Parceira De Crime

3 Primeiro beijo.


Notas iniciais
Aye, sei que demorei um pouco mais para postar o terceiro capítulo, mas tenho uma ótima explicação. Eu tive que ir esse final de semana para a casa da minha mãe, quem tem pais divorciados aí provavelmente devem me entender, então não pude postar. Até porque, por alguma alguma razão eu só consigo escrever de madrugada, por exemplo, terminei de escrever esse as três e dezenove da manhã. Vai saber o porque..
Mas enfim, aí está o terceiro capítulo, eu espero que gostem ^^

Eu não sabia como agir, ou como pensar, mas meu corpo respondeu mais rápido que eu, correspondendo ao seu toque, meus dedos também se entrelaçaram aos delas. Ela não me olhou, continuou com seus olhos concentrados na rua, não, ela não estava concentrada na rua. Era outra coisa, como se estivesse presa em seu próprio mundo. Novamente senti aquela necessidade estranha de saber no que ela estava pensando. — Então, você vai me levar pra jantar ou vai ficar aí me encarando? — Que droga, ela nem estava me olhando, como podia saber que eu estava encarando ela? — G-gosta de sushi? — Gaguejei desviando o olhar dela, provavelmente eu estava vermelha, mesmo assim nossas mãos não se soltaram. Quando voltei a olhar pra ela, Alice sorria, tomei aquilo como um "sim" e não esperei mais resposta, começando a caminhar para onde eu gostava de comer, não era muito longe. Caminhamos em silêncio no frio, muito próximas uma da outra, e eu achei que quase podia sentir o calor de seu corpo. O toque macio de sua pela na minha, mas eu não estava sentido, estava apenas imaginando.

Eu nem notei o quanto tinhamos andando, eu poderia ficar toda a noite ali, segurando sua mão, mas chegamos ao restaurante, e pedi interiormente que fosse um pouco mais distante. Ela empurrou a porta de vidro, soltando minha mão, e sem querer suspirei em desgosto. Ao entramos tiramos nossos calçados, afinal, era um restaurante japonês, também tirei meu sobretudo e Alice seu cachecol, o lugar era quente e nos sentamos. Uma de nós só falou novamente quando o garçom perguntou qual seria nosso pedido. Eu sabia exatamente o que pedir, mesmo assim eu tinha o hábito de checar o cardápio, Alice não. Ela estava com seu olhar fixo em mim, com suas unhas batendo suavemente contra a mesa. Quem era ela pra falar de mim? Me encarava sem nem disfarçar. Fiz o meu pedido ao garçom e ele com um sorriso se virou para Alice. — O mesmo. — Ela apenas respondeu ainda com o olhar fixo em mim. Me intimidei diante de seu olhar e senti a estranha necessidade de abaixar minha cabeça diante seus olhos, mas não fiz, tomando isso como um ato de coragem. Suspirei, tentando achar desesperadamente algo para falar, começar uma conversa, sem sucesso. — Você tem mesmo cara de quem gosta de sushi. — Ela comentou, rolando os olhos pelo local silêncioso, haviam pouquissimas pessoas comendo, e era por isso que eu gostava de lá. Paz. — Você não. — Respondi, continuando a olhar pra ela. — E não gosto. — Alice deu de ombros, olhando o cardápio por cima da mesa, sem realmente estar lendo. — Então, porque vai comer? — Ela continuou a olhar fixamente para o cardápio, totalmente inerte sobre as refeições. — Na verdade, eu nunca comi sushi. Sempre achei que não gostava. — Seus olhos cinzas pousaram sobre os meus e havia um sorriso no canto de sua boca. — Mas, eu também achei que não gostava de você.

Meu coração quase se chocou contra o meu peito ao ouvir suas palavras. — E gosta? — Minha voz saiu no tom mais baixo que ainda poderia ser ouvido, porque eu ficava tão estranha perto dela? Ou porque eu quase tinha vertiges a cada vez que ela resolvia ser charmosa? — Não disse isso. — Ela fez uma pausa, mordendo o canto de seus lábio inferior. — Ainda. — Respirei fundo, tentando fazer meu coração voltar ao ritmo normal para ele. Eu precisava mudar de assunto, ou a confusão dentro de mim só iria aumentar. — O que você e a srta. Sophia conversaram hoje? — Mais uma vez, um sorriso brincou em seus lábios. — Porque você não pergunta a ela? — Foi como uma deixa, ela disse e o garçom chegou com nossa refeição, com um copo de refrigerante pra ela e um pra mim. — Ah não, eu não bebo refrigerante, será que poderia me trazer um suco de frutas vermelhas? — Perguntei ao garçom que assentiu e saiu, levando o copo de refrigerante consigo. Notei novamente o olhar de Alice sobre mim, que logo depois mudou para os hashis a sua frente. Existiam dois pares a sua frente, um deles estava com elásticos, aqueles que é para as pessoas que não sabem usar. E o outro sem nada. Eu sabia usar, é claro. Mas ela não parecia saber. — Não, — Eu disse juntando minha cadeira a dela.

