O céu nublado deixa a temperatura bem agradável. Alguns sons de lápis ecoam na silenciosa aula de história japonesa, as provas estão perto, então todos os alunos daquela classe estão fixados em seus livros.

Eu? Meu nome é Aoi Ikeda...

— Sora-chan... Empresta a borracha?

— Ah? Claro... aqui, pegue.

Obrigado por estragar minha apresentação e me fazer passar por mentiroso!

Recomeçando... Realmente me chamo...

— Aqui, thanks~

— ...

Enquanto tento me apresentar, minha colega de classe erra em suas anotações para a prova da semana que vem. História japonesa não é o forte dela e, tenho certeza, de ninguém nessa sala fora o professor careca.

Vamos tentar novamente... Meu nome é...

— Borracha por favorzinho~

— Apenas fique com ela!!

Essa garota, Haruna Kobayashi, é minha vizinha e, por mais clichê que seja, amiga de infância. Seus pais morreram quando ainda era criança, sendo cuidada apenas por sua avó. Já o meus, prestaram total apoio justamente por sempre brincarmos juntos.

— Aqui! Obrigada!

Mesmo eu falando para ela ficar com a borracha...

O sino do intervalo bate e, como faço todos os dias, dirijo-me ao refeitório para tentar comprar meu pão de melão, sim... tentar! Pois todos os dias, enfrento uma batalha pelo pão de melão. Não é tão grande comparada à sangrenta guerra pelo Santo Grall... assim chamamos o pão de yakisoba.

Mas hoje, algo mudou minha rotina de intervalo. Sinto um puxão atrás de mim, alguém segura meu uniforme, ao olhar para trás, vejo Haruna com uma expressão bem diferente da de costume.

— Sora-chan…

— O que foi, Haruna?

— Eu gostaria de comer junto com você hoje...

No intervalo, Haruna costuma sempre ir comer com suas amigas, mas hoje ela está estranha, seu rosto está vermelho... Será que é febre?

Eu coloco minha mão em sua testa, jogando para o lado algumas mexas de seu cabelo avermelhado.

— Você não parece está com febre. Por que está tão vermelha assim?

— Não estou doente!

Ela grita tirando minha mão de sua testa e a segura com as suas.

— Quente...

Eu senti o calor daquelas mãos e era bem aconchegante, eu poderia me acostumar com aquilo.

— Você vem ou não?

Seus grandes olhos verdes não piscavam ao olhar para mim.

— Okay... Eu posso sim.

Falei de um modo mais sereno. Hoje, na minha frente, não estava a Haruna alegre e extrovertida que conheço. Aquela expressão tímida e envergonhada, segurando minha mão com força, me fez corar um pouco.

— Ótimo... Eu tenho alguns lanches que fiz de manhã.

Parece que hoje não irei comer meu pão de melão...

Andando pelo corredor, geralmente gosto de ficar com as mãos no bolso, talvez querendo ser igual aos personagens de animes que assisto nos fins de semana.

Haruna acompanha meus passos segurando uma vasilha quadrada coberta por um pano de cozinha. Sinceramente estou com receios, suas notas em culinária domesticas não são tão boas...

Acompanhando o mesmo ritmo de passos um do outro, finalmente chegamos ao teto do colégio. Diferente dos animes, aqui os protagonistas não ficam sozinhos, logicamente, esse é o lugar mais cobiçado para ter uma boa refeição.

Nós dois sentamos em um canto. O céu está nublado, então qualquer lugar é agradável, longe do sol de onze horas que nos assola em dias de tempo bom. Talvez a briga por sombra aqui seja mais difícil do que a dos pães de melão. Mas nenhuma se compara a guerra pelo Santo Grall.

— Aqui, esse é seu.

— Oh, obrigado Haruna.

Me surpreendi ao ver aqueles pães cobertos com manteiga e tendo bacon com ovos dentro, o melhor lanche que poderia existir!

Desculpe-me pães de melão, mas hoje vocês foram derrotados miseravelmente.

— Então... como está?

Sério... Essa expressão envergonhada de Haruna envolvendo esta situação que todo garoto de dezessete anos deseja, me fez corar mais uma vez.

— Sim, está realmente gostoso!

Não menti pra fazê-la satisfeita pelos seus esforços, aquele conjunto estava realmente gostoso. A manteiga derretida no pão mela os ovos e o bacon crocante que acompanha tudo aquilo faz minha língua tremer. Se isso fosse um anime de culinária, com certeza eu estaria em êxtase neste momento.

