Paraíso Proibido

6 Porque eu não sou o modelinho que você sonhou


Notas iniciais
Gente, mil perdoes pelo atraso quem me conhece e me acompanha desde Abusada ja sabe q eu costumo sumir por meses (sorry) mas eu nunca abandono a fic os motivos sao o de sempre: provas, dividas, mudança, depressão, criatividade, etc espero q gostem PS: vai ter putaria

O celular tremeu revelando mais uma mensagem. Rapidamente larguei meus talheres no prato e peguei o aparelho no meu bolso. Melany e mais algumas pessoas de medicina que estavam na mesa me encararam, mas eu os ignorei. Desbloqueei o celular e li a mensagem.
"Daqui a pouco é meu intervalo também. Bom almoço."
Era a resposta a mensagem que eu havia enviado a Kevin falando que estava indo almoçar... Céus, eu queria continuar conversando com ele, mas não sabia como puxar assunto a partir daquela mensagem... Será que se eu mandasse algum emoji ele entenderia que eu queria conversar? Seria muito obvio? Ele apenas visualizaria? Argh! Odeio indecisões!
Ouvi Melany falando comigo do meu lado:
— Gata, temos aula daqui a pouco. Se eu fosse você, se apressava no almoço.
— Ah. Uhum.
Afirmei com a cabeça e voltei a comer, guardando o celular. Apesar de estar cagando para a próxima aula, tinha medo de acabar reprovando por falta e de minha mãe me dar uma bela de uma bronca.
Após o almoço caminhamos de volta para nosso prédio. Apesar de Kevin ter parado de responder, eu continuava com meu celular em mãos, apenas esperando o toque... Talvez eu tenha ficado um pouco bem acostumada depois de passar uma semana conversando com o menino direto pelo telefone.
Infelizmente, depois do dia no parque, eu e Kevin não voltamos a nos ver, porém, dessa vez eu tinha seu contato, o que me rendia ótimas horas de conversa... Claro que eu preferiria ter essas conversas cara a cara, mas era complicada a vida em que estávamos. Eu tinha a minha faculdade e Kevin tinha vários empregos que demandavam sua quase total atenção. Tínhamos que nos contentar com as mensagens trocadas eventualmente.
Assim que havia chegado à sala, retirei a mochila extremamente pesada das minhas costas e me larguei na cadeira do canto. A professora já estava se posicionando na frente e ligando o Power Point, mas eu não estava nem um pouco ansiosa para isso.
Enquanto observava a paisagem na janela, recebi uma mensagem e fui verificá-la. Era de Kevin e dizia:
"O que você vai fazer sexta a noite?"
Sorri instantaneamente. Seria possível que nós nos veríamos de novo finalmente? Meus dedos voaram pelas teclas do celular.
"Nada. Por que?"
"Porque eu tenho uma apresentação. Minha irmã vai estar ocupada, então tenho um ingresso sobrando. Gostaria de ir?"
Apresentação​? Com Kevin? Respondi:
"Claro! Mas que tipo de apresentação?"
"Música"
Ah então era um show. Kevin tocava? Eu nem tinha ideia. Ele devia fazer parte de uma banda. Bem que ele tinha cara disso mesmo... Talvez o guitarrista ou o vocalista. Bom, eu ia gostar de qualquer jeito, afinal, seria uma chance de vê-lo de novo. Respondi:
"Eu vou gostar de ir sim"
"Ótimo! Vou ter que chegar lá bem mais cedo para ensaiar, então vou te mandar o endereço, ok?"
"Ok"
Meu coração até começou a bater mais rápido. Eu iria encontrar Kevin de novo sexta de noite! Estava tão empolgada. Mal podia esperar para assistir a ele e a sua banda.

[...]


