Paraíso Proibido
5 Eu não sou ninguém
Notas iniciais
Exatamente um mês e dezessete dias desde o beijo com Kevin... Não, eu não estou ansiosa. Até porque não tem motivo nenhum para se estar ansiosa quanto a isso... Nós não marcamos nenhum encontro... Eu nem sei o sobrenome dele...
Por que eu penso tanto nisso? Eu já beijei tantos outros caras... Tudo bem, foi um dos melhores beijos que eu já tive... Aliás, por que foi um dos melhores beijos que eu já tive?
Talvez isso seja o mais difícil de explicar... Lembro-me dos lábios de Kevin, rachados, mas, ao mesmo tempo, macios. De sua boca, abrindo e fechando sobre a minha... Aquele encaixe perfeito... Sua língua deslizando sobre minha própria, sobre minha boca... Seus dentes arranhando e beliscando minha pele... Sua respiração quente e controlada acima de mim...
— Em? Loirinha na janela?
Disse uma voz distante e logo após, senti uma pressão no canto do braço. Alguém havia me cutucado e, quando percebi, a professora e alguns alunos me encaravam fixadamente. Merda... Havia esquecido que estava em aula.
— Perdão.
Eu disse, sentindo meu rosto ficando vermelho. Alguns deram risinhos imperceptíveis e minha professora, torceu a boca antes de dizer, já se virando para o quadro:
— É sempre assim. Os calouros entram super dedicados e já começam a desandar.
Revirei os olhos e me encostei melhor na cadeira. Era só o que me faltava. Já não tinha muito saco para ver a maioria das aulas do meu curso, agora tinha que aguentar devaneios aleatórios sobre certo moreno. E pior, professores desconhecidos me dando esporros.
Maldita faculdade, maldita medicina, maldito Kevin. Olhei para a tela em branco onde o slide era transmitido. Estávamos estudando Neuroanatomia, uma matéria que eu achava extremamente desinteressante... Aliás, eram poucas as matérias da minha faculdade quais eu não sentia um tédio tremendo e insuportável... Felizmente, eu já era acostumada a estudar coisas quais eu não queria já que passei o Ensino Médio inteiro assim...
Eu queria tanto saber o que fazer da minha vida... Queria tanto ser como aqueles alunos sentados na primeira fileira com os olhos brilhando de fascínio e curiosidade... Será que não tem um curso nessa maldita faculdade que vá me deixar assim?
Suspirei e deixei minha cabeça cair pesada na carteira. Ainda faltava uma hora pra acabar essa aula e tinha mais três matérias pela frente antes de encerrar o dia... Sei que não posso cabular tudo e ir pra casa já que minha mãe tem meu horário e acharia estranho eu estar em casa mais cedo...
Em compensação, posso ignorar tudo e ir para a biblioteca.
Contente com minha nova decisão, eu me levantei, arrumei minhas coisas e sai da sala o mais silenciosamente possível. Já no corredor senti como se um enorme peso tivesse sido tirado das minhas costas. Enfim, livre.
Caminhava tranquilamente enquanto pensava em passar numa livraria e comprar alguns livros de receitas. Emily iria gostar de sabores novos e eu estava sem ideias ultimamente.
Matutava a ideia na minha cabeça quando uma figura conhecida cruzou o corredor na minha frente e entrou em outro corredor adjacente... Não poderia ser... O que ele estava fazendo aqui dentro?
Só podia estar enganada... Mas mesmo assim, precisava confirmar.
Arrumei a bolsa melhor em meu ombro e segui silenciosamente o sujeito. Ao me virar pelo corredor pude observar que, definitivamente, aquela figura era Kevin. Eu reconheceria aquele corpo, cabelos e alargadores em qualquer lugar, mesmo que de costas. Vestia uma calça jeans escura, os mesmo tênis negros e surrados e um casaco de moletom que eu jurava tê-lo visto usando-os na primeira vez em que nos encontramos.
