Partituras e Cartas de Amor
8 #08 Capítulo à Mandy, com todo o amor
Notas iniciais
Então era isso. Joey estava ali na porta da casa dos Hummel.
Kurt demorou alguns segundos para responder. Encarava o garoto como se ele fosse um filme interessante qual Kurt tinha de fazer uma resenha. Precisava colocar a imagem do namorado do seu irmão mais novo na mente. Joey era um garoto da altura de Kurt, com cabelos escuros e lisos em um topete um tanto alto. Suas sobrancelhas grossas marcavam um olhar carismático. O sorriso se perdia em uma barba mal feita e um vestígio fraco de bigode, qual Kurt poderia brevemente achar charmoso se aquele em sua frente não fosse o namorado de seu irmão.
– Ele não está agora. — Kurt disse um pouco desconfiado.
– Oh. — O garoto soou um pouco desapontado. — Onde ele está?
– Blaine saiu com alguns amigos. — Kurt observava as reações do garoto em sua frente. — Faz algumas horas, acredito que ele deve voltar em breve. Você quer entrar para esperá-lo? — Perguntou, recebendo um olhar confuso de Rach.
– Se não for incomodá-lo, ...? — Disse sutilmente.
– Kurt. Kurt Hummel.
– Kurt. — Joey assentiu como se já houvesse falar do castanho, o que fez o Hummel ficar um pouco confuso. Joey entrou assim que o irmão do namorado lhe cedeu um espaço pela porta.
– O que você está fazendo? — Rachel sussurrou ao ver o amigo fechar a porta principal da casa e caminhar com Joey até a sala. — Achei que estivéssemos indo pra minha casa.
– Ele é o namorado de Blaine. — Kurt sussurrou de volta.
– Boa, Anderson. — Rachel gargalhou baixo, porém o sorriso logo se desfez ao ver o olhar de reprovação que o amigo lhe lançava logo em seguida. A judia prometeu ficar quieta e caminhou até a sala com os dois outros garotos, tentando observar que o clima não ficaria nada bom.
– Então, Joey... — Kurt fez sinal para o garoto se sentar na poltrona.
Antes que Kurt pudesse fazer qualquer pergunta para o garoto em sua frente, a porta principal era aberta por três adolescentes gargalhando e rindo sobre alguma piada que um deles havia contado no caminho. Blaine, Finn e Quinn pararam logo em seguida ao verem todos na sala os encarando como se fossem a atração do local. Os olhos do moreno frisaram em um ponto da sala em especial, onde Joey o encarava.
– Joey. — Disse surpreso.
– Blaine. — O garoto forçou um sorriso.
– O que está fazendo aqui em Lima? — Perguntou.
– Podemos conversar... Hurm... No privado?
Logo Blaine percebeu que não estava sozinho naquela sala com o namorado, como quando costumavam se encontrar na Dalton. Havia uma mulher desconhecida no cômodo, assim como seus dois irmãos e Quinn. Sentiu algo embrulhar seu estômago e logo assentia, fazendo sinal para o namorado o acompanhar.
– Não. — Kurt interviu.
– Não? — Perguntou Blaine.
– Vocês não vão ficar sozinhos, não com meu pai fora de casa. — Kurt dizia com a mão na cintura, fazendo Blaine abrir a boca em objeção. — Blaine, por mais que você e esse cara tenham a privacidade que querem na Dalton, e acredite, eu sei como aquela escola pode ser falha em relação à isso, agora vocês estão na casa do papai e eu não vou permitir nenhum... — Kurt pigarreou. — Nenhum assanhamento aqui.
– Fica tranquilo, Kurt.
Blaine revirou os olhos e puxou Joey pela mão até o segundo andar, não acreditando que o irmão queria ditar regras na casa em qual não morava mais. O castanho, com as sobrancelhas arqueadas ao ver o Anderson desobedecer suas regras, subiu atrás do casal para se certificar de que nada aconteceria de errado.
– O que acabou de acontecer aqui? — Quinn suspirou.
– Eu não entendi nada, mas não estou entendendo ao certo muita coisa desde que vim morar pra cá. — Finn deu de ombros, finalmente observando a mulher que estava no canto do cômodo junto à cena. Piscou algumas vezes para ter certeza da imagem que via.
O grandalhão não acreditava no que seus olhos enxergavam. No canto da sala de sua nova casa estava a mulher mais bonita que seus singelos olhos já haviam enxergado. Claro que, ao seu lado, estava Quinn, mas era totalmente diferente. Quinn era uma adolescente com seus quinze mal-formados anos, com um cabelo loiro sem graça e seus vestidos cheios de pano. Mas aquela mulher...