Enfim sexta chegou. Saí da aula mais ou menos as 18, peguei o carro e vim pra casa. Minha mãe ainda não estava e as empregadas estavam fazendo o jantar, Emily estava na cozinha conversando com elas.
Passei por tudo isso e fui tomar um banho para me arrumar. Enquanto observava as roupas eu pensava que tinha que estar absolutamente perfeita. Sim, eu tinha ciência de que parecia uma adolescente louca com o primeiro encontro, mas fazer o que? Eu realmente estava gostando de Kevin, apesar de entender que aquilo certamente não era algo com o qual eu deveria seguir.
Naturalmente, deveria ser algum tipo de show de rock, mas eu não tinha nenhuma roupa apropriada para isso. Minhas roupas eram todas chiques, de marca e na moda. A maioria quem comprava era minha mãe, mas havia também alguns itens mais raros que ganhei de presente da minha avó. Claro que todas essas coisas me ajudaram a me encaixar perfeitamente durante meu Ensino Médio, porém não eram apropriadas para a ocasião... Decidi colocar uma calça jeans escura e botas pretas também, para a parte de cima, escolhi uma blusa preta com alguns detalhes em pedras prateadas. É, aquilo teria que servir.
Meu cabelo sempre foi algo fácil de se arrumar então apenas o desembaracei. Passei um pouco de maquiagem e, enfim, estava pronta. Olhei-me no espelho.
Eu estava bonita sim... Mas não era exatamente o que eu estava em mente... Poucas vezes em que me arrumava e me olhava no espelho eu supria as minhas próprias expectativas... Sempre pensava em coisas como "você podia ter uma roupa desse jeito", "você podia destacar mais seus olhos", "seu cabelo está tão comum", "essa blusa podia ser mais apertada"... Às vezes isso me dava raiva. Por que eu era sempre tão indecisa?
Revirei os olhos e decidi ir de uma vez antes que eu chegasse atrasada. Assim que cheguei ao andar de baixo, fui falar com minha irmã que estava jantando na cozinha. Mostrei-me para ela e perguntei:
— O que achou?
— Está linda, Glá. Vai sair?
— Sim.
— Ah... Estava esperando que me levasse num concerto hoje.
— Ah meu amor, hoje não vai dar. Eu já tinha marcado isso.
— Tudo bem. É uma orquestra da cidade, eles vão fazer um concerto em homenagem a Tchaikovsky e eu queria ver, mas talvez em outra oportunidade. Afinal, você me parece bem feliz em sair. Algo especial?
Ela me perguntou sorrindo na minha direção. Eu respondi:
— Digamos que eu vou descobrir isso hoje. Beijos.

Mais cedo naquele dia Kevin havia me mandado uma mensagem indicando o endereço do local, então peguei meu carro e com a ajuda do GPS facilmente cheguei ao local. Confesso que estava esperando algo totalmente de onde estava. Quer dizer, eu conhecia aquele lugar. Era uma espécie de edifício com várias salas e auditórios espalhados por ele. Lá, aconteciam algumas exposições de artes, concertos e teatros... Eu estava esperando uma casa de show ou um bar em algum lugar mais afastado... Kevin tocava em um lugar como esse?

Receosa, eu entrei no lugar. Já na entrada havia uma mulher vestida em um terno negro impecável. Ela me avaliou e disse:

— Ingresso ou nome na lista.

O que? Eu definitivamente não tinha um ingresso... Será que Kevin havia me informado o endereço errado. Pela forma como a mulher me olhou eu, certamente, não estava vestida adequadamente para esse evento... Resolvi dizer meu nome, se não estivesse na lista, eu poderia simplesmente me virar e ir embora:

— Meu nome é Eglantine Gomez Doyle.

A mulher olhou a lista durante algum tempo até que levantou as sobrancelhas e disse:

— Achei seu nome. Entre, por favor. Não há lugares marcados, você pode escolher esse andar ou o de cima. O som é o mesmo nos dois andares, porém o primeiro você fica mais perto dos músicos. Ainda está cedo, então há muitos lugares disponíveis.

