Paraíso Proibido
25 Capítulo 25. Inesperado Ciúmes / O Pedido
Notas iniciais
Ísis PDV {Ísis: Ponto de Vista}
A manhã seguinte na faculdade foi tranquila, não teve muita novidade. Uma parte do campus iria passar por uma pequena reforma então nós estávamos tendo duas aulas a menos, as duas primeiras, para que eles pudessem trabalhar nessa reforma que durava 4 horas todos os dias (das 7h às 11h da manhã), então entrávamos às 12h. Não era algo a longo prazo, mas já era uma maravilha poder acordar depois das oito horas da manhã durante aquele período. Nós saímos as três da tarde, no horário normal de todos os dias, e então paramos na padaria ao lado do prédio na volta e compramos alguns pãezinhos recheados e pães doces para comer, pelo visto nenhuma de nós estava com vontade de comer comida apesar da hora. Fernanda fez um suco natural de maracujá para que pudéssemos tomar junto, então "forramos o estômago" um pouco.
Quando era por volta das cinco horas da tarde, Claire ligou e disse que estava planejando jantar fora e já tinha falado com a Amanda e a Alysson, que toparam, e queria saber se íamos junto. Cobri o telefone e me vire para a Fê, que estava sentada ao meu lado no sofá.
– A Claire quer ir jantar fora. A Mandy e a Aly já aceitaram. Vamos? — perguntei.
– Vamos sim — ela respondeu com um aceno de cabeça. — Aonde ela pretende ir?
– Qual restaurante, Claire? — perguntei voltando para a linha. Ela respondeu. Repassei: — Ela disse que fez reserva no Pappagallo.
– Quanta humildade! Imagina se não aceitássemos, as reservas não são baratas no Pappagallo — Fê disse com uma risada. Claire resmungou qualquer coisa na linha e eu entreguei o telefone à ela. — Que ostentação é essa, nanica? Não sabia que estava tão poderosa!
– Não começa não, Nogueira, me agradeça e encha a pança! Sei que principalmente a senhorita é tarada por um restaurante italiano. "Simbora"!
Fernanda riu.
– Seu pedido é uma ordem, madame. Que horas? — Esperou pela resposta. — Ok, nos encontramos às 19h na frente da faculdade então, passa com o teu possante lá que eu não vou tirar o meu da garagem hoje. E obrigada!
Claro que a Claire resmungou outra vez, mas já estávamos acostumadas. Ela desligou o telefone. Como ainda faltava duas horas, ficamos mais um pouco no sofá até terminar o programa que estávamos assistindo e então fomos tomar banho e nos arrumar. O cair da noite estava morno, um clima agradável e que não pedia por roupas pesadas, então optamos por looks leves novamente (n/a: look Fernanda; look Ísis).Quando estávamos prontas, descemos e fomos andando até o campus devagar, era vinte para as sete e não ficava longe, chegamos em quinze minutos, mas Fernanda fez uma parada e eu estava esperando ela voltar — ela tinha inventado de parar na cafeteria ao lado da faculdade para comprar algo, então disse que ia esperá-la na frente do portão caso Claire aparecesse, o que deveria faltar pouco, já era 19h05.
Nos momentos em que eu estava sozinha, sempre me pegava pensando em como tudo aconteceu entre nós. Aquela viagem ao litoral realmente tinha sido fundamental para o passo que demos em nosso relacionamento. Pensava em seu sorriso, no modo como seus olhos brilharam quando lhe pedi em namoro e lhe ofereci a aliança... Fernanda era a parte mais importante e especial de mim, era como um órgão vital em meu corpo, eu já não me via mais em um mundo onde ela não existisse e eu não conseguiria aguentar não tê-la ao meu lado. Nunca me perdoaria por não ter me permitido aquilo antes, perdi tanto tempo com garotas que nunca valeram realmente à pena...
E pensar nisso foi como invocar um espírito do passado. Eu não esperava pelo o que aconteceu a seguir. Uma garota se aproximou e, dizendo meu nome em surpresa, seus braços envolveram meu pescoço e eu fiquei atônita por um instante, ainda estava voltando à mim depois de pensar na Fê e foi difícil assimilar as coisas. Quando ela se afastou, me olhando com um sorriso enorme, eu tinha certeza de que minha cara era de puro espanto. Que brincadeira era aquela?!
– Alexia? — falei surpresa, os olhos bem abertos. Eu não podia estar vendo aquela garota na minha frente.
– Oi, Is! Sentiu saudades? — disse com aquele sorriso de dentes brancos que eu sempre achei lindo.
Espera. Por favor, voltem esse filme. O que ela estava fazendo ali? Já fazia mais de dois anos que eu não a via! Isso pode estar um pouco confuso, mas é bem simples: Alexia era minha ex-namorada. A última garota com a qual eu "namorei" — entre aspas porque não chegava nem perto do que eu tinha com a Fê naquele momento; sem juras de amor eterno e aliança, nós apenas tínhamos um tipo de "relacionamento", algo para se dizer em público "nós estamos juntas", mas sem formalidades e oficializações. Mas como assim ela aparecia e me abordava daquele jeito como se nós tivéssemos nos visto ontem?
– Ahn... O que está fazendo aqui, você não tinha saído do país? Não estava fazendo intercâmbio na Austrália? — perguntei, sacudindo a cabeça confusa, ignorando sua pergunta inconveniente.
Quando nós namoramos, ela estava no último ano de Jornalismo ali naquela faculdade mesmo, e eu estava começando Moda. Nós terminamos justamente por conta desse intercâmbio, era o sonho dela desde que começou o curso, e aquilo infelizmente — na época, observação — foi mais importante para ela que o nosso "namoro". Mas eu era orgulhosa demais para chorar e correr atrás, eu não sentia algo tão absurdo por ela a esse ponto. E, duas semanas antes de ela viajar, ela mesma rompeu nosso relacionamento. E eu continuei vivendo minha vida, até o dia que eu fui dizer aos meus pais que eu namorava e toda aquela bola de neve confusa me levou à Fernanda. Não podia acreditar que estávamos onde estávamos por conta de uma mentira boba minha.
Mas a garota à minha frente não me deixou mergulhar de novo em pensamentos que envolviam minha namorada, logo respondeu minha pergunta:
– Sim, então, eu viajei para a Austrália para o intercâmbio, como falei. Já faz dois anos, Is. Mas a faculdade está em recesso por duas semanas e eu decidi voltar às raízes para ficar esses dias com meus pais, e me veio à cabeça dar uma passada aqui no campus para relembrar os velhos tempos. Está fazendo Moda ainda? — questionou.
– Sim, estou — respondi meio desconfiada. Aquilo tudo era muito estranho, de verdade, eu não sabia o que pensar.