Aquela mulher era como a maçã para Adão no paraíso. Tinha lábios carnudos e um cabelo negro que chamava a atenção de longe, perdido em uma pequena franja que caía sobre o olho também escuro. Tinha um corpo de chamar a atenção de qualquer cara na região, vestia uma blusa preta de mangas e um pequeno shorts branco com detalhes também pretos, que mostraram suas pernas sem se importar com nada. No fim, usava uma grande bota com um salto enorme que, para Finn, mostrava todo o poder que tinha.
Quinn logo percebeu o olhar babão do namorado sobre a garota do canto da sala e já se pôs a tossir algumas vezes para chamar a atenção do Hudson de volta para si, e então foi até a mulher com passos firmes.
– Prazer, sou Quinn Fabray. — Estendeu-lhe a mão.
– Rachel Berry. — Sorriu e apertou a mão da garota.
– Você é? — Perguntou a loira possessiva.
– Amiga de Kurt. — Disse um tanto confusa com o interrogatório.
– Eu sou irmão dele. — Finn praticamente se jogou sobre o sofá para alcançar a mão da morena ainda estendida e a apertou com a delicadeza de mil mamutes correndo para se livrar de um ataque de guepardo. — Prazer.
– Prazer, ai. — Reagiu à força do garoto, que se desculpou e gentilmente ofereceu à Rach um copo de água ou alguma coisa que pudesse cortejá-la. A judia sorriu, mas logo negou o oferecido. — Obrigada, mas eu vou ficar pouco tempo. Estou só esperando Kurt terminar seja lá o que ele está fazendo e então vamos pra minha casa.
– Você tem uma casa só sua? — Finn perguntou sorrindo, se esquecendo que havia ido para casa com a Fabray. — Isso é tão adulto. Não sabia que Kurt tinha amigas mais velhas. — Rachel franziu o cenho e o garoto tratou de tentar consertar o que havia errado. — Não que você seja velha, mas eu digo no sentido de mais velha que ele. Nós também somos muito novos, eu tenho dezesseis e... — Rachel fez um sinal que entendia e que Finn poderia parar de falar.
– Bom, de qualquer jeito... — Quinn se meteu no meio dos dois, tentando tirar a atenção do namorado daquela mulher. Nem sabia ao certo qual era a grande atração em uma mulher baixinha e de nariz grande. — Eu e Finn vamos subir para o quarto dele. Espere Kurt na sala, ou não, faça o que quiser. — E logo saía balançando seu cabelo loiro em um rabo de cavalo e puxava Finn pelo braço, sem o garoto ter ao menos a possibilidade de falar que queria ficar ali com a Berry.
No andar de cima, Kurt parecia impaciente do lado de fora do quarto. Quando havia chegado no piso superior o irmão já havia entrado no cômodo e chaveado a porta, então agora o Hummel esperava ao lado de fora sem saber exatamente o quê.
– Você parece abatido. Não está feliz em me ver? — Perguntou o garoto.
– Estou, claro que estou. — Blaine sorriu, se aproximando um pouco mais do namorado. — Mas eu não entendo o que você está fazendo em Lima. Achei que estaria em Nebraska com sua família. — Disse confuso.
– Eu queria te dar um último beijo antes de ir embora. — Joey sorriu e caminhou até Blaine, capturando os lábios do menor nos seus. O beijo foi calmo e lento, mas foi interrompido pelo adolescente que formulara as palavras do namorado.
– Último beijo? — Perguntou receoso, dando alguns passos para trás para se certificar que o mais algo não fosse pegá-lo em outro beijo.
– Antes de ir para o Canadá. — Assentiu o jovem.
– C-canadá? — Blaine se afastou um pouco mais com o susto. — Você vai para o Canadá? M-mas e a escola? E o último ano? E nós? — Perguntou a última parte em ênfase, como se fosse o mais importante das perguntas. — Achei que tivéssemos combinado que iríamos para Nova Iorque juntos.
– As coisas mudam, Be. — Joey desviou o olhar.
– O que mudou? Porque dias atrás eu me lembro muito bem de conversamos sobre isso novamente e tudo parecia bem. Você até iria se assumir para o seu pai. Você ao menos fez isso? — Sua voz parecia estridente e quebrada. — Eu fiz!