Balancei a cabeça afirmamente para todas aquelas informações. Aquela altura já havia percebido... Provavelmente, estava em um concerto de alguma orquestra... O que mais me estranhava era Kevin ter me chamado para um lugar desses afirmando que iria tocar... Seria possível ele ser um músico clássico? Certamente, não era o perfil de Kevin.

Seguindo as dicas da mulher, acabei escolhendo o primeiro andar. Como ela havia dito, estava cedo então poucas pessoas se encontravam sentadas espalhadas em diversos cantos da grande sala própria para concertos. À frente havia um grande palco com vários instrumentos dignos de uma orquestra posicionados e, no meio, o pódio onde ficaria o maestro.

Escolhi um lugar em uma das primeiras fileiras, pois queria dar uma boa olhada em Kevin para vê-lo tocando. Assim que me sentei peguei o celular e já fui procurando o contato dele.

Digitei as pressas: “Já estou no lugar. É um concerto? Você toca em uma orquestra? Que tipo de música? Clássica?”

Enquanto esperava, observei a sala. As cadeiras eram de madeira, porém acolchoadas com um tecido bastante confortável, as paredes e o teto tinham o revestimento acústico ideal para aquele tipo de concerto. Tudo parecia novo e devidamente limpo. O ar carregava um cheiro de ar condicionado e algum aroma floral... Era um lugar bem chique.

Meu celular vibrou e eu o peguei, conferindo a mensagem:

Kevin: “Tantas perguntas. Que bom que já está aqui.”

Eu: “Me responda, então!”

Kevin: ”Calma, loirinha. Sim, eu toco em uma orquestra. Por que? Esperava que eu a levasse em um show de rock?”

Eu: “Claro que não.”

Claro que sim. Não adianta mentir Eglantine. Foi exatamente isso que você pensou. Você viu Kevin, com aquele corte de cabelo, os pircings, as roupas pretas e imaginou de cara que ele só poderia tocar em uma banda de rock desconhecida... Ok, culpada.

Kevin: “Sei... Bom, espero que você goste, mesmo não sendo o que esperava...”

Eu: “Não se preocupe, acho que vou gostar... Além disso, eu viria mesmo se você me chamasse para ir à calçada observar as formigas andando.”

Kevin: “Ah é? Bom saber, loira. Olha, tenho que ir agora. Daqui a pouco vou aparecer por ai.”

Eu: “OK. Serei uma das primeiras. Vamos ver se você consegue me achar.”

Após essa conversa não demorou muito e as luzes diminuíram, dando destaque ao palco. De duas portas laterais, uma em cada canto, saíram várias pessoas vestidas formalmente de preto. Cada uma tomou sua posição e eu comecei a correr os olhos pelas fileiras procurando Kevin.

Foi apenas quando a maestro estava entrando que eu consegui avistá-lo. Puta merda, como ele estava bonito. O terno estava impecável e o cabelo estava arrumado com gel para trás; em suas mãos havia um belo violino cor de madeira. Como eu, ele estava correndo os olhos pelo local, provavelmente me procurando.

Infelizmente, não deu tempo de ele me notar e a maestro logo dava o sinal para que os músicos se posicionassem. Kevin instantaneamente assumiu uma postura completamente diferente, seu corpo inteiro estava ereto e sua cara séria e impassível.

Com um movimento das mãos da maestro a música havia começado. No início apenas alguns dos violinos tocavam, num tom mais baixo, em seguida clarinetas os acompanharam. A introdução da música era lenta, porém com um ritmo marcado. Alguns segundos depois, Kevin acompanhado de outros violinistas começaram a tocar também. Dessa vez as notas eram mais agudas e iam crescendo até parar abruptamente. A música foi seguindo com os violinos em primeiro plano oscilando nas notas e instrumentos de sopro acompanhando eventualmente. Reconheci como algo de O Quebra Nozes, mas não me lembrava o nome da música, mesmo assim, era maravilhosa.