– Legal, sempre achei que combinava com você — ela disse com um sorriso sugestivo. Fiz de conta que não notei e dei um sorrisinho em resposta. Pelo jeito ela pretendia dar algum tipo de bote, pois se aproximou mais de mim e falou: — Você está linda, sabia? Ainda mais do que eu me lembrava.
– Ahn, obrigada, eu acho. — Não desfiz minha postura de desconfiança.
Ela deu uma risada, sacudindo a cabeça.
– Por que está com essa cara? Parece bem surpresa em me ver.
– E não era para estar?- perguntei como se fosse óbvio que era para eu estar mesmo surpresa. — Dois anos, Alexia. Dois anos é bastante tempo.
– É, eu sei que é — ela disse com certo pesar, me encarando com certa intensidade em seus olhos castanhos. Alexia tinha a mesma altura que eu, coisa de dois centímetros mais alta talvez, a pele era pouco bronzeada e seu cabelo era bem escuro, quase preto mesmo, e liso até a altura de seu cotovelo, sempre bem cortado e arrumado. Não tinha nada de exuberante nela, sua beleza era simples, porém única, mas na época ela era a garota mais linda que eu poderia imaginar, com seu sorriso perfeito de dentes brancos e alinhados, seu carisma e carinho comigo, tudo isso me encantava nela. Mas já não me surtia o mesmo efeito, e nunca mais surtiria.
Talvez ela achasse que eu ainda era aquela garotinha boba apaixonada que conheceu, mas estava enganada. Alexia esticou a mão para fazer um carinho em meu rosto, tocando-o com a ponta dos dedos, mas eu segurei sua mão e a afastei, sacudindo a cabeça.
– Alexia... — comecei, mas ela interrompeu:
– Eu não queria que o nosso namoro tivesse acabado daquele jeito, você sabe, não é? Eu pensei em te chamar para ir comigo à Austrália, mas seria muito egoísta da minha parte, você estava começando a faculdade e sua família nunca permitiria...
– É, isso seria meio impossível mesmo, não daria certo. — Falei firme. Ela apertou os lábios, mas então sorriu.
Antes que pudesse falar alguma coisa, Fernanda voltou e parou ao meu lado.
– Pronto, Izie — disse meio distraída, com um sorriso, mas esse sorriso morreu assim que ela viu a garota à sua frente. Meu Deus, senti que isso não ia prestar. De início Fernanda pareceu surpresa, depois uniu as sobrancelhas em confusão. — Alexia?
– Fernanda! — Alexia respondeu com um sorrisão e avançou para abraçá-la. Fê não retribuiu o abraço exatamente, fez uma cara estranha e contraiu o maxilar. Olhou de canto de olho para mim e eu encolhi os ombros, fazendo uma cara tipo "não me pergunte o que é isso, não faço a menor ideia do que ela está fazendo aqui". Alexia se afastou, ainda sorrindo. — Nossa, como você está linda, hein? Está diferente! Até pareço uma tia falando — deu uma risada. Eu tive vontade de rir da cara que Fernanda fez, quando deu um sorrisinho contra sua vontade. Mas me mantive em silêncio.
– O que você está fazendo aqui, Alexia? — ela se controlava para não soar grosseira, dava para perceber. — Pensei que tivesse saído do país.
– Eu estava explicando à Is agora mesmo. A faculdade que estou estudando na Austrália está em recesso nas próximas duas semanas e eu voltei ao berço para poder passar esses dias com meus pais, sabe como é, já faz tempo que não os vejo.
– Hum, eu entendo — Fernanda deu um sorrisinho xoxo. Ela não fazia nem questão de disfarçar seu desgosto.
– Pois é... E aí eu resolvi passar aqui perto do campus e encontrei a Is! Estávamos conversando, já que faz bastante tempo também que a gente não se fala — sorriu outra vez. Até eu notava a cara feia de Fernanda, será que ela não?
Então, Fernanda sorriu e segurou minha mão. Fiquei sem reação de início, apenas entrelacei nossos dedos e fiquei encarando Alexia.
– É então, bastante tempo mesmo — disse firme.
A princípio Alexia não pareceu notar aquele gesto, mas quando seus olhos desceram para nossas mãos juntas, seu sorriso tornou-se meio confuso e ela estreitou os olhos.
– Perdi alguma coisa? — ela disse com certo sarcasmo, mas sem entender muito bem a situação — ou fazendo de conta que não entendia.
– Perdeu dois anos — Fernanda respondeu meio ríspida. — Muita coisa acontece em dois anos.
Me mantive em silêncio. A postura da garota à nossa frente mudou no mesmo instante, seus olhos se estreitaram novamente e o sorriso sumiu.
– Vocês...? — ela ia começar a fazer a pergunta, mas pareceu achar que era absurdo demais. Sacudiu a cabeça, dando um sorriso rápido e incrédulo. — Ísis, fala sério. Diz pra mim que vocês não estão juntas.
– E se estivermos? — Fernanda sempre era mais rápida em disparar as respostas. Eu apenas observava, calculando a hora certo de pular fora dali antes que uma merda bem grande acontecesse. Fernanda não estava gostando nada do rumo daquela conversa, era notável. — Você tem alguma objeção, Alexia? Porque se tiver, é melhor dizer de uma vez.
Outro daquele riso rápido e incrédulo. Ela estava realmente surpresa.
– Fala sério, Ísis! E você... — ela olhou para Fê — Você nem é gay, Fernanda! Que palhaçada é essa?
– Muita coisa muda em dois anos, entenda isso. Você não achou que voltaria e tudo estaria como antes, não é?
– Uma pessoa não vira gay em dois anos — Alexia provocou, venenosa. Fernanda estreitou os olhos. Estava chegando o momento de pular fora...
– Você não sabe nada sobre mim, ok? — Fê se irritou, dando um passo à frente. — Eu não vou discutir minha orientação sexual com você, nem com ninguém. Nós nunca fomos amigas, nem sequer fomos próximas. Aliás, eu nunca gostei de você, se quer saber. Sempre se achando o máximo e exibindo a Ísis pra lá e pra cá como se fosse um troféu, você é ridícula. Você não sabe nada sobre a minha vida, então não vem meter o seu nariz aqui.
Certo. Agora estava ficando feia a situação... Alexia não gostou nem um pouco da afronta.
– Que ótimo, porque eu também nunca fui com a tua cara, garota. Sempre quietinha e se fingindo de santa, quando na verdade só estava esperando para dar o bote!
