Paraíso Proibido

7 Mas eu sou quem te faz tão bem


Notas iniciais
Eu sei q demorei muitissimo desculpem, mas é muita coisa pra fazer e pouco tempo pra escrever somado com bloqueio criativo nosso de cada dia quem me conhece de fora sabe q eu n sou boa com prazos e quem me conhece como autora sabe q eu posso demorar horrores mas n abandono minhas fics enfim, n vou abandonar essa fic apesar de q certamente n estou recebendo o mesmo retorno das outras de Abusada me pergunto se é pq o tema é um completamente diferente, se a minha forma de escrita decaiu, ou se a história esta com um conteudo mais fraco seria bom se os que comentam me deem um feedback quanto a isso enfim, boa leitura pessoal

Com um movimento minha mãe desligou a ignição do carro e sua primeira atitude foi abrir o porta sol e se olhar no espelho que estava nele. Enquanto Charlotte retocava mais uma vez seu rímel, ela disse, sem olhar para mim:

— Você deve estar impecável Eglantine.

— Eu sei, mãe.

Minha mãe passou o rímel para mim e, assim como ela eu o retoquei enquanto olhava no espelho. Pude ouvi-la continuar a balbuciar:

— Aquela velha asquerosa... Chamou-nos aqui e com certeza não foi pra boa coisa.

— Você pode chamar a vovó disso?

Quem disse foi Emilly com sua voz baixa e simpática, vinda do banco de trás. Eu olhei para ela e sorri enquanto apertava sua bochecha. Eu disse:

— Acontece que nossa avó tem uma categoria especial pra ela, então podemos chama-la disso.

— É, mas só quando ela não está por perto. Ouviu Emily?!

— Calma, mãe.

Eu mal terminei a frase quando minha mãe empurrou um batom na minha direção, ordenando que eu passasse. Enquanto eu fazia isso, Charlotte terminava seu monólogo enquanto checava o cabelo.

— Nós três estaremos lindas, inteligentes, educadas e dignas da presença da avó de vocês. Ela vai falar o que quer que queira falar comigo-...

— E ela não vai te tirar do sério, mãe.

— Exato. — Charlotte respirou fundo enquanto abria a porta do carro — E ela não vai me tirar do sério.

Nós três saímos e caminhamos calmamente na direção da casa de minha avó, Emily segurando minha mão. Minha avó Brigite era uma das mais ricas socialites da cidade. Sua mansão ficava no subúrbio, cercada por árvores altas cuidadosamente plantadas e aparadas. A casa era enorme com três andares acima do nível do solo e mais um subterrâneo, toda em tons de creme e branco. Tudo muito chique e clássico.

Assim que começamos a subir as escadas, meu coração acelerou de medo... Tinha medo de ver... Ele... De novo... Como se minha mãe soubesse disso, ela me lembrou:

— Não se preocupe, Eglantine. Seu pai está sobre ordem jurídica de manter distância de você, então eu duvido até mesmo que ele esteja em casa.

— Sim mamãe. Eu sei.

A porta foi aberta revelando um dos empregados de minha avó que nos acompanhou até uma de suas salas de estar. Antes que entrássemos o homem que estava nos guiando disse que Emily deveria seguí-lo até a sala de jogos.

Nenhuma de nós três opinamos sobre isso. Desde que Emily nasceu, minha avó apenas a viu uma vez, em seu batizado quando ela ainda era bebê. Depois disso, se recusou a reconhecer minha irmã mais nova como um membro da família, tudo porque ela nasceu mais escura que o resto de nós, puxando o pai de minha mãe. Brigite não se cansava de espalhar discursos infinitos sobre como Emily não deveria ser filha de seu filho, pois todos da família tinham herdado os mesmos genes arianos.

De qualquer forma, não nos opusemos a essa ordem dela. Afinal, algo me dizia que Emily não iria gostar de estar dentro daquela sala conversando com minha avó. Nem eu gostaria.

A porta se abriu e eu respirei fundo, notando Brigite sentada em um dos sofás mexendo furiosamente em seu celular de última geração. Ela levantou o olhar e me encarou, lançando um sorriso melancólico. Levantando-se e vindo em minha direção, ela disse:

— Eglantine, minha neta querida. Há quanto tempo.