— Que bom!!!

Aquela demonstração de satisfação fez meu coração pular de verdade. O que está acontecendo com a Haruna que conheço? Espere! O que está acontecendo comigo? Minha respiração esquenta ao continuar a comer o resto que tinha em minha mão.

Terminando de saborear aquele lanche e com Haruna que, ao meu lado e sem piscar, não tirava os olhos de mim.

— Então... Sora-chan... como estava?

Ela perguntou de novo!! Ela realmente está muito interessada em minha opinião!!

— Bem... eu realmente gostei disso. Não sabia que seus lanches eram ótimos, Haruna!

O sorriso que ela exibiu depois do que falei me contagiou, seus dentes brancos a mostra fez meu coração palpitar novamente.

— Haruna... Sobre o que você quer falar comigo?

— Ah! Sobre isso...

Ela junta suas mãos entre as pernas e começa a mexer seus dedos entre si em sinal de timidez.

— Sabe Sora-chan...

Não! Não sei!!

— Eu acho que estou apaixonada.

Aquela frase gelou meu estômago, apaixonada?

— Apaixonada? Tipo, gostando de alguém?

Eu realmente deveria perguntar isso? Existe vários tipos de paixões.

Mas depois de ouvir minha pergunta, os olhos verdes de Haruna brilham ao olhar para mim, mas logo depois ela vira seu rosto para o outro lado.

— É se... gre... do~

Ela fala com um tom de brincadeira. Eu odeio esse tom que ela usa pra escapar de algumas situações.

Sorrindo e com um rosto de satisfação, Haruna começa a limpar o chão e arrumar sua vasilha onde trouxe os lanches.

— Eu ajudo você com isso...

Eu sempre tratei Haruna como um irmão mais novo, apesar de termos a mesma idade. Lembro-me de sempre bater nela quando fazia alguma travessura comigo e quando ela chorava, eu era o primeiro a confortá-la. Realmente um irmão mais novo.

Nunca a olhei como uma garota, mas esse nunca acabou hoje. Depois desse lanche, pela primeira vez, vi como a Haruna é bonita...

Seus peitos são maiores que a média e sua cintura é totalmente equilibrada com o resto de seu corpo. Sua bunda não é pequena e nem grande, então seu uniforme cabe perfeitamente.

Depois que limpamos a área que comemos, ela pegou a vasilha que estava em minhas mãos e com um sorriso se despediu de mim.

— Espere Haruna...

Eu tentei falar, mas ela, correndo na frente, não ouviu. Depois dela entrar no corredor das escadas, eu sentei no chão e apertei meu peito.

— Haruna... Como nunca percebi isso?

Sem querer, acabei chamando o nome dela.

***

Andando pelo corredor com destino à sala de aula, estava pensando apenas no lanche que acabei de ter com Haruna, aquilo realmente me surpreendeu. Tudo! Tudo me surpreendeu.

Não nos encontramos muito fora da sala de aula, depois do término, ela vai praticar no clube de kendo e pela noite ela já chega cansada.

A janela do meu quarto abre paralela com a janela do quarto dela, então a noite, quando nos vemos, batemos um papo de janela.

— OIha só quem está aqui...

Uma voz irritante e esnobe me atravessa. Não quero virar meu rosto, pois já sei quem está atrás de mim.

— É falta de educação ignorar uma dama.

Uma dama? Ela realmente falou uma dama?

— O que você quer... Petri.

Falei com o tom mais enojado que tinha em meu inventário.

— Não me chame assim aqui na escola! Seu idiota!

Atrás de mim, uma garota um ano mais nova mexia nos cabelos negros que iam até seu quadril.

— Como você se chamava mesmo?

Olho para o nada enquanto batia em minha própria cabeça.

— Yuki! Yuuukiii!

— Ah! Verdade...

Yuki Onno, sua pele branca caia bem com seu nome. Mas seus olhos vermelhos como rubi eram realmente assustadores quando ela encarava.

Uma amiga de MMORPG, Yuki sempre usa o apelido Petri em seus personagens. Então acabei chamando-a desse jeito até na vida real.

— O que quer?

— Hoje a noite terá o evento da torre macabra, espero que seu paladino esteja com defesa alta, pois você vai tankar a party hoje.