– Bote? — Fernanda deu um riso sarcástico. Ela estava nervosa, mas se mantinha fria e sem perder a razão, eu nunca a havia visto assim antes. — Vê se acorda. Você e a Ísis terminaram há dois anos, duvido que você tenha passado todo esse tempo lamentando isso, não vem com cinismo pra cima de mim. Eu e a Ísis sempre fomos amigas, e eu te suportava apenas por ela, porque você nunca foi digna dela. E se nesse tempo em que você esteve fora nossa amizade se transformou em algo mais, quem é você pra dar palpite? Você nem deveria estar aqui, pra começar.
– Eu não estou acreditando nisso! — Alexia já estava alterada. Seu olhar se voltava para mim constantemente. Eu não sabia se devia interromper. — A única ridícula aqui é você, Fernanda. Acha, então, que você é digna da Ísis, hã? Me poupe! Você é só mais uma dessas garotinhas curiosas procurando por uma aventura, e quando essa curiosidade acabar quem vai sofrer não é você, lembre-se disso, bonitinha. — Ela fez algo que realmente não devia ter feito, não naquela situação: deu uma cutucada no ombro da Fê, meio que empurrando-a, provocando.
Fernanda, lógico, não deixou barato. As meninas chegaram bem na hora que ela impulsionou o corpo para frente e empurrou Alexia. Elas olharam confusas a cena através da janela do carro, e ficaram surpresas ao ver a dita cuja.
– Não toque em mim! — Fernanda esbravejou. Eu avancei a passei os braços ao seu redor, puxando-a para longe de Alexia antes que elas saíssem no tapa — Alexia era louca o suficiente para isso, e Fernanda alterada que já estava não pensaria duas vezes em revidar.
A outra garota ainda gritou algo que não entendi, e tentou avançar, mas Claire já estava fora do carro e ficou entre nós.
– Calma aí, garota! — ela retrucou.
– Calma um caramba, sai da minha frente! — Alexia tentou passar por ela, mas Claire foi decisiva e a empurrou. Algumas pessoas olhavam aquela confusão. — Quem essa garota está pensando que é, hein?!
– Quem você está pensando que é, ridícula! — Fernanda se contorcia em meus braços. Meu Deus, o que eu faço?! Apenas não deixei que ela se soltasse de novo. — Vai embora daqui! Chega achando que todo mundo vai estar de braços abertos e achando que tudo seria como antes, está muito enganada. Não tem mais nada pra você aqui, Alexia, desaparece!
– Fê, por favor, não vale a pena — eu falei baixo, para que ela ouvisse. Trincou os dentes.
– Será que dá pra parar? — Claire falou alto, revirando os olhos.
– Fica esperta, Ísis — Alexia apontou para mim. — É você que vai se machucar no final disso tudo, e depois não venha chorar no meu ombro, eu avisei!
Fernanda riu, sarcástica.
– Já chega. Vai embora, Alexia. — Claire começou a afastá-la. Ela ainda se desvencilhou como quem não precisasse de ajudar para sair dali, e afrontou Fernanda com o olhar, até que finalmente se virou e foi embora. - Eu hein! O que foi isso, é o fantasma do natal retrasado? Credo – Claire resmungou.
Não dei muita atenção porque logo que Alexia se afastou, Fernanda se desvencilhou de meus braços e se afastou também, ficando de costas para mim. Isso não podia estar acontecendo agora...
– Fê... - eu tentei começar a falar, mas ela me interrompeu:
– Nem começa, Ísis. Primeiro: por que você estava conversando com ela? - me encarou, as sobrancelhas unidas. Ela não estava contente, e nem eu.
– Eu não estava conversando com ela, Fê, eu juro foi ela que chegou do nada e puxou assunto comigo. Estava tentando me livrar dela quando você chegou...
– Não era o que parecia – cruzou os braços. Apertei os lábios contrariada. - Não era nem para deixar ela começar a puxar assunto, menos ainda você sabendo que eu não suporto aquela garota!
– Mas... Eu nem sabia que você a odiava tanto, você nunca me falou sobre isso!
– Claro, porque eu tinha que vestir aquela maldita máscara de amiga perfeita quando você estava por perto com ela! Você não entende... Eu sempre te amei, mas você sempre estava com outra pessoa. Eu era capaz de suportar isso porque tinha medo de te perder, de perder a amizade que tínhamos. Mas se você reparasse o mínimo que fosse em mim, ficaria claro que eu não gostava daquela escrota da Alexia.
Fiquei sem reação. Como assim, o que ela estava me dizendo?
– Você... Como assim sempre me amou? Por que nunca me disse nada? - eu estava atônita. Não podia imaginar que ela viesse nutrindo algo há tanto tempo...
Ela soltou um suspiro resignado.
– Desde que te conheci eu soube que sentia algo especial por você, Ísis. Foi difícil entender esse sentimento, e mais difícil ainda aceitá–lo. Eu jamais teria coragem de admitir isso, o medo da rejeição era grande demais, mas o medo de te perder era ainda maior... - ela abaixou o olhar por um instante. - Eu faria qualquer coisa por você, só pra te ver feliz e sorrindo, e foi por isso que aceitei ir naquele jantar na casa dos seus pais. Eu jamais poderia imaginar que estaríamos aqui hoje depois desse jantar. Tudo o que aconteceu... Foi muito repentino e imprevisível, pelo menos para mim. Mas quer saber? Esquece isso. Eu preciso ficar um pouco sozinha agora.
– Mas, Fernanda, não... Eu... - Meu Deus, o que eu falaria agora? Apertei os lábios e sacudi a cabeça. — A Alexia é passado, vamos esquecer isso, as meninas estão nos esperando... Não quero que fique assim, não quero que fique sozinha porque isso só vai te fazer pensar em coisas ruins, eu sei bem como é. Acabou, ok? Vamos... — fiz menção de tocar seu braço, mas ela se afastou um pouco e eu fiquei apreensiva.
– Você acha mesmo que acabou? Por acaso não se lembra de como Alexia é? Enquanto estiver aqui, ela vai tentar causar toda a discórdia que puder — retrucou.
– Então não vamos dar essa felicidade à ela. Ou é isso que você quer? Ver ela sorrindo feliz com o nosso desentendimento? Eu não quero isso, Fê — falei calmamente. — De mim você pode esperar toda a lealdade possível, e pode ter certeza: pela Alexia eu não sinto mais nada, absolutamente nada, a não ser desgosto. É você que eu amo. Me desculpa por ter sido uma idiota desde o começo e ter demorado tanto para enxergar a verdade. Eu não quero te perder agora... — havia um bolo em minha garganta, mas consegui me acalmar um pouco ao ver que ela começava a ceder aquela postura durona.
Ela respirou fundo e desviou o olhar, apertando os lábios de forma complacente.
