Paris
4 Capítulo IV - Lynxx (Parte II)
>>Paris
Eu nunca fui muito boa em fazer amigos... Na verdade, eu não entendia o motivo para que os outros quisessem fazer amizade uns com os outros para depois descartá-los como se nada tivesse ocorrido... Acho que tirei essa conclusão quando estava na terceira série...
“Paris... Achei que fossemos amigas.” — Aquela voz tão solitária ecoou em minha mente depois de tanto tempo. Uma memória adormecida.
— Ei! O que pensa tanto?! Concentre-se! — A voz aguda de Lynxx me despertou de tais pensamentos.
Não sei por quê lembrei disto justo agora...
— Desculpe, apenas lembrei de um acontecimento... — Balbuciei, enquanto que pulava sobre os telhados dos pequenos prédios parisienses.
— Hunf, você está em sua forma de heroína, nada de ficar pensando em coisas que já aconteceram ou você quer desistir?
Desistir? Não sei... No inicio, estava achando incrível o fato de poder fazer as coisas que estou fazendo nesta forma de heroína, porém... Isso me faz lembrar coisas que me desagradam. Bom, bom! Chega de pensar nisso e concentre-se no que há a sua frente.
Eu consigo enxergar muito mais longe do que quando estava em minha forma normal... Por exemplo, enxergo o meu parceiro em seus trajes de herói, é como se ele fosse o Robin Hood da vida real, com seu arco em mãos e as flechas que são guardadas na aljava penduras na cintura... Um Robin Hood da era moderna com roupa preta colada e aquele cabelo loiro todo despenteado, mas dá um toque charmoso.
O problema se encontrava pulando de um lado para o outro nas barras da Torre Eiffel e os cidadãos da cidade encontram-se logo abaixo da torre, presos em uma espécie de queijo gigante...
Ao alcançar meu parceiro de luta, chego pousando ao seu lado, fazendo-o se assustar.
— Credo! Quer me matar do coração? — Esbravejou, quase derrubando suas flechas e o arco que segurava.
— Se minha intenção fosse essa, não estaríamos aqui desse jeito. — Disse, dando de ombros e volto a analisar a situação.
— Afinal, quem é você?
— Essa pergunta é minha... — Depois de ver que o nosso querido vilão era pequeno demais para se temer, ele se vestia como um rato. Era gordinho e baixinho demais. — Bom... Eu sou Leona.
Como heróis, deve-se manter a identidade em segredo, não? Aliás, não quero nenhum problema.
— E você é...?
— Eu me chamo Archer! – O entusiasmado dele era de arrepiar, esboçando um largo sorriso e um sinal de positivo com a mão. — Então, você é a minha parceira o qual meu kwami estava avisando?
— Devo ser, não? Se sou a única aqui... — Deixo um suspiro escapar, tentando me manter calma. Certo, sou uma heroína, meu corpo ganha certas habilidades e não sei como ou quando, mas um vilão apareceu. Não há nada mais plausível ou coerente para se concluir depois do que aconteceu e ainda acontece, só sei que como heroína, devo derrotar o vilão a minha frente, mas... Como? — Você! — Apontei para Archer que me encarou assustado e cambaleando para trás. — Quero que distraía aquele ratinho e eu irei salvar os cidadãos desta cidade, logo depois, iremos o derrotar. — Digo com firmeza, mas por dentro, estou insegura como nunca estive antes.
— Certo! — Ele fez uma posição de sentido e em seguida, pulou do prédio onde estávamos até o chão. Logo, ele posicionou uma flecha em seu arco e sem demora, a lançou para a Torre Eiffel e mesmo que não houvesse uma corda amarrada a ela, assim que lançada, um feixe branco surgia logo atrás, formando-se uma corda. Subiu na mesma e passou a correr... — Hey! Ratinho! Prepare-se para ser caçado!
— O que?! Quem é você?? — O vilão que antes se vangloriava por escravizar todos, agora encontrou-se atordoado com a aparição de Archer que parecia muito animado com tudo isso. — Eu sou Ratatouille, lhe farei vários buracos nesse seu corpo se resolver em enfrentar!! — Esbravejou e de certa forma... Fiquei com fome ao ouvir o nome.
Ratatouille sacou uma varinha e com a mesma, soltando um espécie de raio que mesmo que Archer esquivasse, atingia os prédios deixando-os com buracos... Como um queijo.
Que vilão fajuto temos aqui. Que seja, tenho uma tarefa a cumprir.
Para não deixar evidente que havia mais um herói para atrapalhar os planos de Ratatouille, me esgueiro por entre as ruas dos prédios e os carros. Tentando visualizar um melhor caminho, que obviamente seria por trás. Contudo, levaria muito tempo.
Encolhida atrás de um carro, ergui um pouco o pescoço para ver o que faltava para alcança-los. Falta apenas uma quadra, na posição em que me encontro seria difícil passar despercebidamente, afinal... Estou ao lado e não há nada que me tampe da visão do nosso vilão. Archer apenas o enrolava com conversa fiada e desviando dos raios, rindo e cantarolando e algumas chegando a quase ser atingindo. E em um desses desvios, nossos olhares se encontraram e em gestos o pedi que o distraísse para mais longe, abanando as mãos como se fosse expulsar um cachorro. Ele assentiu com a cabeça e correu, provocando Ratatouille o deixando irado e não pestanejou em correr atrás de Archer que parecia um duende ao bater os calcanhares quando pulou.
