Past Dreams
22 Capítulo Bônus - Uncle's Advices / Date Night
Notas iniciais
POV Jace
Lena foi muito boa comigo. Sempre se esforçou para me deixar feliz e confortável na situação em que estávamos. Sem contar com o fato de que ela me concedeu o privilégio de ter uma filha durante seis incríveis anos. Mas não vou guardar mágoas por não termos mais um relacionamento.
Algo que minha ex-noiva disse, e que não sai da minha cabeça foi: “Você precisa ser feliz. E comigo, isso nunca vai acontecer. A Clary, por exemplo, você nunca notou que ela tem uma quedinha por você? Talvez seja a hora de dar um tempo a você e depois chamá-la para sair.” Fico me perguntando se ela teria razão.
Levanto do banco de cimento em que eu estava sentado e que ficava em um ponto pouco movimentado do parque. Paro numa carrocinha de cachorro-quente e compro um sanduíche para comer antes de voltar para casa. Não comia nada desde o café-da-manhã e ainda não era hora do jantar.
Vaguei durante um tempo e quando percebi, estava no portão da casa do meu tio adotivo, Luke. Ele é pai da Clary e a mulher dele, a tia Jocelyn, não costumava gostar muito de mim. Vai ver fosse pelo fato de que a filha dela gostava de mim e nós fomos criados como primos.
Entrei no quintal que tinha um belo e bem cuidado jardim. Minha tia tinha um talento magnífico para jardinagem. Fazia disso um hobby. Bati na porta e esperei. Logo tio Luke abriu a porta e sorriu. Puxou-me para um abraço daqueles com direito a tapinha nas costas. Abre espaço para que eu entre e depois fecha a porta.
Sigo para sala sabendo que logo ele se juntará a mim. Estou nervoso, mas sinto que ficarei melhor se conversar um pouco com ele. Quem melhor do que o pai da garota para conversar a respeito dela? E o melhor: ele é meu tio! Não vai tentar me assustar nem nada. Ou, pelo menos, é o que eu espero.
–Então, Jace, o que o traz até minha casa? Faz tempo que não o vejo. Está tudo bem com seus pais? Sua filha e sua noiva...?
–Elena e eu terminamos. E Ludmila... Bom, a verdade já é de conhecimento geral, então creio que não vai fazer mal se eu contar. Mila não é minha filha biológica. O que não quer dizer muita coisa, já que meus pais também são adotivos e não são menos pais por esse motivo.
–Deixe-me ver se entendi. Você passou seis anos criando uma filha que não é sua? Nossa, Jace. E você já sabia que essa menina não era sua filha ou descobriu agora?
–Eu sabia. O ex-namorado da Lena, o Damon, ele aprontou com ela e eles brigaram. Pra proteger minha melhor amiga e a filha dela, eu me ofereci pra assumi-la. E por mim também, porque eu amo a Elena. Mas não posso ter o que quero se isso deixá-la infeliz. Então nós terminamos pacificamente e ela agora voltou para o Damon, pai da Mila. Mas ela me disse uma coisa, hoje mais cedo, que não sai da minha cabeça.
–Deve ter sido algo bem impactante pra você vir falar comigo. E que precisasse de uma opinião externa, porque veio procurar a mim, não a seu pai.
–Ela disse algo sobre a Clary. Foi por isso que decidi vir aqui e conversar com você, tio. A Lena disse que talvez fosse o momento de me dedicar um pouco a mim e então, quem sabe, chamar a Clary pra sair. – ele me encarou surpreso. – Também mencionou que ela sempre teve uma quedinha por mim.
Passaram alguns minutos até que meu tio se pronunciasse novamente. Confesso que tive medo de ser repreendido por contar isso a ele. Afinal, apesar de não termos uma ligação de sangue, Clary e eu fomos criados como primos.
–Bom Jace... – ele faz uma pausa. – É verdade. Minha filha sempre gostou muito de você. Não que ela fale a respeito comigo, mas com sua tia o faz. Clary sempre pediu conselhos a Jocelyn e minha mulher conversa sempre comigo sobre nossa filha. Não sou um pai chato e nunca fui de prender minha filha, então não tive motivos pra censurá-la quanto aos sentimentos que nutria por você.