– Você me promete isso? — ela voltou a me olhar de forma quase suplicante. — Me promete que vai evitar essa garota à qualquer custo? Que vai ficar longe dela?
– Eu prometo, Fê. Eu juro — encurtei a pequena distância entre nós e segurei seu rosto em minhas mãos. — Ta bom? Não vai voltar a acontecer, e se houver insistência da parte dela, eu vou acabar com isso de uma vez por todas. Tem minha palavra.
Ela apenas assentiu, franzindo as sobrancelhas de leve. Claire se aproximou, então.
– Ei, Fê — ela disse devagar, como se sondasse para ver se era possível falar com ela. Fernanda apenas a encarou. — Vamos? A Mandy e a Rafa estão no carro... Esquece essa merda toda, eu vou pagar a conta! E se quiser mando pagar um assassino de aluguel também — fez cara de esperta.
Fê deu um meio sorriso e sacudiu a cabeça.
– Deixa pra lá. Já foi. Vamos que as reservas são para as sete e meia, temos menos de quinze minutos para chegar — disse e então saiu na frente. Claire foi também, mas Fernanda ainda parou e esticou a mão para pegar na minha. Dei um pequeno sorriso e peguei sua mão, então fomos para o carro.
Chegamos ao restaurante e pegamos nossas mesas. Após fazermos os pedidos, Alexia ainda voltou a ser o assunto por alguns segundos, Aly estava indignada com a cara de pau dela. Todos estávamos. Fernanda não voltou a se manifestar, só disse que não queria mais ouvir falar naquela garota. Eu nunca poderia imaginar que ela fosse capaz de suportar alguém por mim, de fingir tão bem por todo aquele tempo, me sentia extremamente culpada naquele momento. Se pudesse voltar atrás e reverter toda aquela situação, nem sequer teria ficado com Alexia e teria aproveitado Fernanda desde o começo, como eu era burra! Mas precisava deixar aquilo no passado agora, ou ficaria me martirizando pelo resto da noite.
Fê demorou para falar, só respondia uma coisa ali e outra aqui, estava falando apenas o necessário e eu sabia que ela ainda estava aborrecida com tudo o que acontecera. Demorou para que ela finalmente conversasse, e claro que se não fosse a Claire ela não sairia de seu casulo. Por mais doidinha que Claire fosse, era sempre ela que trazia a alegria e começava a algazarra. Fê engoliu todo seu orgulho e então pudemos aproveitar a noite ali em um dos mais famosos restaurantes italianos do mundo. A conta foi gorda, mas a doidinha não parecia estar se importando — para quem estava reclamando de pagar um Camarote no clube da praia, ela bem que estava "bonada" agora. Vai entender.
Deixamos o restaurante por volta das dez e meia da noite e Claire fez questão de nos deixar na frente do prédio. Nos despedimos das meninas e então entramos. Não precisava ser nenhuma expert em assunto amorosos para ver que Fernanda ainda não estava totalmente "livre" daquele sentimento deixado pelo reencontro com Alexia. Ela estava evasiva, assim que entramos no apartamento notei que ela tentava não ficar olhando para mim, logo foi para o quarto sem dizer uma palavra. Aquela noite seria um martírio se eu não conseguisse reverter a situação. Respirei fundo e tranquei a porta, colocando pendurando a chave no habitual chaveiro ao lado. Fui então para o quarto também — ao menos ela não tinha trancado a porta. Deixei minha carteira e celular sobre a mesinha ao lado da cama e só observei enquanto ela pegava uma roupa e se dirigia para o banheiro a fim de tomar um banho.
Decidi fazer o mesmo, mas para não incomodá-la — já que minha toalha estava dentro do banheiro -, peguei uma toalha reserva em minha bolsa, minha roupa e fui para o banheiro principal. Enquanto deixava a água escorrer, pensava no quanto eu tinha sido azarada naquela noite. Tudo estava indo tão bem! Mas parece que a vida é feita disso mesmo: bons e maus momentos. Eu só não estava acostumada a passar pro maus momentos com Fernanda, por isso estava tão angustiada. Apesar de ter prometido a ela que evitaria Alexia, que ia fazer o máximo para evitar que aquilo voltasse a acontecer, eu sabia que não era o suficiente para apagar o que aconteceu.
Mas minha angustia maior vinha quando eu me lembrava de suas palavras, quando disse que sempre me amara e que suportava todas as garotas com as quais fiquei só para me ver feliz e estar perto de mim, para não perder a minha amizade. Como eu podia ter sido tão cega todo esse tempo? Por que eu demorei tanto para notar os sentimentos dela por mim, por que demorei tanto para descobrir os meus sentimentos por ela? Eu sabia que conviveria com aquela culpa pelo resto dos meus dias, era inevitável apesar de estarmos juntas agora.
Terminei meu banho, me sequei e vesti a roupa de dormir e então deixei a toalha no varal da área de serviço nos fundos. O apartamento estava silencioso, coisa que me chateava — Fê sempre estava na sala ouvindo uma música baixinha ou com a televisão ligada, mas naquela noite... Era só silêncio. As luzes apagadas, tudo quieto. Eu devia estar pirando ou tudo estava muito dramático mesmo. Fui até a cozinha sem muito ânimo, tomei um copo de água gelada e então fiz meu caminho até o quarto. Fernanda já estava sentada do seu lado da cama e a luz estava apagada, apenas o abajur aceso. Eu sentei do meu lado da cama e olhei para ela por cima do ombro. Queria dizer alguma coisa, mas não sabia o quê ou por onde começar; nem sabia se era sensato começar uma conversa naquele momento. Fernanda então se ajeitou na cama e apagou o abajur, então fui obrigada a fazer o mesmo, mas não sentia que seria capaz de pegar no sono tão fácil.
Fiquei encarando o teto, pensando em tudo o que tinha acontecido... Parece que isso é uma regra: quando as coisas estão indo bem demais algo aparece para estragar, para jogar um balde de água fria sobre sua cabeça. Um fato sobre a vida, em todos os sentidos.
– Fê...? — Resolvi chamá-la. Será que já tinha dormido? Os ponteiros do relógio pareciam não estar mais andando naquele momento.
– Hum? — Ela murmurou meio baixo.
Engoli aquele nó em minha garganta.
– Você... Ainda está pensando naquilo... Não está? — murmurei, encarando o teto.
Ela demorou uns instantes para voltar a falar.
– Eu vou ficar bem.
Repensei aquelas palavras.
– E nós... Nós vamos ficar bem?
– Nós estamos bem.
– Não é o que parece... — apertei os lábios.
Ela virou para mim e se apoiou sobre o cotovelo. Desviei meu olhar para ela; podia ver pouco de seu rosto, apenas o que a luz da janela iluminava.