Quando ela acabou, obviamente, o teatro inteiro se encheu em uma salva de palmas. A maestra fez uma pequena pausa enquanto ela e os demais músicos ajeitavam os papeis em suas mesinhas, antes que a próxima música começasse. Dessa vez, porém o ritmo começava rápido e ia crescendo a medida que a música se intensificava. Uma mistura incrível de instrumentos de corda e metais. Enquanto isso, eu só tinha olhos para Kevin.

Seus dedos percorriam as cordas do violino e seu corpo inteiro parecia acompanhar a música. Eu via enquanto seus olhos se apertavam e raramente se viravam na direção da partitura. Ele estava lindo... Não, ele era lindo.

Outras três músicas se seguiram depois dessa. Foi apenas quando notei as notas usuais do ballet da Bela Adormecida que percebi que todas as músicas que haviam sido tocadas eram de Tchaikovsky... Será que era o mesmo concerto que Emily queria ver?... De qualquer forma, não importava o que Kevin fazia no palco: se ele tocava rápido, devagar ou se ele nem tocava e ficava parado esperando a sua vez... Ele estava perfeito lá em cima. Era incrível... Parecia que ele havia nascido para isso.

Foi então que eu comecei a me perguntar. Se Kevin tinha um talento desses, e um talento tão excepcional... Por que ele estava roubando e traficando?

Quando o concerto acabou já havia se passado uma hora, porém eu nem havia notado. A maestro agradeceu a plateia em meio a uma salva de palmas e um microfone foi dado a ela para que ela dissesse algumas palavras. Basicamente, ela agradeceu as pessoas e também os músicos, dizendo o quanto foi ótimo trabalhar com eles. No final, a plateia deu mais uma salva de palmas aos músicos e todos saíram do palco.

Enquanto eu via as pessoas se levantando, eu fiquei sentada em meu lugar. Não fazia a menor ideia do que fazer e como encontraria Kevin agora, então resolvi ficar ali até que ele me mandasse uma mensagem.

Não demorou muito e meu celular vibrou com uma simples frase:

Kevin: “Pode me esperar na porta da Saída C?”

Mais que depressa, eu respondi:

Eu: “Claro.”

Corri o olho pelo Teatro até que encontrei a tal saída. Como havia ficado certo tempo esperando, a maioria das pessoas já estavam lá fora, então o interior estava relativamente vazio. Avistei Kevin perto de uma parede olhando para todos os cantos até que ele me encontrou. Ainda estava com o blazer, porém este estava aberto e a gravata frouxa. Alguns fios de seu cabelo estavam escapando do penteado com o gel e caíam pela sua face. Os primeiros botões de sua camisa branca estavam abertos, tornando fácil ver o início de sua tatuagem do peito. Em suas mãos, carregava a case em couro negro do violino... Estava maravilhoso.

Quando me aproximei, trocamos um abraço carinhoso e ele perguntou sorrindo:

— Então, o que achou?

— Foi maravilhoso. Eu reconheci algumas das músicas, adoro Tchaikovsky.

— Ah que bom. O concerto foi em homenagem a ele. Tocamos Dança Árabe, 1812, a Valsa da Bela Adormecida e algumas cenas do Lago dos Cisnes.

— Achei lindo... Você toca muito bem.

— Obrigado.

— Se me permite, onde aprender a tocar?

Ele colocou as mãos no bolso e se recostou na parede atrás de si antes de responder:

— Ah na vida... Havia um tipo de grupo de música no meu bairro que ensinava as crianças a tocar vários instrumentos. Eu e minha irmã entramos quando éramos pequenos, mas eu me apaixonei pela música clássica e ela por um estilo mais de rock. Ela toca guitarra e tem até uma banda e eu ensaiei bastante e consegui esse emprego na orquestra.

