P.O.V UCKER

Quando se tratava de organizar eventos, Anahí era incomparável. Sua habilidade em planejar cada detalhe transformava qualquer ocasião em algo grandioso. Desta vez, a celebração seria a renovação dos votos de casamento com Velasco. Ela havia me dito que seria algo íntimo, apenas para os mais próximos. Mas, se tratando de Anahí, "os mais próximos" significava metade da população do México.

O que realmente me deixou aliviado foi o detalhe no convite: os convidados não poderiam usar seus celulares durante o evento. Anahí justificou a decisão com seu senso prático: "É uma festa privada, quero que todos se sintam livres e que ninguém capture momentos constrangedores." Afinal, a maioria dos presentes seria composta por artistas e políticos, e qualquer deslize poderia virar notícia no dia seguinte.

Eu combinei de passar na Dulce para irmos juntos. Ela estava ansiosa para me mostrar o vestido que havia escolhido, todo inspirado no tema do evento: "Jardim Encantado". Claro, algo que apenas a Anahí pensaria. O entusiasmo de Dulce ao falar sobre o look era contagiante, e eu mal podia esperar para vê-la pronta, sempre deslumbrante como só ela sabe ser.

No dia do evento, antes de sair, mandei uma mensagem para ela:

"Estou saindo daqui. Pronta para me encantar com o seu vestido de fada?"

Ela respondeu em minutos, com aquela dose de humor que eu adorava:

"Espero que sim! Senão, vou precisar de um feitiço para salvar a noite "

Quando cheguei à casa dela, ela já me esperava à porta, e por um momento, o mundo pareceu desacelerar. O vestido fluía como se tivesse sido feito para um conto de fadas, e ela estava radiante. Seus cabelos ruivos contrastavam perfeitamente com o tom do vestido e as borboletas que estavam espalhadas por todo o comprimento dele. Eu mal consegui disfarçar o sorriso quando ela se aproximou.

— Então, o que acha? — perguntou, girando levemente para me dar uma visão completa do visual.

— Acho que quem vai precisar de feitiço sou eu, para conseguir focar em mais alguém além de você essa noite — brinquei, estendendo a mão para que ela a pegasse.

Ela sorriu, daquele jeito que só ela sabia, e seguimos juntos para a festa, prontos para enfrentar mais uma das icônicas criações de Anahí. Sabíamos que a noite seria memorável, cheia de encontros e, claro, boas risadas.

Entramos no carro, e durante o caminho até o local do evento, Dulce não parava de mexer no cabelo, ajeitando uma mecha aqui e ali. Era claro que aquilo era nervosismo disfarçado de vaidade.

— Você está perfeita — falei, tentando acalmá-la, sem tirar os olhos da estrada.

— Eu sei, mas... é estranho, sabe? Toda essa coisa de renovação de votos me faz pensar em tudo o que está acontecendo — respondeu ela, olhando para fora da janela.

Eu entendi imediatamente o que ela queria dizer. Era impossível não fazer a conexão entre o evento e o divórcio que ainda estava se desenrolando. Enquanto Anahí celebrava o amor renovado, Dulce estava prestes a começar um novo capítulo em sua vida. Resolvi não insistir no assunto, respeitando o tempo dela para lidar com isso.

— Hoje é só para nos divertirmos — falei, sorrindo. — Vamos aproveitar a noite, rir das piadas ruins do Christian, sobreviver à perfeição da Anahí e, quem sabe, roubar uns docinhos antes de todo mundo.

Ela riu, relaxando um pouco.

— Docinhos antes de todo mundo? Você é muito previsível, Christopher.

Chegamos ao local do evento, e a atmosfera mágica já começava no estacionamento. Luzes suaves iluminavam o caminho, e árvores decoradas com lanternas pendentes criavam um ambiente encantado. O chão estava coberto de pétalas de flores que nos guiavam até o grande jardim, onde a festa acontecia. Como sempre, Anahí havia superado todas as expectativas.

Assim que passamos pelos portões, Anahí veio correndo ao nosso encontro, os olhos brilhando de entusiasmo.

— Vocês vieram! Eu sabia que iriam fazer sucesso! — exclamou, nos envolvendo em um abraço apertado. — E esse vestido, Dulce? Perfeito para o tema!

— Não poderia ser diferente, né? Eu sabia que a anfitriã exigiria nada menos do que isso — Dulce respondeu, rindo.

— Vamos, entrem! — Anahí gesticulou, empolgada. — O Velasco está ali com as crianças, e acho que o Christian já chegou, claro, ele não perde uma festa.