– Eu amo você, Izie. Independente do que tenha acontecido. Eu amo você.
Novamente precisei engolir o nó que se formava em minha garganta.
– E eu amo você. Independente de qualquer coisa que venha a acontecer.
– Meu único medo é te perder — ela abaixou a cabeça por um instante e depois voltou a me olhar. — Se me prometer que vai estar sempre comigo, podemos superar qualquer coisa.
– Você não vai me perder. Eu vou estar sempre com você, porque é onde eu quero estar. Não vou a lugar algum.
– Me promete? Posso confiar em você?
– Eu prometo. Pode confiar em mim, Fê... Eu te amo. — Reforcei aquelas palavras. — Já perdi muito tempo. Não quero mais desperdiçar um segundo com você.
Ela deu um leve sorriso, quase imperceptível apenas sob a fraca luz que vinha da rua. Se aconchegou perto de mim e deitou a cabeça em meu ombro, seu braço envolvendo meu corpo. Passei meu braço livre em suas costas e a trouxe para mais perto ainda. Ela levantou o olhar para mim e eu dei um pequeno sorriso, depositando um beijo em seus lábios em seguida. Ela retribuiu o beijo e então voltou a se aninhar em meu ombro. Respirei fundo e então me permiti relaxar. Tudo ficaria bem agora.
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Rafaela PDV {Rafaela: Ponto de Vista}
Quando chegamos no prédio, Claire deixou o carro em sua vaga habitual e então seguimos para nossos apartamentos. Ou melhor, ela achou que eu seguiria para o meu apartamento, mas eu tinha coisa melhor em mente. Ela entrou no elevador e apertou o número de seu andar, mas eu não apertei o meu que era três acima. Quando saímos do elevador, acompanhei Claire até a porta e automaticamente ela me chamou para entrar. Não recusei. Mas notei que ela parecia meio preocupada com alguma coisa enquanto deixava seus pertences sobre a mesa no centro da sala.
– Está tudo bem? Está pensando em que? — resolvi perguntar, talvez ela quisesse conversar.
Ela sentou no sofá e eu a acompanhei.
– Não é nada Rafa, só lembrando do episódio desastroso de mais cedo. — A principio não entendi, mas logo ela continuou e ficou claro: — A Fê gosta muito da Izie e eu tenho medo de que a presença daquela garota estrague tudo, não quero que ela sofra. E nem a Izie. Acabo tomando as dores porque eu também não suportava a Alexia e fiz uma festa quando ela saiu do país. Por que ela tinha que voltar agora? Parece uma praga!
Apertei os lábios. Entendia a situação.
– Entendo que queira o melhor pra Fê e pra Izie, eu também quero. Mas não devemos ficar pensando nisso Claire, afinal não podemos fazer nada a respeito, infelizmente... Eu sei que elas vão ficar bem, qualquer um percebe o quanto elas se amam e acho que a presença dessa fulana aí não vai alterar em nada. A Fê seria muito boba se deixasse um fantasma do passado assombrar o relacionamento que elas construíram agora, essa tal de Alexia não é ninguém hoje e logo isso passa. Você vai ver.
– Eu espero que sim — ela murmurou. Respirou fundo, ficando em pé novamente. — Tudo bem, não vou ficar pensando nisso. Quer alguma coisa? Pra beber talvez, porque de comida acho que estamos lotadas!
Dei um leve sorriso.
– Só um copo de água gelada já serve.
– Ok — ela ia saindo, mas então parou e voltou até mim, pegando meu pulso. — Ah, você é de casa, vem logo!
Sacudi a cabeça, enquanto ela me guiava até a cozinha. Eu podia ser "de casa", mas aquela era a primeira vez que eu entrava no apartamento dela. Aquela semana no litoral parecia ter adicionado meses em nossas vidas, essa era a verdade, eu sentia como se a conhecesse há muito mais tempo. A cozinha dela era bonita e bem clara, com tons cinzas e branco e assim como no meu apartamento a sala e a cozinha eram separadas por uma meia parede que servia como uma bancada — parecia que o estilo dos apartamentos no condomínio eram bem peculiar, só mudava o modo como cada um dispunha os cômodos; e claro, a questão do jogo de cores. Sentei em um dos bancos altos que estavam encostados à meia parede. Ela pegou a jarra de água na grande geladeira de aço inox e dois copos, colocando-os sobre a bancada. Serviu-os e me ofereceu um, que tomei sem cerimônia. Ela tomou o seu também.
Ainda ficamos ali por mais um tempo conversando banalidades, comentando sobre a comida do restaurante que tínhamos ido, entre outras coisas. O tempo voava quando eu estava com ela e por um lado isso não era tão bom, mas era bom poder estar com ela. Poderia passar horas e horas ali. Eu não tinha pretensão de ir embora tão cedo.
– Caraca, já é quase uma da manhã! — ela exclamou, mas não parecia estar se importando muito. Nem eu.
– Nem tinha notado! — falei com cinismo. Ela riu de leve sacudindo a cabeça.
– Não está cansada?
– Não, e você?
– Também não. Na verdade parece que eu dormi o dia todo, estou me sentindo bem. Acho que poderia pegar uma balada agora e nem sentir nada!
Funguei um sorriso. Como falei, eu tinha algo bem melhor em mente.
{... And if in the moment I bite my lip
E se nesse momento eu morder meu lábio
Baby in that moment you'll know this is
Amor nesse momento você saberá que é
Something bigger than us and beyond bliss...
Algo maior que nós e além do êxtase...}
– É mesmo? — Eu desci do meu banco. Ela assentiu com um sorriso travesso. Me aproximei do banco que ela estava sentada e minhas mãos alcançaram sua cintura, trazendo-a para mais perto. Seu rosto se aproximou do meu, nossos lábios próximos; eu podia sentir seu hálito quente em minha pele. Dei um sorriso. — Eu tenho algo melhor que uma balada em mente, já que você está tão bem disposta.
– Mesmo? Tipo o quê? — suas mãos já alcançavam meu cabelo num gesto quase dominante. Ela mordeu o lábio.
Minhas mãos correram por suas coxas descobertas pela sainha rodada que ela usava, e ela enlaçou as pernas em minha cintura.
– Você vai ver. — Não precisei falar demais. Ela sabia bem o que eu queria — porque ela queria também.
Meus lábios tomaram os seus com sede e ela correspondeu no mesmo ritmo. Minhas mãos traçavam as linhas e curvas de seu corpo deixando explícita a vontade que eu tinha dela naquele momento. O beijo se intensificou e não demorou muito para que nossos corpos estivesse gritando a necessidade que tinham um do outro. Eu nunca iria entender o modo como todos os meus sentidos se entregavam tão fácil quando estávamos juntas àquele modo, era como puxar a tomada; bum– num instante eles eram desligados. Não estava reclamando, pelo contrário; eu gostava de como ela me envolvia naqueles nossos momentos.