— Nossa... Eu fiz algumas aulas de piano... É extremamente difícil entrar em uma orquestra paga. Você deve ser muito talentoso.

— Hum... Talvez. Mas, certamente, não foi só talento o que me trouxe até aqui.

Ele disse, com uma cara extremamente séria. Fiquei um pouco desconfortável, afinal, parecia ter dito algo de que ele não gostou. Porém, logo em seguida, ele assumiu uma face feliz novamente e disse:

— Tem um lugar muito legal aqui. Vou te mostrar.

Ele pegou minha mão e saiu correndo comigo pelos corredores do grande teatro. Subimos pelo elevador e passamos por diversos corredores e portas até pararmos em uma específica. Kevin tirou um molho de chaves do bolso e usou uma delas para abrir a porta em que paramos, revelando uma sala enorme e repleta de instrumentos.

Havia alguns pianos de corda negros num canto, no outro tambores de todas as formas e tamanhos, espalhados em grupos no meio da sala havia trombones e violoncelos, além de alguns instrumentos que eu nunca havia visto antes. As luzes da sala estavam apagadas, porém a janela deixava entrar um pouco da claridade da luz e da lua que refletia na madeira e no metal dos instrumentos, colocando o ambiente em uma meia luz.

Kevin foi me guiando através do labirinto que era aquela sala até que paramos em frente a um dos pianos de calda. Ele abriu a tampa que cobria as teclas e disse:

— Toca alguma coisa pra mim?

— O que? Sem chance.

— Anda, toca. Eu acabei de tocar quase uma hora pra você, é o mínimo que pode fazer.

— Ta bom... Mas eu não sei o que tocar.

— Qualquer coisa.

Eu me sentei no piano e coloquei meus dedos nas teclas. Enquanto pensava no que tocar senti as mãos de Kevin nos meus ombros e sua voz sussurrando em meu ouvido:

— Toque alguma coisa bonita.

Eu realmente não sei o porquê, mas instantaneamente uma única música veio na minha cabeça e de repente eu já sabia o que tocar. Dedilhando lentamente o piano eu toquei La Vie En Rose.

Não toquei nem dois segundos e pude ouvir Kevin suspirando atrás de mim e começar a acariciar meus ombros e meus braços. Com muito custo consegui tocar as notas com perfeição apesar de ele continuar com seus toques e, pior ainda, começar a cantar baixo e rouco a música:

Hold me close and hold me fast

The magic spell you cast

This is La vie en rose

When you kiss me heaven sighs

And though I close my eyes

I see La vie en rose

When you press me to your heart

I'm in a world apart

A world where roses bloom

And when you speak...angels sing from above

Everyday words seems...to turn into love songs

Give your heart and soul to me

And life will always be

La vie en rose

Assim que toquei a última tecla, percebi que o clima na sala havia mudado completamente. Olhei para cima, para Kevin. Até então ele estava com os olhos fechados e, devagar, os mesmos se abriram e me encararam.

Aqueles olhos castanhos claros com uma linha preta ao redor... Ele era lindo... De todas as formas... Foi então que, instintivamente, nossos olhos foram se fechando e nossas bocas foram se aproximando até que trocássemos um de nossos deliciosos beijos.

Kevin se sentou no banco ao meu lado no piano e ficamos de frente um para o outro, ambos com uma perna de cada lado do banco. Nosso beijo era gostoso, sua língua macia na minha, seus dentes roçando em meus lábios; até o barulho que fazíamos parecia melodioso.

Agarrei seus cabelos com pressa, enroscando meus dedos em seus fios acariciando-os. Kevin levou a mão a minha cintura e me puxou para mais perto dele. Lentamente, o beijo doce se transformou. Nossas línguas agora estavam mais apressadas, elas se enroscavam e iam fundo na boca um do outro. Lábios eram puxados e mordidos com força e cada vez mais nos aproximávamos.