–Eu não fazia ideia...
–Sei que não. Estava cego por seus sentimentos pela Elena. Quando você anunciou que estava indo embora, Clary sofreu muito. Acredito que ela ainda tivesse esperanças. Se você quiser correr atrás do tempo perdido agora, é decisão sua, mas vou logo avisando: depois que você viajou, Jocelyn se indispôs ainda mais a um possível relacionamento entre você e Clary.
–Obrigado pelo conselho, tio. Já sei o que vou fazer. Realmente tomei a decisão certa vindo até aqui para conversar. Aliás, onde está tia Jocelyn?
–Você deu sorte dela não estar em casa. Certamente teria problemas encontrando com ela. – rimos.
–Bom, vou indo antes que minha sorte passe. Não quero abusar da ausência da tia. Até mais, tio.
–Até, meu caro.
Depois de sair da casa dos meus tios, resolvi voltar para casa. Meus pais deviam estar preocupados. Afinal, disse que iria apenas dar uma volta no parque. Chegando lá, encontrei meu pai no sofá assistindo beisebol e minha mãe estava na cozinha, terminando o jantar. O cheiro estava delicioso.
–Onde você estava? Fiquei preocupada. – minha mãe disse, tentando esconder a apreensão ao virar para a panela, de costas para mim.
–Fui ao parque, como disse que faria. Depois acabei indo visitar o tio Luke. – fiz uma careta. Minha mãe provavelmente perguntaria o porquê.
–Estava mais do que na hora de você dar um oi para o seu tio. Jecelyn estava lá? Faz alguns dias que não ouço notícias dela.
–Segundo o tio Luke, ela havia saído. Foi bom passar um pouco de tempo com meu tio. Estava sentindo falta de conversar com ele. Vou subir e tomar um banho pra jantar, tudo bem?
–Pode ir, filho. Chamo você quando o jantar estiver pronto.
Fui até o meu quarto. Mas, antes de pegar a roupa e ir tomar banho, mandei uma mensagem para o Alec. Precisava saber uma coisa, antes de tomar uma atitude. Como ele não respondeu de imediato, fui tomar banho. Quando voltei ao quarto, ainda não havia resposta. Depois do jantar eu vejo, então.
Desci para me juntar aos meus pais para o jantar. A comida da minha mãe sempre foi maravilhosa. Mas, desde que voltei a Atlanta, ela parecia ter adquirido um sabor mais apurado. Talvez fosse por conta do tempo que passei sem a culinária da dona Amatis.
–Filho, está tudo bem? – meu pai perguntou, de repente.
–Hum? O quê...? Ah, está sim. Não precisam se preocupar. – dei um sorriso.
–Então por que você parece tão distraído e absorto?
–Estou pensando em algo que a Lena me disse. Não é nada demais. Não precisam se preocupar. Logo vão saber de tudo.
Começamos a conversar sobre assuntos banais. Qualquer coisa para mostrar aos meus pais que eu estava bem apesar de ter terminado recentemente meu noivado de seis anos. Depois de comer, decidi ir logo dormir, já que não havia muito a fazer e eu estava cansado. Acabei não olhando o celular antes de cair na inconsciência.
POV Clary
A noite foi bem intensa. Apesar de saber que a Mila é filha do Damon, o que é um alívio pra mim, não fazíamos ideia do motivo para o Jace ter assumido a filha da Elena. Mas a senhora Salvatore fez questão de nos deixar a par de toda a situação.
Foi uma cena horrível de se ver. Uma mulher tão elegante e instruída, tão preconceituosa. Lena era uma pessoa muito legal, de bom coração e estava sendo escorraçada simplesmente por ser filha de empregados. Um absurdo. E Damon tendo que enfrentar a própria mãe para defender a mulher e a filha dele. Numa família unida, isso seria inadmissível. Mas são os Salvatore, e desde que a Car anunciou o casamento, nada tem parecido normal nessa família.
Constrangidos por estarmos presenciando um momento tão particular, vamos todos para o meu quarto: eu, Izzy e Alec. O que foi uma boa oportunidade pra conversarmos sobre nós três.
–Então, Izzy, como vai o Simon? Faz tempo que não o vejo.