Verdade, hoje é um evento da nossa guilda no jogo Last Magic X, ter aquela garota como líder realmente é um saco, mas pelo menos essa garota bem mais baixa que eu consegue fazer a guilda inteira cooperar.

— Esteja conectado às oito! Faremos muito ouro hoje! Hahaha!

Aquela risada no final era desnecessária, mas esse é o jeito dela.

Voltando para a sala, vejo Haruna concentrada em uma folha de papel.

— O que é isso?

Com a velocidade de um raio, ela guarda aquela folha debaixo de uma sua carteira.

— Não... é nada.

Aqueles olhos verdes não conseguem mentir para mim, o que será que ela está escondendo?

Pelo que eu lembre, esse não era o papel das anotações da aula de história?

O som do sinal ecoa naquele colégio e as aulas seguintes foram inúteis para mim, a única coisa que entrava em minha mente era o rosto de Haruna ao meu lado, meu coração palpitava ao ver ela ajeitando algumas mechas de seus cabelos vermelhos para trás da orelha.

Mais que droga! O que é essa coisa no peito quando a vejo?!

Enquanto o professor careca, temos dois professores carecas no colégio, bate seus livros em cima da mesa, o sinal toca, finalizando as aulas.

— Haruna, hoje você não terá clube de kendo não é? Por que não vamos para casa juntos?

Eu nunca pedi aquilo dela! Sou idiota por acaso? Realmente não estou acreditando que meu coração se vende por um lanche e alguns sorrisos.

Ela fica calada e seus olhos verdes como esmeralda não sai da minha direção.

— Desculpe Sora-chan! Mas preciso ir a um lugar antes.

Foi o que ela disse... Se não me engano, nas terças-feiras não há atividades em seu clube, ela faz algumas compras para a Oba-obaasan.

Eu até que poderia ir ajuda-la, mas se ela já recusou, então melhor não.

Arrumando minhas coisas e saindo antes dela, sou abordado novamente pela garota dos longos cabelos negros e olhos cor de rubi.

— Que Hestia esteja o protegendo, pobre criança! O mal que fizestes será perdoado se prometer de joelhos adorar apenas nossa deusa.

Essa frase é contraditória! E já sou um paladino nível setenta e oito! Tenho a benção de Hestia desde o cinquenta!

— Aqui está nossa formação. Você e o Phyrorin irão tankar nossa party, os andares da torre macabra são bem traiçoeiros então...

— Pensei que Phyrorin não estivesse disponível pra conectar hoje.

— Ah... ele falou algo assim...

Pela deusa Hestia o que você fez com o Phyrorin?!!

— Não ligue! Dois tanker serão perfeitos nesse evento! Hahaha~

Sua risada realmente é irritante e desnecessária!!

Sendo obrigado a ouvir toda a estratégia que nossa líder montou para o evento de hoje a noite, acabei saindo um pouco mais tarde do que imaginei.

O céu pode até estar nublado, mas com certeza minha mente está limpa, percebi que acabei de me apaixonando pela minha amiga de infância.

Essa história seria rejeitada sem repescagem em uma editora de light novel.

— Tudo que ela fez hoje...

Alguns flashbacks passam em minha cabeça.

Haruna fez uma comida querendo saber freneticamente sobre minha opinião... Uma garota só faria isso para o cara que ela gosta, não é?

E aquele papel que ela estava vendo... Poderia ser uma carta de amor! Ela poderia está se preparando mentalmente para entrega-la a mim!

Saindo do hall dos armários, onde temos que trocar os sapatos para sair da escola, caminho em direção ao portão de entrada.

Um dos vilões principais de Last Magic X se chama Destino. Ele é o causador da maioria dos problemas que antecedem as missões do jogo. Fora que ele é meu terceiro personagem favorito, com sua máscara branca cobrindo só os olhos, sua grande capa preta e sua cartola o faz ser tão hilário quanto odiado. A maior arma do destino é uma moeda de ouro. Se der coração você está com sorte, mas se der caveira, você não receberá bonificações da missão que obrigatoriamente fará.

Por que falei de meu terceiro personagem favorito logo agora? Talvez o Destino realmente exista, ainda longe, parada ao lado do portão de entrada, está Haruna segurando um envelope.

Algumas flores de cerejeira caindo seriam perfeitas naquela cena, mas estamos no outono, então... paciência.

