Past Dreams
10 Capítulo 8 – Ludmila
Notas iniciais
Dias atuais...
Elena
Comecei a dar uma olhada nos papeis que a garota sentada na minha frente me entregou, ela tinha dezesseis anos e estava prestes a ter um bebê sem o menor apoio do pai da criança ou da sua família, infelizmente isso não é uma situação muito rara de acontecer.
– Gostaria que você tivesse nos procurado antes – falei sem retirar os olhos das folhas – Poderíamos ter acompanhando toda a sua gestação de perto e te dado todo o apoio.
– Eu não conhecia essa ONG até a semana passada – deu de ombros – Então consegui marcar um horário para hoje.
– Certo – continuei – Você pelo menos tem feito o pré-natal? É muito importante um acompanhamento médico durante a gravidez, ainda mais na sua idade – eu sabia muito bem disso, passei pela mesma situação, ainda por eu ter descoberto sobre o bebê com quatro meses e também teve, é claro, o acidente.
– Sim, eu estou indo – afirmou – Uma amiga minha, que tem me apoiado e quem tem me hospedado desde que meus pais me expulsaram de casa, me fez ir a uma obstetra em um posto de saúde. Fiz todos os exames e tenho tomado as vitaminas que ela me receitou.
– Ótimo! — falei – Desculpe perguntar isso, mas é que eu sou curiosa. Você sabe se é menino ou menina?
– É um menino – deu um sorriso bobo enquanto passava a mão pela barriga – Mas eu ainda não escolhi o nome, são tantos que eu não consegui me decidir por um.
– É mesmo muito difícil, mas você ainda tem tempo – lembrei – Tem mulheres que só escolhem quando seguram o filho pela primeira vez.
– Tem razão – concordou – Essa daí é a sua filha? — perguntou enquanto olhava para o porta retrato em cima da minha mesa.
– É sim! — sorri enquanto também olhava para a foto, nela, Mila estava sorrindo sentada no balanço, foi tirada há pouco mais de um ano – É a minha princesinha, a pessoa mais importante da minha vida.
– Você tem sorte – disse – Espero que seja uma mãe tão boa quanto você parece ser.
– E você será – afirmei – Bom, não sei se você sabe como funciona a nossa ONG. Mas nós oferecemos ajuda financeira e acompanhamento psicológico para as mães. Você também pode pedir um enxoval, caso ainda não tenha comprado nada e alguém aqui pode te acompanhar no parto caso queira.
– A minha amiga disse que vai estar comigo nesse momento – explicou – Mas confesso que estou com um pouco de medo disso, ouvi dizer que dói muito.
– Não vou mentir, a dor é mesmo horrível – fiz uma careta com aquelas lembranças – Mas você vai sobreviver.
– Bom, acho melhor eu ir embora – avisou se levantando — Muito obrigada, por tudo, senhorita Gilbert.
– Por favor, me chama de Elena – pedi – Quero que sejamos amigas.
– Está bem, Elena, eu também espero que sejamos amigas – concordou – E me chame de Melissa.
Acenei com a cabeça antes dela sair da minha sala, então voltei a olhar para aquela foto da minha filha. É só por causa de Mila que estou aqui, sabia que milhares de crianças, como ela, eram rejeitadas pelos pais, mas nem todas tem a mesma sorte que eu tive de alguém querer cuidar de nós e queria ajudar essas pessoas de alguma forma. Foi assim que eu decidi fazer faculdade de serviço social e, há dois meses, consegui um estágio nessa ONG que ajuda mães solteiras.
Meu celular tocou, cortando os meus pensamentos. O nome de Jace estava piscando no identificador de chamadas.
– Oi, Jace – disse assim que atendi – Está tudo bem, aconteceu alguma coisa?
– Oi, Lena – ouvi a sua voz do outro lado da linha – Eu estou aqui preso na secretaria da faculdade pegando alguns papéis para levar ao estágio. Pedi para a sua mãe buscar a Mila na escola, já que hoje é o dia dela de folga, como eu ainda vou ter que passar no escritório para levar a documentação, será que você pode ir buscá-la?
Pearl Santiago, a nova patroa dos meus pais é um amor de pessoa e muito compreensiva, sabe que nenhum dos dois é mais novo como antes, então não os faz trabalhar tanto, sem contar que comprou um bom apartamento de três quartos para eles e Jeremy morarem assim que chegaram aqui em Phoenix. Ela é viúva, então mora apenas com sua filha Anna, que é um ano mais nova que o meu irmão; o seu falecido marido as deixou em uma boa situação financeira e acho que são até mais ricas que os Salvatore, mas sempre viveram da maneira mais simples possível.
