Partituras e Cartas de Amor

7 #07 É errado, mas tanto faz


Notas iniciais
Um agradecimento especial ao meu estimado namorado que fechou a aba do chrome onde eu estava escrevendo o capítulo. Você é demais! -_-

Kurt estava se sentindo entediado. Aquele quarto não tinha nada de interessante e seu estômago estava começando a roncar. Ainda achava toda essa história de castigo ridícula e sem nenhum sentido. Ele era um homem crescido e não precisava ficar confiado para aprender regras de convivência, por favor. Além do que achava a ideia de trancar duas pessoas que se odeiam em um recinto pra se darem bem era horrível. Enquanto isso, Blaine lia um livro deitado no canto da cama, e percebendo a incomodação do irmão no outro canto do quarto, perguntou:

– O que você tem? — Disse sem tirar os olhos do livro.

– Fome, frio e acho que acabei adquirindo um pequeno complexo de ansiedade ficando trancado nesse quarto. — Kurt resmungou, passando suas mãos rapidamente pelos seus braços a fim de se aquecer.

– Veste isso. — Blaine desviou a atenção do livro, pegou um casaco preto de tecido grosso que estava apoiado na cadeira perto da cama e o jogou para o irmão, que agradeceu com um sorriso breve. — E sobre a fome, deve ter alguma barra de chocolate escondida na gaveta da cômoda do seu lado.

Kurt escondeu um sorriso e caminhou até o móvel. Lembrou-se de Blaine ser louco por chocolate, mas Burt ter expressamente o proibido de comer por ficar animado demais quando comia açúcar. Pelo visto as coisas não haviam mudado tanto na casa dos Hummel.

Abriu a gaveta lentamente e seus olhos se encontraram com uma embalagem aleatória que fez os olhos de Kurt se arregalarem por alguns segundos. O castanho piscou algumas vezes tentando processar a imagem que havia visto e logo fechou a gaveta com um pouco de força, tentando esquecer o que havia visto ali dentro.

– O que foi? — O irmão mais novo desviou o olhar do livro para encarar o Hummel que olhava para o nada como quem visse uma entidade.

– N-nada. S-só tinha umas... — Kurt engoliu seco. — Camisinhas ali... Tamanho extra grande. — Kurt tinha o rosto pálido ao imaginar o irmão... Bem...

Blaine pôs-se a gargalhar ao ver a feição assustada e envergonhada do castanho. Depois de alguns minutos de muita gargalhada da parte do moreno e confusão da parte do irmão mais velho, Blaine sessou a risada e tratou de se explicar:

– Jeff e Nick me deram de presente de Natal do ano passado como brincadeira comigo e com Joey. Uma caixa pra cada, na verdade. Mas como eles precisam mais do que nós, acabaram usando todas... — Blaine gargalhou baixo se lembrando dos amigos e por alguns segundos tentou imaginar se eles sentiam sua falta.

– Blaine, você não é mais virgem? — Kurt perguntou um tanto preocupado e zeloso. Claro que era uma pergunta muito indiscreta para se fazer para um irmão, ainda mais para um irmão com quem anos não conversava, mas se sentiu na obrigação de tutor perguntar.

– Kurt, relaxa. — Sem responder, Blaine deu de ombros e voltou a atenção para o livro que antes lia, alguma história sangrenta sobre zumbis ou vampiros, nada qual Kurt se desse ao trabalho de notar.

– Quem é Joey? — Uma nova pergunta surgiu.

– Um amigo. — Respondeu seco.

– Amigo? — Insistiu.

– Namorado. — Blaine finalmente cedeu, fechando o livro e encarando o irmão como quem confiasse, mesmo depois de tudo. — Ele estuda comigo na Dalton, é um veterano. Não vamos ficar juntos pra sempre, mas... É legal, divertido.

– Um veterano, Blaine?! Quantos anos ele tem?

– Dezoito... — Respondeu se arrependendo logo a seguir.

– Você namora um cara de dezoito anos?! — Kurt tentou não gritar, porém foi uma tentativa falha. Saiu do banco da janela onde estava e caminhou até o irmão. — Ele é muito mais velho do que você, Be.