Senti quando a mão fria de Kevin serpenteou por baixo da minha blusa nas minhas costas. Apesar da temperatura aquilo gerou em mim um calafrio delicioso. Puxei sua cabeça para o lado, expondo seu pescoço. Vendo aquele pedaço de pele completamente disponível para mim, não resisti e o lambi inteiro desde a clavícula até a orelha, terminando por morder aquele membro. Ao meu lado, Kevin gemeu baixo e rouco me excitando ainda mais.

Ouvi-o dizer:

— Loirinha, pare de brincar comigo.

Sorri e respondi a altura:

— Por que você ligou o fogo se não consegue lidar com a chama?

Ele abriu um pequeno sorriso de canto e disse um quase inaudível “vamos ver, então” antes de segurar forte minha cintura e puxar nos dois para cima. Em um piscar de olhos estávamos ambos em pé com Kevin me prensando na parede e, dessa vez, ele quem puxou minha cabeça de lado e atacou meu pescoço.

Senti minha pele sendo beijada, mordida e chupada e estava praticamente me contorcendo naquela altura. Meus dedos arrastaram a lapela de seu blazer que, rapidamente, deslizou por seus braços indo parar em algum lugar no chão. Enquanto minhas mãos brincavam com o nó de sua gravata, eu perguntei com algum indício de sanidade que ainda tinha:

— O quanto essa sala é segura?

— Não faço a menor ideia. Mas você não vai pensar em segurança em um momento desses, vai?

— É, tem razão.

Instantaneamente voltamos para a nossa quase luta selvagem. Empurrei Kevin e troquei nossas posições, prensando-o na parede dessa vez. Sua gravata estava no chão junto com o blazer e dessa vez, passei a desabotoar botão por botão de sua roupa beijando e lambendo a nova pele descoberta que me era mostrada. Kevin suspirava e acariciava meus cabelos devagar.

Subi novamente e retornamos a nos beijar, dessa vez mais rápidos e ofegantes. Kevin encheu suas mãos com minha bunda e colou mais ainda nossos corpos. Conseguia sentir seu membro endurecido fazendo pressão na minha barriga. Levei minha mão até ele e o apertei ainda por cima da calça. Kevin separou de nosso beijo para soltar um gemido baixo e lançar um olhar fixo na minha direção.

Ele me empurrou e fomos caminhando até que minhas costas bateram em um dos lados do piano atrás de nós. Kevin, então, aproveitou-se da nova situação e terminou de retirar sua própria blusa além de retirar a minha. Não perdeu muito tempo e logo meu sutiã também já estava no chão.

Ele começou a acariciar meus seios levemente até que colocou um dos mamilos na boca, chupando-o com força. Gemi, jogando a cabeça para trás e agarrando seus cabelos no processo. Kevin alternou entre os meus dois seios deixando-me arrepiada e eriçada. Em seguida, desceu aos beijos pela minha barriga chegando até a minha calça.

Com maestria Kevin abriu minha calça e a retirou junto com as botas. A calcinha logo foi esquecida junto com as peças de roupa anteriores. Vi quando ele se ajoelhou na minha frente e levantou uma de minhas pernas, colocando-a em cima de seus ombros. Kevin beijou e mordeu o interior de minha coxa antes de guiar sua boca para minha intimidade. Assim que senti sua língua lá arfei e agarrei seus cabelos com força. Ele lambeu e beijou toda a extensão da minha vagina e circundou e excitou meu clitóris com maestria. A única coisa q eu conseguia fazer era agarrar seus cabelos e me segurar ao piano, temendo que minhas pernas fraquejassem.
Cedo demais ele parou e se levantou, ficando em pé na minha frente e me lançando um sorriso travesso. Provavelmente estava rindo da mim toda descabelada e em êxtase. Resolvi dar o troco.
Consegui inverter nossas posições e colocá-lo colado ao piano. Tudo que Kevin usava agora eram as calças e os sapatos que eu logo tratei de tirar. Quando tirei sua cueca negra, seu pênis saltou para fora. Não era muito grande, dava duas das minhas mãos fechadas, porém era bem grosso a ponto de eu não conseguir fechar minha mão, era escuro com a cabeça mais clara e pingando pré-gozo, os pelos estavam bem aparados, além de claro, ele estar duro como uma pedra.
Olhei para cima e vi Kevin me olhando em expectativa, mordendo seu lábio inferior. Eu disse:
— Essa visão é muito linda.
— A que eu estou tendo também não é nada mal.
Sorri e voltei a focar em seu membro. Lentamente, tratei de lamber toda a extensão e chupá-lo forte para logo depois colocá-lo na boca. Sugando e lambendo toda sua extensão, podia ouvir seus gemidos e resmungos logo acima de mim. Não demorou muito e Kevin perdeu parte do controle, segurando meus cabelos e passando a controlar minha cabeça, fodendo minha boca com força.

