Notas iniciais
INCESTO SIM, NINGUÉM TE OBRIGA A LER SE TU NÃO GOSTA!

"Você sabe quando dizem "família você não escolhe"? Pois bem, mesmo se eu pudesse escolher a minha, eu não a mudaria. Um bando de pessoas física e psicologicamente diferentes umas das outras sentadas em torno de uma mesa conversando sobre o mesmo assunto, dando altas gargalhadas e comentando sobre coisas que aconteceram durante o ano.

O natal é uma época engraçada, o cheiro de visco no ar e parentes de todo o lado do globo reunidos como se vivessem todos os dias lado a lado. Indiferenças e brigas são esquecidas e a troca de presentes é brindada feliz com cerveja para os adultos e refrigerante para os baixinhos, que estavam mais ansiosos pela aparição do papai noel do que pela celebração da família.

Mas é claro que eu sempre fui desenvolvido demais para pensar dessa maneira.

Nunca liguei pros presentes que meu pai me dava, também não me importava com os trocados que meu irmão Kurt me arranjava cantando de porta em porta na véspera de natal. A única coisa que me importava nessa data do ano era ver a família reunida em uma mesa enorme. Os primos mais novos conversavam sobre o último carrinho que havia lançado, as meninas falavam a história que haviam criado com suas barbies durante o ano. Os mais velhos conversavam sobre filmes e tecnologia, eu estava entre eles embora fosse mais novo. As tias conversavam sobre o tempero do peru e os tios sobre a bolsa de valores. Era incrível como todos se juntavam como se morassem na mesma casa. Aquilo era... Eu não tinha palavras. Eu adorava o natal principalmente por ser a época em que eu mais via meu pai sorrir.

Ele sempre foi muito sozinho e fico feliz em ver seu sorriso, o que raramente acontecia nos dias normais por ele sentir falta da mamãe. Ela morreu quando eu era bem novo, tinha apenas um ano e não lembro muito, mas meu pai diz que ela me amava muito e isso é basicamente tudo que eu preciso saber.

Também tenho meu irmão, Kurt.

Kurt é meu melhor amigo, embora na escola eu ainda brinque com o Arthur e Quinn de esconde­-esconde na hora do intervalo. Ele é mais velho, tem 13 anos enquanto eu ainda só tenho 8, mas me deixa ficar ao seu lado porque sabe que eu não suporto meus primos da minha idade por serem menos evoluídos mentalmente, diz ele.

Kurt e eu temos um quarto só, onde ele me deixa encher de figuras na parede e de bonecos nas prateleiras. Ele não liga muito, o que é legal. Ele me conta todos os dias sobre sua escola, estudamos em escolas diferentes porque meu irmão está mais avançado no colégio, mas meu pai disse que eu vou estudar na mesma que ele daqui a alguns anos. Eu sempre fico com os olhos brilhando quando ele me conta as histórias de lá, sobre os ninjas que moram em baixo das arquibancadas e dos estudantes que na verdade são super­-heróis.

Eu queria estudar lá mais do que tudo nesse mundo. Mas por enquanto, minhas prioridades eram outras!

– O jantar está na mesa. -­ Gritou a vovó.

A hora da janta foi ainda mais maravilhosa. Todos riam de uma piada que meu tio havia feito, eu não havia entendido muito bem, mas ria também porque aquilo era o natal, o divertimento, as risadas, os primos brigando pra ver quem ficaria com a coxa do peru.

Kurt ficou, mas na verdade ele só havia entrado na briga para pegar aquele pedaço pra mim. Era a única parte da ave que eu gostava, mas meus primos falariam que eu deveria ficar com outra parte já que sou mais novo... Mas não Kurt, ele era mais legal que todos ali. Ele era mais legal que todos no mundo inteiro.

Depois ficamos na varanda sentados, eu, Kurt e meus primos. Eles conversavam e eu ficava apenas ouvindo, tentando imaginar como seria viver no mundo dos adultos. Poder sair e casa e voltar tarde da noite, poder escrever de caneta no caderno e ter seu próprio celular. Era demais.

– Parece que o Luke se deu bem... ­- Trevor falou. Trevor era meu primo, filho do meu tio Oswald. Ele tinha uma irmã pequena que sempre ficava com as primas menores, ele não a trazia para o mundo dos adultos igual Kurt faz comigo.

– O quê? -­ Perguntou Anthoni.

– Ele e Lindsay, embaixo do visco. ­- Apontou para um canto da fazenda da vovó, onde os dois se beijavam com um pouco de vontade.

Uma criança na minha idade sentiria nojo, eu só fiquei encarando os dois tentando observar mais daquele momento. Eu era mentalmente evoluído, lembra?

– Eles podem fazer isso? -­ Perguntei para Kurt. -­ Eles são da mesma família.

– Eles são primos, Blainey. — Trevor me respondeu. -­ Um dia você vai entender que há membros da família no qual você pode dar uns pegas sem se sentir mal por isso.

– Trevor! ­- Kurt chamou a atenção dele. -­ Bee, quando você for mais velho você vai entender, ok?

– Você já beijou alguém, Kurtie? ­- Perguntei inocente. Nunca havia imaginado meu irmão fazendo aquelas coisas com outra garota, provavelmente ele era diferente dos outros.

– Kurt é o rei dos amassos, Blainey.

– Trevor, cala a boca. -­ Gritou Kurt.