Nos misturamos aos outros convidados, muitos deles rostos conhecidos da mídia, todos elegantemente trajados dentro do tema. Eu segurava a mão de Dulce enquanto cumprimentávamos algumas pessoas, mas minha atenção estava sempre nela. Seu sorriso, a forma como ela conversava com as pessoas, sempre gentil e cheia de carisma. Era difícil não se perder nos detalhes dela.

Depois de um tempo, conseguimos um lugar para sentar perto de um grupo de amigos e, como era de se esperar, Christian apareceu de repente, sempre espalhando energia e risadas por onde passava.

— Vocês estão lindos! — ele exclamou, jogando os braços ao redor de nós dois. — Que noite mágica, né? Anahí realmente caprichou dessa vez. Parece que estamos dentro de um filme.

— Não esperaria nada menos dela — eu disse, enquanto Dulce ria do entusiasmo de Christian.

Nos misturamos ao ambiente vibrante e alegre, repleto rostos conhecidos. Não demorou muito até encontrarmos Maite e Andrés, que haviam acabado de chegar.

— Finalmente chegamos! — disse Maite, sorrindo calorosamente ao nos ver. Ela estava linda, vestida de acordo com o tema, com flores delicadas no cabelo. — Estava louca para ver esse vestido, Dulce.

— E aí, como estão as coisas? — perguntou Andrés, abraçando a mim e Dulce.

— Tudo ótimo, e vocês? — respondi, enquanto Dulce comentava com Maite sobre o vestido e as flores no cabelo.

— Vocês estão lindos! — exclamou Christian, jogando os braços ao redor de nós. — Que festa incrível, parece que estamos dentro de um sonho! Anahí não economizou em nada dessa vez.

— Você já viu os drinks temáticos? — perguntei, entrando no clima.

— Vamos provar todos! — Christian riu. — Prometi à Anahí que faria um brinde que vai entrar para a história.

Sentamos com Maite e Andrés, que comentavam sobre o ambiente. As conversas fluíam leves, com piadas, memórias compartilhadas e, claro, muitas trocas de olhares entre Dulce e eu. Quando Anahí se aproximou novamente para checar se estávamos todos aproveitando, não resisti a comentar:

— Anahí, você superou até o próprio casamento.

Ela sorriu, radiante, enquanto Velasco se juntava a nós, segurando uma taça de champagne.

— Vocês estão se divertindo, né? Isso é o que importa! — ele disse, brindando com todos.

Entre conversas e risadas, o clima estava perfeito. E, por um breve momento, parecia que o mundo lá fora não existia, apenas a mágica do "Jardim Encantado" e a companhia daqueles que importavam.

A noite continuava, e a energia do evento era contagiante. Entre risos e conversas animadas, eu não conseguia tirar os olhos de Dulce. Ela estava radiante, conversando com Maite e Anahí, enquanto eu observava de longe, encantado por sua leveza e espontaneidade. Ela parecia, por um momento, esquecida de todos os desafios que enfrentava.

— E aí, gatão, está no mundo da lua? — brincou Christian, se jogando na cadeira ao meu lado. — Aposto que está pensando em como roubar mais um docinho da mesa.

— Sempre com as piadas, hein? — respondi, sorrindo. — Na verdade, só estou curtindo o momento.

Ele me olhou com aquele jeito que só ele sabia fazer, quase como se lesse a minha mente.

— É bom ver vocês dois assim. — Ele olhou para Dulce e depois voltou o olhar para mim, sério por um segundo. — Faz bem para ela, sabe? Eu já disse antes, mas vou repetir: essa conexão que vocês têm é especial.

Antes que eu pudesse responder, Dulce voltou, trazendo Maite e Andrés com ela. A energia no grupo aumentou imediatamente, com as brincadeiras e conversas fluindo naturalmente.

Enquanto nos acomodávamos nas cadeiras ao redor da mesa principal, o clima descontraído e animado da festa se espalhava pelo ar. Dulce estava ao meu lado, rindo com Maite, enquanto Christian e Andrés faziam piadas sobre o vestido exagerado que Christian tinha escolhido para o evento. Anahí, como sempre, estava deslumbrante ao lado de Velasco, recebendo os convidados e garantindo que tudo estivesse perfeito para a renovação de votos.

— Acho que só a Anahí mesmo para transformar uma cerimônia íntima em algo digno de uma premiação — comentei, sorrindo enquanto via a organização impecável à nossa volta.