– Eu sei fazer contas. — Revirou os olhos por se dar conta que estava levando uma bronca de seu irmão mais velho qual era distante até umas horas atrás. Era até engraçado pensar que agora desabafava sobre namorados com ele. — Mas Joey é legal. Ele nunca me forçou a nada, se é isso que está te preocupando.

– Você é uma criança. Eu nem imaginava que você sabia beijar e... — Blaine gargalhou baixo e interrompeu o irmão, com um tom cínico na voz.

– Você sabia, afinal aprendi com o melhor. Foi você quem me ensinou, lembra? — Tinha um sorriso no rosto ao perceber que Kurt estava estático em sua frente. Havia acabado de descobrir uma carta na manga para bagunçar Kurt? Blaine se aproveitaria dela até suas últimas forças.

Kurt corou involuntariamente ao se lembrar do ocorrido anos atrás. Lembrou-se vagamente de Jeremiah, porém a noite depois disso era viva em sua memória. Durante os anos havia torcido para que não fosse na memória de Blaine.

– Kurt, você não precisa ficar vermelho... — Blaine disse apenas piorando a situação. Kurt atingia uma cor gritante em seu rosto. Vergonha era apenas uma de todas as sensações que o garoto de olho azul sentia no momento. — Você foi um bom professor, mas devia ver o que eu aprendi a fazer sozinho. — Brincou mais um pouco.

Kurt definitivamente estava perdido naquele momento. Seu pequeno irmão, qual se odiavam até algumas horas, estava agora falando essas coisas pra si... O Hummel queria apenas um buraco onde pudesse enfiar a cabeça e esconder o quão envergonhado estava.

– Eu estou brincando, Kurt. Calma. — Levou uma das mãos até o ombro do irmão, tentando acalmá-lo. Demorou alguns segundos até o tom da pele de Kurt voltar ao normal, porém Blaine não poderia deixar as coisas como estavam. — Não sobre as coisas que eu aprendi, porque realmente, eu sou muito bom nisso...

Ao ver as cores quentes voltarem ao rosto do mais velho, Blaine gargalhou tão alto que poderia jurar que Burt ouvira do andar de baixo. Ria alto e em bom som e por alguns segundos havia perdido todo o ar que tinha no corpo. Aquele sentimento de brincar com a cabeça de Kurt era muito melhor do que brigar com o castanho.

– Você é um imbecil. — Kurt sussurrou e voltou para o banco da janela, tentando encarar a rua e expulsar os pensamentos que sua mente insistia em formar. Seu cérebro pervertido e malvado achou que talvez fosse uma boa hora para para se recordar das memórias da noite anterior e juntar com o fato de Blaine beijar bem.

Blaine demorou mais um tempo para cessar as gargalhadas.

– Kurt, desculpa. É que eu vi a oportunidade e não poderia deixá-la ir. — Tinha um sorriso bobo no rosto ao ver Kurt rolar os olhos. O irmão podia ser divertido e descobrir isso era algo novo para Blaine, que sempre teve uma imagem criada de Kurt como alguém ranzinza e chato.

– Tudo bem. — Respondeu sincero.

– Mas se você quiser, tem outras coisas que falta ensinar...

Nada foi dito, apenas uma almofada voando pelo quarto em direção de Blaine que o acertou em cheio no rosto. Logo Kurt e Blaine gargalhavam alto sobre alguma piada que o mais baixo havia feito, nada sujo dessa vez.

Do lado de baixo, Burt escutava tudo com um sorriso enorme no rosto e uma felicidade preenchendo seu coração. Finalmente, depois de anos de aperto sem saber o que fazer, os filhos estavam se dando bem. Talvez o castigo tenha feito bem aos dois. Burt estava orgulhoso de si mesmo.

Quando chamou os meninos para o almoço o quarto já estava em silêncio novamente, porém era perceptível o clima diferente entre os dois irmãos onde antes parecia estar ao meio de uma guerra. Agora era mais tranquilo, como sempre deveria ter sido.

O almoço foi calmo. Carole estava em seu turno no hospital, então eram apenas as crianças e Burt, segundo ele mesmo tinha dito, e durante o almoço os irmãos não soltaram nenhuma faísca ou sinal de briga, porém o silêncio continuava. Finn tentou algumas vezes puxar algum assunto, mas acaba sendo respondido com respostas breves. Não demorou muito até ficar desconfortável novamente.