Sem delongas, assim que o vilão se encontrava de costas e longe o suficiente, corri para debaixo da torre e um cheiro fétido de queijo podre adentrou minhas narinas, fazendo meu estômago revirar em ânsia. Tranquei a respiração e fiz um buraco com as unhas afiadas que possuía no cubo de queijo. Todos se surpreenderam, se encolhendo para trás com medo de que fossem atacados.
— Calma, estou aqui para salvá-los! — Exclamei, sendo obrigada a respirar e aguentar aquele fedor. — Quero que corram para o lado oposto, assim Ratatouille não terá tempo de vê-los ir embora! AGORA! — Gritei e aos poucos que observava-os sair, encontrei rostos familiares e alguns até demais... Como meus pais.
>>Archer
Estava ficando cansativo distrair aquele vilão minúsculo. Certamente aqueles raios que sua varinha soltava são perigosos, mas até quando terei de fazer isso?
— Hey! Ratatouille! — A minha parceira chegou no mesmo instante ao terminar aqueles pensamentos e ela parecia extremamente furiosa. — Como ousa fazer isso? Por pessoas inocentes em risco? Me dê um bom motivo ou quem irá sofrer as consequências por me fazer cheirar a queijo podre será você!
Isso é um motivo? Por um instante tive de segurar o riso.
— E o que você irá fazer?
— Primeiro: irei destruir essa sua maldita varinha que aparentemente é a sua única força! — Leona ia se aproximando conforme falava. — Segundo: chutarei a sua bunda com força máxima!
Ela é valente para uma garota pequena... Bom, eu tenho que ajudá-la, ou meu papel aqui não passará de um inútil. Entretanto, para nossa surpresa, a mesma varinha que ele usava para nos acertar, usou-a para acertar a si mesmo e transformar-se em um rato dentro de um robô de queijo gigante. No mesmo instante que o vimos em sua transformação completa, ele passou a tentar nos acertar com socos, transformando até uma certa distância, tudo em queijo. A rua estava cheia de buracos e em sua forma de queijo, os prédios que ao mesmo tempo são destruídos, antes de tocar ao chão, os escombros se tornavam em... Queijo.
— Por ter ficado em segundo lugar em uma competição de queijos, eu Ratatouille não perdoarei aqueles que ficar em meu caminho! O troféu deveria ter sido meu! O meu queijo era o melhor! O MEU!
Ele desabafava sua dor a cada soco que tentava nos desferir.
— Archer! Tente amarrá-lo com uma de suas flechas! — Ordenou Leona , que posicionava-se para correr.
Rapidamente, posiciono uma flecha em meu arco e miro em um poste de luz, analisando-a que deverá bater nos outros postes, que fará um quadrado e assim, se encolherão para apertar o vilão. O mesmo percebendo que acertaria uma flecha, riu ao ver que supostamente deveria ter errado.
— Errou, pivete!
— Será mesmo? — Sorri triunfante ao ver que meu plano dera certo e por ver que minhas cordas são bastantes resistentes, dificilmente ele soltaria, até porque, quanto mais ele se contorcia para se soltar, mais a corda se apertava em seu corpo de robô de queijo gigante.
— Celeritate!! — Então ouço a voz de Leona e ela estava em sua posição para correr, contudo, longe, ao menos um 30 metros de distância e ao proferir a palavra, sua velocidade aumentou consideravelmente e ela atravessou o corpo do robô, abocanhando o rato, ficando seus dentes pontiagudos no corpo pequeno do mesmo. Que nojo. Ela o pegou em mãos ao tirá-lo da boca, pegou a varinha do mesmo e a quebrou, revelando uma borboleta negra. — Abocanhar? — Perguntou, mas parecia falar com si mesma e então, ela pulou tão alto para alcançar a borboleta que tentava fugir as pressas e a pegou com a boca pela asas voltando para o chão.
— Caramba... Me sinto um herói inútil com essas suas habilidades. — Digo me aproximando com o pequeno rato em mãos, com um sorriso divertido entre os lábios. — Vamos, o que irá fazer com a borboleta? Já não deve deixa-la livre?
— Não, temos de purificá-la... — Balbuciou e estava incrivelmente séria, não que não estivesse antes, mas me arrepiei um pouco ao ver a expressão. Assim, ela fechou as mãos com a borboleta entre elas e assoprou, abrindo-as e revelando uma borboleta branca e para minha surpresa, o ratinho que segurava tornou-se em um homenzinho bigodudo e careca, usando trajes de chef. — Eu usei o poder do meu miraculous, tenho de ir e para nossa segurança, iremos manter nossas identidades em segredo, tudo bem?
— Claro, senhorita! — Eu devo ter um poder do meu miraculous, mas qual? — Rápido ou irei vê-la antes mesmo que possa dizer Ratatouille! — Ela apenas revirou os olhos e saiu correndo, deixei o homem em um banco ali perto e neste instante, tudo voltava em seu devido estado.
— Você... Por que não usou o poder do miraculous? — Perguntou meu kwami em minha mente... Telepatia é melhor, não?
— Ora, eu não sou um garoto propício a atividades físicas. Sabe o quão cansativo foi somente me desviar daqueles raios estúpidos? — Resmungo, dando de ombros a todos e ao homenzinho que se acordava, voltando para minha casa. — Aliás, eu sou novo nessa cidade e preciso me habituar.
— Novo... Um jovem garoto de 18 anos, escritor e que vive trancado em casa é alguém que precisa se habituar na cidade que mora há dois anos? — Questionou retoricamente o kwami, parecendo bastante indignado.
Apenas soltei uma risada nasalada e neguei com a cabeça achando graça. Como não podia voltar para casa e minhas roupas normais, permaneci daquela forma até entrar um beco, que uso como atalho para meu apartamento, e voltei a ser... Loan Ermene.
Fale com o autor