Pase lo que pase - VONDY
22 Café da manhã na cama
P.O.V UCKER
Acordar com Dulce nos meus braços era como se o tempo tivesse voltado, me devolvendo anos de vida que eu nem sabia ter perdido. O calor do corpo dela, a forma como se encaixava perfeitamente em mim, e o perfume sutil que impregnava os lençóis... Era uma sensação de redenção, como se todas as minhas falhas e arrependimentos tivessem se dissipado naquele momento. O simples fato de tê-la ali, tão próxima, parecia um milagre que eu ainda estava processando.
Ela estava deitada com a cabeça repousada no meu peito, seus fios ruivos se espalhando sobre o meu braço, formando uma moldura perfeita para o rosto delicado que eu tanto amava. O sol da manhã invadia o quarto, tocando suavemente sua pele, como se o próprio universo estivesse se rendendo à sua beleza. Seus traços, mesmo em repouso, tinham uma graça quase divina. Tudo nela me fascinava—do jeito que seus cílios roçavam levemente sua bochecha ao modo como seus lábios entreabertos exalavam tranquilidade.
Eu não conseguia desviar os olhos. Era impossível não ser completamente devoto a essa mulher que, de alguma forma, conseguia ser forte e vulnerável ao mesmo tempo, um paradoxo perfeito que me cativava desde o primeiro dia. Dulce era mais do que apenas humana aos meus olhos; ela era uma força da natureza, uma divindade que habitava a terra disfarçada em carne e osso. E, deitado ali, com o coração batendo em um ritmo calmo e sincronizado com o dela, me senti profundamente grato por ser o homem ao lado dela.
— Bom dia — ela murmurou, a voz rouca e suave, abrindo os olhos lentamente, me encarando com um sorriso preguiçoso, ainda presa entre o sono e a realidade.
— Bom dia, meu amor — respondi, passando os dedos pelo seu cabelo e afastando as mechas do seu rosto. — Dormiu bem?
— Eu dormi... como há muito tempo não dormia — respondeu, se aconchegando ainda mais, como se quisesse prolongar aquele momento de paz absoluta.
Ficamos ali, em silêncio por alguns minutos, sem necessidade de palavras. Havia algo de mágico na simplicidade daquele instante, algo que eu queria congelar no tempo. Mas, como em todos os momentos perfeitos, sabíamos que o dia logo nos chamaria de volta à realidade.
— Eu não quero levantar — ela sussurrou, a cabeça ainda encostada no meu peito. — Queria que o mundo sumisse por um tempo, só pra gente poder ficar aqui, sem preocupações, sem ninguém esperando por nós.
— Então vamos fazer isso — respondi, brincando com os fios de seu cabelo. — Vamos esquecer do mundo lá fora, só por hoje.
Ela levantou o olhar para mim, sorrindo com uma mistura de incredulidade e alívio, como se a ideia de se desligar do mundo fosse exatamente o que ela precisava.
— O que acha de um café da manhã na cama? — perguntei, beijando sua testa.
— Hm, desde que eu não precise sair dessa cama para nada — ela riu levemente, seu sorriso iluminando o quarto.
Levantei-me devagar, tentando não quebrar o encanto do momento, e fui para a cozinha, preparado para fazer o melhor café da manhã que eu pudesse. A paz daquela manhã, o som de seu riso ainda ecoando na minha cabeça, fazia tudo parecer surreal.
Enquanto preparava o café, minha mente vagava. Eu sabia que o fim de semana não duraria para sempre, mas estava decidido a fazer cada segundo valer a pena.
Voltei para o quarto com uma bandeja simples: torradas, frutas, suco de laranja e café. Dulce estava enrolada nos lençóis, parecendo ainda mais angelical com os cabelos bagunçados e aquele olhar que dizia que o mundo lá fora não tinha importância. Quando me aproximei, ela sorriu de canto, esticando os braços para mim como se estivesse esperando por mim a vida inteira.