— Você a conhece — respondeu Dulce, rindo. — Isso aqui é pequeno para os padrões dela.

Maite concordou, ajustando os brincos brilhantes que usava.

— Ela me disse que quase contratou uma equipe de filmagem só para garantir que o evento fosse cinematográfico, mas o Velasco achou melhor manter as coisas "um pouco mais simples". — Maite fez aspas com as mãos, rindo. — Eu disse a ela que, pelo menos dessa vez, seria bom focar no que realmente importa.

— Sim, claro — respondeu Dulce, rindo também. — Mas com ela, até um jantar em casa vira uma produção de gala.

— E não é por isso que a gente ama a Anahí? — acrescentei, sorrindo para Dulce. — Ela faz tudo com o coração. E, afinal, renovar os votos de casamento é algo que merece ser celebrado em grande estilo.

— Sem dúvida! — disse Christian, que se aproximou com um drink colorido nas mãos. — Mas confesso que estou aqui pela comida. Já experimentaram o ceviche?

Todos rimos, e a conversa continuou fluindo naturalmente, sem nenhuma tensão. O foco da noite, afinal, era a celebração do amor. Olhei para Dulce, que parecia estar mais à vontade, interagindo com os amigos, suas preocupações momentaneamente deixadas de lado. Isso me fez sentir ainda mais grato por estar ali, ao lado dela.

Pouco tempo depois, as luzes do jardim se suavizaram, sinalizando o início da renovação dos votos. Todos nós nos levantamos e nos aproximamos do local montado para a cerimônia, com velas e flores decorando o ambiente. Anahí e Velasco estavam no centro, sorrindo um para o outro de uma maneira que fazia parecer que eram recém-casados.

A voz do celebrante ecoou no jardim, enquanto ele falava sobre amor, compromisso e as escolhas diárias que um casal faz para permanecer unido. Anahí olhava para Velasco com um brilho nos olhos, como se fosse a primeira vez que o visse, e ele retribuía o olhar com a mesma intensidade.

Dulce apertou minha mão levemente, e eu soube que aquele momento também ressoava com ela, trazendo à tona seus próprios pensamentos e sentimentos. Sorri de volta, apertando sua mão com carinho.

Quando Anahí começou a ler seus votos, a emoção tomou conta de todos nós. Ela falou sobre os desafios que enfrentaram, os momentos de alegria, mas principalmente sobre o amor inabalável que compartilhavam, o que a fez querer reafirmar seu compromisso com Velasco, não uma, mas quantas vezes fossem necessárias. Ao terminar, os convidados aplaudiram, emocionados.

— Isso foi lindo — sussurrei para Dulce.

Ela assentiu, os olhos marejados.

— Foi mesmo. Me faz pensar sobre tudo.

Eu sabia que ela estava se referindo ao nosso próprio relacionamento, às escolhas que tínhamos pela frente, mas não havia necessidade de palavras naquele momento. A noite era de celebração, e eu queria que ela soubesse que estávamos juntos nessa jornada, seja qual fosse o caminho.

A cerimônia terminou com uma chuva de pétalas de flores e mais brindes de Christian, que levantou seu copo e, como sempre, fez todos rirem com seu discurso improvisado.

— Aos votos renovados, ao amor eterno e aos amigos que nunca deixam a festa acabar cedo! — ele disse, fazendo todos rirem e aplaudirem.

Dulce sorriu, o rosto iluminado pelas luzes suaves ao nosso redor. Era um momento perfeito, e por um breve instante, todos os problemas e incertezas desapareceram. Naquele momento, o que importava era estarmos juntos, celebrando o amor em todas as suas formas.

Depois que os votos foram renovados e os aplausos cessaram, a festa retomou seu ritmo animado. Christian, como sempre, era a alma do evento, arrastando a todos para a pista de dança, enquanto a música começava a tocar. Dulce e eu ficamos um pouco de lado, observando os outros se divertirem, até que Maite e Andrés se juntaram a nós.

— Vocês não vão ficar só olhando, né? — disse Maite, puxando Dulce pela mão. — Hoje é noite de festa, e você vai dançar comigo!

Dulce riu, meio relutante, mas logo foi levada por Maite para a pista. Eu e Andrés nos entreolhamos, ambos sorrindo.

— Vai deixá-las roubarem a cena? — perguntei, cruzando os braços, fingindo um ar de competição.

— Se tem uma coisa que aprendi, é que quando elas querem ser o centro das atenções, a gente só assiste — respondeu Andrés, rindo.

