Part Of Me
6 Capítulo 6
No domingo Caroline me emprestou uma roupa concordando comigo que eu não tinha nada para vestir e as cinco horas em ponto eu estava totalmente arrumada e desesperada. Uma hora seria um longo período de tempo, eu não tinha absolutamente nada para fazer e não estava a fim de estragar minhas unhas as roendo.
Os programas de TV que eu tanto adorava não eram capazes de me distrair, as músicas que sempre ouvi para me acalmar não eram suficientes e minhas botas faziam um KLEEP, KLEEP que me deixava ainda mais irritada.
Depois de quarenta minutos eu pensava em tomar um calmante, mas logo desisti, pois caso eu tomasse provavelmente dormiria no meio do filme. Joguei-me no sofá suspirando, minhas mãos batiam incessantemente em suas almofadas, me trazendo pensamentos ruins.
Se ele tivesse esquecido, ou desistido? Eu ficaria muito devastada.
Eu já tinha até vontade de chorar. Se ele não quisesse nada comigo seria uma grande decepção, se só quisesse me usar. Céus, eu estava arruinada.
Mas se ele só quisesse te usar ele já teria insistido para irem para cama... Sussurrou uma parte de mim.
Eram seis e cinco e nada, tentei controlar as lágrimas e fui correndo olhar pela janela.
Mas não havia nenhum carro parado na rua, nenhum que parecesse com o seu, meu coração já se afundava em desespero quando vi seu carro estacionando em frente ao meu prédio, logo perdendo uma batida, quando ele saiu do carro e abriu o portão.
Quando o interfone tocou fui correndo atender.
— Senhorita Gilbert, Damon Salvatore está a sua espera.
— Estou descendo.
Apaguei todas as luzes e tranquei a porta, correndo para o elevador e quando o mesmo se abriu o porteiro indicou para a rua, assenti e sai do prédio logo o avistando.
Ele estava divino, encostado no capô de seu carro fitando o chão, jeans e camisa, com um botão aberto novamente, para minha total perdição.
— Oi – Chamei sua atenção.
— Ah olá! Está linda Elena – Falou vindo até mim.
— Você também – Ele me fitou surpreso por alguns segundos perante o elogio e então sorriu e abriu a porta para mim.
Assim que ele entrou no carro olhou-me olhou novamente.
—Que tipo de filme gosta?
— Acho que comédia, ação e romance estão entre os preferidos, mas, podemos decidir lá –Ele assentiu e deu partida.
O cinema ficava em frente a um parque, não dando escolha de onde estacionar, mas ele conseguiu achar uma vaga em um lugar coberto por arvore e muito escuro, para meu desespero.
Ao sairmos ele estendeu a mão e eu rapidamente a peguei.
— Então qual quer assistir? – Apontou para os cartazes.
— O primeiro.
Ele assentiu e foi comprar os ingressos, voltando com pipoca e refrigerantes, peguei o enorme balde de sua mão e colei – como tanto sonhei – meu corpo ao seu.
A sala ainda estava clara quando entramos e escolhemos nossos lugares, ele me puxou para as fileiras do meio e nos sentamos ao lado de um casal de idosos.
— Sua mãe gostou da pulseira?
— Sim, antes que eu explicasse como ela foi escolhida ela sorriu e disse que eu finalmente tinha criado bom gosto – Riu – Depois ela achou que eu havia virado gay.
— Fico satisfeita, então – Sorri.
— É – Concordou olhando-me – Você tem um ótimo gosto...
Ele se aproximou devagarzinho e acariciou meu rosto bem devagar.
— Mas eu queria provar outro gosto seu...o de sua boca – Sussurrou.
— Moça será que dá para vocês se beijarem depois? – Cortou uma mulher da fileira de trás –Minha filha não tem que ficar vendo tal coisa em plena infância.
A olhei brevemente constrangida, enquanto Damon se afastava. Que droga, aquela mulher deveria beijar seu marido na frente de sua filha, não deveria? Então pra que impedir ela de ver outra pessoa?
Olhei novamente para trás e a vi secando Damon, então o pensamento me ocorreu.
Deitei a cabeça no ombro de Damon apenas para sentir melhor seu cheiro e regozijei-me quando o mesmo passou o braço por cima de meu ombro e me fez olha-lho fitou, o olhei e lhe dei um sorriso, voltando a deitar minha cabeça em seu ombro e a encarar o enorme telão.
Assim que o filme acabou Damon e eu levantamos e seguimos para a saída, a mulher que antes nos atrapalhou me empurrou quando passávamos pela porta, mas para minha sorte, eu tropecei para o lado de Damon, que me segurou fortemente em seus braços.
— Quase – Sorriu.
Ri pelo nariz e voltei a caminhar com ele em direção a saída.
— O que acha de irmos ao parque? – Perguntou já na rua.
— Tudo bem.
Ele foi até o carro e pegou uma jaqueta de couro.
— Aqui – Estendeu-me.
“Está frio” Justificou.
Assenti e a vesti, inspirando profundamente o cheiro dele impregnado na jaqueta. Ele novamente rodeou seu braço em minha cintura e nos pusemos a caminhar.
Várias crianças brincavam felizes com seus pais, me fazendo sorrir e me lembrar da nem tão velha infância.
Suspirei audivelmente enquanto Damon olhava para o lago. Ele parou de caminhar e me olhou.
Confesso que meu coração se afundou um pouco, diante total satisfação de saber o que ele iria fazer e então ele foi se aproximando, de mansinho, fazendo meu coração afundar e acelerar mais e mais e quando seus lábios tacaram os meus, despertando uma parte insidiadora de mim, uma criança passou correndo em nossa frente atraindo totalmente minha atenção.