– Claro que não tem problema – garanti – Vou sair daqui da ONG daqui a pouco e vou até lá buscá-la.
– Perfeito – continuou – Não sei quanto tempo vou demorar, mas vou comer alguma coisa por aqui, então não me espere para jantar.
– Pode deixar – garanti.
– Agora eu preciso ir – ao longe eu ouvi alguém gritando, “próximo”, provavelmente estava na fila da secretaria – Eu te amo, Lena,
– Também – dei um sorriso sem graça. Jace era um fofo comigo e tem feito tudo por mim e pela minha filha, mas mesmo estando juntos há seis anos e só esperando que eu me forme para marcarmos a data do casamento, não consigo dizer as palavras “eu te amo” para ele, parece tudo tão falso e errado – Nos vemos mais tarde.
Assim que desliguei fiquei olhando para a foto que era o papel de parede do meu celular; nela estava deitada na cama do hospital segurando a Mila recém-nascida e Jace estava em pé ao meu lado. Foi meu pai quem tirou essa foto, ele e minha mãe ficaram ao meu lado o tempo todo desde o momento em que eu comecei a sentir as primeiras contrações e também ficaram esperando do lado de fora enquanto Jace me acompanhava no centro-cirúrgico; infelizmente, depois disso, nenhum dos dois pode ficar lá em casa, já que tinham acabado de começar a trabalhar e não podiam se ausentar por tanto tempo, então a mãe de Jace veio para cá me ajudar nos primeiros meses do bebê.
Mila já está com cinco anos, mas eu me lembro perfeitamente desse dia.
*Flash back*
Gritei quando uma nova contração veio e apertei a mão da minha mãe com toda a força. Imaginei que ela devia estar sentindo muita dor, mas mesmo assim não consegui soltá-la.
– As contrações já estão vindo de cinco em cinco minutos – deu um beijo no topo da minha cabeça, eu estava deitada no seu colo, no banco de trás do carro – Aguente só mais um pouco.
– Pai, nós já estamos chegando? — perguntei, estava sentindo o carro andar, mas não é uma boa velocidade. Não queria ter a minha filha ali, no meio do trânsito.
– Nós já estamos chegando – garantiu – Espere só mais um pouquinho, minha filha, já estamos quase no hospital.
– E o Jace? — agora eu estava choramingando – Alguém tem que ligar para ele. O Jace vai querer estar aqui comigo.
– O Jeremy disse que iria ligar para ele assim que saímos de casa – minha mãe lembrou – Ele está na aula, mas combinou com você que ia deixar o celular ligado agora que estava perto da filha de vocês nascer, não é mesmo?
Balancei a cabeça afirmativamente. Estamos no final de junho e grande parte das pessoas já está de férias escolares, mas o Ensino Médio da escola em que estudamos ainda não, eu ainda estou estudando, mas os professores permitiram que eu começasse a fazer os trabalhos em casa quando entrei no nono mês de gestação.
Dez minutos e duas contrações depois, chegamos ao hospital e a minha obstetra me levou diretamente para a sala de exames, foi lá que eu descobri que teria de fazer um cesariana, pois o bebê estava sentado. Estava morrendo de medo, mas Jace não demorou muito para chegar e ficou ali, me dando apoio.
– Não se preocupa, Lena, eu estou bem aqui com você – estou dentro do centro-cirúrgico, e Jace está parado ao meu lado, ele se abaixa para me dar um selinho – Vai ficar tudo bem, com você e a nossa filha.
Ele ficou ali, segurando a minha mão, conversando comigo e me distraindo, não sei quanto tempo passou até que um chorinho ecoou pelo local. A médica trouxe a minha filha embrulhada em um cobertor verde do hospital.
– Olha quem chegou, mamãe! — disse, me entregando ela – Parece bem saudável e tem dois pulmões bem fortes, como deu para perceber.
Ela ainda estava toda suja de sangue, mas isso não a deixava menos linda. Seu rostinho ainda estava amassado, como de todo bebê recém-nascido, mas dava para ver que era bem bochechuda, assim como eu quando era pequena, também tinha uma covinha no queixo e seus olhos eram do mesmo tom castanho que os meus, exatamente como eu passei meses pedindo, não queria que minha filha tivesse nada do pai, ele não merece isso.
