Paris
3 Capítulo III — Lynxx (parte I)
O que significa se apaixonar? Paixão, comparada a palavra Amor... É um tanto fraca, não é? Ah, bem... Isso é apenas uma reflexão minha, talvez não precisa ser levada tão a sério. Ao menos, é o que eu gostaria. Não levar a sério um assunto que nunca realmente dei valor... Desculpe, na verdade, apenas é uma questão que prefiro evitar.
Amar alguém...
Há apenas duas pessoas com o qual realmente me importo. Minhas duas mães.
No início, quando souberam disso, minha vida se tornara um caos. Não que muitos saibam, até porque, foi um assunto que durou uma semana, mas para mim... Me persegue até hoje. Me sinto inseguro quando se trata das duas. Não tenho qualquer tipo de vergonha ou preconceito, apenas medo de que as rejeitem como fizeram no passado... As amo de todo coração, pois elas me salvaram e me deram tudo quando, mesmo criança, achei que nunca mais receberia algo como carinho e principalmente... Uma família.
Contudo, há uma garota que me chama a atenção... Ok, acho que dá para imaginar quem seja. Entretanto, ela é complicada e para falar bem a verdade, me irrita um pouco. Conversar com ela, é como tentar fazer uma escultura em uma argila... Se não tiver habilidade, a argila seca e se quebra em pedaços e esfarela ou então... Se transforma em algo horrível, digno de ir diretamente para o lixo.
Conversar com Paris Agreste-Cheng é um dos maiores desafios que você pode ter. Sempre tão quieta em seu canto, olhando para o vazio ou ouvindo algum tipo de música em seus fones-de-ouvido... Se prestar atenção, ela julga as pessoas através de seus olhos, como se dissesse: “Vocês são tão patéticos...”, contudo, ao mesmo tempo gostaria de fazer parte. Por observá-la em sete anos... Eu acabei criando um encanto por Paris, acabei... A notando e me sentindo preso à ela.
— Ora, você está apaixonado meu querido Jake! — Exclamou Rose com um enorme brilho nos olhos e em seguida, segurando minhas mãos. — Isso é maravilho! O amor juvenil... — Ela suspirou, um suspiro melancólico.
— Seu idiota... — Por outro lado... Juleka me acertou um tapa na cabeça e me puxou a orelha. — A deixou pagar pelo seu lanche? Que tipo de homem você é, huh?
— D-desculpe...
Depois de explicar da sensação esquisita que possuo por Paris e comprovar que é algo que surge somente por olhá-la e estar por perto da mesma, acabo por concluir... Com ajuda das duas obviamente, que estou apaixonado pela garota mais solitária do Colégio Dupont, mas eu não irei contar isso para elas...
— Ela me lembra um pouco a Mari... — Comentou Juleka, após se acalmar e eu choramingar pela minha orelha que dói muito. — Ela era de poucos amigos, tímida e sempre na dela, mas na oitava série ao conhecer Alya, Marinette passou a... Ser mais ela mesma, até chegou a brigar com o Adrien!
Ambas começaram a rir e eu, para escapar logo daquele assunto, saí de fininho para que as lembranças da época tomassem conta e eu não precisasse tomar mais sermões da Juleka e as dicas amorosas de Rose ou ficaríamos até o amanhecer... Ou senão, me implorariam para convidá-la para jantar em casa e eu ainda não estou preparado psicologicamente para receber um “não” logo de cara.
>>Paris
Dois dias se passaram, Jake não apareceu para falar comigo e eu não encontrava aquele senhor em lugar nenhum, já estava começando a ficar preocupada. Mamãe disse para não me preocupar, que a qualquer momento ele poderia aparecer e meu pai... Ah, bem, ele está ocupado demais dando aulas, ao que ele contou, uma competição importante está chegando e ele quer estar focado no momento em seus alunos, mamãe quase que teve um ataque de ciúmes... Papai achou isso engraçado e fofo, mas levou um chute na bunda e ele teve de sair correndo, já que ela é muito mais forte... Assustadoramente mais forte. Até mesmo eu tenho medo de deixá-la irritada.
Enfim... É quinta-feira, os professores estão aos poucos passando matéria e eu, por minha vez, estou quase dormindo nas aulas. Hoje acordei estranhamente indisposta, com uma leve sensação de que algo irá acontecer.
Passei as três primeiras aulas tentando me manter acordada, mas apenas acordei quando bati minha testa no caderno e por sentar no fundo, ninguém percebeu. O que está acontecendo hoje?
O sinal tocou e eu, lentamente guardei minhas coisas e fui em direção a saída para ir a cantina. Se eu tomar um pouco de café, quem sabe eu não me acorde...
Entretanto, meus pensamentos foram interrompidos por um estrondo do lado de fora do Colégio Dupont. Não sou do tipo que corre de curiosidade para verificar o que está acontecendo, infelizmente... Acabei sendo arrastada por alunos gritando... E não era de emoção por estar vendo a banda favorita na cidade. É de apavoro. Algo estava acontecendo e eu não tive tempo de raciocinar, acabei sendo empurrada e derrubando todas minhas coisas no chão, até não sobrar ninguém para pisar em cima de mim.