Ri baixinho acompanhando seus passos, enquanto ele nos levava até a grade que rodeava o lago, se apoiando nela e me abraçando por trás.
— Eu sempre quis isso – Disse para ele.
— O que? – Indagou.
— Isso – Apontei para família que brincava no escorregador – o pai pegando os filhos e a mãe os ajudando a subir – Uma família feliz, sabe, felicidade, paz, a sensação de estar protegida e de ser apoiada. Foi horrível quando perdi esse sonho.
Ele estreitou seus braços em minha cintura e colocou o queixo em meu ombro esquerdo, respirando profundamente meu cheiro.
— Eu posso te dar tudo isso – Sussurrou em meu ouvido.
Virei-me para ele e o encarei surpresa.
— Tudo e muito mais – Disse ajeitando uma mecha de meu cabelo.
Ele aproximou o rosto e tocou seus lábios nos meus, os entreabri e recebi a sua língua, provando seu divino gosto, sua língua serpenteando e fazendo espirais em minha boca, beijando calmamente, me dando espaço para respirar, mas ao mesmo tempo me tirando o fôlego e me fazendo sentir o martelar de meu coração.
Quando ele encostou sua testa na minha, ainda podia sentir seu gosto na ponta de minha língua, suspirei satisfeita fechando novamente os olhos e lhe dando um selinho.
— Elena... – Sussurrou ele.
Suas mãos se cruzaram em minha cintura e seu nariz se afundou em meu pescoço, fungando e o mordendo.
Ficamos assim por vários minutos, até ele soltar um risinho, que me fez perguntar:
— O que foi?
— Olhe – Me virou.
A família que há minutos atrás eu apontara, olhava para nós, as duas meninas com sorrisos de admiração nos pequenos lábios e os pais com sorrisos contentes de entendimento.
Acenamos para eles e ganhamos acenos de volta.
— Parece que eles aprovam que eu beije você – Disse Damon.
— Aquela mulher do cinema queria você, por isso nos impediu – Acusei me virando para ele.
— Mas eu desejo você, não estou ligando para ela – Disse aproximando o rosto novamente.
Fechei os olhos e esperei a doce sensação de seus lábios e pude sentir seu sorriso ao me beijar. Me entregando totalmente prendi minhas mãos em seus cabelos, o puxando mais e mais para mim, tendo cada pedacinho de seu corpo para mim.
— Tão doce Elena – Disse para mim.
Sorri e lhe dei um pequeno beijo casto, acariciando sua bochecha. Ele tombou o rosto e fechou os olhos, recebendo o carinho e soltando um sorriso doce.
— Vamos nos sentar – Pedi em sussurros.
Ele me puxou pela mão e foi em direção ao banco de madeira ali perto. Quando sentei senti um arrepio passar pelo meu corpo – por causa da fria madeira – e joguei meus braços ao redor de Damon.
— Então, Elena, quais seus outros sonhos? – Perguntou me abraçando forte.
— Acho que os mais comuns, me formar, casar, ter filhos... Ser feliz – Murmurei.
— Hmm.
— Minha mãe as vezes diz que apesar de não ir na igreja eu respeito e sigo muitas regras dela –Gargalhei baixinho.
Ele acariciou meu rosto com a mão esquerda e apertou minha cintura com a mão direita, pedindo passagem com a língua.
Segundos depois sua língua explorava cada centímetro de minha boca, assim como a minha, as duas se chocando prazerosamente, enviando satisfação e desejo por ondas, que chegavam ao meu corpo como arrepios.
— E você Damon? Quais são seus sonhos? – Perguntei após alguns minutos.
— Os mesmos que os seus. Só que eu quero ter uma menina – Disse beijando minhas pálpebras.
Afundei meu rosto em seu pescoço e deixei que seu cheiro me invadisse por completo.
— Eu não quero sair daqui, mas amanhã eu acordo cedo, tenho faculdade. Será que podemos ir? – Levantei o rosto.
Ele olhou em meus olhos com compreensão e acenou que sim com a cabeça, sorrindo e pegando minha mão para se levantar.
Quando chegávamos perto da calçada o abracei, me sentindo totalmente insatisfeita com a nossa falta de contato, por alguns instantes ele não fez nada, então seus braços me rodearam, me trazendo total prazer e conforto.
Ele me levou até o carro abraçado, abriu a porta para mim e quando entrou no carro também; segurou minha mão e me deu um selinho.
— Você gostou do filme? – Perguntou parando em um semáforo.
— Sim, é muito legal, não gargalhava assim a tempos – Sorri ampla.
— Um ótimo filme – Concordou – Mas ter você do meu lado tornou-o melhor.
Sorri em júbilo e beijei sua bochecha, por alguns instantes me perguntando se daria tempo de beija-lo antes do sinal abrir, mas então ele tocou sua bochecha e acelerou novamente.
Não falamos mais nada, mas para mim não precisava, tudo havia sido dito, o que podia fazer agora era curtir a sensação maravilhosa que se instalava sobre nós. Ao chegarmos, ele estacionou o carro e olhou para mim.
— Foi uma ótima noite – Falei.
— É foi.
— Então... – Desafivelei o cinto.
Ele soltou o dele também e se aproximou, tocando o meu queixo e inclinando levemente minha cabeça para cima, selando os meus lábios longamente e depois de alguns segundos aproveitando de sua textura deixei que sua língua abrisse caminho e seus braços me circundarem.
— Boa noite, doce Elena – Sussurrou quando acabamos.
— Boa noite Damon.
Sai do carro e entrei no prédio e somente quando cheguei ao meu apartamento me permiti sorrir e dar pulinhos de alegria livremente, pondo toda a minha euforia para fora e indo dormir sorrindo feito idiota.
Fale com o autor