Aquele vento do leste sopra a saia plissada de Haruna, mas não a levanta, pois seu corpo estava totalmente encostado ao meu.
— Sora-chan...
Sua voz sussurrada pressionada ao meu peito. Só consigo ver seus cabelos vermelhos próximo ao meu queixo.
— O que foi Haruna?!
Será que aconteceu algo no encontro com o cara do clube dela e agora está querendo que eu a conforte como de quando éramos crianças?
— Sora-chan... Eu posso fazer...
Fazer? Fazer o quê garota?! Será... Será que realmente deu algo errado no encontro e agora ela está querendo descontar seu stress... fazendo sexo comigo?
— ...seu jantar?
— Escuta Haruna, você não deve descontar suas frustrações no calor de outro... Espera... o você acabou de perguntar?
Ela então sobe seu rosto e seus olhos verdes se direcionam para os meus.
— Será que eu posso fazer seu jantar?
***
Estou sentado na cadeira da minha mesa de janta, no outro lado do balcão está Haruna, preparando algum tipo de sopa. Ela parece bem séria cortando os legumes, seus cabelos vermelhos balançam de acordo com os movimentos que ela faz, mas de vez em quando vira o rosto e me observa de canto.
Estou escondendo minha cara de frustração ou será que estou realmente entediado? Haruna chega em minha casa de modo estranho e depois de me abraçar daquela maneira, simplesmente pediu para fazer meu jantar. Isto com certeza seria ótimo, se eu não tivesse visto ela responder ao abraço daquele cara.
Meu suspiro foi alto o suficiente para ela ouvir.
— Eu vi a casa toda escura... Liguei para a Aiko-san e ela disse que você estaria sozinho.
Então foi isso, Aiko-san ou também chamada de minha mãe, está em um encontro com meu pai Kanji Ikeda. Se ainda não chegaram, não quero nem imaginar o que estão fazendo.
Apesar de não ser raro eu ficar sozinho em casa, meus pais, às vezes, ficam na editora analisando seus trabalhos com os superiores.
Encosto meu rosto na mesa, me lembrando do jogo que deixei no modo automático.
— Eu achei que era uma boa oportunidade...
Essa frase me acerta em tom baixo, mas meus ouvidos conseguiram captar. Oportunidade? Pra quê?! Oportunidade pra quê?!
Já sei! Você não é a Haruna! Você é algum tipo de mente espacial que está se passando por ela para aprender sobre os costumes da terra não é?
Vamos recapitular o que aconteceu hoje para achar algumas evidências sobre isso!
Acordei, quando fui tomar café, vi minha mãe sentada no colo do meu pai fazendo “Ahhhhh~” e dando uma torrada banhada a mel na boca dele, até aí normal. Nãããão! Meu Deus, como isso foi embaraçoso pra mim!
Todo dia depois de me arrumar, fico junto da Oba-obaasan que sempre varre a frente da casa todas as manhãs. Haruna veio séria de dentro de casa, seus cabelos, ainda molhados, acompanhavam a frieza no seu dizer: “ — Oi, vamos?” Aí está! A primeira suspeita de ela ser uma mente extraterrestre!
O caminho para o colégio é bem simples até. Nossas casas ficam na frente de uma plantação de arroz, passando dessa plantação, entramos diretamente em uma das principais ruas comerciais de Nagoya, sempre ignoramos o sorriso da senhora do bento e os gritos do energético vendedor de Lámen. Terminando a rua comercial, passamos por ruas de moradias normais e chegamos ao colégio. Tudo isso demora uns quinze minutos de caminhada.
Em todo esse percurso, Haruna estava calada e olhando para frente, poucas foram suas palavras sobre os assuntos que geralmente abordamos. Essa é a segunda evidência!
No colégio, ela se senta e, pegando o livro, começa a estudar história japonesa. Aí está a prova principal! Ela não é a Haruna!
— Escuta Haruna...
— Está pronto, agora é só deixar ferver um pouco.
Será que ela ouviu o que eu disse?
— Sora-chan... posso usar seu banheiro?
Não use o banheiro logo depois de estar exposta ao calor do fogão!
— Sim, sabe onde fica.
Haruna então tira o avental que usava e vai em direção do banheiro.
— Me arranjar umas toalhas, okay?
— Vou pegar lá no quarto.
— Obrigadinha~
Subo para meu quarto e, de dentro do meu armário, pego duas toalhas limpas.
— O quêêêêêêê!
Derrubo as tolhas no chão e meu rosto enruga com a tensão que passa por meu corpo naquele exato momento.
— Ela vai... ela vai tomar banho! Aqui em casa! Ela vai ficar pelada aqui em casa!
Eu grito com um tom de sussurro enquanto olho para minhas mãos, que passaram a tremer ao lembrar que acabei de me masturbar pensando nela.
— Preciso me concentrar... Preciso me concentrar...
Pego as toalhas que haviam caído com meu vergonhoso ato de protagonistas virjões.
Minha casa tem dois banheiros, um com vaso sanitário e uma pia para escovar os dentes, outro para tomar banho e deixar a roupa suja.
— Haruna, estou com as toalhas.
Haruna estava cantarolando no chuveiro, eu lembro que ela sempre fazia isso quando tomarmos banhos juntos.
Este segundo banheiro, tem dois compartimentos separados por uma divisória de vidro temperado que abre para o lado. O primeiro, direto da porta, é para tirar as roupas, secar cabelo e organizar as roupas sujas, o outro é o chuveiro em si.