– Blaine, você sabe que eu tentei, mas meu pai não aceita a ideia de que seu único filho possa ser gay, ou remotamente bi. Ele até me disse que a filha de um amigo dele estava interessada em mim e que seria bom para os negócios da família... — Joey se aproximava. — Não me entenda mal.
– Foi ele que te ofereceu essa viagem para o Canadá? — Blaine perguntou e era como se as palavras saíssem como cacos de vidros, o cortando profundamente ao ter que imaginar uma resposta positiva.
– Ele disse que eu estava a uma ligação de uma bolsa integral na Universidade de Ottawa se eu quisesse, era só largar essa coisa boba e... — Blaine o interrompeu.
– Coisa boba? Nós somos uma coisa boba?
– Eu achei que você entenderia, Be. Achei que, de todos no mundo, você fosse o único que soubesse o quão apaixonado eu sou por literatura e o quão disposto eu estaria por uma bolsa naquela escola. Nova Iorque... — Suspirou. — Nova Iorque nunca foi o meu sonho... A universidade de Ottawa pode ser um grande futuro pra mim.
– Às favas com seu futuro. — Blaine disse embargado em um choro qual o adolescente não permitia deixar sair. — Eu não acredito que você está me trocando por uma bolsa no Canadá simplesmente porque seu pai é um homofóbico de merda e não aceita seu filho ser do jeito que ele é!
– Be... — Joey tentou.
– Não me chama assim! — Gritou sem se importar. Como era possível que todas as pessoas que lhe chamavam por um apelido carinhoso eram curiosamente as únicas a lhe decepcionarem? — E você veio aqui falar isso?
– Sim, eu queria te ver uma última vez. — Dizia como se suas intenções houvessem sido as melhores, porém o Anderson não queria ouvir.
– Já viu.
.:.
Kurt podia ter certeza que embaixo si havia uma enorme trilha no chão das voltas que ele estava dando há alguns minutos. O que Blaine e o namorado estavam conversando que demorava tanto tempo? Algumas coisas se passaram em sua mente sobre o que adolescentes faziam enquanto estavam trancados no quarto, mas Kurt resolveu ignorar as imagens de Blaine e Joey porque sabia que, ao menos, o irmão respeitava o lar do pai.
– Podemos ir agora? — Rachel perguntou tediosa, sentada num sofá de madeira acolchoada que ficava no corredor.
– Algo não está cheirando bem...
– Talvez seja aquele cheiro que você não sente há um bom tempo, como é mesmo o nome? Ah, cheiro de sexo. — A judia gargalhou. — Kurt, deixe seu irmão desfrutar de um bom amor adolescente e vamos logo, por favor. Não fui feita pra esperar por muito tempo, e tenho uma leve intuição que a loirinha do quarto ao lado está esperando apenas por uma brecha pra me matar. — Brincou.
– É, eu acho que você tem razão. — Kurt suspirou, se afastando da porta do quarto do irmão e caminhando até o começo da escada, onde Rachel estava. — Só achei o garoto um pouco estranho, ele não parecia estar muito feliz ao ver Blaine. Não como um namorado deve estar feliz ao ver o outro.
– Você só está encucado com o fato de que seu irmão de quinze anos está pegando mais caras do que você, Hummel. — A judia gargalhou mais uma vez, vendo um Kurt ranzinza em sua frente. — Você está um porre hoje, já falei isso?
Antes que Kurt pudesse responder à morena algo relevante, escutou alguns berros do quarto do irmão e logo a porta sendo abrindo, revelando um Blaine descompassado e com algumas lágrimas em seus olhos, relutantes a caírem. — Mas que merda? — Sussurrou ao ver Joey praticamente ser arremessado para fora do cômodo.
– Eu já disse pra ir embora! — Blaine gritou.
– Be, se acalme. — Joey estava um tanto surpreso ao ver o garoto reagir daquela forma. Na Dalton, Blaine era o mentor de quase todos os alunos especialmente por causa de seu calmo temperamento e classe ao lidar com as coisas. Ele nunca imaginaria um Blaine Anderson nervoso, tacando livros em direção de alguém, que era exatamente o que o moreno fazia naquele momento.
– Você quer que eu desenhe um mapa até a porta da rua?! — Gritou novamente, jogando tudo que via pela frente em direção ao ex-namorado.
Joey finalmente se cansou de tentar pedir ao Anderson por paciência, deu meia volta e sumiu pelas escadas. Quando o barulho da porta principal foi ouvida fechar, Blaine respirou fundo e voltou para seu quarto, fechando a porta atrás de si com o máximo de força que tinha em seu corpo. O moreno não sabia como havia dado um ataque tão grande como aquele já que sempre fora o equilibrado da família, mas desde que chegara naquela casa os seus nervos estavam à flor da pele.