Sem muita paciência e querendo senti-la por inteira, minhas mãos aflitas buscavam tocar toda a extensão de pele que alcançavam, mas ainda não era o suficiente. Eu queria mais e ela também queria, então não demorou muito para que mudássemos o foco.
– Rafa — ela sussurrou entre um gemido e outro, enquanto eu descia meus beijos pelo seu pescoço, dando leves mordidas. — A-aqui não... Vamos pro quarto. Agora.
{'Cause if you want to keep me
Porque se você quiser me ter
You gotta, gotta, gotta, gotta, got to love me harder...
Você tem, tem, tem, tem que me amar com força...}
A urgência era feroz em sua voz embargada pelo desejo. Como eu iria reclamar? Ela empurrou meus ombros e desceu do banco, agarrando meu pulso e me puxando pelo corredor até uma segunda porta à esquerda. Entramos e ela fechou a porta atrás de mim. Quando me virei ela já estava muito perto e dei um passo para trás, Claire aproveitou para me empurrar novamente assim que bati meu pé contra a cama e estava perto o suficiente. O quarto estava mal iluminado e aquele clima era avassalador. Quando caí de costas no colchão ela não perdeu tempo, subiu e sentou em meu quadril, tirando a blusinha branca casual que ela usava.
Aquela era uma cena de tirar o fôlego. Vê-la daquele ângulo fez o desejo de tê-la para mim de todas as formas me invadir por completo, eram insanas as sensações que me tomavam. Inclinei meu corpo para cima e nossos rostos se aproximaram novamente. Minha mão ágil subiu por suas costas e se livrou a peça íntima que ela usava, liberando aquela barreira. Seu cheiro era inebriante, a maciez de sua pele. Parecia que eu a estava tocando pela primeira vez outra vez. Como ela podia me causar tantas sensações juntas? Era loucura! Eu nunca havia me sentido assim, era um sentimento que não cabia dentro do meu peito.
{... And if you really need me
E se você realmente me quer
You gotta, gotta, gotta, gotta, got to love me harder...
Você tem, tem, tem, tem que me amar com força...}
Não consegui resistir por muito mais tempo. Minhas mãos tomaram delicadamente seus seios e levei minha boca até eles, me deliciando com seu gosto. As mãos dela seguravam a base do meu cabelo com firmeza e seus gemidos faziam todos os meus músculos se contraírem — meu corpo inteiro a desejava desesperadamente. Enquanto eu me perdia naquela sensação de beijá-la onde eu podia, seus dedos aflitos procuravam me despir e nós então tiramos um momento para nos livrar de toda aquela roupa.
Sem aqueles empecilhos, eu passei um braço por suas costas e a deitei na cama fazendo com que nossos corpos se encaixassem como se fossem um só, acendendo como fogo em pólvora. Eu não queria perder tempo, por isso não tive muita paciência para preliminares, só consegui me concentrar em beijá-la por alguns instantes porque seu beijo se tornou dominante, urgente, e ela estava inquieta fazendo com que nossos corpos se chocassem em um atrito que estava me enlouquecendo. Nossos quadris encaixados e o atrito entre nossos sexos parecia excitar ainda mais.
Não pude esperar nem mais um segundo. Enquanto descia meus beijos por seu pescoço, minha voz saiu baixa, rouca:
– Eu vou chupar você.
– Por favor– ela sussurrou em resposta, gemendo quando mordi a pele de seu pescoço com um pouco mais de força.
{... And if in the moment you bite your lips,
E se nesse momento você morder seu lábio,
When I get you moaning you'll know it's real...
Quando eu te fizer gemer você saberá que é real...}
Algo selvagem se contorceu dentro de mim, um desejo insano de tomá-la para mim de uma vez. Trilhei meus beijos por seu pescoço abaixo, dando um pouco de atenção novamente aos seus seios simplesmente porque era impossível passar batido; continuei descendo até sua barriga, entre beijos e mordidas, enquanto ela gemia e se contorcia embaixo de mim. Cheguei onde eu mais queria senti-la e ela gemeu com a aproximação, mas desviei meus beijos para a parte interna de suas coxas, deslizando minha língua até tocar sua intimidade. Suas costas arquearam, a uma mão agarrou o edredom embaixo de nós e a outra se enroscou em meu cabelo, seu corpo inteiro pulsava em excitação.
Deixei a cerimônia de lado e a chupei como eu queria desde o começo. O gosto e o aroma dela sempre seria extremamente gostoso, inconfundível. Eu queria mais, ela queria mais; sua mão forçava para que o ritmo aumentasse e eu atendi seu pedido. Claire gemia deliciosamente e isso me excitava, me incitava. Minha língua explorava sua intimidade de modo lascivo, marcando aquele território — ela era minha; por inteira. Naquele ritmo não demorou muito para que ela alcançasse seu primeiro orgasmo, seu corpo se contorceu e os espasmos chegaram, sensibilizando-a. Só parei porque precisava, mas minha vontade era de continuar ali, chupando-a até que ela tivesse dois, três, quatro orgasmos. Era difícil manter o controle com ela!
Subi até alcançar seus lábios outra vez, ela me puxou para um beijo selvagem. Mas eu não esperava que ela fosse se recuperar tão rápido. Depois de me tirar o fôlego naquele beijo ela me empurrou para o lado e ficou por cima. Aquela posição já estava me excitando outra vez. Claire me beijava e sua boca seguiu para perto do meu ouvido, onde ela sussurrou quando eu menos esperava, me fazendo arrepiar por inteira.
– Eu quero tentar — sua voz baixa e levemente rouca aguçava todos os meus sentidos. — Quero sentir você, Rafa...
Fiquei alguns instantes encarando seus lábios entreabertos perto dos meus, processando aquelas palavras.
– Tem certeza? — Perguntei. Ela assentiu, mordendo o lábio inferior. Minha voz era apenas um sussurro: — Você pode fazer o que quiser... Eu sou sua.
Ela deu um leve sorriso. Tomei seus lábios num beijo calmo mas cheio de desejo. Eu não costumava me "entregar fácil", na maioria das vezes eu gostava apenas de dar aquele tipo de prazer à uma garota. Mas naquele momento eu queria senti-la daquele jeito também, queria ter o máximo dela, queria que ela me proporcionasse aquele prazer. Ela se entregou tão rápido quanto eu, logo estávamos novamente envoltas naquele clima de êxtase e não demorou muito para que ela seguisse suas vontades e começasse a mudar o rumo de seus beijos. Achei por um momento que ela fosse hesitar quando seus lábios se aproximaram dos meus seios, mas me surpreendeu tomando-os como se soubesse exatamente o que fazer. Quando senti sua boca tomando posse, meu corpo inteiro se eletrizou e um arrepio fez minhas costas arquearem de leve. Aquilo a incentivou.