– Você é linda, minha princesinha – comecei a sorrir como uma boba, algumas lágrimas se formaram nos meus olhos – Olha, Jace.
– Sim, Lena, ela é linda – Jace estava da mesma maneira que eu, olhando bobo para a “nossa filha”.
– Vocês já sabem o nome que vão dar para ela? — uma enfermeira perguntou, ela estava segurando uma daquelas pulseiras que se usa em hospital, provavelmente queria escrever alguma coisa nela.
– Ludmila – eu e Jace falamos ao mesmo tempo, tínhamos escolhido chamá-la de Ludmila assim que soubemos que eu teria uma menina, era um nome forte, como eu queria que a minha filha fosse.
–É um lindo nome! — escreveu na pulseira e a colocou em Ludmila, que ainda estava no meu colo, totalmente tranquila.
*Fim do Flash back*
Ludmila Judith Gilbert (Jace queria que ela recebesse o sobrenome Herondale, mas eu não deixei, já bastava ele estar assumindo uma filha que não era dele, não precisava dar o nome para ela também), ou simplesmente, Mila, como gostamos de chamar. Ela nasceu no dia 23 de junho de 2008 com 48 centímetros e 2,380 kg, forte e saudável apesar de tudo que passei enquanto estava grávida. Hoje falta pouco mais de cinco meses para ela completar seis anos e é o meu maior motivo de alegria nessa vida.
Arrumei as minhas coisas e fui diretamente para o meu carro, que estava no estacionamento da ONG. Hoje tinha sido um dia bem cheio, tanto no estágio quanto na faculdade e eu estava exausta, claro que eu teria que buscar a Mila, mas eu não penso que cuidar da minha filha seja um trabalho, tenho pouco tempo para ficar com ela e gosto de aproveitar todo ele.
A casa dos meus pais não ficava muito longe de onde eu estava, era um prédio lindo em um bairro de classe média de Phoenix. Parei o carro em frente ao edifício e quando eu passei pela portaria o homem me deixou passar sem nem ao menos interfonar, como faz sempre.
Toquei a campainha e não demorou muito para a minha mãe atender a porta.
– Filha, que bom que você chegou! — sorriu antes de me abraçar – Por favor, entre. Como é que você está?
– Estou bem, mãe! — garanti – Será que você pode chamar a Mila? É que eu estou com um pouquinho de pressa.
– Ela está lá no meu quarto vendo televisão – não pude deixar de revirar os olhos, meus pais estão sempre mimando a minha filha – Mas antes de ir, porque não toma uma xícara de café? Acabei de fazer.
– Tudo bem, mas só uma xícara – concordei, por fim.
Fomos até a cozinha e eu me sentei em frente a mesa que tinha no local. Minha mãe encheu duas xícaras e levou até mim.
– Então, aonde é que estão o papai e o Jeremy? — decidi perguntar.
– Seu pai ainda está no trabalho, mas daqui a pouco deve estar aqui – explicou – E o Jeremy saiu para ir ao cinema.
Apesar de Jeremy estar no primeiro ano da faculdade continua morando com os meus pais, já que está fazendo faculdade aqui mesmo em Phoenix.
– Vai ver ele está namorando e não contou para ninguém – dou de ombros e sorrio.
– Deve ser isso mesmo – concorda e nós duas começamos e rir – Só espero que, se for isso mesmo, ele não demore muito para apresentá-la, ou vou pensar que ele está com vergonha de mim e do seu pai.
– É claro que ele não tem vergonha de vocês, mãe – coloquei a mão sobre a sua, por cima da mesa – Vocês têm sido maravilhosos para nós e tenho certeza de que o Jer, assim como eu, tem muito orgulho de ser seu filho.
– Ora, minha filha, obrigada pelo elogio – sorriu, totalmente sem graça.
– Mas eu estou falando sério – afirmei – Espero que um dia eu possa ser, para a Mila, uma mãe tão maravilhosa como você é para mim e para o Jer.
– E você é uma mãe maravilhosa para ela – garantiu – Tenha total certeza disso.
Continuamos a conversar até o café acabou, depois disso eu chamei Mila e nós duas fomos embora.
– Mãe, será que nós podemos ir até o McDonald's? — minha filha pediu enquanto eu a prendia na cadeira alta no banco de trás do carro.
– Sério que você quer ir ao McDonald's, minha filha? — perguntei – Pensei em fazer uma comida leve para nós duas em casa e depois te colocar na cama.