— Olha só, café da manhã na cama — disse ela, ajeitando-se para sentar enquanto eu colocava a bandeja sobre suas pernas. — Você está realmente empenhado em me mimar hoje, não é?
— Só estou aproveitando a chance de te ter só pra mim, sem a correria da vida — respondi, sentando ao lado dela, nossos corpos quase se tocando.
Ela pegou uma torrada, dando uma mordida enquanto me olhava com aqueles olhos que sempre conseguiam me desarmar. — Eu nunca imaginei que a gente conseguiria ter um momento assim, depois de tudo.
— Nem eu — confessei, olhando diretamente para ela. — Mas estou grato que a gente chegou até aqui.
Dulce sorriu, mas logo sua expressão suavizou, e ela ficou pensativa por um segundo.
— É estranho, sabe? Ficar aqui, com você, sem ninguém esperando nada de nós. Como se o resto do mundo estivesse em pausa. — Ela olhou pela janela, onde o sol começava a ficar mais alto no céu. — Eu precisava disso, de verdade. Tem sido muita coisa para processar ultimamente, com a Mapi, o trabalho, e... — Ela hesitou, mas logo continuou. — Nós.
Eu sabia que ela estava se referindo à pressão de tudo que estava acontecendo. Nossa história sempre foi complicada, mas naquele instante, parecia que todas as feridas antigas estavam cicatrizando.
— Sei que não é fácil, Dul — falei, segurando sua mão com carinho. — Mas eu estou aqui. A gente tem todo o tempo do mundo para fazer as coisas do nosso jeito agora.
— Eu sei, Chris. E é por isso que eu estou aqui.
Passamos o resto da manhã conversando, rindo e relembrando os velhos tempos, como se o passado nunca tivesse sido tão complicado. Entre uma conversa e outra, Dulce falava sobre sua agenda, as oportunidades que estavam surgindo, e o quanto ela se sentia mais forte agora, depois de tudo.
— Eu tenho trabalhado muito, mas a Mapi me dá forças para continuar. Não consigo imaginar minha vida sem ela — disse ela, sorrindo de um jeito que derretia qualquer um. — E saber que estou fazendo algo de bom com minha carreira, falando sobre saúde mental, me ajuda a dar sentido a tudo.
Eu a observava, admirando sua força, sua determinação. Dulce era uma dessas pessoas que, mesmo depois de tudo que passou, conseguia transformar suas lutas em algo positivo.
— E você? — ela perguntou, voltando o olhar para mim. — Como está se sentindo com tudo isso? Com a música, o trabalho... e nós?
— A verdade é que nunca estive tão inspirado. Estar com você aqui, agora, me faz acreditar que estou exatamente onde deveria estar. Minha música sempre foi uma extensão de quem eu sou, e com você ao meu lado, parece que todas as peças estão se encaixando.
Dulce sorriu, inclinando-se para me beijar levemente. Seus lábios eram suaves, e o momento, ainda que breve, parecia carregar todo o peso das nossas palavras não ditas.
— Então vamos continuar fazendo isso dar certo — ela sussurrou, seus olhos fixos nos meus.
— Vamos sim — respondi, beijando-a de volta, mais profundamente dessa vez.
Após o café da manhã, decidimos que era hora de colocar a mão na massa e fazer a pizza caseira que tínhamos planejado na noite anterior. Fomos para a cozinha, rindo e brincando enquanto preparávamos os ingredientes, como se estivéssemos recriando aqueles momentos simples que tanto valorizávamos entre turnês e agendas lotadas.
Enquanto a pizza estava no forno, voltamos para o sofá, desta vez sem pressa de nos levantarmos. Eu me deitei e apoiei a cabeça nas pernas dela, sentindo o carinho de seus dedos deslizando pelos meus cabelos. Fechei os olhos por um instante, aproveitando o toque suave, enquanto a sensação de paz se instalava em cada parte de mim.