Pude novamente sentir seu cheiro adocicado, bala, chocolate. Continuava uma delícia. — Eu não quero ser vista com alguém que come com isso. — Eu disse quando ela pegou os hashis com elástico. Alice sorriu em divertimento. — Me desculpe se envergonho você. — E tão perto dela, quase me perdi novamente em cada beleza incomum de seu rosto. Meu coração voltou a bater forte e me lembrei de não encara-la. — Não é difícil. — Eu disse, desviando meus olhos para os hashis que entregava a ela. Pousando minha mão sobre a dela, pude sentir a maciez de sua pele pálida, enquanto colocava seus dedos na posição que deviam segurar os hashis, mas ela não parecia prestar atenção, com o canto do olho eu podia ver, seus olhos fixos em mim. Quando meus olhos encontraram os dela novamente, ela rapidamente desviou seu olhar suspirando pesadamente, como se estivesse frustrada. E novamente, quis saber o que ela estava pensando. Alice firmou seus dedos na posição que eu os coloquei e pegou uma pequena quantidade de arroz, sem deixar cair nenhum grão. Lenta e relutantemente soltei suas mãos, seus dedos se fecharam, fazendo um hashi bater contra o outro, derrubando o arroz novamente na pequena tigela de onde ela o tinha tirado. — Tudo bem, é assim mesmo. — Eu encorajei próximo ao seu ouvido e podia jurar que a vi arrepiar-se. Não que eu estivesse tentando parecer sexy ou algo do tipo, ou eu queria? Não, eu só estava perto demais dela. Concluí que era só isso. — Me mostre de novo. — Ela pediu em voz baixa, quase parecendo frágil, quase.

E tive que controlar a vontade de acariciar seus cabelos, mas que merda estava havendo comigo? Novamente colocando minha mão sobre a sua, mostrei a ela como se fazia, porém ela não tentou pegar o arroz novamente, não. Ficamos com as mãos juntas, olhando uma pra outra, em silêncio. Era como se o mundo inteiro estivesse parado, e eu só estivesse sentindo aquela confusa e gostosa sensação de ondas de choques sendo distribuidas pelo meu corpo, por seu toque. — Aqui está seu suco srta. — O garçom informou, acordando-nos de nosso breve transe, me dando provas de que não, o mundo não tinha parado. Apenas o meu mundo havia parado. Suspirei, colocando uma mecha de meu cabelo atrás da orelha, fiquei em silêncio voltando para o meu lugar. Eu não sabia o que tinha acontecido ali, mas era como eu e ela tivessemos nos completado de alguma forma. Sei que parece loucura. Mas, o que não parece? Comemos em silêncio, e Alice em nenhum momento precisou de ajuda novamente com os talheres, ou pareceu não gostar da comida. Tanto que até cheguei a duvidar se ela realmente nunca havia comido sushi.

Trocamos olhares entre uma hora e outra e ao terminarmos, pedi minha sobremesa e Alice pediu um café. Eu já devia saber. Enquanto eu comia pequenas porções de minha gelatina de cereja, eu sustentava o olhar de Alice, que era firme e profundo, como se ela estivesse dentro de minha cabeça. Sempre que eu podia, e não queria, me perdia em seus gestos, que poderiam ser qualquer coisa para as outras pessoas, mas nela, era de um modo confuso, adorável e sexy, como o modo em que ela batia suas unhas contra a porcelana de sua xícara de café. Continuamos em silêncio, e não de um modo incomodo ou constrangedor. Era só como não tivessemos sentindo a necessidade de falar. Como se nossos olhares já fossem conversa suficiente. É, não faz sentido. Ao terminarmos, dividimos a conta e fomos nos calçar. — Eu vou te levar em casa. — Alice disse, sentando-se sobre um baixo degrau, para calçar suas botas. Eu queria dizer que não precisava, que estava tudo bem, mas, eu também queria que ela me levasse em casa. Ao sairmos do restaurante o vento frio nos atingiu e esperei que sua mão pegasse a minha novamente, mas ela não fez isso. E quando eu concluí que ela realmente não faria, eu mesma procurei sua mão, entrelaçando meus dedos aos dela, Alice não rejeitou meu toque, ela até sorriu, com seus dedos fechando-se entre os meus. E novamente, foi uma caminhada sem conversas.