– Mas eu estou com vontade de comer hambúrguer – explicou – Por favor, quando eu chegar em casa, prometo que vou direto para a cama, sem reclamar – ela fez aquela carinha fofa que era capaz de me convencer de qualquer coisa no mundo, uma das poucas coisas que tinha herdado de Damon.
– Tudo bem, você me convenceu – revirei os olhos, dando-me por vencida.
Como Jace já tinha me dito para não esperá-lo para jantar, decidi comer no McDonald's também. Quando parei na garagem de casa o carro do meu namorado já estava lá.
– E aqui estão as duas mulheres da minha vida – ele disse assim que eu abri a porta, quando o olhei, vi que estava segurando um buquê de margaridas – Estava começando a pensar que vocês tinham fugido de casa.
– Papai! — Mila correu na direção dele, que a pegou no colo na mesma hora e deu um beijo na sua bochecha.
– Oi, minha princesinha – disse – E então, onde vocês estavam?
– Fomos até o McDonald's – explicou – Mamãe me deixou comer hambúrguer, batata frita e tomar refrigerante.
– Ah, foi mesmo? — enquanto falava, Jace olhou para mim.
– Em minha defesa, foi a sua filha quem insistiu – avisei – Como ela tem sido uma boa menina, decidi fazer a vontade dela.
– Já ia me esquecendo, isso daqui é para você – me entregou as flores, ele gostava de me fazer surpresas assim pelo menos uma vez por semana.
– São lindas, Jace, eu amei – me aproximei e beijei, de leve, os seus lábios.
– Eca! — Mila fez uma cara de nojo e tapou os olhos com uma das mãos, não pude deixar de rir da sua reação.
– É assim que eu gosto, minha filha – Jace avisou – Espero que você continue tendo esse pensamento até ter uns 35 anos.
– Vai sonhando com isso – revirei os olhos – Bom, Mila, lembra do que você me prometeu antes de irmos ao McDonald's? Está na hora de você ir para a cama.
– Papai, você me coloca na cama e me conta uma história? — ela perguntou totalmente esperançosa para Jace, minha filha era muito apegada a ele, desde que nasceu.
– Mas é claro, princesinha – garantiu.
– Bom, já que eu estou sendo excluída – dei um longo suspiro me fingindo de ofendida – Acho que só me resta ir dormir.
– Como essa sua mãe é boba, não acha, Mila? — meu noivo começou a brincar – Fala para ela que você também a ama tanto quanto me ama.
– Eu te amo também, mamãe – ela garantiu – Mas é que o papai conta as melhores histórias.
– Tudo bem, eu acredito – minha filha tinha razão, Jace era bem mais criativo, enquanto eu só lia livros. Atualmente ele estava contando a história sobre caçadores de demônios que protegiam secretamente a cidade de Nova York.
Nós três subimos as escadas, os dois foram para o quarto de Mila e eu segui para o fim do corredor onde ficava a suíte principal. Assim que nos mudamos para Phoenix, o senhor e a senhora Herondale alugaram um apartamento para nós enquanto não arranjávamos um lugar para morarmos definitivamente, quando viemos até essa casa, quase um ano depois de estarmos na cidade, tive certeza de que era essa e estamos aqui desde então.
Fui até o banheiro fiz a minha higiene pessoal e coloquei o meu pijama. Quando retornei ao quarto, deitei na cama e peguei o livro que estava lendo, não demorou muito para Jace aparecer.
– A Mila está dormindo como um anjinho – avisou se sentando na ponta da cama – Não ouviu nem metade da história de hoje.
– E qual foi a aventura dos caçadores de sombras hoje, senhor Herondale? — brinquei abaixando o livro para poder encará-lo melhor. Caçadores de sombra eram os nomes dos heróis que ele tinha inventando.
– Eles viajaram para a cidade natal dos caçadores de sombras para poder impedir o vilão em mais um dos seus planos malignos – deu de ombros como se essa história fosse a coisa mais normal do mundo.
– Sério, Jace queria saber de onde você tira tanta criatividade – revirei os olhos – Você devia escrever um livro.
– Quem sabe um dia, mas por enquanto as minhas histórias são apenas da Mila – deu um beijo, de leve, nos meus lábios – Esqueci de trancar a porta – avisou antes de se levantar, foi até a porta e a trancou.
– Por que você está trancando a porta, Jace? — já tinha ideia do que ele ia responder, mesmo assim perguntei.
– Para fazer isso! — segurou o meu rosto antes de me beijar, tudo que eu tive tempo de fazer foi fechar o livro e colocá-lo em cima da mesinha.