{... Can you feel the pressure between your hips?
Você consegue sentir a pressão entre seus quadris?
I'll make it feel like the first time...
Eu vou fazer parecer como se fosse a primeira vez...}
Seus beijos continuaram descendo, mordiscando minha pele, provocando. Meus músculos travaram quando ela chegou perto o suficiente da minha intimidade, suspirei. Mas Claire parecia mesmo querer aquilo e não me deu tempo de me preparar para o que viria a seguir, o elemento surpresa ajudou para que a sensação fosse ainda mais alucinante. Sua boca e língua explorando meu sexo fez com que eu gemesse em um êxtase que há bastante tempo eu não sentia. Eu não precisei fingir, não precisei esconder o quanto aquilo estava me excitando e isso a estimulava mais a cada instante e me aproximava mais de um orgasmo que tiraria minha sanidade. E foi exatamente o que aconteceu. Sua língua estimulando, sua respiração, logo me trouxe a sensação de chegar ao ápice como nunca, todos os meus músculos vibraram e um gemido rouco saiu da minha garganta, automaticamente minha mão foi para seu cabelo como se para certificar de que ela ficasse ali até aquela sensação me arrebatar por completo, o que não demorou. Ela soube o momento de parar, quando meu corpo ficou sensível com o orgasmo; todos os meus músculos estremeciam.
Quando ela estava subindo novamente, eu inclinei meu corpo e ela sentou em meu quadril, passei um braço por trás de suas costas e a beijei com fúria. Aquela sensação era simplesmente insana. Ela correspondeu ao beijo no mesmo ritmo e o contato de nossas peles naquele posição me fez pensar em mil coisas ao mesmo tempo. Eu não estava completamente recuperada daquele orgasmo mas queria senti-la ainda mais e num lapso de desejo minha mão se dirigiu para sua intimidade e eu introduzi um dedo nela, fazendo-a se contorcer e gemer roucamente. Ela estava quente e muito molhada, aquilo era demais para o que restava da minha lucidez. Comecei a investir nela tentando manter meu controle, mas ela gemia bem em meu ouvido, as unhas arranhando minhas costas, e eu sentia que ia enlouquecer. Ela jogou a cabeça para trás e a visão que eu tinha dela ali em cima de mim era de causar inveja, mas ainda melhorou quando ela inclinou o corpo para trás totalmente entregue ao desejo e suas costas bateram contra o colchão.
Eu fiquei sem fôlego de vê-la daquele ângulo, seu corpo inclinado para trás me dando a visão privilegiada de toda a extensão de sua barriga por onde logo minhas mãos passearam até chegar em seus seios, e logo eu voltei a investir e penetrar meu dedo nela, naquela posição era loucura. Ela gemia e gemia com cada investida, as vezes era como se ela rosnasse de prazer e com meu controle totalmente ausente minhas investidas fortes fizeram com que logo ela tivesse o segundo orgasmo, as paredes de sua intimidade pressionaram meu dedo quando ela se contorceu. Eu ainda mantive meu dedo ali, sentindo suas contrações, me deliciando com seu líquido que escorria em minha mão. Me curvei por cima de seu corpo desfalecido, sua respiração estava descompassada, alcancei seus lábios sugando-os e ela retribuiu. Eu não queria parar, mas ela estava realmente esgotada depois daquela então senti que podia dar um tempo para descansarmos. Nos ajeitamos na cama e eu a envolvi em meus braços, nossos beijos eram calmos, as respirações ainda lutavam para normalizar.
Eu nunca achei que pudesse sentir um prazer tão grande com uma garota, nenhuma até então havia me causado aquilo. Claire era única e eu soube disso desde o primeiro momento em que coloquei meus olhos nela, eu só não podia imaginar que estaríamos ali naquele momento desfrutando de sensações indescritíveis e compartilhando um sentimento tão intenso.
– Eu amo você — ela sussurrou entre um beijo e outro.
– E eu amo você. — Respondi baixinho. — Mais do que eu achei que seria capaz de amar alguém um dia...
– Vai ficar comigo para sempre?
Dei um sorriso e depositei um beijo em sua testa; sua cabeça descansava em meu ombro.
– Vou ficar com você para sempre. Se você quiser, é claro.
Ela sorriu também.
– Eu quero.
– Então é para sempre. — Estreitei meus braços ao seu redor e ela me abraçou, nossos corpos descobertos se enlaçavam.
– E se você enjoar de mim?
– Duvido — respondi com um riso leve. — Esperei por esse momento, para estar com você, por tempo suficiente para enlouquecer qualquer um. Tenho certeza de que vou demorar muito para enjoar de você, isso se eu enjoar.
Ela me deu um beijo e sorriu de novo. Então curtimos um pouco do silêncio que nos envolveu. A ponta dos meus dedos deslizavam por suas costas, fazendo sua pele se arrepiar por onde eu passava. Logo o cansaço pareceu nos tomar, senti que seu corpo já estava mais relaxado. Meu corpo começou a relaxar também apesar de aquela sensação alucinante ainda estar ali reverberando em todos os meus músculos. Então nós pegamos no sono do jeito que estávamos.
E eu podia afirmar no dia seguinte que foi a melhor noite de sono que tive em anos. Meu corpo parecia ter descansado na medida e acordar com o corpo junto ao da garota que eu amava fazia com que a sensação de satisfação triplicasse. Claire ainda dormia tranquilamente e a luz que varava pela cortina do quarto era fraca, iluminando bem pouco o ambiente. Lenta e relutantemente eu me afastei de seu corpo adormecido e me levantei da cama. Lutei para encontrar ao menos minha peça íntima e a blusa que eu usava, então segui para o banheiro do corredor e fiz minha higiene matinal. Sorri sozinha ao ver que o apartamento estava do jeito que deixamos na noite anterior: com as luzes do hall de entrada e da sala acesas em plena luz do dia. Nem nos importamos com isso na hora de urgência. Olhei para o relógio e eram onze e dezessete da manhã — pelo jeito ir à faculdade naquele dia estava totalmente fora de questão. Apaguei as luzes e então fui para a cozinha.