– Pronto, problema resolvido, seu irmão não está mais sozinho com o namorado dele. — Rachel se levantou como se aquilo houvesse sido a solução pra tudo. — Podemos ir pra minha casa agora? — Mordeu os lábios.
Kurt encarou a amiga e logo em seguida encarou a porta do quarto do irmão. Seu coração se quebrou por alguns segundos se lembrando de tudo que havia acontecido nos últimos dias e então ele sabia o que fazer, por mais que seu cérebro gritasse que não. Naquela hora, Kurt usaria o coração.
[...]
O castanho abriu a porta de leve, se certificando de que ela estava destrancada. Dentro do quarto uma bagunça maior do que pensou que encontraria. Livros jogados por todo o chão, cadeiras jogadas e pufes também. As cortinas estavam fechadas e Kurt pôde ver, por meio de uma luz fraca que vinha de fora, que Blaine estava jogado debaixo das cobertas.
– Blaine? — Perguntou incerto, fechando a porta atrás de si.
– Vá embora.
Kurt sorriu rapidamente ao ver o antigo irmão ali, o Blaine fechado e irritado que havia convivido o passar dos anos. Mas ali estavam eles, depois de terem se acertado finalmente, podendo usarem os papéis de irmãos que haviam sido destinados a. O Hummel se aproximou mais um pouco e se sentou na beirada da cama, tentando não assustar o outro.
Blaine percebeu a presença do irmão ali e saiu debaixo das cobertas. Seu rosto estava vermelho do que poderia se dizer que era a raiva, mas nenhuma lágrima havia sido derramada, por mais que os olhos hazel do pequeno estivessem banhados nelas.
– O que você quer? — Perguntou o menor.
– Eu quero ver como você está. — Kurt subiu na cama, se sentando ao lado do irmão. Era óbvio que tudo que o moreno queria fazer era se trancar no quarto e chorar por horas. Kurt sabia, Kurt já havia sofrido por términos de namoro que não deram certo, mas, por algum motivo, Blaine não estava fazendo isso.
– Estou bem. — Limitou-se a responder isso.
– Você não parece bem.
– Você quer que eu chore? — Blaine encarou o fundo dos olhos azuis de Kurt, tentando passar para o irmão a dor que estava sentindo apenas pelo olhar, como se isso fosse meramente possível. — Você quer que eu me esperneie e comece a gritar como uma adolescente boba? Que pegue meu celular e escreva centenas de linhas para Joey sobre como ele é um idiota e foi a pior coisa que me aconteceu na vida? — Uma lágrima finalmente caíra sobre o rosto do menor. — Eu não vou fazer isso.
– Você não precisa ser forte o tempo todo, Bee. — Kurt se aproximou.
– Se eu não for forte, acho que ninguém vai ser. — Disse. — E eu posso não ser a pessoa mais vivida do mundo mas eu sei muito bem que não vale chorar por gente como Joseph. — Suas palavras pareciam cuspidas e agora Blaine não se limitava a deixas as lágrimas caírem. — Eu vivo dramas como esse com meus amigos quase todos os dias. Os términos na Dalton e nos Warblers costumam ser bem dramáticos, mas... Eu só pensei que não fosse acontecer tão cedo, não comigo. — Disse passando a manga da camisa rapidamente sobre os rosto, secando-os.
– Blaine, meu anjo. — Kurt se aproximou e abraçou o irmão, não se importando com o desconforto do menor. Eram irmãos e queria proteger o menor de todas as coisas ruins do mundo, e se pudesse, pegaria a dor de Blaine para si apenas para ver o sorriso lindo do moreno. — Eu sei que é uma dor horrível, mas você precisa chorar. Você precisa colocar pra fora, porque enquanto você não fizer isso, vai ficar uma coisa incompleta em você.
Blaine suspirou e deixou algumas lágrimas rolarem. Ele geralmente era o amigo que oferecia o ombro amigo para Wesley ou Niccholas chorarem o coração partido, porém nunca se imaginou no lugar deles. Nunca sequer pensou em quem confiaria a dor de um término já que nunca se imaginou nessa teia de confusão. Sabia, também, que os amigos não seriam tão efetivos como ele em conselhos.