Há seis anos a ideia de ter qualquer tipo de intimidade com o meu melhor amigo era totalmente surreal, mas quando viramos um casal as coisas foram acontecendo. Na nossa primeira noite juntos eu me senti totalmente culpada, tinha prometido ao Damon que ele seria o único homem da minha vida e sentia como se estivesse traindo o grande amor da minha vida, mas então me lembro de tudo que ele tinha feito para mim e para nossa filha e sabia que ele também não devia ter cumprido a promessa. Decidi, por fim, tirar isso da minha mente e deixar rolar com o Jace.
Comecei a enrolar os dedos no seu cabelo quando ele retirou os lábios dos meus e passou a beijar o meu pescoço. Foi inevitável não soltar um gemido, Jace deu uma leve mordida no vão entre o ombro e o pescoço que certamente iria deixar uma marca. Sua mão começou a subir por dentro da blusa do meu pijama quando o telefone começou a tocar.
– Deixa cair na secretária eletrônica – pediu enquanto grudava as nossas testas – Depois a gente liga para a pessoa.
Não gostava de deixar a ligação cair na caixa de mensagem, afinal podia ser uma emergência. O problema foi que quando ele começou a me beijar novamente, eu esqueci completamente do que estava fazendo ou o que estava pensando antes.
– Você ligou para o Jace, para a Lena e para a Mila – na mensagem da secretária eletrônica cada um de nós falava o próprio nome, achamos que assim seria mais divertido – No momento não podemos atender, mas deixe seu recado depois do sinal com o nome e o telefone que ligaremos assim que pudermos – Jace completou e, em seguida, o sinal tocou.
– Lena, sou eu – era Caroline – Nem adianta fingir que você não está em casa que eu sei muito bem que está. É melhor você atender logo ou eu vou ligar novamente.
Sabia que Caroline não estava brincando, conheço muito bem a minha melhor amiga para saber que ela vai mesmo ligar até que eu atenda. Por tanto, eu não tinha escolha, empurrei o meu namorado e retirei o telefone do gancho.
– Oi, Car, espera um minuto – pedi retirando o telefone um pouco do ouvido e me virando para Jace, que tinha acabado de se levantar – Aonde é que você vai?
– Tomar um banho frio – explicou – Já vi que essa conversa de vocês vai demorar bastante – foi impossível não rir da cara frustrada dele.
– Agora eu entendi por que você não atendeu o telefone – minha amiga começou a rir – Como vocês dois são safadinhos.
– Car – já estava sentindo minhas bochechas ficarem vermelhas, detestava quando ela começava a falar da minha vida sexual – Vai mesmo começar com isso?
– Desculpa, amiga, eu não resisti – riu – Sei que você deve estar vermelha de vergonha agora.
Revirei os olhos, ela também me conhecia muito bem.
– Mas mudando de assunto, como estão as coisas ai? — quis saber – Como está o Jace? E a Mila?
– O Jace está bem e a Mila também, embora ela viva me perguntando quando a madrinha desnaturada dela vem visitá-la – falei – Sério, Caroline, se eu soubesse que você quase não ia nos visitar, não teria te convidado para ser a madrinha dela.
– Sei que eu não tenho sido uma boa amiga nem uma boa madrinha – admitiu – Mas eu vou recompensar tudo isso, estou indo para Phoenix nesse fim de semana.
– Você está vindo para Phoenix? — fiquei totalmente animada, nesse momento – Isso é mesmo ótimo, Car! Quanto tempo vai ficar?
– Apenas quatro dias, vou aproveitar que as minhas provas na faculdade acabaram e vou tirar uns dias de descanso – explicou – E eu tenho uma novidade para te contar, também.
– Que novidade? — perguntei, totalmente curiosa.
– Você vai saber quando eu chegar aí dentro de dois dias – avisou – Vou te mandar, por e-mail, as informações do meu voo. Pode ir me buscar no aeroporto?
– Mas é claro que eu posso, Car, nada me deixaria mai feliz – garanti – Nos vemos daqui a dois dias.
Quando desliguei estava totalmente animada, minha melhor amiga vai vir para Phoenix e passará quase uma semana aqui. Claro que temos nos visto com bastante frequência desde que eu me mudei de Atlanta, mas nunca era o suficiente para colocarmos todo o papo em dia, portanto sempre que eu e Caroline nos encontrávamos era mais do que motivo para festa e dessa vez não seria diferente, principalmente porque tenho a impressão de que a noticia que ela tem para dar é uma coisa grande.
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