Olhando bem, ainda distante, uns dez metros talvez, o suficiente para ela não me notar. Imagino se esse é um daqueles eventos onde a garota lhe espera para se confessar na saída do colégio. Ela está séria... Então aquilo realmente é uma carta de amor?!

Quando eu vou se aproximando, não consigo esconder meu sorriso, mas como sempre o Destino é hilário e odiado.

Meu sorriso se cala ao ver Akaiki Yama, líder do clube de kendo se aproximar dela. Eu rapidamente encosto no muro para não deixar que eles me vejam.

Sem jeito, Haruna entrega a carta pra Yama.

— Ei... espera...

Eu sussurro tão baixo que minhas pernas não conseguem mais andar. Que gelo é esse em minha barriga?

Alguns minutos se passam enquanto Yama ler aquele papel, pra mim aquilo é angustiante, praticamente todos os estudantes já fora ou estão nos clubes.

Guardando a carta, aquele Yama, do nada, abraça Haruna. O pior nem seria isso, mas sim que Haruna responde ao abraço dele.

Eu estou em pé, vendo minha amiga de infância e nova paixão, sendo abraçada por outro cara.

Pouco tempo depois, os dois saem de mãos dadas.

Estão namorando! Começaram a namorar!

Pego de meu bolso, enquanto suspiro, uma moeda que veio junto do lançamento de Last Magic X e fechando os olhos, jogo-a pra cima.

Se der caveira eu os sigo, mas se der coração, vou pra casa. Vamos lá Destino, me ajude nessa!

Algo ouvir o barulho da moeda caindo no chão, abro meus olhos lentamente.

— Realmente esse Destino é odiado...?

Ali no chão, aquela moeda estava com a face que não me permitia segui-los.

***

Ando por algumas ruas comerciais de Nagoya ao voltar para casa, ignorando o sorriso da senhora da loja de bentos ou o grito do energético vendedor de Lámen.

Apenas uma coisa pairava sobre minha mente: Aqueles dois se abraçando.

O que sinto com certeza está confuso, mas diante daquela explosão de sentimentos, minha tristeza se mostra bem nítida.

Chego em minha casa, abro a pequena porta de ferro do nosso pequeno muro branco, seu barulho de metal se apertando me fez lembrar que, ontem, minha mãe pediu para passar algum óleo nesse portão.

Suspirando, viro meu rosto para a casa vizinha. Dentro está tudo escuro, isso me faz pensar nela, Haruna com certeza ainda não chegou e Oba-obaasan deve está em seu acampamento para terceira idade.

— Cheguei em casa!

Nenhuma resposta foi dada enquanto tiro meus sapatos. Vou até a cozinha e vejo um recado dizendo:

“Estarei em um encontro com seu pai. Deixei alguns lanches pra você na geladeira. Prepare seu banho sozinho, ouviu? Beijos.”

Como ouvirei algo de um bilhete?

Não tenho provas concretas, mas suponho que meus pais foram unidos por um cupido. Mesmo depois de se casarem, e tendo um filho de dezessete anos, continuam parecendo um casal que começou a namorar recentemente.

Às vezes me envergonho de ouvir suas declarações matutinas. Meu pai é escritor de uma grande publicadora de light noveis aqui da região, minha mãe é sua editora. Ela se responsabiliza por deixar as histórias que meu pai cria, boas o suficiente para serem publicadas. Então... não quero imaginar de onde vem suas inspirações.

Entro em meu quarto e logo se deparo com um pôster da atual publicação de meu pai, Gata dos Sonhos, colado na parede de meu quarto.

Seu pseudônimo é Neko Kanoko, ele até que está ficando bem famoso, alguns rumores pairam sobre a criação de um anime de sua obra anterior chamada “Gato do templo”.

Ligo meu computador e deixo o jogo Last Magic X atualizar para o evento de logo mais. Tenho muita preguiça de preparar banheira, então um banho simples de chuveiro é o suficiente.

Abro a geladeira e vejo alguns sanduíches que minha mãe preparou.

— Eu acho que estou apaixonada.

Sua voz ecoa em minha cabeça. Como pude me iludir achando que era por mim?

Retiro os sanduíches da geladeira e coloco para esquentar no micro-ondas.

— É se... gre... do~

O som do soco que dou na mesa ecoa na cozinha já escura pelos primeiros minutos da noite.

Já em meu quarto, o brilho do monitor prejudica minha vista.

— Neko! Cure meus pontos de magia!