– O New Directions combinou de passar a tarde no boliche do shopping. — Finn comentou chamando atenção dos demais. — Pediram pra eu convidar você, Blaine. Disseram que seria uma honra. Eles são loucos por você e querem conhecê-lo agora que sabem que somos irmãos. — Finn engoliu a comida e se corrigiu. — Meio-irmãos.

– Seria ótimo, mas estou de castigo. — Blaine respondeu arrastado.

– Você pode ir, filho. — Burt interviu.

– Mesmo? — Perguntou um tanto animado.

– Sim. Eu não poderia prendê-los naquele quarto por muito tempo de qualquer jeito. Vocês já são dois homens e Kurt havia comentado que Rachel chega hoje em Lima e precisava buscá-la no aeroporto. — Burt falava como se tivesse planejado tudo. — E pelo visto vocês se entenderam.

Kurt revirou os olhos sem entender o que o pai pretendia ao aplicar aquele castigo, mas logo suspirou aliviado por estar livre daquela prisão. O que o pai havia dito era verdade. Rachel chegaria em Lima em algumas horas e havia prometido à amiga que a esperaria no aeroporto.

– Espero que continue assim. — Alertou Burt antes de se levantar da mesa. — Os celulares estão na gaveta da mesa perto da entrada, fiquem livres para recuperá-los. — Fez uma pausa. — Porém se lembrem que, se voltarem a agir do jeito que estavam antes, meus métodos dessa vez não serão nem um pouco bem-vistos pela sociedade.

Finn ergueu as sobrancelhas em uma careta, mas logo viu que nenhum dos filhos dava bola para o que o pai ameaçava, então voltou sua atenção para o prato de comida à sua frente.

[...]

– Me desculpe se eles forem exagerados demais, cara. — Finn deu um tapa nas costas de Blaine e entrou com o meio-irmão no lounge do shopping onde ficava o boliche.

Andaram sem chamar muita atenção até a sessão de sapatos. Pegaram respectivamente seus números e os calçaram, indo até as pistas logo em seguida, que estavam lotadas por algum tipo de torneio que acontecia ali naquele momento, nada que interessasse Blaine. Chegaram até a última pista, onde um grupo de amigos pararam o que estava fazendo imediatamente quando viram Finn acompanhado do baixinho.

O garoto com cabelos de gel não sabia ao certo o que sentir quando viu todos os colegas abrirem pra ele o maior sorriso que ele já havia visto na vida. Logo Blaine estava no meio de uma dúzia de adolescentes animados que o perguntavam sobre a Dalton, sobre as competições, sobre músicas e sobre qualquer outro assunto. E sinceramente, Blaine estava adorando aquela atenção.

Do outro lado da cidade, Kurt dirigia o carro com cuidado até o aeroporto. Havia saído atrasado de casa e trânsito não estava ajudando a manter seu humor em um nível alto. Bufava a casa buzinada que dava, até finalmente chegar em frente ao aeroporto e encontrar uma judia irritada batendo o pé ao lado de quatro enormes malas rosas, quais foram jogadas no banco de trás do carro pela garota sem nenhuma delicadeza.

– Por que não demorou mais? — Perguntou irônica, fechando a porta com um tanto de força e colocando o cinto de segurança como quem fazia birra com um pai.

– Você tem um ótimo humor logo após o almoço. — Kurt respondeu no mesmo tom de ironia.

Demorou alguns segundos até os dois amigos começaram a gargalhar e esquecerem todos os motivos do mau humor até ali. Rachel havia sido a melhor amiga de Kurt em Nova Iorque, fiel e dedicada. Até havia ido conversar com a reitora da faculdade, qual a adorava, para readmitir Kurt em Nyada, porém nem assim havia possibilidades.

– Desculpe, Kurt. Estou irritada porque meus pais não confiam em mim pra me deixar em casa sozinha. — Disse incrédula. — Eu tenho vinte e três anos, até parece que iria conseguir fazer alguma coisa errada, como acidentalmente colocar fogo na cozinha e queimar a fiação inteira da casa enquanto tenta cozinhar alguma coisa pra comer!