Mas ali estava Kurt, o irmão perdido por tantos anos, lhe oferecendo um abraço esperado por muito tempo. Estranhamente, um abraço quente qual Blaine se encaixava muito bem e poderia chorar, sabendo que Kurt estaria ali pra ele. Então apenas o fez. Deixou as lágrimas rolarem enquanto sua mente procurava mais motivos para chorar, o lembrando de todas as coisas e todos os abusos mentais dos últimos meses. Sequer se lembrava qual fora a última vez que havia se entregado às lagrimas.
Logo tudo começou a ficar mais dolorido, deixou-se chorar também pela saudades que sentia da mãe. Chorou por coisas estúpidas como um dia que quebrara uma caneca qualquer e pelo dia que tirara nota baixa em uma prova importante. Logo qualquer coisa era motivo para as lágrimas rolarem, e Kurt ficou lá o tempo inteiro, acolhendo o irmão e o protegendo, sussurrando uma música qualquer.
Foi quando as coisas começaram a ficar difíceis. O castanho não sabia ao certo o que fazer quando viu Blaine começar a soluçar mais alto, respirar descoordenadamente e gemer de angústia. Puxava na memória as crises de choro do irmão quando era menor, nos ataques de pânico que Blaine tinha quando criança. O Hummel não poderia acreditar que, depois de tantos anos, aquilo estava acontecendo novamente. Ficou feliz, ao menos, por estar ali para poder acalmar Blaine.
– Blaine, calma. — Sussurrava enquanto ninava o irmão que gritava durante o choro, desesperado. — Blaine, eu estou aqui. Eu posso cantar pra você, fique calmo... — O castanho se via até mais desesperado que o próprio irmão simplesmente por não conseguir achar modos de fazê-lo se acalmar. Blaine chorava compulsivamente, assustando até mesmo o irmão que estava acostumado à essas crises antigas. — Blaine!
Kurt o chamava, mas o irmão parecia distante. Chorava por coisas bobas e simplesmente não conseguia parar. Sentia seu coração ser esmagado diversas vezes e não conseguia controlar sequer sua respiração, o que o deixava mais agitado e desesperado. O irmão mais velho estava começando a criar um marejamento nos olhos apenas ao ver o irmão naquele estado por causa de um ex-namorado de merda que o deixou daquele jeito.
– Bee, por favor. — Kurt sussurrava enquanto tinha o irmão nos braços, o balançando como uma criança para ver se surtia algum resultado, porém nada fazia efeito. Dava alguns beijos no topo da cabeça do irmão como forma fraternal. — Olha pra mim, por favor. — Suplicava, colocando as mãos nas bochechas de Blaine o virando para si, o fazendo encarar aquela imensidão azul que eram seus olhos iluminados pela luz da rua. — Por favor...– Pedia como um desabrigado pede por misericórdia.
Kurt deu um beijo no topo da testa de Blaine e tentava ajudá-lo de qualquer maneira, queria apenas ver o irmão parar de gritar e chorar. Quando disse que Blaine não precisava ser forte, não esperava que a barreira que o Anderson havia criado era tão grande. Aquilo estava começando a ficar pior e o castanho não tinha mais a situação sob controle.
– Bee... — Sussurrava perto de seu ouvindo. Kurt começou a dar beijos por toda a testa do irmão, logo conseguiu perceber que Blaine estava conseguindo voltar ao normal e seu coração se encheu de calor. — Fica calmo, Bee. Por favor, eu te peço. — Sussurrava enquanto dava mais beijos no rosto do moreno. Do topo da testa, na ponta no nariz e vários beijos em suas bochechas. — Por favor... — Dizia descontrolado, sem saber ao certo sobre qual seria a melhor cura para uma crise de pânico como aquela. — Por favor... — Disse uma última vez, antes de selar seus lábios com o irmão em um ato involuntário do corpo. A respiração de Blaine se normatizou depois de longos segundos, mas Kurt ainda tinha seus lábios nos do Anderson.
Tudo não passou de um selinho longo e sem nada além disso. Kurt estava desesperado tentando acalmar o irmão e faria qualquer coisa para vê-lo bem novamente. Ao ver a respiração normal e o choro cessar aos poucos, sorriu e abraçou Blaine, que parecia ter voltado de um grande choque emocional. No fim das contas, agradeceria à Kurt por ter ficado ao seu lado naquele momento necessário. Precisava de alguém para chorar no ombro e alguém para ficar ao seu lado quando as coisas piorassem e viu em Kurt muito mais do que um irmão, viu em Kurt um refúgio.
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