–Ele finalmente desistiu da banda. Já estava mais do que na hora. Eles estão na faculdade agora. Precisavam deixar de lado aquela experiência mal sucedida. Apesar de brigarmos toda vez que digo a ele que foi melhor assim.
–Entendo. Sinto muito pela banda. Se eles tentassem coordenar um pouco mais os sons, talvez conseguissem fazer mais sucesso. – ela assente. – E você, Alec. Quem é essa misteriosa sortuda que ganhou seu coração. Você não fala muito sobre ela.
–Chama-se Magnus Bane. O médico que cuidou da Elena quando ela foi atropelada. – mordi meu lábio inferior para impedir que um gritinho de surpresa escapasse. – Tudo bem, pode demonstrar sua surpresa. Meus pais fizeram pior. Izzy foi a única que me apoiou. E Max não sabe.
–Sinto muito, Alec. Está tudo bem. Não vou julgar você. Pelo contrário, vou apoiá-lo, assim como sua irmã. Só é algo realmente inesperado. Nunca imaginei que você não gostasse de garotas. – me aproximei dele e o abracei. – Conte comigo para o que precisar. E, se um dia vocês forem casar, pode contar comigo como madrinha. Mesmo que seja em Las Vegas.
Todos rimos do meu comentário. Alec foi olhar as horas no celular e descobriu que havia uma mensagem não lida. De Jace. Empertiguei-me para perto dele para conseguir ler, mas não precisei, já que ele começou a ler em voz alta.
–“Alec, o número da Clary ainda é o mesmo? Ela tem namorado? E, por favor, não mostre essa mensagem a ela.” Ops. Acho que ela já sabe o que está escrito, irmão.
–Alec, você tem sido muito fofoqueiro ultimamente. Principalmente com assuntos do Jace. – repreende Izzy. – Primeiro a paternidade da Mila, agora essas perguntas super indiscretas sobre a Clary...
A mensagem me deixou intrigada. Sim, meu número era o mesmo e não, eu não estava namorando. Mas por que motivo ele perguntaria isso? E mais: por que perguntaria justamente para o Alec? A Izzy me conhece muito mais. Talvez ele só tenha o número do Lightwood mais velho...
–Ele mandou há umas três horas. Acho melhor não responder, ele pode estar dormindo.
–Deixa pra amanhã de manhã. – completou Izzy.
–Tenho uma ideia melhor. Amanhã vamos sair todos juntos. Como nos velhos tempos. – Alec sorriu como se estivesse prestes a aprontar. Fiquei com receio do resultado. – Clary, você trouxe seu war? Diz que sim. – assenti. – Ótimo. Vamos jogar? Estamos um pouco parados aqui dentro. A coisa lá fora deve estar pegando fogo, apesar de eu não escutar nenhum grito.
–O Damon foi corajoso ao enfrentar a mãe. Principalmente quando ela disse que se ele fosse atrás da Elena, não precisava voltar aqui. Nunca mais. Queria ter alguém que me defendesse daquele jeito. Mas, Deus me livre, que não tivesse uma família como essa. – digo, distraída.
–A Elena soube lidar bem com isso. E sem fazer um escândalo. Admiro isso nela. – comenta Izzy. – Não sei o que eu faria no lugar dela. Aliás, nem no seu, Alec. Você teve tanta coragem quanto a Lena ao se assumir para os nossos pais.
–Amo você, irmã. Obrigado por ficar ao meu lado. Foi importante. E a você também, Clary, por não surtar quando eu contei a você.
–Disponha. Pra isso servem os amigos e irmãos.
–Discordo. Quando eu era criança, pro Alec, eu servia de escrava, porque eu lembro muito bem dele me obrigando a fazer muitas coisas no lugar dele. E ainda tinha a coragem de me ameaçar, esse cretino! – Izzy pega uma almofada em cima da cama e joga em Alec, que se junta a nós novamente, com a caixa do jogo em mãos.
A noite termina assim: nós três, no meu quarto, como antigamente, jogando um jogo de tabuleiro qualquer. Algumas pessoas podiam pensar que aquilo era uma reunião bem simples, mas para nós, que não nos víamos com muita frequência, era muito bom. Principalmente com as piadas que Izzy e Alec insistiam em contar.