Ela ignorou completamente minha mãe, passando direto por ela e vindo na minha direção, abraçando-me e beijando-me. Retribui com o máximo de educação que consegui e logo estávamos nós três sentadas no sofá. Minha mãe logo começou:

— Então Sra. Doyle, por que nos chamou aqui hoje?

— Eu só queria conversar um pouco com a minha neta, Charlotte. Agora vai fazer disso um crime?

Minha mãe deu uma risada sem graça e ao mesmo tempo, senti meu celular vibrar. Quase dei um pulo na cadeira e peguei minha bolsa rapidamente. Aquilo deveria estar no silencioso! Se tinha uma coisa que minha mãe e minha avó odiavam era ser interrompida pelo telefone!

Assim que peguei o aparelho e vi o nome de Kevin piscando na tela eu ouvi minha avó dizer:

— Já que agora, pelo que estou entendendo, sua mãe quer separar mais ainda os nossos laços familiares, certo Eglantine?

— O que?

Quando levantei meu olhar, as duas me encaravam. Eu ainda estava meio surpresa pela ligação no celular... Quer dizer, fazia quase duas semanas que eu não tinha noticia nenhuma de Kevin e ele nunca havia me ligado. Eu gaguejei um pouco:

— E-eu. O que?

Brigite começou a rir de uma forma escandalosa e falsa ao mesmo tempo enquanto deu uma batidinha na minha perna. Minha mãe me encarava com raiva, e eu apenas abaixei meu olhar. Droga, Kevin. Por que mesmo quando você não está no recinto, você consegue fuder com tudo?

De repente minha avó me chamou:

— Então, Eglantine, como vão as coisas? E a faculdade?

Olhei pra minha mãe antes de responder:

— V-vai bem, vó.

— Já pensou em que quer se especializar, querida?

— Não. Acho que está muito cedo pra isso.

— Certo. Você poderia conversar com seu pai sobre isso, ele-...

— Brigite.

O tom de minha mãe veio duro na nossa direção. Eu também fiquei tão tensa quanto ela quando meu pai foi mencionado na conversa, mas minha avó pareceu não perceber. Minha mãe continuou:

— Você sabe muito bem que ele é obrigado por lei a não se aproximar da minha filha.

— Ah agora ela é sua filha. Até onde eu sei, Charlotte, Eglantine também é filha do meu filho.

Mais uma vez o celular em meu colo vibrou. Olhei para a tela e de novo, era Kevin. Minha mãe e minha avó continuavam discutindo e meu coração acelerava cada vez mais. Eu não sabia se era adrenalina e medo da discussão que ocorria na sala, ou se era adrenalina e nervosismo das ligações que estava recebendo. Meu dedo coçava para que eu atendesse as ligações.

Eu ainda conseguia ouvir as duas discutindo ao meu lado enquanto a ligação se encerrava automaticamente e meu celular piscava avisando que havia uma nova mensagem na caixa postal. Eu tinha que ouvir aquela mensagem!

— Você não acha, Eglantine?

Levantei a cabeça e encarei as duas. Minha mãe me olhava com raiva e apreensão e minha avó me encarava confiante. Céus, eu havia perdido completamente a última parte da conversa... Apesar de saber que aquela era uma conversa que eu não queria ouvir, ou participar... Por isso a única coisa que consegui fazer foi encarar as duas totalmente perdida. Até que minha mãe disse:

— Eglantine, pode ir ver como está a sua irmã? Quero ter uma conversa em particular com a sua avó.

— Tudo bem.

Eu não esperei que ela mudasse de ideia para me levantar e sair da sala rapidamente. Cheguei até o hall de entrada, mas não queria topar com nenhum empregado perguntando se eu queria alguma coisa. Segui direto e acabei parando no jardim. Quando já percebi que estava sozinha, peguei o celular novamente.

Lá estava o sinal de que havia uma mensagem na minha caixa postal. Um pouco tremula, eu apertei o botão e coloquei o aparelho na minha orelha. A mensagem começou.

