofrimento dele. – ela me fuzila com o olhar. – Amiga, me perdoe. Sei que você também sofreu. Mas você ficou com a Mila, tinha o Jace, a faculdade... Tudo isso, de certa forma, distraía você do que aconteceu. Ele remoeu os erros por todo esse tempo.
Como suas lágrimas não paravam, decidi mudar um pouco de tática. Seria mais simples abordar meu ponto de vista de outra forma. Sem contar que seria também menos doloroso.
–O que eu quero dizer é: você e Damon se amam, têm uma filha juntos, têm uma linda história. Tudo acabou por um motivo que pode ter sido apenas mal interpretado. Na minha opinião, sinceramente, vocês deviam se dar outra chance. Nunca se sabe o que pode acontecer e seria bom para os três serem uma família de verdade.
Elena abriu a boca para dizer alguma coisa, mas a interrompi com um gesto.
–Não fale. Apenas faça uma reflexão sobre esta conversa. Agora nós vamos encerrar o assunto, você vai enxugar essas lágrimas, vamos buscar a Mila e visitar o haras. Tente concentrar sua atenção nos detalhes do casamento e na tarde que vamos passar juntas: eu, você e minha afilhada linda.
POV Elena
Tudo o que Car contou, definitivamente mexeu comigo. Principalmente saber que Damon ainda me ama. Mas ele está com a Carmélia. Isso é um excelente motivo para não voltar a pensar nele.Fazemos o curto caminho do lugar onde paramos até a casa dos Herondale em absoluto silêncio. Minha amiga pediu que eu não dissesse mais nada e pensasse em tudo o que ela havia dito.
Quando entramos na casa dos meus sogros, simplesmente não consegui agir naturalmente. Não falei muito nem fui simpática como o usual. Apenas disse que não estava me sentindo muito bem e Car, ao ouvir eu dizer isso, avisou que ninguém precisava se preocupar que cuidaria de nós duas durante o passeio.
A única pessoa com quem eu consegui agir normalmente foi Mila. Definitivamente minha filha trazia à tona o melhor de mim. E esse fato me tranquilizava, pelo menos por ora. Assim que eu estivesse sozinha, todas as minha preocupações em relação ao Jace, ao Damon e aos Salvatore voltaria. Mas, aceitando o conselho da minha amiga, eu me concentraria no passeio e no tempo que passaria com elas.
Demorou um bom tempo para chegarmos ao haras. A chuva ficou muito forte em certos pontos e precisamos andar bem devagar pela pista. Mila ficou impaciente e acabou dormindo pelo caminho. Pedi a minha amiga que encostasse para eu passar para o banco de trás do carro e acomodar Mila no meu colo.
Quando chegamos, sacudi levemente o ombro da minha filha. Não chovia tanto ali, então logo saímos do carro. Os funcionários do haras provavelmente sabiam que Caroline viria hoje. Sinto o cheiro da comida no momento em que abro a porta do carro. Mila desperta totalmente quando vê, ao longe, um tratador caminhando com um cavalo a seu lado.
–Mamãe, mamãe! Um cavalinho! Posso ir até lá? Quero fazer carinho nele, mamãe! – minha filha pulava ao meu lado como uma pipoca e puxava minha camisa.
–Podemos ver isso depois, meu amor? Sua madrinha tem algo a nos mostrar agora, não é, Car? – olho pra minha amiga esperando sua resposta.
–Pedi que fizessem almoço pra gente, Mila. Não está com fome? A comida da senhora Penhallow é uma delícia. Depois do almoço, nós vamos ver o lugar onde vai ser meu casamento. E então, quem sabe, você não pode ir ver os cavalinhos?
Minha filha assentiu. Quando tiver filhos, Car vai ser uma mãe excelente. Ela se entende tão bem com a Mila, mesmo quando minha filha cisma com alguma coisa ou quando inventa de fazer birra. Por sorte, dessa vez ela simplesmente concordou.
O almoço é maravilhoso. A família da senhora Penhallow, a caseira, é muito hospitaleira e nos fez rir bastante. Meus problemas estavam cada vez mais distantes. Ou pelo menos era o que eu achava. Depois do almoço, fomos até a parte do haras em que aconteceria o casamento. Caroline e eu começamos a conversar sobre detalhes.
POV Damon
Depois da briga com o Heroína, decidi não ficar na casa de meus pais. Pelo menos por algumas horas, ou teria problemas com Caroline pela falta de hospitalidade. Ou pior: com Elena, por bater no ‘noivo’ dela. Por pouco tempo. Antes do casamento esse garoto vai estar longe da mulher que eu amo. E nós estaremos livres para sermos felizes como uma família.
Carm preferiu me acompanhar até a casa que dividíamos perto do haras. Até porque, não fazia sentido deixá-la sozinha na casa dos meus pais. Ninguém ali era muito próximo dela, a não ser Stefan e Caroline, que passavam a maior parte do tempo juntos.
