Partituras e Cartas de Amor

2 #02 Uma briga antiga entre irmãos


Notas iniciais
Oie.

Havia sido um choque para todos os amigos e familiares quando Burt contou que estava apaixonado e que iria se casar novamente. Seu nome era Carole, uma enfermeira do hospital local e ele havia a conhecido em uma visita à enfermaria para cuidar de alguns dedos quebrados que havia conseguido na oficina.

A família Anderson, que era a de Elizabeth, e com quem Burt ainda mantinha contato apoiou a decisão do homem. Não havia motivos para o Hummel se prender à Elizabeth depois de treze anos de sua morte.

O difícil seria contar para Kurt e para Blaine. Burt não imaginava como os garotos iriam reagir com a situação. Não seria nem o fato de assumir que casaria com outra mulher, e sim o fato de que mudariam de casa e Carole agora moraria com Burt.

As coisas haviam mudado muito nos últimos anos e Burt não tinha certeza se a família continuava unida como havia sido um dia.

Kurt tinha hoje completos 20 anos e estudava em Nova Iorque. Sempre havia sido seu sonho, Broadway e tudo mais. Sentia falta do seu filho mais velho, mas não podia impedi-lo de voar.

Blaine tinha 15 anos e recém entrara para a Dalton Academy, uma das escolas mais renomadas do estado. Burt estava se matando de trabalhar na oficina para bancar os estudos lá, mas valia a pena ao receber uma ligação no fim do dia do filho contente por estar lá.

Seria difícil contar, mas faria isso.

O dia de ação de graças estava chegando e os alunos da Dalton seriam mandados pra casa. Burt não via o filho há alguns meses, desde que o garoto havia ido para o internato. Já Kurt o pai não via há quase um ano.

O castanho também havia estudado na Academia Dalton, mas logo que se formou foi para Nova Iorque, não passou mais de dois dias em casa. Foi muito rápido, Burt teve que se acostumar com as mudanças muito cedo. Talvez tenha sido esse um dos motivos para se apaixonar tão rápido por Carole. Estava sozinho e precisava de alguém.

Burt se deixou levar pelos pensamentos e acabara perdendo algumas horas de trabalho. Se viu no final do dia cheio de carros para colocar em ordem, e sem funcionário nenhum. Seria uma noite longa.

– Precisa de companhia, querido? – Carole apareceu na porta da oficina com algumas sacolas com ingredientes.

Burt amava aquela mulher.

Blaine se jogou em sua cama quando chegou ao quarto, cansado de todas as atividades do dia. Suas aulas de quinta-feira eram as mais monótonas, além de um ensaio longo e demorado no clube do coral e, em seguida, o clube de esgrima da Dalton, no qual Blaine era o vice-presidente.

O garoto estava quase desmaiando de cansaço. Apenas não dormiu porque foi despertado pelo barulho da porta de seu quarto se abrindo. Era Nick. Niccholas era seu melhor amigo, o qual dividia o quarto com Blaine.

A Dalton podia ser uma escola cara, mas não dava aos alunos o luxo de dormir sozinhos. A tradição dizia que todos deveriam se enturmar, nem que fossem forçados à isso. O único problema era que, a Dalton era uma escola interna para garotos, e a tensão sexual naquele lugar era demais às vezes, e os colegas de quarto quase não tinham privacidade.

Blaine era quem podia dizer isso, agora que via Nick e Jeff entrar no quarto aos beijos, se agarrando e se amassando como se não houvesse um amanhã a ser aproveitado. Blaine apenas encarou esperando o momento sério para interromper os amigos.

– Eu preciso de você agora, Jeff. – Nick disse quase em um sussurro enquanto beijava mais e mais os lábios do namorado.

– Me leva pra cama. – Respondeu o loiro.

– Acho melhor vocês fazerem isso lá fora. – Blaine respondeu causando um espanto nos dois homens que estavam quase sem camisa.

Nick tinha o rosto vermelho, qual Blaine não conseguiria descrever se era de raiva ou de vergonha. O moreno gargalhava baixo ao ver o silêncio que o quarto havia ficado.

– Isso não tem graça, Blaine. – Nick colocou as mãos na cintura. – Por que você não está se pegando com Joey e nos deixa aqui em paz?

– Joey está distante. – Suspirou o moreno. – Além do mais, amanhã é o último dia antes do feriado e eu preciso arrumar minhas coisas para voltar pra casa.

– Então você simplesmente vai ficar aqui empatando nossa foda? – Nick perguntou com mais raiva ainda e Blaine fez um sinal de que sim, como se fosse óbvio. – Tudo bem, eu não me importo, você pode ficar e observar se isso te dá desejo.

O warbler tentou voltar a beijar Jeff, mas o mesmo virou o rosto, com vergonha daquela situação.

– Podemos tentar subornar Trent com alguns cupcakes e ver se ele consegue nos deixar sozinhos... – Hesitou o loiro.

– É bom ele deixar, senão Blaine está ferrado. – Nick saiu do quarto resmungando, deixando um Blaine Anderson-Hummel gargalhando no dormitório do segundo andar.

A noite passou lentamente para o garoto de olhos cor de amêndoa. Pensava em tudo ao mesmo tempo, um dom que Blaine tinha desde criança. Seus pensamentos vagaram no dia de Ação de Graças e quão estranho seu pai soou ao telefone ao falar que havia uma “grande notícia” para dar; pensou no irmão que não via há mais de um ano e que regressaria à casa, na mágoa que sentia de Kurt pelos anos anteriores; pensou também em seu relacionamento com Joey, se realmente valia a pena encarar tantos dramas do jovem.

E de tanto pensar, acabou deitando sob seus pensamentos.