POV Alec
Fomos dormir bem tarde. Enquanto saíamos do quarto da Clary e íamos para o nosso, fiz um pedido à Izzy. Não sabia se minha irmã concordaria, mas precisava tentar. Pelo bem alheio.
–Izzy? – testei.
–Hm?
–Tenho algo a pedir, mas você precisa me prometer que não vai dizer não antes que eu termine de explicar. – parei em frente a minha irmã e a encarei.
–Posso tentar, mas se for necessário, vou dizer que não e ponto final.
–Por favor... – suplico.
–Desembucha.
–Pensei de chamar Clary e Jace pra saírem comigo, com você, Magnus e Simon. Sei o que parece e é exatamente isso. – continuei quando ela tentou me interromper. – Clary sempre foi apaixonada por Jace, e disso todos nós sabemos, com exceção do próprio. Então pensei em dar um empurrãozinho. Magnus está de folga amanhã, então é perfeito. Estou com saudades do meu namorado.
–Bom, também estou com saudades do meu, mas você acha que vai funcionar? Quero dizer, Jace acabou de terminar um noivado de seis anos. Talvez ainda não seja hora de começar nenhum outro relacionamento.
–Mas se ele não estivesse cogitando a possibilidade, não teria pedido o número da Clary e não perguntaria se ela tem um namorado. Por que mais ele perguntaria?
–Bom, nesse caso tenho que concordar com você. Ele foi muito óbvio na mensagem. – ela faz uma pausa, considerando. – Talvez você esteja certo. Vou ligar para o Simon assim que acordarmos. Agora ele deve estar dormindo, assim como a mãe dele. Não quero criar problemas com a minha sogra. Além disso, também estou cansada.
–Somos dois, irmã. Vamos dormir de uma vez. Ah, só mais uma coisa: Clary e Jace não podem saber um do outro e nem de Magnus e Simon. Eles nos encontrarão lá.
–Por mim, está perfeito.
Deitamos cada um em sua respectiva cama depois de tomarmos banho e escovarmos os dentes. Izzy dormiu logo, mas eu demorei. Estava muito agitado e elétrico com a nova possibilidade.
Na manhã seguinte, precisamos nos esforçar para não demonstrar que tínhamos planejado algo. Depois de tomar café-da-manhã em uma sala de jantar cuja tensão tinha forma, minha irmã e eu subimos novamente e ligamos para nossos respectivos namorados para combinar os planos da noite. Tudo certo com Magnus e Simon. Era hora de partir pras próximas vítimas: Clary e Jace.
Nossa amiga estava na piscina nadando quando chegamos à área externa da casa. Deixei que Izzy fizesse o convite e, como combinamos, eu iria até a casa dos Herondale falar pessoalmente com Jace.
–Bom dia, Fray! – cumprimentei. Não o havia feito ainda porque Clary não tomara café-da-manhã conosco.
–Bom dia, Alec. Dormiu bem? Está com uma cara ótima.
–São seus olhos. Vou sair. Devo estar de volta em uma ou duas horas. Até mais. – acenei para minha amiga e dei um beijo na cabeça da minha irmã, que se preparava para entrar na piscina também.
Saí da mansão e fui caminhando até a casa do amigo que sempre considerei meu irmão. Ir àquela casa me fazia lembrar a minha infância, quando eu passava vários fins de semana jogando videogame aqui com Jace e Max, já que meus pais viajavam e Izzy ia ficar com Elena, Clary e Caroline.
Subi as escadas da varanda e bati à porta. Esperei longos segundos até que tio Stephen, meu padrinho e amigo de longa data dos meus pais, abrisse a porta. Ele sorriu ao me ver e me convidou a entrar.
–Se está procurando por Jace, ele está no quarto. Já vou logo avisando, ele parece ansioso com alguma coisa. E você sabe como o humor dele fica quando está ansioso.
Lembrava bem de como era. Toda vez que havia um lançamento de mangás ou jogos se aproximando, Jace inventava de ficar ansioso. E ai de quem estivesse perto. O humor dele ficava ácido e ele não se preocupava se magoaria ou incomodaria alguém com o quer que ele dissesse. Mas tenho a impressão de que ele vai ficar melhor assim que me vir.