— Sabe, nunca pensei que um dia a gente chegaria aqui — falei, a voz tranquila, quase em um sussurro.
— Nem eu — respondeu ela, continuando a acariciar meu cabelo. — Mas estou feliz que chegamos.
Eu abri os olhos e olhei para ela, observando o brilho em seus olhos. O mundo lá fora parecia tão distante. Tudo o que importava naquele momento era ela, e o fato de que, de alguma forma, havíamos encontrado nosso caminho de volta um para o outro.
O tempo parecia ter desacelerado enquanto estávamos ali, no sofá, em nosso próprio mundo. O toque suave de Dulce nos meus cabelos era relaxante, quase hipnótico, e eu sentia cada músculo do meu corpo se desfazer em tranquilidade. Olhei para cima, contemplando-a, o brilho suave do sol refletido nos seus olhos, e, naquele momento, tudo parecia perfeito.
— Você é tão linda — murmurei, com um sorriso leve, quase involuntário.
Ela riu de leve, um som suave que me encheu de felicidade, mas não disse nada, apenas continuou passando os dedos pelos meus cabelos. Seu sorriso era calmo, sereno, e eu sabia que, de alguma forma, estávamos nos comunicando sem palavras.
Lentamente, me ergui do sofá, sentando-me ao lado dela, ainda mantendo o contato visual.
— Sabe o que mais percebi? — perguntei, minha voz baixa, quase um sussurro. — Que a gente merece momentos assim... só nós dois, sem o ninguém para interferir.
Dulce não respondeu de imediato, mas seus olhos brilharam, e eu sabia que ela entendia o que eu queria dizer. Sem hesitar, me aproximei mais, inclinando-me para ela até que nossos rostos estivessem próximos o suficiente para sentir sua respiração. Eu a observei por um breve segundo, como se estivesse gravando aquele momento para sempre na minha memória. Então, sem mais esperar, meus lábios encontraram os dela em um beijo lento e profundo.
Ela retribuiu, as mãos subindo para envolver meu pescoço, puxando-me para mais perto. O beijo, que começou calmo, foi se intensificando, uma combinação de desejo contido e o alívio de estarmos juntos. Quando nos separamos, nossos olhares ainda estavam fixos um no outro, as respirações levemente descompassadas.
— Isso é tudo o que eu quero — murmurei, ainda próximo a ela, meu polegar acariciando seu rosto. — Nós dois, sem pressa, sem distrações.
Dulce sorriu, um sorriso sincero e cheio de afeto, antes de puxar-me novamente para outro beijo, ainda mais apaixonado. Minhas mãos deslizaram para sua cintura, trazendo-a para mais perto, enquanto seus dedos passeavam pela minha nuca, enviando arrepios pela minha pele.
Sem nos darmos conta, fomos nos inclinando de volta para o sofá. Ela se acomodou sobre mim, seus lábios nunca deixando os meus, enquanto minhas mãos exploravam cada curva delicada do seu corpo. Tudo era um redemoinho de sensações, o toque dela, o calor de sua pele, o ritmo dos nossos corações sincronizados.Quando, finalmente, nos afastamos para respirar, ela me olhou com uma mistura de paixão e ternura.
— Acho que esquecemos da pizza... — sussurrou com um sorriso travesso.
Eu ri, ainda sem querer soltá-la, mas ela estava certa. O cheiro da pizza queimando começou a invadir o ambiente.
— Parece que vamos ter que improvisar o almoço — brinquei, e ela riu junto comigo, antes de me dar um último beijo suave e se levantar.
— Tudo bem — respondeu ela, estendendo a mão para mim. — Desde que esteja com você, qualquer coisa serve.
E naquele instante, com a pizza esquecida no forno e o mundo lá fora aguardando, soube que tudo estava exatamente como deveria ser. Ela era meu refúgio, e eu, o dela.