Com certo esforço, Kevin parou o que estávamos fazendo e me puxou para que eu me levantasse de encontro a ele. Nós dois estávamos ofegantes, porém ele estava um pouco mais corado. Ambos sorrimos e compartilhamos uma fraca risada. Ouvi-o dizer:

— Eu te parei porque não acho que iria aguentar mais tempo.

­— Isso não é exatamente um problema.

— Acontece que se eu gozasse naquela hora, eu não conseguiria fazer isso.

Quando terminou, Kevin enlaçou minha cintura e me prendeu mais uma vez ao piano. Ele começou a beijar meu pescoço e acariciar minha cintura. Enquanto isso, arranhava seu pescoço e seus ombros. Ele pegou minha perna novamente e eu tratei de enlaça-la em sua cintura, já sentindo o contato de nossas intimidades.

Em um movimento Kevin me penetrou completamente. Senti-me invadida e ambos soltamos um gemido rouco. Eu sussurrei:

— K-Kevin-...

— Shhh.

Logo depois ele começou a se movimentar e eu perdi completamente a linha de raciocínio. Sentia seu pênis entrando e saindo de mim, nossos corpos se atritando e se chocando, meu clítores sendo estimulado entre nós dois e nossos gemidos e suspiros se misturando no silêncio da sala escura. Meus olhos já estavam se revirando e minhas pernas fraquejando quando Kevin parou e trocou nossas posições.

Quando ele pousou meu corpo no chão, imediatamente arqueei minhas costas por ter sentido o contato do chão frio com minha pele extremamente quente. Kevin provavelmente tomou isso como um convite, pois suspirou e voltou a atacar meus seios ao mesmo tempo em que continuava suas investidas.

A combinação desses dois movimentos fez com que eu realmente fosse à loucura. Aquela sensação era tão fodidamente boa e eu não conseguia parar de arranhar, morder e chupar o pescoço, ombros e costas de Kevin.

Não demorou muito e ambos gozamos, cansados e muito ofegantes. Kevin se jogou do meu lado e se arrepiou ao perceber o chão frio. Ele disse:

— Ah, então foi por isso que você arqueou as costas naquela hora.

Nós dois rimos fracamente. Depois de passado mais um tempo, eu disse:

— Acabamos de fazer sexo numa sala de instrumentos. Você trancou a porta quando entramos?

— Na verdade, acho que não. Melhor irmos embora.

Ele se levantou primeiro e estendeu a mão para me ajudar. Quando me levantei, Kevin passou a mão pela minha cintura e colou nossos corpos quentes, beijando-me em seguida... Céus, aquele beijo nunca iria deixar de ser tão bom?

Separamos-nos e cada um colocou suas roupas rapidamente em um confortável silêncio. Quando acabamos, tentamos sair sem fazer nenhum barulho e até estávamos conseguindo muito bem, até que um segurança nos pegou no corredor da entrada dos camarins. Porém, àquela altura, já estávamos bem próximos da saída, então só nos bastou correr rapidamente para chegarmos ao estacionamento onde estava meu carro.