De fato, Maite e Dulce pareciam estar se divertindo como nunca, rindo e dançando juntas. Eu as observava de longe, admirado pela leveza que Dulce mostrava, algo que não via há tempos. Ela parecia livre, mesmo que só por aquela noite, e isso me fez sentir uma alegria silenciosa por ela.

Logo, Maite voltou para perto de Andrés, e Dulce veio até mim, ofegante e com um sorriso radiante.

— Você vai ficar aí sentado ou vai me fazer companhia na pista? — ela provocou, passando as mãos pelos cabelos, afastando algumas mechas do rosto.

— Como eu poderia dizer não? — respondi, me levantando e segurando sua mão.

Fomos para o meio da pista, e a música nos envolveu. Por alguns minutos, era como se não houvesse mais ninguém ali, só nós dois. Dançamos, rimos, e, de vez em quando, eu a puxava para perto, aproveitando cada segundo ao seu lado. Ela se inclinava em meu peito, como se procurasse conforto no calor do meu corpo, e eu a segurava firme, sem querer soltar.

— Você está incrível hoje — murmurei em seu ouvido, sentindo seu perfume doce e familiar.

— Você também — ela respondeu, com um sorriso suave, antes de me dar um beijo leve no pescoço.

A noite já estava avançada quando os primeiros acordes de "My Boo" preencheram o ambiente. A pista de dança estava cheia de casais, mas foi naquele momento que olhei para Dulce e senti que o mundo ao redor se tornava irrelevante.

— Vem cá — sussurrei, estendendo a mão para ela.

Dulce sorriu, meio tímida, e aceitou minha mão sem hesitar. Conduzi-a para o centro da pista, e logo a envolvi com um braço em sua cintura, enquanto ela deixava as mãos descansarem sobre meus ombros. O toque dela, a proximidade, tudo parecia certo. O resto da festa desapareceu, e a música criou uma bolha ao nosso redor.

"There's always that one person that will always have your heart. You never see it coming 'cause you're blinded from the start. Know that you're that one for me, it's clear for everyone to see"

Conforme dançávamos, senti o corpo dela relaxar, se encaixando perfeitamente no meu. Movíamo-nos devagar, no ritmo suave da melodia, e era como se o universo houvesse nos reservado aquele momento, uma pausa tranquila no caos das nossas vidas. Cada passo era uma conversa silenciosa, onde as palavras não eram necessárias.

"It started when we were younger, you were mine. Now another brother's taken over, but it's still in your eyes. Even though we used to argue, it's alright. I know we haven't seen each other in a while but you will always be my boo"

Ela descansou a cabeça no meu ombro, e eu deslizei minha mão pelo seu cabelo ruivo, sentindo o perfume familiar que sempre a acompanhava. Não havia pressa. Era apenas a sensação de estarmos juntos, aproveitando o instante, deixando que a música guiasse nossos movimentos.

"Yes, I remember, boy. Cause after we kissed, I could only think about your lips. Yes, I remember, boy. The moment I knew you were the one I could spend my life with. Even before all the fame and people screaming your name, I was there, and you were my baby"

Depois de alguns minutos, ela levantou o rosto para me encarar, seus olhos brilhando à luz suave da pista.

— Isso é perfeito — ela disse, a voz baixa, quase como um segredo.

— Você merece tudo de perfeito, Dulce — respondi, deslizando meus dedos pela sua bochecha, sentindo a suavidade da sua pele.

Ela levantou o rosto para me encarar, seus olhos brilhando com uma intensidade que me tirou o fôlego. Sem pensar muito, inclinei-me e a beijei, um beijo lento, cheio de sentimentos antigos e novos, que parecia durar uma eternidade. O calor do seu corpo, a maciez dos seus lábios, o som suave da música ao fundo – tudo contribuía para tornar aquele momento único, como se o tempo realmente tivesse parado.

Quando finalmente nos afastamos, nossos rostos ainda próximos, ela sorriu.

— Obrigada por isso. — Sua voz estava embargada, mas havia alegria ali.

— Sempre que precisar, eu estarei aqui — prometi, deslizando a mão pelo rosto dela, aproveitando cada segundo.

Quando nos afastamos, a música ainda ecoava ao fundo, suave e nostálgica. Ficamos ali, abraçados, sem dizer uma palavra, apenas sentindo a presença um do outro, como se o tempo tivesse desacelerado para nos permitir aquele instante de paz. O mundo à nossa volta poderia girar rapidamente, mas naquele momento, éramos só nós dois.

