Parente é Serpente
4 Capítulo 3
—Isso não vai dar certo. -pensava Shura segurando a raquete de tênis como se fosse um objeto de outro mundo. -Eu nunca joguei tênis antes em minha vida!
—Não é um jogo tão difícil assim, Shura. -Misty dizia fazendo movimentos para se aquecer com a raquete como se fosse um profissional. -Apenas acerte a bolinha.
—Fácil para você falar. Aquele engomadinho. -Shura resmungou olhando com certo ciúmes Maíse fazendo dupla com seu “rival”.
—Ele está querendo te irritar, isto é óbvio. -comentou Misty.
—E está conseguindo!
—Só se você deixar. –Shura o olhou. –É evidente que ele o vê como um perigo, já que a ruiva só tem olhos para você. Então, seja firme e não deixe que essas coisas insignificantes o afetem.
Enquanto isso, Aioros e Milo observavam a cena e conversavam em voz baixa:
—Em cinco minutos de partida, ele usara a Excalibur no “Rei do Gado”. -Milo comentou.
—Shura terá autocontrole. Eu sei disso. -Aioros defendeu. -Será ponderado.
—Sei...tão ponderado quanto da vez que te atacou com um bebê no colo e nem quis perguntar quem era? -o cavaleiro de Escorpião provocou.
Aiolos arregalou os olhos e depois acrescentou sério.
—Qualquer sinal de alteração no Cosmos dele, a gente arrasta o espanhol de lá!
—O.K. -fez um sinal positivo com os dedos, e depois olhou para a senhora Lucrécia. -Sabe o que realmente me preocupa? A velha ali! Ela tem aquele olhar de serpente pronta para o bote.
—Concordo plenamente. Nem parece ser a mãe de uma garota gentil como a Maíse.
—Vai ver ela puxou ao pai.
—O jogo vai começar. –avisou sagitário.
Observaram atentamente o início do jogo. Carlos Eduardo e Maíse cederam a vez de começar o jogo para a outra dupla, e Misty iniciou o saque, cuja bola foi revidada pelo rival, em direção a Shura, acertando o braço dele.
—Sinto muito. -Carlos fez uma cara de inocente, mas no íntimo estava querendo provocá-lo. -Tente acertar a bola, amigo.
—Shura... -chamou Misty, antes de sacar novamente. -Fique de olho na bola e acerte ela. Simples.
—Aquele cara está me provocando.
—Ei! O esquentadinho do Santuário se chama Aiolia, não Shura. -chamou o cavaleiro de prata, e aponta Maíse com o olhar.-"Não vai querer passar vergonha na frente dela, vai? Concentre-se...faça de conta que é uma...batalha.
—Batalha?
—Sim. Não queremos perder...e sim vencer!
—Certo. Uma batalha.
—Um guerreiro frio na batalha.
—O.K... uma batalha.
O jogo reinicia, e desta vez Shura conseguiu revidar a bola que jogaram contra ele, mas esta retorna com toda a força contra Carlos Eduardo, acertando diretamente o nariz deste. O que todos veem assustados, e alguns muito espantados, é o brasileiro colocar as mãos no rosto, tentando parar o sangramento.
—BEU BARIZ! VOCE QUEBOU BEU BARIZ!
—Ops... -Shura murmurou.
—Eu disse que ele perderia o autocontrole. Me deve cinquenta! -sussurrou Milo a Aioros.
—Você disse que ele usaria a Excalibur. Ele usou uma bola de tênis. Não ganhou a aposta.
—Mas... -Milo tentou argumentar.
—Vamos até lá. -chamou Aioros.
A família inteira de Maíse cercava Carlos Eduardo, Shura também estava ali.
—Vamos levá-lo a enfermaria. -uma das irmãs disse, enquanto os outros ajudavam ele a se levantar.
—Isso não começou bem. -Shura pensou, quando viu todos se afastando.
—Shura. -Maíse o chamou. -Sei que ...
—Cariña...pode acompanhá-los se quiser.
Maíse concordou com um aceno de cabeça e seguiu a todos. Shura ficou para trás, com os amigos.
—Fiz papel de idiota.
—Até que não foi tão ruim assim. Ele ainda está vivo. -Milo comentou e viu Misty e Aiolos fazerem sinal para que se calasse.
—Tio Shura? -uma voz infantil o chamou. O grupo de cavaleiros viram que as crianças ainda estavam ali, e a menina chamada Sara foi falando entusiasmada. -Aquilo foi tão engraçado!
—Conta como o senhor derrotou a tal gangue dos Titãs? -Lucas pediu.
—E o ladrão de bebês. Como você pegou ele? -pediu outro menino.
—Ladrão de bebês? -Aiolos lançou um olhar furioso contra Milo.
—Eu me empolguei! Eles estavam adorando minhas histórias! -desculpou-se, e ignorando Aiolos que tenta acertá-lo, mas Misty o segura, comenta com Shura. -Vai lá tio Shura. Ao menos a próxima geração da família te adora. Eu falei de quando ele bateu num cara que era um verdadeiro gigante?
—Gigante? -os olhos das crianças brilharam.
—É! O cara era enorme!! Devia ter uns três metros de...
—Milo não comece. -Shura suspirou e viu que as crianças estavam realmente empolgados em saber mais. -Mas conheço algumas histórias.
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—Ele fez por querer. -lamentava Carlos Eduardo, enquanto o médico do hotel examinava o nariz machucado dele.
—Não seja infantil, Carlos.- pediu Maíse. -Você sabia que ele nunca jogou tênis antes, e acidentes acontecem.