Na manhã seguinte, combinei com minha ‘namorada’ de irmos ao haras depois do almoço para um passeio a cavalo. Ela amou a ideia. Preparamos algumas coisas antes de sair e então fomos. Chegando lá, notei que havia uma aglomeração na área de refeições. Era hora do almoço. Peguei a mão de Carmélia e, juntos, caminhamos até o local.
Cumprimentei a senhora Penhallow, e ela me deu a notícia de que minha cunhada e uma ‘linda morena e sua filhinha’, como ela descreveu, haviam acabado de ir caminhar no espaço onde seria o casamento. Olhei para Carm, que assentiu e soltou minha mão. Fui caminhando ao encontro delas.
Pude ver, de longe, que Lena e Car conversavam sobre o casamento, já que minha cunhada gesticulava em várias direções enquanto falava. Porém, não vi minha filha. Estava prestes a chamar a atenção delas quando notei, pelo canto do olho, que Mila estava por perto do estábulo, sozinha. Aproveitei a oportunidade de tentar me aproximar da minha filha.
–Oi, pequena. O que você está fazendo aqui sozinha? – acidentalmente acabei assustando minha filha, e me arrependi logo de não ter chamado sua atenção antes.
–Oi, moço. Vim aqui ver os cavalinhos. Mamãe estava demorando. – explicou sem tirar os olhos do estábulo.
–Venha, vou levar você até lá. – peguei sua mãozinha e entrei no estábulo com ela. – Posso? – pergunto, fazendo menção de pegá-la no colo. Ela assente.
É emocionante finalmente poder pegar minha filha no colo. Ela tem um cheirinho de xampu de criança que é delicioso. Faz-me lembrar da minha infância e da de Stefan. Era tudo tão fácil. Olho para o rostinho delicado de Mila e vejo o brilho de encanto pelos cavalos. Fico feliz por fazer, pela primeira vez, algo que a agrada. Mas, como tudo de bom na vida, o momento dura pouco.
–Mila? Mila? MILA?! – ouço Elena gritar desesperada.
–Sua mãe sabia que você estava aqui? – ela faz que não com a cabeça. – Ah, Mila. Você não pode assustar sua mãe assim. – ela esconde o rosto no meu pescoço, o que me faz sorrir.
Faço o caminho de volta para fora do estábulo e vejo os olhos marejados de Elena ficarem arregalados quando veem quem é que está com a Mila no colo. Ela se aproxima rapidamente e tira minha filha dos meus braços.
–Ludmila Judith Gilbert! Mamãe disse a você que íamos ver os cavalos depois! Você não devia ter saído de perto de mim assim. Quer me matar de susto?! – Elena chorava e gritava.
–Mas mamãe, eu tava com o moço. Ele não é irmão do tio Stefan? – então ela chamava meu irmão de tio, mas eu, que sou seu pai, sou apenas o ‘moço’. – Ele me levou pra ver os cavalinhos. Desculpa, mamãe.
Ela abraça nossa filha bem forte e sussurra no ouvido dela. Caroline se aproxima e pega a Mila. Vira pra minha Lena e diz alguma coisa. Lena assente e acena pras duas, que se afastam. Ficamos nos encarando por alguns segundos e então os dois começam a falar juntos.
–Você primeiro. – digo.
–Pensei bastante durante os últimos dias. Acho que já é hora de termos a conversa que eu evitei há seis anos. Provavelmente já estamos mais maduros pra enfrentarmos a situação e minha mágoa não está tão recente quanto na época. Então já conseguiremos ter uma conversa civilizada. – ela diz, encarando os próprios pés. Sua voz não passa de um sussurro.
–Concordo plenamente. Há tanto que eu gostaria de explicar. Mas o principal é: Elena, eu amo você. Nunca, nesses seis anos, deixei de amar. E o mundo todo pode estar contra isso. Não importa. Vou continuar amando você. E nossa filha... Nossa. Ela é uma garotinha incrível. Ludmila. Finalmente sei seu nome. Sempre soube que você escolheria o nome perfeito. – sorrio. E, apesar dela estar encarando os pés, noto que há um sorriso brincando em seus lábios.
–Damon eu simplesmente não soube o que fazer. Quando eu contei que estava grávida você pareceu tão feliz. – ela começou a se afastar de mim e do estábulo, indo em direção ao descampado. Tratei logo de segui-la. – E então, como um espelho, todo o encanto foi quebrado. Via os cacos do meu conto de fadas ao meu redor e não sabia o que fazer.
Ela olha pra mim e finalmente vejo toda a dor que ela havia reprimido. E lágrimas. Muitas das lágrimas que eu provavelmente a fiz derramar e estava fazendo novamente. Mas depois de hoje, se por acaso eu a fizer chorar novamente, vai ser de felicidade.
