Parceira De Crime

2 Starbucks, café, e sentimentos estranhos.


Notas iniciais
Fico realmente animada que tenha lido e curtido o comecinho da minha fic. Então, aí está o segundo capítulo. Comecei a escrever eram uma da manhã e terminei as duas e quarenta e três. Só tenho inspiração a essa hora. Oh céus, eu espero que gostem =]

Cheguei em casa, jogando minha mochila no sofá, indo diretamente até a cozinha, minha mãe fazia o jantar, me apoiei sobre o balcão, estava cozinhando macarronada, eu amava quando ela cozinhava macarronada pra mim. Ela sabia que era minha preferida. Peguei uma maça na cesta de frutas e cortei um pedaço com a faca, levando logo a boca. — Estou fazendo o seu preferido.. — Minha mãe murmurou, remexendo nas panelas, sem olhar pra mim. Suspirei, me lembrando do bilhete. — Não vou jantar em casa hoje, mãe. — Soltando a colher em sua mão, ela se virou pra mim, visivelmente confusa. — Eu tenho um trabalho pra fazer, em dupla. Tenho que me encontrar com minha parceira. — Minha mãe suspirou, voltando sua atenção as panelas. — Ok, manda um beijo pra Helena. — Cortei mais um pequeno pedaço de maça pra mim. — Não é a Helena.. — Novamente minha mãe olhou pra mim com a mesma expressão de antes. — Eu conheço? — Dei de ombros fingindo não me importar, comendo mais um pedaço da maça. — Talvez. — Minha mãe novamente se virou para as panelas, enquanto eu tentei sair de fininho da cozinha. — Ei mocinha, quem é ela?

Girei em meus calcanhares voltando a olhar minha mãe. — Alice Lightwood.. — Eu disse em tom evasivo. Minha mãe soltou a colher novamente, batendo-as na panela. — Ah não. Eu não quero você com aquela garota. — Suspirei pesadamente, isso seria um problema. — Não posso evitar mãe, a professora escolheu as duplas, não tem como mudar. Eu bem que tentei.. — Mentira, eu não tinha tentado, ela tinha. Meus olhos cairam no relógio da parede. Sete e meia. — Eu não quero você com essa menina. — Minha mãe repetiu em tom de acabar com a conversa. — Mãe, eu não posso fazer nada ok? Esse trabalho vale metade da minha nota e tenho certeza que você não quer que eu seja reprovada, quer? — Não esperei ela responder, subi as escadas apressadamente, correndo ao meu quarto direto para o banheiro, tomando um rápido e quente banho, me senti meio nervosa para encontrar Alice, não sei porque, mas eu fiquei nervosa. Me vesti rapidamente, colocando um vestido leve, com um longo sobretudo preto pois lá fora indicava frio. Eu não sabia o que tinha que fazer, ou levar, eu não sabia o que íamos fazer na verdade e não havia tempo pra pensar. Já estava na hora, ela pediu para eu não me atrasar e eu não me atrasaria, ao sair de casa, passei por meu pai que havia chego e estava jantando com a minha mãe. — Onde você vai gatinha? — Meu pai perguntou a mim enquanto eu passava. — Eu vou encontrar minha parceira de equipe para um trabalho da escola. — Disse eu mandando um beijo ao meu pai, fazendo-o sorrir.

O relacionamento com meu pai era bem mais fácil, minha mãe era mais difícil. Meu pai dizia que era só porque nós somos completamente iguais. Eu discordava. Não achava que parecia em nada com minha mãe. Sai de casa antes que minha mãe falasse mais alguma coisa, andei com minhas mãos no bolso até a Starbucks da Leeds, estava realmente muito frio, imediatamente reconheci a garota que estava apoiada no balcão com um frappuccino nas mãos, novamente senti aquela sensação de nervosimo, porque? Ela estava impecável. Botas pretas, com uma saia preta, com estampa xadrez, uma jaqueta de couro e um longo cachecol vermelho envolta de seu pescoço, era incrivel como o tom de seu cabelo combinava com o tom do cachecol, vi ela checando seu celular, provavelmente checando as horas, ou mudando de música, já que ela estava com fones de ouvidos. Respirei fundo, como um ato de tomar coragem, e entrei na cafeteria. Ela me viu e eu podia jurar que vi um sorriso no canto de sua boca. — Quer um? — Ela perguntou, chacolhando suavemente o copo com seu frapuccino a minha frente. Pude notar novamente, seus anéis. Loucura, claro que não, quem bebe frapuccino em um frio desses? Neguei com a cabeça ficando em silêncio. — Um cappuccino talvez? — Ela perguntou novamente, obviamente tentando ser gentil.

Dessa vez eu concordei, estava frio e seria bom. Uma ruga se formou na testa de Alice, e ela fez o pedido ao rapaz do balcão. — Um cappuccino Jesse, e rápido. — Ela pediu com sorrisos de cúmplice ao rapaz, percebi então que eles eram amigos. — Sua amiga não fala? — O rapaz perguntou a Alice, começando a preparar a minha bebida. — Ela não é minha amiga. — Respondeu Alice em tom despreocupado e tentei não levar a mal. — Ela é minha parceira, só está muito emocionada de estar ao meu lado. — Concluiu Alice com uma piscadela a Jesse. — Parceiras de cama? — Perguntou o rapaz de volta em tom brincalhão me fazendo corar. Ele terminou de preparar minha bebida, mas conversavam como se eu não estivesse presente. — Seu babaca. — Alice disse por fim, embora sorrisse, pegando algumas notas em sua carteira e as colocando sobre o balcão. Eu ía fazer o mesmo, mas quando peguei minha carteira, Alice me olhou em dúvida. — O que está fazendo? — Ela perguntou, olhando para minhas mãos. — Eu vou pagar. — Respondi como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. Ela negou com a cabeça, afastando-se do balcão, fez um sinal para que eu seguisse. — Foi, cortesia da casa. — Disse ela se sentando em uma das mesas. Aí eu entendi, ela tinha pago o meu também, óbvio, um frappuccino não custava tanto assim. Fiquei confusa, me sentando na cadeira a frente da dela. — O que? Isso é um encontro? — Claro que eu estava brincando, mas algo com isso, fez eu me sentir bem ao pensar que poderia ser um encontro. Que estranho.