Fui o seguindo silenciosamente até que saímos do prédio onde tinha a maioria das aulas do meu curso. Vi que Kevin virou à esquerda e percebi que estava indo para a Divisão de Saúde da faculdade. O que ele faria lá? Apenas alunos podem se consultar naquele hospital. Será que ele era aluno da faculdade? E se fosse, por que estaria indo para o hospital? Será que havia tido alguma sequela daquela surra? Ou será que havia se metido em outra briga?
Mil perguntas começaram a rodar na minha cabeça e eu mal percebi quando Kevin tomou o rumo para a seção psicossocial do hospital. Estranhei, porém continuei seguindo-o. Ao adentrar o corredor destinado à seção, ele foi até uma sala, parecendo conhecer o caminho muito bem. Vi quando ele bateu duas vezes na porta de madeira e entrou no consultório sem nem esperar uma resposta.
Estranho...
Depois que a porta estava fechada e o corredor se encontrava vazio, fui até a porta. Presa a ela estava uma placa com os dizeres “Lucas Rezende – Psicólogo de Plantão”. Estranhei o nome e sobrenome estrangeiros, porém estranhei mais ainda a profissão na placa... O que Kevin estaria fazendo indo a um psicólogo? E por que logo o psicólogo da faculdade? Seria ele um estudante daqui? Justo Kevin? Aquilo parecia muito impossível para mim...
Eu sabia que não conseguiria ouvir nada daquela porta e ainda corria o risco de ser pega no flagra, então fui embora e me escondi na curva do corredor esperando que Kevin saísse.
Tudo bem, eu sei. Eu deveria estar indo para a biblioteca estudar um pouco ou talvez voltar para as aulas que eu deveria estar tendo agora... Mas eu... Queria ver aquele menino... Em parte, pela enorme curiosidade em saber o que ele estava fazendo ali. Eu sou muito curiosa... Porém, a maior parte, confesso, queria apenas vê-lo de novo e conversar com ele... Ok, talvez beijar ele...
Ora, eu não sou nenhuma adolescente para ficar negando os meus sentimentos. Eu admito: quero beijá-lo de novo. Quero vê-lo de novo... Quero... Será que quero algo mais com ele?... Não, claro que não. Não posso me relacionar com um tipo daqueles. Um ladrão, viciado, pobre, drogado, bêbado... Isso nunca iria acontecer...
Fiquei devaneando por tanto tempo que quando percebi, Kevin passava do meu lado direto e saia pela porta principal do edifício. Apagando aqueles pensamentos nervosos da minha cabeça e animada mais uma vez, eu o segui.
Já na saída havia um pedaço do campus que devíamos percorrer até que chegássemos ao estacionamento mais próximo, onde ele, provavelmente, havia estacionado a sua moto. Continuei seguindo-o de uma distância considerada segura e cautelosamente, havia várias pessoas circundando os corredores e jardins àquela hora, porém ninguém pareceu perceber o que eu fazia.
De repente, Kevin muda o rumo que eu achei que ele iria pegar abruptamente. Afinal, para onde ele estava indo?
Saímos cortando e trançando as ruas e vielas que compunham o Campus da minha faculdade pelo que pareceram horas. Depois de um tempo, pude ver que ele tirou o que um celular do bolso. Ele não tinha me dito que não tinha celular?! Ele havia mentido para mim?! Ou será que comprou um? Quer dizer que agora ele tinha dinheiro para comprar um celular?
Chegando mais perto, pude ouvi-lo dizer:
— Oi amor. Tava aqui passeando e pensei em você... A gente podia ir num jantar hoje à noite, o que acha?
O que?! Que caralha é essa?! O filho da mãe tem namorada?! Como assim ele já arranjou namorada nesse meio tempo?! Ele tinha namorada quando me beijou?! Desgraçado!
Ele continuou falando no telefone:
— Tudo por você, meu amor. Você sabe que eu te amo. Você é a mulher mais perfeita do mundo, mais bonita, mais divertida e você nunca me segue por metade do campus e fica escutando minha ligação por minhas costas.