Primeiro eu só ouvi uns barulhos estranhos e vozes sussurrando coisas bem baixas e desconexas pra mim, até que finalmente:

— A-lou. Errr. Oi... Loira. Eu... Eu só queria... Quer dizer, é o Kevin. Eu...

— Anda logo, Kevin.

Disse uma voz masculina mais ao fundo. Kevin respondeu:

— Shhh... É que... Me liga, ta legal? Tchau.

E a mensagem acabou. O que tinha sido aquilo? Kevin parecia tão... Nervoso... Acho que eu nunca tinha visto ele tão nervoso assim... Na verdade, eu não conheço o Kevin ha tanto tempo...

Céus, não nos falávamos a duas semanas! Eu tinha ficado com raiva primeiro, depois triste, depois eu simplesmente empurrei o assunto para um lugar obscuro da minha mente e me concentrei em outros assuntos. Deus sabia que eu tinha assuntos mais preocupantes pra tratar naquele momento... Na verdade, os assuntos estavam correndo nesse mesmo instante na sala em que eu acabei de sair.

Olhei para o celular de novo. Talvez não fosse uma má ideia.

Apertei o botão e logo a chamada começou. Foram necessários poucos segundos de discagem até que eu ouvisse a voz de Kevin:

— Loira?!

— Oi Kevin.

— O-oi, você recebeu minha mensagem?

— Sim.

— É que...

— Fala logo, menino. — Disse uma voz fina atrás dele, um pouco longe do telefone.

Kevin continuou depois disso, um pouco mais encorajado:

— Eu cheguei à conclusão de que eu e você somos dois idiotas cabeça quente e que a última vez que nos vimos terminou em completo desastre por causa disso, mas eu ainda acho que podemos remediar isso, então o que me diz de nos encontrarmos de novo?

Depois dessa frase enorme, ele enfim pegou fôlego. Aquilo tinha sido muito rápido, mas felizmente eu havia entendido e concordava com ele. Sorri e respondi, apertando o telefone na minha orelha:

— Tudo bem. Eu concordo com você. Desculpe-me.

— Nha... Eu também tenho que te pedir desculpas.

— Convida ela pra vir aqui em casa! — disse a mesma voz de antes.

— Cala a boca!... Ta fazendo alguma coisa importante?

Olhei excitante para a janela que dava para a sala onde estavam minha avó e minha mãe e respondi:

— Não.

— Ótimo. Vamos sair. Hum... Lembra daquele parque que eu te levei uma vez?

— Lembro.

— Sabe chegar lá?

— Acho que sim.

— Ok, nos encontramos lá daqui a pouco. Tchau.

Rapidamente Kevin desligou, parecia apressado. Dei uma última olhada para a janela da sala esperando que nenhuma das duas tivesse me encarando e finalmente, guardei o celular e fui embora.

[...]

Depois de um ônibus e uma caminhada, finalmente eu estava no parque em que havia encontrado Kevin da última vez. Resolvi esperá-lo sentado no mesmo trepa-trepa em que ficamos da última vez. Encarei minhas roupas, meus sapatos... Eu estava muito arrumada para um encontro normal.

Não demorou muito e logo avistei Kevin vindo na minha direção sorrindo e uma palpitação subiu pelo meu peito. Ele estava lindo como sempre, porém um pouco envergonhado. Quando levantou o olhar e nossos olhos se encontraram, de repente, todas aquelas emoções avassaladoras que me atingiam quando convivíamos voltaram em cheio.

A única coisa que pude fazer foi sorrir e abaixar o olhar envergonhada, não antes de ver os olhos de Kevin brilhando. Serio, qual era o nosso problema?

Quando ambos estávamos perto o suficiente, pude notar que estávamos meio sem jeito. Deveríamos apertar as mãos, nos abraçar, nos beijar? Decidi por dar o primeiro passo e envolver Kevin em um abraço. Senti-o suspirar na minha nuca e apertei ainda mais seu corpo junto ao meu.