Cumprimentei tia Amatis, que estava na cozinha preparando o almoço e me avisou que prepararia torta de framboesa, minha favorita e também a especialidade dela. Agradeci e avisei que iria procurar por Jace.
Subi as escadas de dois em dois degraus e fui direto até o quarto do meu melhor amigo. Antes de abrir a porta, pude ouvi-lo resmungar. Assim que entrei, flagrei-o com o celular na mão e então tive certeza de que minha falta de resposta à sua mensagem na noite anterior era o motivo da ansiedade.
–Você está péssimo. – provoco, em tom de deboche.
–Precisava mesmo fazer todo esse mistério para responder a droga de uma mensagem? Sabe que eu não fico muito feliz quando estou ansioso.
–Tenho uma proposta pra você. E sim, o telefone da Clary é o mesmo. Ela nunca ficaria com outro cara. Você e o amor da vida dela. – se minha amiga descobrisse que eu disse isso a ele, cortaria minha garganta.
–Diz logo. Ainda mais agora, depois de ter, finalmente, sanado minha curiosidade. Não me faça ficar ansioso novamente. Meus pais já passaram boa parte da manhã preocupados comigo.
–Eu não deveria dar detalhes, mas... Nós vamos sair hoje à noite. Como nos velhos tempos. Vamos ao cinema e...
–A Clary vai? – ele me interrompe.
–Depois vamos a uma lanchonete. Ou restaurante. – continuo, ignorando sua interrupção. – Planejei um encontro de casais pra te dar uma força com a Clary. Deduzi, pela mensagem, que você vai dar uma chance a ela. Mas vou dar um aviso a você: parta o coração dela e terá problemas comigo, com a Izzy e com o Simon. Entendeu?
–Não precisa se preocupar. Meu tio seria o primeiro a me caçar por Atlanta.
Fico mais um tempo com Jace na casa dos pais dele. Almoço por lá e depois como um pedaço da torta de framboesa. Despeço-me de todos e aviso a Jace a hora do encontro. Ele responde que estará lá e eu volto para a mansão Salvatore para me juntar à Izzy e Clary.
Passamos a tarde toda na piscina e saímos apenas para nos arrumarmos para o encontro. Clary não faz ideia de que vai ser um encontro de casais, mas Izzy consegue persuadi-la a se arrumar para uma noite especial.
Saímos dali em um táxi e vamos para o ponto de encontro. No caminho, recebo uma mensagem de Jace dizendo que já está no ponto de encontro com Simon. Ele realmente está ansioso. Espero que o Magnus só chegue depois de mim. Vai ser mais fácil explicar assim. Tomara que meu melhor amigo não resolva fazer uma cena no cinema.
Ao chegarmos ao cinema, Clary é a primeira a ver Jace e Simon, e fuzila a mim e à Izzy com o olhar. Apenas sorrimos em resposta e caminhamos para perto de nossos amigos. Não demora muito até que Magnus chega. Clary, Izzy e Simon já sabem, Jace é o único que ainda não tem conhecimento a respeito do meu namorado.
–Clary, Jace, esse é Magnus Bane...
–O médico que cuidou da Lena quando ela foi atropelada, eu me lembro. Mas o que ele faz aqui? – Jace precisa parar com essa mania de me interromper.
–... meu namorado. – completo.
Clary sorri, se aproxima e beija ambas as bochechas de Magnus e então diz um tímido, porém simpático oi. Jace ainda está assimilando o que eu disse. Andamos na direção da fila de ingressos, a fim de impedi-lo de dizer qualquer coisa. Ouço Clary sussurrar um “depois” para ele às minhas costas.
Quando entramos na sala de exibição, optamos por sentar separados, cada casal em seu canto. Após o filme, fomos jantar em um restaurante próximo. Jace evitou me olhar durante todo tempo e ficou muito quieto. Fomos embora cerca de uma hora depois. Magnus me convidou para dormir em seu apartamento e eu aceitei, apenas para esticar a noite.
Algo me incomodava. Meu melhor amigo descobriu que sou homossexual e, honestamente, sua reação não foi das melhores. Por sorte, Clary o conteve antes que criasse confusão. Só espero que depois de conversar com ele, tudo fique bem. Não suportaria, de forma alguma, perder a amizade mais importante da minha vida.
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