Hã?
Assim que pensei nisso, Kevin se virou colocando o celular desligado no bolso e olhando para mim com uma cara de deboche num clássico “te peguei”. Eu só consegui ficar lá parada sentindo meu rosto se avermelhar à medida que ele abria um sorriso e me cumprimentava:
— Oi loira. Saudades?
— E-eu não estava exatamente te escutando... Eu só te encontrei no campus e vim dar um oi.
— Aham sei. Acha que eu não consigo identificar quando alguém está me seguindo? Na escola que você tá estudando eu já sou formado, loira.
— Engraçadinho — Recompus minha postura e cruzei os braços, erguendo uma sobrancelha para ele — E eu havia me esquecido do quanto é convencido.
— Você não tem aula agora?
— Tenho.
Ele abaixou o olhar e soltou uma risada meio anasalada antes de responder:
— E você não deveria estar nela, loirinha? Você não me parece o tipo que cabula...
— E você lá sabe que tipo eu sou?
Eu disse me aproximando um pouco mais de Kevin. Meu olhar se alternava entre encarar seus olhos e sua boca, não sabendo qual dos dois era mais viciante. Mordi o lábio. Aquele cara ainda iria me matar.
Quebrando o silêncio, Kevin disse:
— Boa jogada, loira. Então, com certeza não serei a pessoa que irá te convencer a assistir aula. Quer dar uma volta comigo?
— Vou aceitar sua proposta.
E foi assim que eu me vi mais uma vez na moto assassina de Kevin e, mais tarde, em uma praça afastada do centro. O local era bem simples, algumas árvores e uma grama mal aparada, brinquedos que precisavam de uma pintura e bancos enferrujados. Apesar disso, havia poucas pessoas e o clima estava ameno.
Kevin nos comprou picolés de um moço num carrinho próximo e, juntos, nos sentamos no topo do trepa-trepa. Era possível ver algumas das casas que compunham o bairro em que estávamos. Creio que algo entre uma classe média baixa e pobres... Certamente, não era onde ele vivia.
Enquanto pensava nisso, pude ouvir a voz de meu acompanhante ao meu lado:
— Então loira, estou começando a achar que você é uma espécie de stalker.
— E eu começando a achar que você se esqueceu do meu nome.
Kevin riu e respondeu:
— Bem que você queria, Eglantine. Eu só acho Loira mais divertido.
— Hum... E não vá por ai me chamando de stalker sendo que quem estava na minha faculdade era você.
— Ah jura? Não sabia que você tinha comprado o campus.
— Hilário... Afinal, o que estava fazendo lá?
— Hum... E se eu te dissesse que eu estava vendendo drogas?
Bom, eu saberia que ele estava mentindo. Kevin não poderia estar traficando lá dentro. Eu o vi entrando na sala de um dos psicólogos plantonistas da universidade... Não é possível que ele fosse um de seus clientes... Entretanto, eu não queria dizer a ela que o estava seguindo desde àquela hora... Talvez ele achasse que eu estivesse invadindo a privacidade dele... O que eu realmente estava.
Resolvi fingir e perguntei:
— Foi isso que você foi fazer?
Ele riu mais uma vez e não me respondeu, achando melhor terminar o resto de seu picolé que, como o meu, já estava começando a derreter. Nos próximos momentos ficamos em silêncio, ambos terminando nossos doces e sentindo a brisa fria bater em nosso rosto.
Quando terminei, senti Kevin retirar o palito de minha mão e jogar os dois em uma lixeira próxima ao parquinho, acertando certinho. Sorri e disse:
— Familiarizado com o lugar?
— Eu costumava morar aqui há muito tempo atrás.
— Jura? Conte-me.
— Não tem muito que contar, na verdade. Minha família tinha uma casa naquela direção — ele apontou para uma das ruas que levava até o parque em que estávamos — Duas ruas pra frente. Quando eu fiquei mais velho, ficamos sem dinheiro e tivemos que vender a casa.