Depois de rirmos da pizza queimada e jogá-la fora, a fome ainda era real, mas não nos apressamos. Fomos para a cozinha, e o clima leve entre nós era tão natural, como se os anos de separação tivessem simplesmente evaporado. Com ela, tudo sempre pareceu tão fácil, tão descomplicado. Enquanto Dulce ria das nossas tentativas falhas de cozinhar algo decente, eu a observava, me perguntando como tive a sorte de ter essa segunda chance.
— E agora? — ela perguntou, me olhando com aquele brilho sapeca nos olhos, enquanto vasculhava a geladeira em busca de algo que não fosse carbonizado. — Podemos tentar de novo, ou você quer pedir algo?
— Acho que pedir algo vai ser mais seguro — brinquei, pegando o telefone para procurar algum restaurante que ainda estivesse aberto.
Ela riu, concordando, e veio até mim, encostando a cabeça no meu ombro enquanto eu fazia o pedido. O simples ato de tê-la perto, tão casualmente, me enchia de uma paz que há muito tempo não sentia. O pedido foi feito, e voltamos para a sala, onde nos sentamos novamente no sofá, dessa vez sem pressa, sem planos.
— É engraçado como, mesmo depois de tanto tempo, parece que nada mudou — Dulce comentou, seus dedos traçando padrões suaves no meu braço. — Quer dizer, a vida mudou, nós mudamos, mas... isso aqui. — Ela gesticulou entre nós dois. — Parece que sempre esteve aqui, esperando.
— Acho que sempre esteve, de alguma forma. Mesmo quando estávamos longe, mesmo quando seguimos caminhos diferentes... nunca consegui esquecer isso.
— Eu também nunca esqueci. Sempre guardei você comigo, de alguma forma.
Um silêncio confortável se instalou entre nós, e nos olhamos por um momento, absorvendo a profundidade do que estávamos dizendo. Dulce se aproximou mais, deitando-se contra mim, sua cabeça agora apoiada no meu peito, e eu automaticamente envolvi meus braços ao redor dela. O perfume suave de seus cabelos me envolveu, e tudo parecia tão certo.
— Sabe o que eu acho? — murmurei, minha voz baixa contra o silêncio da sala.
— O quê? — ela perguntou, fechando os olhos, completamente relaxada nos meus braços.
— Que esse final de semana aqui com você é o primeiro de muitos — respondi, beijando o topo da sua cabeça. — A gente está voltando para onde sempre deveríamos ter estado.
Ela ergueu a cabeça, me olhando nos olhos, seu rosto a centímetros do meu.
— Eu também acho. E eu não vou mais deixar isso escapar.
Sem hesitar, ela se inclinou e me beijou novamente, dessa vez com mais suavidade, mas com a mesma intensidade de sempre. Era como se cada beijo dela confirmasse o que eu já sabia: que Dulce sempre foi a peça que faltava na minha vida.
O beijo se aprofundou, nossas mãos encontrando seus caminhos familiares, e nos deixamos levar, como tantas outras vezes. Estávamos conectados, sem pressa, e o mundo lá fora parecia distante, como se tudo o que importasse estivesse aqui, neste apartamento. Dulce afastou os lábios por um segundo, seu olhar suave, mas cheio de amor.
— Eu te amo, Chris. Sempre amei.
— Eu também te amo, Dul. — Minha voz saiu quase como um sussurro, mas cheia de convicção. — Sempre.
Ela sorriu, e antes que pudéssemos continuar, o som da campainha nos interrompeu. O delivery havia chegado, e rimos juntos, quebrando o momento com aquela familiaridade tão gostosa. Levantei-me, peguei a comida e voltamos ao sofá, onde almoçamos, conversando sobre tudo e nada ao mesmo tempo, aproveitando cada minuto da nossa reconexão.
E ali, entre risadas, beijos e conversas tranquilas, soube que, não importa o que o futuro trouxesse, estávamos prontos para enfrentá-lo juntos.