E ainda sim, eu não sentia-me constrangida com isso e nem sentia a necessidade de conversar, a presença dela, era o que me bastava. Só quando chegamos a minha casa, voltei a ouvir sua voz. — Boa noite. — Ela disse, soltando minha mão e levando as suas até os bolsos de sua jaqueta. Fiquei parada a sua frente, desejando que a noite não acabasse. Eu não respondi, e talvez tenha sido por isso que aquela ruga se formou novamente em sua testa. Mas não, era diferente, como se ela estivesse em uma batalha interna. Novamente, daria minha alma pelos pensamentos dela. Na verdade, eu não precisaria disso. Pude imaginar o que ela pensava no momento em que seu corpo seu juntou ainda mais ao meu. Pelo que parecia um século, seu rosto se aproximou do meu e ela parou, tão perto que eu podia sentir sua respiração junto ao meu rosto. Seu hálito tão doce quanto seu cheiro, só que estava misturado com café. Algo desconhecido se agitou dentro de mim e cedi os últimos centímetros que faltavam, tocando meus lábios aos dela. Nem me lembrava que estava a frente de minha casa. Só pensava nos lábios de Alice respondendo aos meus, no momento em que selamos o beijo, uma chuva torrencial nos atingiu, separamos nos lábios no susto e segurei sua mão, correndo até a varanda de minha casa onde era coberto, trouxe ela comigo para nos abrigarmos da chuva e nem pensei no quanto aquilo podia ser perigoso, pois em um segundo depois, estávamos nos beijando como dois adolecentes apaixonados.

Alice segurava meu corpo junto ao seu, enquanto meus dedos se entrelaçavam em seus cabelos agora molhados, sua língua implorava acesso a minha boca, e eu com boa vontade cedia, cumprimentando-a com a minha própria. Meu coração batia tão rápido que eu até tive medo de que ele saisse de meu peito. E como se fossemos uma, paramos. A testa de Alice estava junta a minha e sorríamos como cúmplices, meus dedos deslizaram por uma mecha do cabelo de Alice e ela fechou os olhos. — Eu tenho que ir. — Aí estavam quatro palavras que acabariam com a noite. — Tá chovendo demais, não prefere passar a noite aqui? — Tentei esconder o desespero em minha voz quando tentava reverter a situação. Alice sorriu, abrindo seus olhos. — Não no primeiro encontro. — Disse ela por fim, me roubando um rápido beijo, segurei sua mão quando ela deu um passo pra longe de mim. Peguei uma caneta esferográfica que estava no beiral de minha janela. — Quando chegar em casa, poderia me ligar pra avisar ou me mandar pelo menos uma mensagem? Sei lá. — Eu pedi, anotando meu número na palma de sua mão direita. — Não precisa se preocupar.. — Ela disse com um sorriso. — Por favor? — Pedi novamente, em tom sério encarando seus olhos.

Alice acenou com a cabeça em sinal positivo, ía embora, mas parou como se tivesse lembrado de algo, então me abraçou, confesso que não entendi sua ação. Um beijo tudo bem, mas o modo como ela me segurava junto de si, era algo que eu não fui capaz de entender, apenas a abracei de volta, segurando a firme junto a mim, não achava que queria soltar. Mas ela soltou e sem dizer mais nada, saiu de minha varanda, e correu em direção a sua casa. Ela chegaria em casa como alguém que havia mergulhado com roupas. Desejei que ela tivesse ficado. E então, só então, o ocorrido me atingiu em cheio. Eu tinha beijado uma menina, eu beijei uma menina, eu desejei. E eu gostei. Mas o que diabos isso significa?

Notas finais
Eu sei, ficou fraquinho, mas enfim, eu tentei. =/
Apesar de eu ter achado o final muito cute..