— Acho que sei como é... Ou pelo menos saberei.
— Você, Loira? Com problemas financeiros? Não acho que isso pertença ao seu mundo.
— Se surpreenderia... Minha mãe terminou a faculdade há pouco tempo... Ela largou a escola quando eu nasci e só depois resolveu se profissionalizar... Ela começou a trabalhar agora em uma empresa boa... Mas ainda é pouco para sustentar o nosso modo de vida...
— Hum... E seu pai?
— Meu pai... É complicado... Ele e minha mãe estão em processo de separação...
— Uhum... Meu pai morreu quando eu tinha quinze anos.
— Nossa. Foi... Difícil?
— Achei que seria mais, na verdade...
Depois disso Kevin começou a raspar a tinta seca do trepa-trepa com as unhas enquanto eu comecei a mexer com um fio solto no meu suéter... De repente o clima havia ficado pesado e ambos parecíamos meio desanimados...
Alguns minutos depois a voz de Kevin veio a tona.
— É uma pena que não possamos escolher pra qual família iremos.
Levantei a cabeça e o encarei. Seu olhar parecia distante, fixo na rua qual ele disse que levava a sua antiga casa. Olhei na mesma direção que ele... Será que dava pra ver a casa daqui? Será que isso desperta lembranças ruins nele? Eu sei que me estremeço só de passar por certos lugares da minha casa...
Mordi os lábios e procurei afastar esses pensamentos da minha cabeça. Odiava quando isso acontecia... Suspirei e peguei na mão de Kevin que se encontrava apoiada ao trepa-trepa. Pude perceber que ele estava tenso e segurando o brinquedo com força, porém o largou quando o toquei. Sua pele estava fria, mesmo assim não me incomodei quando ele virou a mão e entrelaçou seus dedos nos meus.
O que estávamos fazendo?
Subi o olhar e encontrei com o dele. Ambos nos encarávamos da mesma forma que naquela noite em frente a minha casa... E eu já sabia onde isso iria acabar... E eu não queria que acabasse de forma diferente.
Inclinei-me na sua direção enquanto fechava os olhos e creio que Kevin fez o mesmo, pois segundos depois senti o choque de nossas bocas. Mais uma vez aquela sensação nauseante de sentir aqueles lábios nos meus. Seu beijo, como eu me lembrava, era incrivelmente gostoso; Dava para sentir sua língua gelada do sorvete que havíamos tomado e um leve cheiro e gosto de cigarro de palha.
Uma de minhas mãos estava agarrada ao brinquedo e entrelaçada a dele, a outra, subiu por sua barriga chegando até seu peitoral onde agarrei o tecido da camisa dele para puxá-lo para mais perto. Enquanto isso, Kevin levou sua mão até a base das minhas costas e ficou movimentando seus dedos por aquele local e por pontos da minha cintura em que ele alcançava me causando arrepios.
Eu queria mais daquele beijo. Queria agarrar seus cabelo e sentir a textura, queria puxar seu pescoço para o lado e prová-lo, marcá-lo. Queria arrancar aquela camisa e arranhar aquele peito. Queria...
Tirei a mão que estava no trepa-trepa e levei ao seu rosto, porém havia me esquecido que estávamos a alguns metros do chão sentados em uma barra de ferro. Instantaneamente eu me desequilibrei e teria caído de cara no chão se não fossem pelos rápidos reflexos de Kevin quem laçou minha cintura com as duas mãos, me puxou para cima e firmou totalmente o corpo no brinquedo.
Quando estava segura de novo nos encaramos ofegantes e começamos a rir. Ele disse:
— Por que sempre que nos beijamos você consegue estragar o clima, Loira?
— Eu?!
— É. Da primeira vez foi você quem jogou o capacete no chão e agora quase morreu aqui.
Revirei os olhos e bufei antes de respondê-lo a altura:
— Não seja tão exagerado. Não sou eu quem escolhe os piores lugares para dar um garro.