— Céus, o que está havendo? — Me senti um pouco aflita, porém, tentei me manter calma. Peguei minhas coisas, guardando-as. Noto que meus cadernos e livros haviam sido amassados e a caixinha que carregava para devolver ao senhor, estava com o trinco quebrado e a tampa quase se descolando. — Oh... Acho que terei que me redimir com o senhor.
Carregava-a apenas para caso o encontrasse na rua e pudesse devolvê-la imediatamente, porém... Uma coisa absurda aconteceu. No instante em que peguei a pequena caixa, notei que havia uma joia e sem conter minha curiosidade, ao abri-la... A mesma brilhou e algo saiu voando.
Caí para trás, apenas ouvindo um baque de que algo terminou de se quebrar, a tampa da caixinha preta.
— Ora, que falta de delicadeza... — Uma voz fina ecoou por meus ouvidos e um bichinho de orelhas tufadinhas brancas e pretas e pequenas castanhas pretas espalhadas pelo corpo, seus olhos são grandes de cor caramelada, além da cauda fina que balançava para lá e para cá. — O que olha tanto? Nunca viu um kwami?
— K-kwami? E-espera... Você... Está falando?
O que é isso?
— Céus... O que o Mestre Fu estava pensando ao derrubar a caixa justamento perto de você? Uma garota lenta e inútil?
A cada palavra que aquele ursinho proferia, era uma ofensa atrás da outra. Revirava os olhos e parecia me olhar com desaprovação, como se eu não fosse a melhor escolha. Mas... Escolha do quê?
— Certo... Você é um ursinho falante e que voa... É um protótipo que estão testando para o mercado? Se for, precisam melhorar no vocabulário e principalmente na personalidade arrogante. — Me levantei, retirando o pó da roupa e em seguida, pego minha mochila jogando-a sobre o ombro e ao pegar a pequena caixa, noto que há algo dentro... Uma tornozeleira. — O que é isso?
— Seu miraculous... — Disse o protótipo. — E quem você pensa que é para me chamar de ursinho? Eu sou uma kwami! Eu sou a Lynxx! A partir de agora serei sua guardiã.
— Guardiã? — A olhei confusa, tentando aceitar o fato de que um protótipo de brinquedo falava comigo como se me entendesse e ainda por cima, voava.
— Deixe-me explicar... Nós kwamis temos a função de assegurar que nossos miraculous, essa joia que agora você segura em sua mão, caía em mãos de pessoas que se tornem os futuros heróis da cidade, com meu poder, você se transforma de Paris Agreste-Cheng, para a super-heroína. Isso quando nós detectamos uma ameaça muito forte... Antes éramos em sete, digo isso, pois apesar de eu não conhecer os sete, eu acabei nascendo com o mesmo propósito.
— Isso só pode ser um sonho... — Virei o rosto e murmurei, puxando minha bochecha. — Um sonho, um sonho...
— Pare de ser tão repetitiva, não é um sonho. — Bufou o ursinho.
Um pouco receosa, aproximei meu indicador para perto do mesmo e o cutuquei, o qual reclamou com raiva e eu apenas dei um pulo para trás, assustada. O que está havendo?
— Você não é delicada! Apenas peça-me para transformá-la, o mundo fora deste colégio está um caos e você precisa ajudar seu parceiro! — A kwami berrava, não sabia se estava apavorada ou nervosa, mas de qualquer forma, eu deveria aceitar que isso estava acontecendo.
— H-huh? O-o que eu digo?
— Lynxx, transformar! Algo assim...
Lynxx colocou a tornozeleira para mim e eu logo repeti aquelas palavras e em questão de segundos minha roupa mudava e meu rosto era coberto por uma máscara, mais precisamente em torno dos olhos. E por não haver ninguém no colégio naquele momento, ninguém irá descobrir.
Olhei para meu corpo, estava envolto de uma bermuda acinzentada e um top da mesma cor, por cima um casaco de pele com manchas castanhas e a uma bota do mesmo estilo. Por acaso estará nevando lá fora? De repente... Percebo algo estranho.
— Isso é... Orelhas de gato? — Felpudas e pontudas, como as da kwami e então, uma cauda deslizava entre minhas pernas. — U-UMA CAUDA? — Berrei, apavorada. — D-desde quando??? Essa sou eu?
Eu me analisava por completo. Meus olhos haviam se tornado mais escuros, minhas unhas mais longas e afiadas, meu cabelo antes azul claro, agora tinhas mechas platinada nas pontas e meu corpo que geralmente era escondido por calças e casacos, agora estava mais amostra, principalmente minhas pernas e a região da minha barriga. Senti meu rosto ferver...
Você quer parar de ser tão estúpida? Apenas vá lá fora e ajude o seu parceiro! — Uma voz ecoou em minha cabeça e quase achei que estava alucinando, até Lynxx gritar que era ela.
Fiz o que ela mandou, mas comparada a velocidade que possuo ao correr nas aulas de educação física, eu estava incrivelmente mais rápida, além disso, eu conseguia ouvir as coisas com mais precisão ao meu redor e sentir o cheiro das coisas. Era como se... Eu tivesse adquirido habilidades de um animal. Isso é... INCRÍVEL!
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