O restante do dia se desenrolou em uma combinação perfeita de risos, conversas e silêncios confortáveis. Decidimos dar um passeio pelo condomínio, com o sol da tarde banhando as ruas arborizadas de La Condesa em uma luz dourada. O ar estava fresco, e o som suave das folhas ao vento criava uma trilha sonora tranquila para nossa caminhada sem rumo.
Caminhávamos de mãos dadas, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Em determinado momento, encontramos um pequeno parque escondido entre os prédios. Crianças brincavam nos balanços enquanto casais sentados em bancos compartilhavam momentos silenciosos. Escolhemos um banco próximo a uma fonte e nos sentamos, observando a vida ao nosso redor.
— Lembra quando a gente procurava lugares assim para escapar da correria? — ela perguntou, com um toque de nostalgia na voz.
— Como poderia esquecer? A gente se achava tão esperto, fugindo para cantos escondidos como esse.
— Eram tempos mais simples.
Assenti, contemplando as ondulações na água da fonte.
— Talvez esteja na hora de trazer um pouco daquela simplicidade de volta para as nossas vidas.
— O que você quer dizer?
— Quero dizer que passamos tanto tempo correndo atrás de objetivos, cumprindo agendas, que esquecemos de apreciar os pequenos momentos que realmente importam. Talvez devêssemos desacelerar um pouco, focar no que nos faz felizes de verdade.
— E o que te faz feliz?
— Isto. Estar aqui com você. Compartilhar momentos simples, sem pressa, sem cobranças.
Seus olhos encontraram os meus, e ela respirou fundo.
— Também tenho pensado nisso. Sinto que estamos recebendo uma segunda chance, e não quero desperdiçá-la.
Segurei sua mão, entrelaçando nossos dedos.
— Então vamos fazer um acordo. Não importa o quão caótica a vida fique, sempre vamos encontrar tempo para momentos como este.
— Prometo. — Ela disse levantando o dedo mindinho, o que me fez lembrar de Any.
À medida que o sol começava a se pôr, pintando o céu com tons de rosa e laranja, decidimos voltar para o apartamento. O ar da noite estava fresco, e as luzes da cidade começavam a brilhar contra o céu escurecido.
De volta ao nosso refúgio, resolvemos preparar o jantar juntos. Desta vez, prestamos atenção total ao que fazíamos, rindo enquanto navegávamos pela cozinha em perfeita sintonia. A refeição ficou deliciosa, um final ideal para um dia perfeito.
Após o jantar, nos acomodamos na varanda com xícaras de chá, enrolados em mantas quentes. Os sons distantes da cidade eram um murmúrio suave, e as estrelas pareciam brilhar mais intensamente naquela noite.
— Está tão lindo hoje. — Ela disse fitando o céu.
— Está mesmo — concordei, embora meus olhos estivessem fixos nela. — Sabe, estive pensando...
— Sobre o quê?
— Sobre nós. Sobre o futuro.
Ela permaneceu em silêncio, aguardando que eu continuasse.
— Sei que ainda temos coisas a resolver, mas quero que saiba que estou comprometido em fazer isso dar certo. Não apenas agora, mas a longo prazo.
— Eu também quero isso. Mas precisamos ser realistas. Haverá desafios.
— Eu sei — assenti. — Mas acredito que estamos mais fortes agora. Aprendemos com o passado.
— Também acredito nisso.
Ficamos ali, envolvidos em um silêncio confortável, com promessas não ditas flutuando no ar. O futuro era incerto, mas pela primeira vez em muito tempo, parecia cheio de esperança.
Com o avançar da noite, o cansaço começou a nos alcançar. Recolhemos as coisas e nos preparamos para dormir. No suave brilho do abajur do quarto, ela segurou minha mão.
— Obrigada por hoje — disse ela suavemente.
— Obrigado por estar aqui.