Kevin disse que tinha emprestado a moto para sua irmã, então eu ofereci carona a ele. Quando chegamos ao seu prédio, ele disse, antes de abrir a porta:

— Quer passar a noite comigo?

Sorri e respondi:

— Eu iria gostar, mas tenho que voltar para casa. Minha mãe e minha irmã vão se preocupar.

— Ah é verdade. Você tem uma irmã mais nova. Qualquer dia você podia me apresentar ela.

— Você quer conhecê-la?

— Ah você fala tanto dela.

— Você também fala muito da sua irmã. Deveria conhecê-la também.

— Ela provavelmente socaria a sua cara, não é tão fofa quanto a sua.

— Ora, por quê?

— Digamos que ela não gosta de garotas do seu estilo.

Na hora, fiquei mais séria e perguntei:

— Como assim “meu estilo”?

— Você sabe... Riquinha, patricinha-...

— É esse estilo que acha que eu tenho?

Percebendo o tom que eu usava, Kevin se virou e me encarou surpreso. Ele levantou uma das sobrancelhas e falou:

— E você? Também não acha que eu sou um drogado, viciado, pobretão qualquer? Mostrou isso quando veio para minha apresentação achando que era um show de rock em algum barzinho de meia tigela. Fala sério, nunca passou pela sua cabeça que alguém como eu tocaria música clássica em uma orquestra.

— É, mas eu não saio por ai falando que você é isso ou aquilo!

— Eu duvido muito que você saia por ai falando de mim! Duvido que tenha falado qualquer coisa sobre mim pra sua família ou pros seus amigos! Você tem vergonha de mim!

— Não tenho não!

— Tem sim!

— Ah, por favor! Você só tem motivos pra eu ter vergonha de você! Eu te conheci porque você estava roubando minha vizinha!

— Então, vou te fazer um favor. Vamos parar de nos ver. Assim você não fica preocupada por estar gostando de um zero a esquerda como eu.

Logo depois de dizer isso, Kevin abriu a porta do carro e saiu, entrando rapidamente dentro do prédio e sumindo da minha vista. Só fui perceber a burrada que havia feito quando já era tarde demais.

O que foi que eu havia feito?! Por que de repente começamos a discutir?! Estava tudo perfeito, caramba! O concerto foi maravilhoso, as conversas foram incríveis e aquela havia sido a melhor foda da minha vida! Por que eu estraguei tudo no final?!

Bati com raiva no volante e descansei minha cabeça no mesmo... Bom, pensando bem, ele também tem culpa nisso. Ele também me julgou... E tenho certeza que ele tem vergonha de mim... Alias, por que não teria?

Pensei em subir atrás dele, porém recebi uma chamada de Emily e atendi:

— Alô. Que foi, Emilly?

— Oi. Você já está voltando? Mamãe está gritando e xingando aos quatro ventos por aqui. Parece que alguém ligou para ela e a deixou estressada.

— Tudo bem, meu anjo. Já estou a caminho. Fique dentro do quarto e vá ler um livro.

— OK. Tchau.

Quando desliguei o celular fui perceber a quantidade de chamadas perdidas de minha mãe, além de algumas mensagens. Abri-as:

“Cadê você? Preciso falar com você.”

“O advogado acabou de ligar. Aparentemente seu pai veio com um atestado de insanidade.”

“Ele quer um acordo em que ele responda em liberdade.”

“É bom você me responder logo ou eu vou aceitar!”

Revirei os olhos e suspirei... Já estava cansada daquilo. Por que aquilo não podia acabar? Por que tudo tinha que ser tão difícil?... Eu só queria que tudo isso nunca tivesse acontecido.

Cansada e derrotada, dirigi de volta para casa.

Notas finais
Ate o proximo comentem