O vapor do chuveiro embaça a divisória que mostra, novamente, a bendita silhueta. Dessa vez essa ganha cor, não dá pra ver muita coisa, mas em minha mente, vejo Haruna totalmente pelada, seus grandes peitos encolhidos por seus braços, sua cintura esbelta se contorcendo ao passar as mãos em seu corpo molhada e espumado.
“ — Sora-chan... me... lave...” “— Sim! Eu lavarei você toda!” “ — Sora-chan...” “ — Haruna, seu corpo realmente é macio....” “ — Sora-chan...” “— Haruna!” “—Sora-chan... Sora-chan...”
— Sora-chan?
— Aaaaaaaaaaaaaaaa!
Assusto-me com o chamado de Haruna acordando meu sonho.
— Sora-chan, o que aconteceu?!
Ela abre a porta da divisória e, colocando o seu rosto e seus cabelos vermelhos e molhados para fora, fica totalmente vermelha.
Depois do susto, eu simplesmente fiquei parado, com meu órgão totalmente duro e puxando a calça para cima.
— Haruna, espera! Isso é... bem... os suricatos sempre ficam em pé quando pressentem o perigo e o caos...
Pensando bem, nos animes, cenas desse tipo só acabam em gritos e pancadarias. Mas nesse meu caso, Haruna simplesmente ficou olhando para baixo por um tempo, com rosto vermelho parecido com seus cabelos. Depois, fechando a porta, voltou para o banho.
— Só deixe as toalhas aí...
Obedeci a sua ordem e, deixando as toalhas, vi algo que fez novamente meu suricato sair da toca. Ali no canto da prateleira de roupas, uma camisa e, ao lado, uma saia. Só que abaixo da saia, um pequeno pedaço de esperança masculina.
Eu levantei um pouco a saia e meus olhos brilham.
Aquela visão... uma calcinha lisa com babados e um lacinho vermelho, usada desde de manhã, estava diante de mim como um semideus em seu altar. Não era roxa como imaginei mais cedo, mas sim amarelo. Em minha mente, ajoelhei e adorei aquela escultura de ouro com todo o louvor.
Engoli seco depois de fazer mil orações para aquela calcinha-deus. Devagar, elevo meus dedos em sua direção... Pedindo mil e um perdões pelo desejo de profana-la.
— Sora-chan, ainda está aí?
Dessa vez, eu apenas baixei a saia, escondendo o El Dourado.
— Estou juntando a roupa suja para levar à lavanderia.
— Minha roupa está em cima.
— Coloquei a toalha em cima dela.
— Obrigada...
Saindo rápido do banheiro, aperto meu suricato para voltar logo à toca.
***
Na mesa, estavam uma panela de sopa, alguns petiscos fritos de peixe e salada. A expressão de Haruna ainda vermelha me faz lembrar do ocorrido de agora pouco, minha perna começa a balançar.
— Aqui, espero que goste...
Ela está evitando olhar para meus olhos!
Enquanto como, seus olhos verdes não param de olhar para mim.
— Está ótimo...
O sorriso que ela deu foi o mesmo daquele mostrado pela manhã em cima do terraço da escola.
Que droga... como ela é linda!
Terminando de comer, estou limpando os pratos e copos enquanto Haruna os lava. Já comemos algumas vezes juntos e nossos pais ensinaram a lavar tudo o que sujamos.
— Sora-chan...
Ela fala alto o suficiente para não ser um sussurro.
— Diga...
Enquanto enxugo um prato que ela acaba de me passar, olho para ela sua expressão envergonhada rosto ainda estava presente e seu olhar parecia bem ansioso.
— Eu... queria te pedir algo.
Ai está! Eu sabia que o jantar não seria de graça!
— Pode pedir...
Aquele clima estava me excitando novamente, encosto minha pélvis no balcão da pia, isso faria atrapalhar a saída do meu suricato.
— Eu... Comecei a namorar o Yama-kun...
Meu peito dói ao ouvir aquilo... O tempo que passei com ela agora me fez esquecer daquilo.
— Sora-chan, nossa história juntos, nossas experiências desde pequenos, faz de você o único amigo que me deixa segura em pedir isso.
Aí está! Meu ki eleva para mais de oito mil ao ser jogado na friendzone!
— Haruna... fique tranquila, você sabe que eu faço de tudo para ver o seu sorriso.
Se eu fosse uma garota, com certeza me apaixonaria pelo cara que me falasse uma frase dessas!
Depois de me ouvir, ela deixa o prato que estava lavando e desliga a torneira. Respira bem fundo e, devagar, vira seus olhos verdes para mim.
— Sora-chan... deixe eu praticar “como ser uma namorada perfeita” com você!
Ela se curva depois de elevar o tom de voz.
Alguns segundo se passam enquanto ouvimos apenas o tic-tac do relógio de cuco que está na sala.
Ela, apertando a saia e com os cabelos escondendo o rosto, começa a fazer barulhos. Gemidos?
— Ei... Haruna...
Ela eleva um pouco seu rosto e eu percebo as lágrimas saindo.
— Por favor... Sora-chan... Você é o único pra quem posso pedir esse tipo de coisa.
Ali, na pia da minha cozinha, uma garota um pouco inclinada, mas que está olhando para meus olhos, deixa cair algumas lágrimas depois de fazer um pedido que mudará nossas vidas.
***
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