Queria preparar alguma coisa para comermos mas eu não conhecia seu apartamento, então tentei ser silenciosa e não muito abusada enquanto colocava o café para passar na cafeteira elétrica. Olhei em seus armários para ver podíamos aproveitar alguma coisa para aquele café da manhã e ainda bem ela estava abastecida. Peguei um pacote de bolachinhas salgadas e lembrei que ela dissera sobre gostar da pasta de amendoim (isso parecia ter acontecido há anos atrás!) e olhei na geladeira. O potinho estava lá. Sorri. Era isso mesmo. Coloquei tudo sobre a mesa e peguei duas xícaras, o adoçante e uma faca sem ponta para a pasta. Ajeitei tudo direitinho e apenas esperei o café ficar pronto. Quando faltava pouco para terminar, Claire então acordou.
– Humm — ela murmurou da entrada da cozinha. Desviei meu olhar, não a tinha escutado chegar. Sorri e ela sorriu de volta. Usava apenas sua peça íntima também e uma camiseta. — O cheiro está bom.
– Espero que você não se importe por eu ter mexido em tudo para preparar o café — fiz cara de culpada.
Ela se aproximou e passou os braços em meu pescoço, me dando um beijo. A envolvi em meus braços e correspondi.
– Não me importo nem um pouco — disse sorrindo. — O apartamento é seu também. — Ela olhou para a mesa e mordeu o lábio. — Pasta de amendoim era tudo o que eu precisava para começar o dia bem depois da noite de ontem!
Sorri. Havia sido uma noite e tanto, realmente.
– Para recuperar as forças — pisquei e ela riu de leve. — Senta lá, o café está quase pronto.
– Ta bom — me deu outro beijo rápido e então tomou seu lugar à mesa.
Assim que a cafeteira terminou seu trabalho, servi nossas xícaras e então me sentei também. Comemos até estarmos satisfeitas e então limpamos tudo. Claire deixou claro que não estava com pique algum para ir ao campus e eu obviamente não iria deixá-la ali para assistir aulas, nem sequer cogitei essa possibilidade. Decidimos ficar na sala assistindo televisão, passando pelos canais, alugando filmes durante toda a tarde e eu não queria ter que ir embora naquele dia — mas precisava subir três andares que mais pareciam uma eternidade de distância dali, para tomar um banho e trocar de roupas. Porém deixaria isso para bem mais tarde.
Estávamos sentadas no sofá, Claire estava entre minhas pernas encostada em meu peito. Eu estava ali olhando para a tela da televisão sem realmente enxergar o filme ou qualquer coisa, meus pensamentos estavam inteiramente voltados para a noite anterior e todos os nossos momentos juntas até então. Sentia como se estivéssemos juntas há muito tempo, como se eu a conhecesse melhor do que ninguém, como se ela fosse realmente a minha alma gêmea — e eu não duvidava disso. Pensava do momento em que eu a vi pela primeira vez ali no condomínio e depois na faculdade, e meu pensamento de como ela era linda e espontânea com todos. Seu sorriso, seu jeitinho maluco mas incrível de ser, tudo isso me encantava nela. Achava que ela era alguém impossível e fora do meu toque, mas eu nem sonhava em estar enganada. E eu estava, ainda bem. Eu nunca tinha dito um "eu te amo" para alguém tão rápido antes, porque nunca tive essa certeza realmente, essas três palavrinhas carregam um mundo de sentimentos e um mundo de sentimentos não se encontra em qualquer lugar, em qualquer pessoa. Por isso eu sabia: ela era única. E era minha, tinha de ter sido feita especialmente para mim, eu sentia isso.
Então, entre todos esses pensamentos eu soube que não podia mais perder tempo com incertezas, eu precisava tê-la apenas e exclusivamente para mim.
– Claire... — eu a chamei. Ela estava entretida com o filme que passava na televisão, mas logo desviou o olhar para mim ao sentir o tom sério em minha voz. — Quero falar com você...
Ela uniu as sobrancelhas e se levantou, endireitando o corpo para me olhar, mas sem sair da posição em que estávamos.
– O que foi Rafa? — ela parecia preocupada.
Apertei os lábios. Aquela era a hora.
– Eu preciso saber algo de você. O que você sente por mim... Até onde isso vai, esse sentimento?
Seu semblante era de preocupação, podia imaginar o motivo.
– Eu amo você. E você sabe disso. Não estou entendendo Rafa...
– Me ama? Você tem certeza de que isso é amor, Claire? Eu preciso saber...
Ela chegou mais perto e segurou meu rosto entre suas mãos, olhando em meus olhos.
– Eu te amo. E acredite, foi difícil para mim aceitar isso, ninguém nunca mexeu comigo como você fez desde o começo. Eu não me enganaria tão fácil, sei o que sinto por você.
Segurei suas mãos.
– Então namora comigo. — Falei de uma vez. Eu precisava ter certeza. Ela vacilou e eu notei em seu olhar. — Você me ama o suficiente para isso? Aceita ser minha namorada? De verdade, com todos os clichês possíveis.
Ela me encarava como se tivesse visto um fantasma. Era agora ou nunca, eu precisava me arriscar. Eu precisava desesperadamente que aquela resposta fosse positiva. Esperei, me remoendo por dentro, até que ela conseguisse falar.
– Eu... — Claire lutava para encaixar as palavras. — E-eu aceito... Eu quero ser sua namorada, Rafa... Com todos os clichês possíveis. Eu te amo o suficiente para isso e muito mais — seu olhar era intenso no meu.
Demorei um minuto inteiro para processar aquelas palavras. Ela havia dito que sim. Ela havia dito que sim...
– Sim? — quis me certificar. Meu coração já perdia o ritmo em meu peito, eu sentia como se fosse explodir.
Ela abriu um sorriso de início vacilante. Assentiu.
– Sim. Sim!
Foi inevitável não sorrir também. Ela havia dito sim! Meu coração voava. Eu a abracei e ela me apertou em seus braços, seus lábios tocaram os meus e eu sentia como se pudesse morrer ali mesmo. A felicidade não cabia dentro do meu peito. Ela sentou em meu quadril enquanto me beijava e eu trouxe seu corpo para o mais perto que o espaço me permitia. Ela deu uma risada de leve:
– Você me assustou. Achei que fosse desistir de mim, que já estivesse enjoada — falou meio baixo.
Dei um sorriso.
– Nunca. É impossível. Eu quero ficar com você Claire, e é para sempre lembra?
Seu sorriso era lindo para mim; ela mordeu o lábio.
– Para sempre! Agora mais do que nunca. — Ela me beijou novamente.
Agora mais do que nunca. Eu me sentia completa naquele momento, todas as minhas incertezas e medos despedaçados. Ela me queria do mesmo jeito que eu a queria e aquilo era mais que suficiente para mim. O resto nós inventaríamos juntas.
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