—Ele é um pouco...violento, não? -Lucrécia indagou olhando a filha que saía. -Aonde vai?
—Ver meu namorado. -respondeu e antes de sair acrescentou. -Mãe...ele é a pessoa mais meiga e gentil que eu conheço. Não pode falar nada sem antes conhecê-lo como eu o conheço. E queira ou não queira, eu o amo...e ele me ama também.
—Eu nunca disse que ele não a amasse filha. -comentou a matriarca, que permaneceu inalterada quando Maíse saiu.
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Maíse chegou ao saguão do hotel, esperando encontrar Shura e o avistou cercado pelos seus sobrinhos, atentos a algo que ele dizia. Chegou devagar e escutou ele contando a história de Cavaleiros derrotando deuses malignos, e os meninos escutavam a tudo fascinados.
—Então, reunindo todas as suas forças, o cavaleiro usou a sua espada sagrada Excalibur contra o gigante e... -parou de falar ao ver Maíse observando-o. -Por hoje chega, depois eu conto o resto.
—Ahh... -reclamaram as crianças.
—Vamos nessa pirralhada. -Shura fez um gesto para que saíssem. -Preciso conversar com a tia de vocês.
—Vamos tomar sorvete? -Milo sugeriu e todos concordaram. -Aiolos paga.
—Eu? -Aiolos saiu atrás da turma, indignado. -Quem disse que eu pago?
Após toda a algazarra ter terminado, ambos ficaram se encarando em silencio.
—Gosta de crianças. -ela comentou.
—Eu? Não. Odeio crianças! Quem gosta de garotos barulhentos? -tentou disfarçar, mas o sorriso dela o desarmou.
—Acho que tem o maior jeito com elas. -ela sorriu. -E acho que fica lindo de bermudas e camisa pólo branca.
—Odeio essa camisa. -resmungou. -Misty insistiu que eu deveria me trajar de acordo com a situação.
—Fica bem de branco.
—Você também, fica linda de branco! -e pigarreou. -E o nariz do “Rei do Gado”?
—Não quebrou...infelizmente. -e riu, quando Shura fez uma careta. -Posso dizer uma coisa? Não fique com ciúmes do Carlos Eduardo.
—Eu? Ciúmes dele? -e deu uma risada debochada. -Por que teria ciúmes? Só porque ele é rico, boa pinta, tem fazendas.
—Sabe jogar tênis. -ela acrescentou, rindo novamente. -Acredite, Shura. Não precisa ter ciúmes dele.
—Não queria era que sua família tivesse uma péssima impressão de mim.
—Eles não tem...talvez minha mãe, mas ela não gosta de ninguém, mas tudo bem.
—Era ela quem eu não queria que tivesse uma péssima impressão de mim.
—Shura... -ela enlaçou o pescoço dele e o beijou. -Não se preocupe com minha família.
—Ai estão vocês. -era um dos cunhados de Maíse, o gorducho Pedro. -O Carlos vai sobreviver...infelizmente.
—Notei que ele não é muito querido. -Shura comentou com Maíse.
—E dá pra gostar de um cara que não gosta de nada? -Luis Fernando comentou. -Viemos convidá-lo para jogar cartas. Aceita? Pedro não joga, então resolvi convidar você e seus amigos.
—E o...Carlos? -perguntou Maíse.
—Ele disse que iria para o quarto dormir.
—Acho que seria bom. -Shura concordou.
—Certo. Onde jogaremos? Que tal na sua casa, Shura? Aqui no hotel com as mulheres não dá. -perguntou Luis.
—Minha casa? -Shura quase engasgou.
—Não vai dar lá, meninos. -Maíse o salvou. -A casa dele está sendo dedetizada. Por isso ele está hospedado em minha casa. Mas joguem lá. Eu sairei com as meninas e as crianças.
—Boa ideia, cunhadinha. -acrescentou Pedro. -Até mais tarde. Oito horas!
—Tem certeza de que está tudo bem em jogar cartas com eles? -perguntou meio apreensiva.
—Não acredito que uma simples partida de jogo de cartas possa piorar ainda mais a impressão que eles tem de mim. -Shura deu os ombros. -Ainda mais, seus cunhados me parecem serem boas pessoas.
—E eles são. -concordou sorrindo.
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Misty andava pelo bar do hotel, já que sua ajuda não era mais necessária, pensou em voltar ao Santuário o quanto antes. Mas parou ao ver quem entrava ali naquele lugar... o ex-noivo de Maíse.
Fez um gesto para chamá-lo. O brasileiro olhou ao redor para ter certeza de que era com ele o convite e depois caminhou até o Cavaleiro de prata.
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Mais tarde...naquela noite.
Shura olhava as bebidas na geladeira que Maíse providenciara, fazia menos de meia hora que ela saira com as irmãs para mostrar a cidade de Atenas à elas e aos sobrinhos e daqui a pouco seus amigos e cunhados chegariam para jogar. Havia pedido pelo telefone a Milo que estava a caminho com Kamus quer comprassem algo para comerem.
A campainha tocou e ele foi atender a porta. Estava cedo para o horário marcado, achou que fosse os cavaleiros de Escorpião e Aquário que chegavam, com a mania de horários de Kamus, este detestava se atrasar para seus compromissos, mesmo que fosse apenas uma noite de pôquer.
—Milo, espero que você e Kamus não tenham esquecido os... -calou-se ao ver que não eram os amigos. -Senhora Lucrécia?
—Podemos conversar, meu rapaz? -ela pediu em tom seco.
Continua...
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