Eu apenas assenti com a cabeça e voltei meus olhos aos meus primos se beijando, mas eles já haviam sumido. Provavelmente beijar não devia ser tão bom e haviam decidido fazer alguma coisa melhor, tipo jogar video­game.

Kurt percebeu meu interesse e comentou:

– Tá vendo aquela plantinha ali em cima? ­- Respondi que sim. ­- É um visco. É uma planta especial da noite de natal que dá todo esse cheirinho de noite natalina. Quando você fica em baixo dela com uma pessoa que você gosta muito, você dá um beijo nela. É uma tradição de natal, Bee.

– Ah. -­ Falei curioso com a história. ­- Aposto que a vovó coloca um monte desses pela fazenda só pra todos se beijarem.

– Exatamente, a vovó é uma safada.

– Trevor, de novo? ­- Kurt gritou dessa vez.

[...]

Nos despedimos de alguns primos que tiveram que ir embora na noite de natal. Felizmente, meu pai havia pegado alguns dias de folga e passaríamos alguns dias ali na fazenda com a vovó e outros primos que também tiveram a mesma ideia.

Era tarde e todos já haviam ido dormir.

– Bee, onde você está? ­- Kurt saiu de pijama de dentro da casa, corri e me escondi atrás de uma árvore. O lampião que meu irmão segurava estava quase se apagando e ele não conseguiria me encontrar. ­- Blaine, é sério, pode ser perigoso aqui fora.

Me escondi ainda mais atrás da árvore, tentando esconder minhas risadas.

– O monstro pode aparecer e te pegar. -­ Disse ele.

– Monstros não existem, Kurtie. — Gritei.

– Então você está aí! ­- Kurt correu até mim para tentar me pegar mas eu saí correndo, ficamos dando voltas perto do celeiro por alguns minutos até finalmente ele conseguir me pegar. ­- Te peguei!!! -­ Dizia enquanto me fazia cócegas.

– Para, por favor, para.

– Tudo bem, mas vamos entrar porque aqui está frio. ­- Kurt me pegou pela mão mas eu não saí do lugar. ­- Vamos, Blaine.

– Não, olha pra cima.

– Hã... M­mas, Blaine, vamos.

– Não, olha. -­ Apontei para a plantinha que estava em cima de nós, acoplada às velhas tábuas onde vovó costumava colocar grandes uvas. ­ Um visco.

– Sim, um visco. Agora vamos. -­ Kurt me puxou novamente mas não me mexi. -­ Blaine!

– Não, estamos debaixo de um visco, isso significa que você tem que me beijar. Não é assim? Você que contou a história. Não se pode quebrar tradições, lembra?

– É, Blaine... Mas... É que... ­- Kurt coçou a parte de trás da cabeça e se ajoelhou na minha frente. ­ Isso só acontece quando você está com alguém que gosta muito.

– Eu gosto muito de você, você não gosta muito de mim? ­- Cruzei os braços impaciente.

– Gosto, mas...

– Então tem que beijar.

– Mas Blaine...

– Me beija, agora! ­- Bati o pé.

– Tudo bem, pirralho chato. ­- Kurt soltou um sorriso torto, mas eu sabia que ele não achava isso de mim. Ele sempre me chamava assim quando eu fazia birra. -­ Se eu te beijar, nós entramos?

– Sim. ­ Falei firme.

– Então tudo bem.

Kurt pegou minhas mãos e se aproximou. Lentamente ele me deu um beijo na bochecha.

– Um beijo de verdade, igual o que nossos primos estavam dando, Kurtie.

Vi Kurt revirar os olhos e então assentir com a cabeça, finalmente me dando um selinho, outro beijo na bochecha e logo começou a encher meu rosto de beijo, me apertando. E eu... Eu não havia pensado nessa parte.

– Para, Kurtie. Que nojo, me babou todo. ­- Limpei meu rosto na parte onde Kurt havia beijado. Meu irmão gargalhava feliz, mas eu não estava tanto assim.

– Vamos entrar, pequeno. -­ Pegou pela minha mão novamente, mas dessa vez eu o acompanhei pra dentro da casa.

– Um dia eu vou ser mais grande que você.

– Maior.

– Viu? Até você sabe disso.

– Não, Bee... Eu quis dizer que não se fala mais grande, se fala maior.

– Vamos dormir agora, ok? Amanhã podemos andar de barco no lago, ou convidar Anne e Josh para alimentar os patos. -­ Dei um sorriso para Kurt. ­- Agora durma bem, amanhã o dia vai ser longo.

Kurt me cobriu com o lençol e me deu um beijo na testa. Ligou o abajur para não ficar tão escuro e fechou a porta, indo até o quarto em que iria dormir.

Fechei os olhos e me lembrei de como meu irmão era legal. Ele provavelmente era diferente de Luke, não saia beijando meninas por aí, mas eu poderia falar pra todos que Kurt havia me beijado em baixo do visco. Eu era um garoto muito sortudo por ter beijado um garoto tão legal como Kurt... O natal de 2006 vai ficar pra sempre na minha memória, com tantas risadas, emoções e com meu primeiro beijo com Kurt.

O primeiro de muitos!"

Notas finais
Porque incesto é muito bom pra não ter nenhuma fanfic klaine falando sobre isso! ♥ Prólogos costumam ser pequenos, mas prometo que o próximo vai ser maior. Beijos e até! :)