— Tudo bem. Conheço um lugar perfeito pra isso. Meu quarto. Vamos?
Na hora meu sorriso morreu. Tudo bem, pode parecer meio hipócrita eu estar achando ele muito abusado sendo que há alguns minutos eu pensava em arrancar sua blusa e chupar seu pescoço... Mas isso não quer dizer que eu aceite ir para casa dele agora!
Ok, eu já havia estado lá e sozinha com ele, mas era um contesto completamente diferente! De qualquer forma, eu sou sim uma pessoa atirada. Quer dizer, eu gosto de beijar caras, as vezes até desconhecidos, em festas e tudo mais... O que não significa que eu queira ir para casa com nenhum deles.
Calmamente eu me afastei e disse, assumindo um tom mais baixo:
— Acho que não, Kevin.
— Ora, por que não?
Ele disse chegando mais perto. Eu respondi:
— Porque não me parece uma boa ideia.
Esquivando-me perfeitamente, consegui sair de perto de Kevin e pular do trepa-trepa caindo em segurança no chão. Estava começando a pensar que talvez não tenha sido ideia vir para um local completamente desconhecido com um quase desconhecido... Peguei meu celular tentando verificar onde eu estava.
Ouvi quando Kevin desceu do brinquedo e veio na minha direção. Quando ele chegou perto, pegou na minha mão, me virou e disse:
— Ei, fiz alguma coisa de errado? Eu te irritei? Está nervosa comigo?
Perguntou tudo de uma vez. Seu rosto parecia sincero e abalado. Pisquei algumas vezes e disse:
— Não, tudo bem... É só que eu não quero ir mesmo.
— Ah...
Ele parecia envergonhado, colocou uma mão atrás da cabeça e coçou os cabelos de leve enquanto direcionava seu olhar para o chão. Kevin disse:
— Você... Quer que eu te leve em casa, então?
— Pode me deixar na faculdade, se puder.
— Tudo bem... Vamos.
De repente ambos parecíamos dois completos estranhos. Por que as coisas com Kevin sempre eram tão inconstantes? Em um momento estávamos brigando como completos inimigos, depois estávamos conversando como se nos conhecêssemos há anos, depois estávamos nos beijando loucamente e por último algo sempre acontecia para deixar o clima esquisito e nós dois distantes... Por que tudo não podia ser mais fácil com ele?
O caminho de volta foi frio e silencioso. Quando chegamos à faculdade, Kevin parou sua moto no estacionamento do lado do meu carro. Estava bem na hora da minha aula acabar, então eu poderia ir para casa agora e minha mãe não suspeitaria de nada. Perfeito.
Quando desci e entreguei o capacete para ele, ele disse:
— Tenho um celular agora... Tipo, se você quiser pegar o meu número e tals... Ou me dar o seu.
É impressão minha ou Kevin de repente parecia um pré adolescente tímido? Eu sorri e disse:
— Claro. Me dê o celular.
Trocamos os aparelhos e cada um gravou seu número no celular do outro. Quando ele viu o nome que eu coloquei no celular dele, Kevin deu um pequeno sorriso de canto e instantaneamente assumiu sua posição bad boy novamente. Ele disse, inclinando a cabeça pra um lado:
— “Loirinha”?
— Você só me chama assim mesmo.
— E quem te garante que eu não tenho salvo outras “loirinhas” no meu celular?
— E você tem?
— Nha. Loiras não fazem muito o meu tipo.
Levantei uma sobrancelha e lhe lancei um olhar interrogador. Tudo o que Kevin fez foi rir e guardar o celular no bolso. Ele disse, ainda sorrindo de canto:
— Até mais, Loirinha.
Depois disso Kevin colocou o capacete, deu partida na moto e foi embora num piscar de olhos... Quando ele saiu, pude soltar o ar acumulado nos meus pulmões. Sorri olhando para o contato dele guardado no meu celular...
Céus, por que eu sempre me metia mais fundo nisso?
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