A manhã passara como uma brisa de primeira, rápida e confortável. Porém o almoço seria uma tortura. Joey havia o enviado uma mensagem mais cedo dizendo que queria conversar com Blaine em seu quarto, algo sério que não poderia esperar até depois do feriado.

Blaine passou a manhã com a certeza de que o moreno iria terminar o namoro que eles tinham. Bom, namoro não era a palavra certa para definir o que os dois adolescentes tinham. Era algo mútuo envolvendo beijos, amassos e depois cada um seguia sua vida, mas eram comprometidos um ao outro. Era um namoro sem a obrigação de no fim do dia mandar uma mensagem de boa noite, por exemplo.

Blaine pôs-se até o terceiro andar dos dormitórios e bateu duas vezes na madeira crua da porta de Joey. O colega de quarto do namorado era Sebastian, outro adolescente com problemas de hormônios. Basicamente a Dalton era uma escola toda gay, já que Sebastian namorava Hunter. Longa história.

Joey abriu a porta com um sorriso e deixou o namorado entrar. Aparentemente estavam sozinhos no quatro, Sebastian não estava por ali. Blaine tentou falar alguma coisa, mas resolveu que seria melhor esperar por Joey.

– Então... – Joey fechou a porta e quebrou o silêncio. – Você vai voltar pra casa nesse feriado? – Perguntou para quebrar o gelo, não adiantando muito.

– Vou. Meu pai aparentemente tem algo para nos contar, e a família toda vai estar lá.

– Você tem certeza que está pronto para encarar Kurt depois de todo esse tempo? – Joey perguntou preocupado. – Sei que você não é um grande fã do seu irmão.

– Eu vou sobreviver. – Forçou um sorriso. – Por que você me chamou aqui, Joey? – Perguntou sem fazer rodeios.

– Ah, então... – Coçou a parte de trás da cabeça, tentando achar uma maneira de dizer.

– Você vai terminar comigo, é isso? Porque você está agindo estranho a semana inteira, além de ter me evitado e- — Joey o interrompeu.

– Terminar com você? Não! – Se aproximou do namorado e pegou sua mão. – Eu nunca terminaria com você, Be.

– Então o que é?

– E-eu estava pensando em, nesse final de semana, contar pros meus pais que eu sou... Bem... Que eu sou gay, ou bi. – Pigarreou, deixando Blaine surpreso. O mais novo sabia que Joey ainda não havia contado para a família sobre gostar de garotos, Blaine também ainda não havia contado à Burt, mas achou que não teria problemas já que Kurt havia se assumido uns anos atrás.

– Será um feriado animado, pelo visto. – Blaine gargalhou.

– Eu vou sentir sua falta. – Blaine arqueou as sobrancelhas ao ouvir o namorado falar algo romântico, geralmente Joey não falava essas coisas. Aliás, Joey nunca falava essas coisas.

– Esse não parece você. – Blaine disse com um sorriso curto.

Joey sorriu maior e puxou Blaine pela cintura, encostando as testas antes de dar um beijo na boca do namorado. – Esse se parece comigo agora?

– Esse sim. – Sorriu, antes de ser levado por um beijo.

[...]

Kurt colocou suas malas em seu antigo quarto enquanto ouvia seu pai estacionar o carro. Havia sido buscado no aeroporto há alguns minutos porque seu voo de Nova Iorque chegara hoje cedo. Kurt estranhou o silêncio em casa. Lembrava-se de quando Blaine corria pelos corredores não deixando um minuto de silêncio por lá.

– Kurt, desça que quero falar com você. – Burt avisou do andar de baixo e Kurt foi até o pai.

– Sim?

– Daqui a algumas horas irei até Westerville buscar Blaine, queria saber se você gostaria de ir junto. – Kurt desviou o olhar. – Sei que vocês não estão em seus melhores dias, mas acho que seria bom te ver com ele novamente.

– Claro, pai. Se é o que você quer. – Sorriu forçado.

– Uma amiga virá jantar aqui hoje, seu nome é Carole.

– Tudo bem, pai. – Kurt suspirou. – Estarei no meu quarto escrevendo alguns artigos para a revista, quando for buscar o Bee pode em chamar.

– Você ainda o chama desse jeito? – Burt sorriu. – Sabe que isso o irrita...

– É um costume, vou tentar evitar na frente dele.

Kurt deu um beijo estalado na testa do velho homem e subiu as escadas com um pouco de pressa. Pensou em assuntos que poderia usar no carro com Blaine, para tornar o momento menos constrangedor, mas só conseguia se lembrar de como o moreno provavelmente ainda o odiava.

Se alguém sabia o peso das palavras, esse alguém era Kurt.

Notas finais
Eita, tem treta entre os irmãos! hihi Vocês estão gostando? Sei que demorei um pouco demais pra atualizar essa fanfic, mas é porque as ideias não brotavam. Mas fui obrigada a postar após muitas ameças de morte, inclusive fiz alguns boletins de ocorrência por causa de algumas frases aterrorizantes que recebi, hahaha. Bom, prometo que no próximo capítulo vai ter Klaine e tudo mais que vocês tem direito. E claro, o Joey que o Blaine tá pegando não é ninguém menos que meu amado Joey Richer. Não sei pensar no Joey como um vilão, mas acho que preciso às vezes sair da minha zona de conforto. O que estão achando? Pensei em focar essa fanfic no lado Blaine da história, mas se quiserem ver um pouco mais do Kurt eu posso colocar também. Tudo depende do que vocês comentarem e me sugerirem. ♥ "Esperei tanto tempo pra você atualizar essa fanfic, e você não me coloca nenhuma cena klaine, e ainda faz o Blaine se pegar com outra pessoa???" NOVAES, Mari