A música mudou, dando lugar a um ritmo completamente diferente, agitado, mas nós continuávamos conectados. Dulce sorriu, percebendo a mudança, e eu a conduzi de volta à nossa mesa, onde os nossos amigos já estavam animados, rindo e conversando. A atmosfera era leve e descontraída, exatamente o que todos precisávamos.

Maite e Andrés estavam sentados juntos, trocando piadas com Christian, que, como sempre, fazia questão de ser o centro das atenções, exagerando nas suas histórias e arrancando gargalhadas. Anahí, entre risos, tentava manter um pouco da elegância da noite, mas não conseguia escapar das provocações.

— Vocês dois sumiram da festa — Christian brincou, apontando para mim e Dulce quando nos sentamos novamente. — Não vale fugir dos amigos numa noite dessas!

— Estávamos apenas aproveitando a música — respondi com um sorriso discreto, segurando a mão de Dulce sob a mesa.

— Claro, claro. Aproveitando muito bem, pelo visto — Maite acrescentou, piscando de forma cúmplice para Dulce.

Dulce apenas revirou os olhos, rindo com leveza, mas o brilho em seus olhos denunciava o quanto ela estava feliz. Era bom estar ali, no meio de amigos, sem pressões, apenas curtindo o momento.

Enquanto a festa seguia com música e mais risadas, aproveitamos para conversar e relembrar os velhos tempos de turnês, shows e perrengues nos bastidores. As piadas internas fluíam naturalmente, aquelas que só quem viveu os anos intensos do RBD poderia entender.

— Lembram daquela vez em Monterrey, quando o Christian quase derrubou todo o cenário? — Anahí comentou, rindo e balançando a cabeça.

— Ei, foi um acidente! — Christian se defendeu, levantando as mãos. — Quem mandou colocarem aquela pilha de caixas exatamente onde eu precisava entrar?

Todos rimos, a memória trazendo de volta aquele episódio caótico e, ao mesmo tempo, hilário. Era bom perceber que, apesar de tudo, ainda tínhamos essa conexão, essa amizade que resistia ao tempo e às mudanças em nossas vidas.

A noite avançava, e o ar fresco da madrugada começava a se misturar com a energia da festa. Ao meu lado, Dulce parecia radiante, participando das conversas com animação, mas de vez em quando, nossos olhares se encontravam, e eu sabia que, mesmo em meio a tantas pessoas, havia algo muito especial só entre nós.

Quando a festa começou a diminuir de ritmo, e os convidados mais velhos começaram a se despedir, Anahí apareceu novamente, agora mais relaxada após o evento principal.

— Vocês se divertiram? — ela perguntou, animada.

— Muito! Foi perfeito, Any — Dulce respondeu, abraçando-a. — Estou tão feliz por você e o Velasco.

— Obrigada, amiga. Fico tão feliz que vocês vieram. E vocês dois juntos... sério, isso aquece meu coração — disse ela, olhando para mim e Dulce, piscando de um jeito cúmplice.

Eu ri, enquanto Dulce corava levemente. Era um daqueles momentos em que tudo parecia estar no lugar certo.

Mais tarde, quando já estávamos nos preparando para ir embora, Dulce se inclinou para mim, cansada, mas sorridente.

— Obrigada por me convencer a vir. Hoje foi incrível.

— O prazer foi todo meu. Qualquer noite com você é sempre especial — eu disse, puxando-a para perto e beijando sua testa.

Nos despedimos dos amigos e pegamos o carro para voltar. No caminho, Dulce estava mais quieta, talvez pensando em tudo o que a noite havia trazido à tona. Segurei sua mão enquanto dirigia, deixando que o silêncio falasse por nós. Sabia que ainda havia muitas questões a serem resolvidas, mas, por enquanto, tudo o que importava era o presente.

Chegando a sua casa, Dulce suspirou.

— Parece que foi um sonho, não foi?

— Um daqueles sonhos que a gente não quer acordar — respondi, sorrindo para ela.

— Pois é — disse ela, com uma expressão de contentamento. — Mas amanhã, de volta à realidade.

Eu sabia o que ela queria dizer. O fim de semana juntos havia sido maravilhoso, e a festa da Anahí trouxe alívio, mas a vida real estava logo ali, à espera. Ainda havia conversas a serem tidas, decisões a serem tomadas, e um futuro a ser encarado.

Mas, por enquanto, tudo o que precisávamos era estar ali, um ao lado do outro, aproveitando o que restava da noite.