Deitados lado a lado, ela sussurrou um boa noite.
— Boa noite — respondi, sentindo uma paz profunda.
Enquanto o sono nos envolvia, não pude deixar de sentir que aquilo era o início de algo novo — um capítulo repleto de possibilidades e a promessa de um futuro juntos.
Na manhã seguinte, acordei com o aroma de café fresco invadindo o quarto. Abri os olhos lentamente e encontrei Dulce já vestida, trazendo uma bandeja com café da manhã.
— Bom dia, dorminhoco — ela disse com um sorriso radiante. — Achei que hoje seria minha vez de mimar você.
Sentei-me na cama, surpreso e feliz.
— Isso é um ótimo jeito de começar o dia.
Ela colocou a bandeja entre nós: pães frescos, frutas e duas xícaras de café fumegante.
— Pensei que poderíamos aproveitar nosso último dia aqui antes de voltarmos para a realidade — ela comentou, servindo-me uma xícara.
Peguei o café e tomei um gole, apreciando o calor e o sabor.
— Parece perfeito.
Passamos a manhã conversando sobre planos futuros, sonhos e desejos. Falamos sobre viagens que gostaríamos de fazer, projetos que queríamos iniciar e, principalmente, sobre como integrar nossas vidas de forma harmoniosa.
— Tenho pensado em reduzir um pouco minha agenda de trabalho — ela confessou. — Quero ter mais tempo para a Mapi e, quem sabe, para nós.
— Acho uma ótima ideia — respondi. — Também tenho considerado focar mais em projetos que me permitam estar presente, em vez de estar sempre na estrada.
— Seria bom encontrarmos esse equilíbrio juntos.
O resto do dia foi tranquilo. Saímos para uma última caminhada pelo condomínio, absorvendo a energia de La Condesa e de volta ao apartamento, começamos a arrumar nossas coisas. Havia uma certa melancolia no ar, mas também a sensação de que esse não era um fim, e sim um começo.
— Sabe, não precisamos esperar muito para fazer isso de novo — sugeri, fechando a mala.
— Concordo. Podemos tornar isso uma tradição.
— Uma tradição só nossa — confirmei, aproximando-me para lhe dar um beijo suave.
Antes de sairmos, demos uma última olhada no apartamento. O santuário que havia testemunhado tantos momentos importantes em nossas vidas agora era o palco de um novo capítulo.
— Pronta? — perguntei, estendendo a mão para ela.
— Pronta — ela respondeu, segurando minha mão com firmeza.
Descemos juntos, e a luz suave do entardecer nos envolveu quando chegamos à rua. Decidimos que cada um iria para sua casa por enquanto, mas com a certeza de que nos veríamos novamente em breve.
— Me avisa quando chegar em casa? — pedi, enquanto estávamos no estacionamento.
— Pode deixar — ela respondeu. — E você, não esquece de me mandar aquela música que comentou.
— Não vou esquecer — prometi.
Nos despedimos com um abraço longo e cheio de significado. Quando nos separamos, havia um entendimento silencioso de que estávamos no caminho certo.
Enquanto o carro dela se afastava, observei-a pelo retrovisor até que ela desaparecesse de vista. Uma sensação de satisfação e esperança preenchia meu coração.
Ao chegar em casa, enviei uma mensagem:
"Já estou em casa. Obrigado por esse fim de semana incrível. Mal posso esperar para te ver de novo"
Pouco depois, o telefone vibrou com a resposta dela:
"Também já cheguei. Foi mais do que eu poderia pedir. Nos falamos amanhã?"
"Com certeza. Boa noite."
"Boa noite."
Fechei os olhos por um momento, deixando as memórias dos últimos dias preencherem minha mente. Sabia que haveria desafios pela frente, mas também sabia que, juntos, poderíamos superá-los.
E assim, com o coração leve, me preparei para encarar o que viesse, certo de que estávamos começando uma nova e promissora jornada juntos.
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