A voz de Petri(Yuki) irrita meus ouvidos. Não gosto de me gabar, mas trabalhei bastante pra comprar este headset de alta qualidade. É como se ela realmente estivesse gritando ao meu lado.

— Já estou fazendo isso, líder.

Enquanto pressiono várias teclas, percebo a luz do quarto de Haruna acenderem.

Nossas janelas são grandes, percebo a silhueta de alguém tirando suas roupas.

— Como?!

Meus olhos não saem daquela janela.

— Ei!! Neko!! A magia! Restaure meus pontos de magia!!

Enquanto Petri(Yuki) grita em meus ouvidos, minha mente fixa apenas em uma coisa: Aquela silhueta inconfundível desabotoando sua camisa lentamente.

— NEKOOOOO!!

O grito de Petri me faz acordar daquela hipnose. Eu rapidamente volto ao jogo e deixo em modo automático.

— Preciso fazer algo, deixei no modo defensivo de suporte.

Explico minha posição e, tirando meu headset de alta qualidade, me levanto e se aproximo da janela.

Ao tirar a camisa, facilmente posso notar seus grandes seios quando ela se abaixa para tirar sua saia. Nota-se facilmente pela silhueta que Haruna está apenas de calcinha e sutiã.

Minha respiração começa a esquentar e meu pé fica inquieto. Expiro devagar para ver se me acalmo, mas quando assisto ela abrir os braços numa posição de alongamento, a imagem clara de Haruna apenas de langerier naquela posição vem em minha mente.

Imaginando Haruna naquela situação, começo a ficar excitado, meu órgão rapidamente se levanta.

— Isso é mal... se continuar assim...

Eu o seguro para não ficar mais ereto enquanto espio a silhueta de Haruna trocar de posições em seu alongamento. Logicamente, em minha mente, Haruna está clara e com langerier roxa, minha cor favorita.

— Isso é mal! Isso é mal! Isso é mal!

Repito aquelas palavras enquanto amasso meu órgão para não se levantar tanto, até que Haruna parece pegar uma nova blusa do armário e vesti-la.

— Haruna... você precisa tomar banho sabia?

Sussurro enquanto observo ela vestir a parte de baixo, não consegui ver se foi algum short ou uma saia, mas assim que ela se apronta, desliga a luz.

— Dormir? Nunca fui de ficar espiando Haruna, então não sei bem que horas ela vai para a cama.

Saio da janela e me sento na cama ao lado. Coloco minha mão dentro de minha calça e começo a acaricia-lo.

— Faz tempo que não me masturbo... Desculpe Haruna, mas você acabou de me fornecer um bom material.

Fecho meus olhos e começo a me satisfazer. Pouco tempo depois a campainha de casa toca. Com um pulo consigo colocar minha calça e apertando-o para voltar logo ao normal. Não será difícil por causa do susto que levei.

A campainha toca novamente enquanto desço as escadas.

— Já vaaai!

Abro a porta e parada na frente do portão de ferro está Haruna, enrolando seus cabelos no dedo e olhando para baixo.

— Haruna? O... que foi?

É vergonhoso falar com ela minutos depois de usá-la como material de masturbação. A iluminação dos portes não era tão forte naquela pequena rua, então a visibilidade a noite não é tão boa. Mas consegui ver seus ombros deixados à mostra por sua camiseta regata branca com uma espanta fofa de ursinho. Sua saia plissada azul com bolinhas brancas era bem curta e facilmente levada pelo vento que batia naquela hora

— Sora-chan... posso entrar?

Agora que a venda de meus olhos foi tirada, vejo Haruna como uma garota incrivelmente sensual naquele conjunto. Minha expressão não seria de alguém confiante, pra falar a verdade, eu não gostaria de falar com ela depois do que aconteceu hoje cedo.

— Claro...

Ela passa pelo portão assim que eu confirmei e sua saia balança com o vento vindo do leste, percebendo sua saia subir, ela gentilmente a segura.

Antes de eu dizer que iria preparar um chá, Haruna me abraça.

— Ei! Haruna!!

Não consigo ver seu rosto escorado em meu peito e suas mãos apertando minhas costas faz meu coração bater rapidamente. Nunca senti o cheiro daquela única marca de perfume que ela usa tão de perto.

Ali, na porta de casa, minha amiga de infância que acaba de começar um namoro com o capitão de seu clube, está me abraçando fortemente.