–Lena, eu tentei há seis anos e vou tentar de novo agora. Mas dessa vez, espero que a resposta seja diferente. Você me perdoa? – olho diretamente em seus olhos e tento parecer tão sincero quanto estou sendo. Ser transparente para que ela veja que não há truques ou mentiras.
Parecem passar segundos, minutos, talvez até algumas horas antes que ela abra a boca. Mas logo a fecha sem dizer nada. Repete isso mais algumas vezes. Então sorri, com lágrimas nos olhos e finalmente diz:
–Eu perdoo você, Damon.
E isso é o suficiente para me fazer passar em um segundo toda a distância entre nós dois e abraçá-la. Lena chora ainda mais e sinto minhas lágrimas começarem a escorrer também. Sempre esperei por isso, mas nada se compara a estar realmente acontecendo.
Afasto-me um pouco dela. Sua expressão muda radicalmente: ela agora sorri, um sorriso verdadeiro, e toda a dor aparente em seus olhos se foi. Notar que ela está sinceramente feliz ali, em meus braços novamente, me dá uma paz interior que não me recordo de já ter sentido.
Não consigo resistir. Beijo-lhe os lábios. Um beijo cheio de sentimentos e significados, mas puramente doce. Não há nada de dor ou sofrimento. Apenas amor. E o que me surpreende: Elena não resiste. Seu corpo relaxa e ela passa os braços por meu pescoço, aconchegando seu corpo ao meu. Nos separamos quando ficamos sem fôlego.
–Mas... e a Carmélia? – estamos voltando de mãos dadas para a casa que comprei para morarmos.
–Nunca passou de amizade. Interpretamos papeis na frente dos nossos pais. Não quebrei minha promessa, Lena. Você foi minha única. E se nunca voltarmos a ter um relacionamento, continuará sendo. Essa foi a promessa que eu consegui não quebrar.
Ela arregala os olhos e em seguida abaixa a cabeça. Logo entendo o porquê: ela não cumpriu a promessa. Mas, honestamente, eu não me importo. Pelo meu erro, mereci isso.
–Lena? – nenhuma resposta. – Lena, está tudo bem. Não gosto do Heroína, isso é claro como água, mas não tem importância. Fui eu quem errou, lembra?
Nos abraçamos novamente, mas começou a chover muito forte. Corremos de mãos dadas para dentro da casa, que já estava bem perto, e procuramos nos secar. E então me dei conta de que, pela primeira vez desde comprei essa casa, alguém além de mim entrava aqui. E é exatamente a pessoa que devia estar aqui: minha Lena.
–O que foi? – ela pergunta, ao me pegar encarando.
–Só estava pensando... Comprei essa casa há uns quatro ou cinco anos. Foi a outra promessa que cumpri: a de comprar um haras pra você. Aqui, agora, é a primeira vez que alguém, além de mim, entra nessa casa. E é a única pessoa que eu queria ter aqui comigo.
–Ei, temos uma filha, esqueceu? – ela joga em mim a toalha que eu havia pego para ela se enxugar. – Ela também devia estar aqui. – ela olha ao redor. – Então é por isso que a casa está tão vazia?
–Sim, é exatamente por isso. Carm entende meus motivos para evitar a casa durante todo esse momento. – me aproximo dela e dou-lhe um selinho. – É um presente pra você e pra nossa filha.
–E por falar nela, onde será que a Car se meteu com a Mila?
–É uma excelente pergunta. Gostaria de passar mais um tempo com a minha filha antes que você voltasse para o Heroína. – faço uma careta. Lena parece desconfortável com meu comentário. Resolvo mudar de assunto. – Vou ligar para ela. Por que você não vai até o quarto e veste alguma coisa para não pegar um resfriado com essa roupa molhada?
Elena some pelo corredor. Apesar dela não saber o caminho, ela não me pede para mostrar ou dizer onde é. E eu realmente prefiro que ela explore a casa, afinal, é pra ela. Com o telefone em mão, procuro o contato da minha cunhada e ligo. Desligado. Isso não é um bom sinal.
Olho novamente para a tela e noto que há uma nova mensagem. É de Carm.
*Damon, saí com a Caroline e a Mila e fomos até aquela venda perto da nossa casa. Mas com a chuva, a estrada para o haras foi bloqueada por uma árvore. Não se preocupe, o caminho para a casa está livre e vamos ficar por lá. De acordo com a polícia, a pista só vai ser liberada pela manhã. E apenas se a chuva der uma trégua. Aproveite bem seu tempo.*
Sento-me no sofá, que é o único móvel presente na sala, e espero por Elena. Por sorte, a senhora Penhallow deve fazer algo para o jantar e vai vir aqui perguntar se eu quero alguma coisa.
Por hoje, vou apenas aproveitar a companhia da mulher que eu amo. E passar algum tempo abraçado com ela, sentindo seu cheiro, conversando. E também para evitar um futuro constrangimento, já que ela está noiva. Mas só de saber que as coisas estão começando a mudar, já me sinto satisfeito.
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