– Você fez isso? — Perguntou sem tirar os olhos da estrada.

– Talvez, mas isso não vem ao fato. — Rachel cruzou os braços. — Eles disseram que eu podia dormir na sua casa se tivesse lugar, até você me contar que seu pai resolveu adotar um adolescente e uma enfermeira pra morarem com ele. — Kurt revirou os olhos e Rachel continuou. — Então eles me deixaram ficar na casa de verão, desde que você fique comigo lá.

– Eles confiam mais em mim, que nunca viram, do que na própria filha? — Kurt perguntou divertido e viu o rosto de Rachel se tornar vermelho de raiva. — Tudo bem, Rach. Apenas preciso passar em casa pra pegar umas roupas! — Completou. — Você não sabe o favor que está me fazendo, aliás.

– O que aconteceu? — Perguntou interessada.

– Meu pai está me fazendo dormir no mesmo quarto que Blaine e está sendo um inferno. — Kurt respondeu tentando mandar pra longe as imagens da noite anterior.

– Você diz isso porque ainda estão brigados?

"Antes fosse", pensou. — Sim.

Respondeu sem ter coragem de contar à amiga o que realmente havia acontecido. Não era um assunto normal de se conversar, de se assumir em voz alta. Aquela noite deveria oficialmente ser esquecida e nunca pronunciada em voz alta. Era um segredo e deveria ir ao túmulo com Blaine e Kurt.

– Se você acha que você está com problemas, está enganado. — Rachel suspirou fundo. — Eu não queria passar o feriado em Lima. Só voltei pra essa cidade porque a mulher de Estephan descobriu sobre mim e ele.

– Rach, eu te avisei. — Kurt parou no farol vermelho e aproveitou para encarar a amiga enquanto falava. — Você estava saindo com um homem duas vezes mais velho que você, casado, com filhos. Isso nunca daria certo!

– Mas essa era a diversão. — Rachel deu de ombros, mudando de assunto. — De qualquer jeito eu já estava cansando de um relacionamento assim. Ele era muito mais velho, estava começando a ficar chato.

– Você não toma jeito.

Kurt suspirou e voltou a dirigir conforme o farol abriu verde. Mais alguns minutos ele estacionava seu carro em frente à casa dos Hummel e entrava com um pouco de pressa para montar suas malas e sumir daquele quarto. Seu relacionamento com Blaine havia melhorado, isso era fato, mas nada tirava a verdade de que na noite anterior os irmãos tiveram momentos íntimos demais para uma vida inteira.

– Esse quarto cheira a sexo. — Rachel soltou assim que adentrou.

– Rachel! — Kurt fazia força para não corar.

A morena deu de ombros e voltou a encarar o ambiente enquanto Kurt colocava sua mala em cima da cama e a fazia com pressa. Com rapidez, logo a mala estava cheia e ele poderia dizer adeus àquele cômodo que tanto o incomodou nos pensamentos.

Desceram as escadas e Kurt escreveu um bilhete rápido e o pendurou na geladeira com um imã, avisando que dormiria na amiga e que o pai poderia ficar tranquilo. Após tudo pensado, Kurt finalmente suspirou e caminhou até a porta de entrada com a amiga, abrindo-a e encontrando um garoto na parte de fora pronto a tomar a campainha.

– Com licença? — Perguntou Kurt. — Posso ajudar?

– Oi, me desculpe. — Disse o garoto. — Meu nome é Joey, estou procurando por Blaine Anderson. Estou na casa certa? — Disse com um sorriso estupidamente lindo.

Notas finais
Esse foi mais um capítulo de introdução à nossa linda Rach, mas prometo que no próximo as coisas ficam melhores (claro, com Joey na parada tudo fica melhor) ahaha Pooooor favoooor me digam o que estão achando da fanfic. É muito dificil escrever um tema tão controverso como esse, então eu realmente preciso saber o que estão achando! E se quiserem me dar dicas, sugestões, aceito todas! Estou sempre ali nos reviews pronta pra vocês, haha. Obrigada por lerem até aqui, nos vemos no próximo! ♥