- Qual é, — Começou ela revirando os olhos embora tivesse um sorriso no rosto. — Temos que fazer um trabalho juntas, te trouxe aqui porque, aqui é, o meu lugar preferido no mundo. — Ela falava pausadamente, e me surpreendi com o que ela disse. — A Starbucks de Leeds é o seu lugar preferido no mundo? — Acho que ela não sai muito. Pensei. Uma nova ruga se formou em sua testa, algo adoravel de se ver, ela pareceu meio pensativa antes de falar.

— Sim e não. — Hesitou, deslizando seus dedos pelo cabelo. — Eu acho que Leeds, é o mais perto de casa que eu tenho, e café é a bebida que eu mais gosto no mundo. . — Café? Café como bebida favorita? Ela realmente derrubava os padrões e cada palavra que ela dizia, a cada gesto, sorriso, ou cada vez que ela suspirava, eu me encontrava mais facinada quando a ela e queria que ela me contasse mais. — Mas, é mais como se uma boa cafeteria fosse meu lugar preferido no mundo, em Leeds ou não. — Ela deu um sorriso lindo ao finalizar, encolhendo seus ombros por um curto instante. Era incrível o quão graciosa e adoravel Alice poderia ser, não conseguia entender o porque de Helena a achar repugnante. — Nossa. — Ela disse como se eu a assustasse. — Você encara todo mundo assim? Ou eu que sou especial? — Pisquei, voltando a tomar foco de minha visão, desviei o olhar dela para o meu cappuccino. — Desculpe. — Disse antes de dar um demorado gole em minha bebida. Como eu não podia notar o quanto eu a encarava? Precisei urgentemente mudar o foco dos meus pensamentos, estava ficando envergonhada de sempre ser pega encarando Alice. — Porque está bebendo um frappuccino? Quer dizer, deve estar uns dez graus lá fora. — Alice sorriu, dando de ombros novamente, sugando mais um pouco de sua bebida pelo canudo de seu copo. — Gosto de bebidas geladas. Gosto do frio.

Parou, parecendo hesitar de novo, novamente com uma ruga na testa. — Não sei, acho que gosto da necessidade de ter que me esquentar. — Ela deu de ombros novamente, desviando seu olhar para as poucas pessoas que transitavam pela cafeteria. — Porque você não gosta de mim? — Apesar de ela não ter sido agressiva comigo em nenhum momento, eu senti a necessidade de perguntar, porque pra mim, isso era verdade. Eu recebi a atenção dela de imediato, com seus olhos claríssimos encarando os meus. — Não é que eu não goste de você.. Eu só não gosto de você. — Ela bufou, provavelmente entendendo que não tinha falado coisa com coisa. Mordeu o lábio pensativa, novamente com aquela ruga adoravel se formando em sua testa. — Imagine dois ímãs. Nós somos como dois pólos opostos dos ímãs. Eu não me meto no seu meio, e você não se mete no meu.

Um suspiro saiu involuntáriamente de mim, ela estava certa. Como eu tinha pensado, éramos de mundos diferentes.

Por mais que eu quisesse que não.. Eu queria? Queria fazer parte do mundo dela? Eu jamais vira Alice com uma amiga, era mais como aquela paixão do colégio quando você tem só seis anos. Onde você se interessa pela pessoa, mas só a observa de longe. Mas, o que eu estou dizendo? Paixão de colégio? Essa garota me deixa tão estranha. — Você realmente me assusta quando faz isso.. — Alice disse em tom baixo, chamando-me para dentro de mim novamente. — Desculpe. — Pedi pela segunda vez, novamente me sentindo envergonhada. — Você já jantou? — Alice me perguntou após um suspiro e neguei com a cabeça. — Vem. — Ela pediu, levantando-se e saindo do estabelecimento.

Eu a segui, e ela ficou por um tempo parada na calçada, olhando para a rua, em silêncio, daria a alma pra saber no que ela estava pensando. O vento frio batia em nós, mas ela não parecia se importar, nem eu me importava e, eu odiava frio. Mas eu poderia ficar ali, a noite inteira ao seu lado, admirando-a em silêncio, vendo sua respiração, sim eu podia vê-la, o ar estava tão frio que a cada vez que Alice expirava o ar pairava sobre seu rosto. — Então. — Ela mesma quebrou o silêncio por fim. — Leve-me em seu restaurante preferido na cidade. — Ela disse e eu congelei, não pelo frio. Nem por seu pedido, mas por sua mão gélida tocar a minha, e seus dedos se entrelaçarem aos meus. Era como ondas de choques sendo liberadas por todo o meu corpo. Nunca senti nada igual ao tocar alguém, tão especial, puro e excitante. E naquela hora, julguei que não haveria nada melhor que o toque de sua mão junto a minha. Pois, eu estava deliciosamente enganada.

Notas finais
Acho que ficou meio grande, mas eu ainda tinha muito mais o que escrever XD