Era bom abraçar Kevin. Parecia... Certo... Eu não era uma pessoa de muitos abraços. Eu mal era uma pessoa de muitas relações profundas... E Kevin... Kevin era diferente de tudo que eu já havia vivido até agora na minha vida. Era uma afeição muito grande, um sentimentos muito grande. Com nós dois, sempre, tudo era muito intenso, ardente, sufocante... Era como uma chama enorme qual eu tinha medo de me queimar. Era como um mar fundo qual eu tinha medo de me afogar.

E acho que Kevin sentia o mesmo também... Pelo menos, eu esperava.

Quando nos sentimos seguros o suficiente para nos afastar, sentamos lado a lado na grama, apoiados em uma das árvores do parque. Era domingo de manhã, então o local estava relativamente cheio com vários grupos de crianças e jovens. Porém, conseguimos achar um espaço para nós e um relativo silêncio.

Percebi que ambos estávamos muito envergonhados, felizmente eu sempre fui mais comunicativa e disse:

— Então, você teve mais coragem que eu e me ligou.

Kevin riu um pouco e disse:

— Pois é. Na verdade, o crédito não foi inteiramente meu. Então, tem esse meu amigo e eu contei para ele o que havia acontecido entre nós. Ele ficou muito puto e me obrigou a te ligar. Na verdade, quem apertou o botão foi ele, logo depois colocou no meu ouvido para que eu não tivesse escolha. — ele olhou para baixo e riu — Acho que eu tenho muita vergonha de fazer essas coisas.

— Você com vergonha de ligar para uma garota, definitivamente, é algo que eu jamais esperaria ver.

— Você falou igual minha irmã agora. Ela também achou idiota o que aconteceu entre a gente, mas não tentou intervir... Na verdade, eu normalmente não iria ligar... Mas... Eu sei lá. Gosto da sua companhia... Talvez mais do que eu imaginava.

— Eu também gosto da sua companhia.

Pensei em como me senti feliz quando meu celular anunciou a chamada de Kevin. Mesmo que eu estivesse na casa da minha avó, mesmo que uma briga estivesse prestes a se instalar entre nós três, mesmo que meu futuro estivesse sendo resolvido naquela sala; permiti-me esquecer todo o estresse e mágoa e focar apenas em Kevin e sua tentativa de ajeitar as coisas.

Devagar, juntei nossas mãos sob a grama e entrelacei nossos dedos. Senti quando Kevin apertou mais ainda a minha mão e as encarou. Depois de um tempo, ele disse:

— Será que eu posso tirar uma foto?

— O que?

— É. Eu quero tirar uma foto disso... O seu celular tira fotos, não é?

— Sim...

— Me empresta?

Peguei o aparelho e entreguei em suas mãos. Kevin ajustou a câmera do celular e eu ouvi o “clique” da foto. Pensei que ele iria tirar uma selfie ou algo em que aparecesse nossos rostos, mas, na verdade, ele tirou foto de nossas mãos unidas. Sorri para aquele gesto e perguntei:

— Por que queria uma foto disso?

— Eu sei lá... Pra guardar, eu acho...

— Você não existe.

— Felizmente, para você, eu existo sim... Então, o que estava fazendo quando eu te liguei. Por que não atendeu da primeira vez? Estava com raiva?

— Não. Só estava extremamente ocupada... Estava na casa da minha avó... Eu, ela e minha mãe estávamos discutindo alguns... Assuntos familiares.

— Entendo.

De repete nós dois paramos de falar. É impressionante o quanto o assunto “família” sempre que é tocado por um de nós dois faz com que o clima fique instantaneamente pesado e acabe com nós dois em silêncio... Bom, eu já sabia que a minha família era toda fodida... Será que a dela era assim também?

Decidida a remediar isso, eu disse:

— Quer ir lá em casa?

Ele arregalou os olhos e me encarou:

— Eu posso?

— Pode, ora.

— É que... Eu imaginei que ia demorar um pouco mais de tempo até que você quisesse me convidar para a sua casa.

— Não. Eu quero que você vá lá agora. Vamos.

Segurando firme sua mão, corremos juntos na direção do ponto de ônibus. Era bom estar perto de Kevin de novo.

Notas finais
espero q tenham gostado comentem